Por Rafael Dantas
Jornal do Commercio (31/01/2011)
Empresa do Agreste faz gol de placa nos negócios ao fornecer uniformes para diversos times
Presente nos padrões da maioria dos clubes do futebol pernambucano, a Rota do Mar, empresa do Agreste, que tem sua sede em Santa Cruz do Capibaribe, pretende estar presente é no guarda roupa dos torcedores. A produção de material esportivo representa um dos trunfos do trabalho de marketing da empresa para popularizar a marca. Só no Campeonato Pernambucano, entre patrocínios e fornecimento de material, a empresa investe nada menos que R$ 500 mil. Além disso, a Rota do Mar já cruzou o continente, aparecendo em campeonatos nacionais e até na Libertadores da América.
No Campeonato Pernambucano 2011, dos 12 clubes que jogam na primeira divisão, seis vestem padrões fabricados pela Rota do Mar e outros três são patrocinadas. Apenas os clubes da Capital – Santa Cruz, Sport e Náutico – não têm a marca estampada na camisa. Do Agreste, o Porto, de Caruaru, e o Ypiranga, de Santa Cruz do Capibaribe, usam uniformes da empresa, que veste ainda os times do América, Cabense, Petrolina e Araripina. Além das camisas, todos os estádios têm anúncios da marca.
“Estamos com todos os clubes do interior, como fornecedores ou patrocinadores. Procuramos avançar nos times menores, sem esquecer dos grandes. Já fizemos ações também com os clubes da capital”, explica Vicente Neto, coordenador de marketing da Rota do Mar. Neste ano, o lançamento dos uniformes do América e do Central, com a presença da modelo Viviane Araujo, foi uma das ações da empresa com grande repercussão para a marca.
Além de Pernambuco, a empresa, que tem abrangência nacional, com 800 pontos de venda espalhados pelo Brasil, fornece material para quatro times paraibanos e está fechando com o Gama, de Brasília, e o Comercial, do Piauí. O último, fará no próximo mês uma partida oficial contra o Palmeiras, na primeira rodada da Copa do Brasil. A oportunidade de aproveitar a divulgação nacional levou a Rota do Mar a procurar o clube piauiense. Em 2009, a empresa de Santa Cruz do Capibaribe ousou e levou material esportivo para o clube colombiano do Independiente Medellín, que na época disputou a Copa Libertadores.
As ações voltadas para os campos de futebol começaram há dez anos na Rota do Mar. Segundo a empresa, apenas agora começa a ter uma demanda por distribuição desses produtos, mas o grande interesse de entrar nesse mercado foi de potencializar a marca. “O grande retorno que temos é o fortalecimento do nome Rota do Mar. A produção em si não é intensa, apenas agora começamos a ter demanda”, afirmou Vicente Neto.
Após aumentar o faturamento em 15% em 2010, a meta da empresa é de no mínimo manter o ritmo de crescimento em 2011. A empresa do Agreste, com 280 funcionários, tem uma produção mensal de 120 mil peças, que são vendidas para todo o País. Em Pernambuco, além dos pontos de venda e representantes, a Rota do Mar conta com cinco lojas, duas em Santa Cruz do Capibaribe, uma em Toritama e duas em Caruaru.
SOLIDARIEDADE
Até o dia 10, a Rota do Mar, a Moda Center Santa Cruz (Parque de feiras), Associação Empresarial de Santa Cruz do Capibaribe (Ascap) e a Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Cruz do Capibaribe estão arrecadando donativos para desalojados e desabrigados dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Tanto das lojas da empresa e as sedes das entidades participantes serão pontos de arrecadação de alimentos não perecíveis, roupas, água mineral e produtos de higiene pessoal.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Ser verde custa bem mais caro
Por Lara Holanda e Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (06/02/2011)
Valor alto nos supermercados dos produtos com características de ecologicamente corretos ainda inibe a procura dos brasileiros por este tipo de item
Embora o termo sustentabilidade seja muito usado, comprar produtos biodegradáveis que não agridem o meio ambiente ou diminuir o consumo e o gasto de energia ainda não são hábitos incorporados pela maioria das pessoas. Uma das razões disso é o alto preço que se paga por produtos que trazem estampado na embalagem as características de ecologicamente corretos, recicláveis, biodegradáveis ou orgânicos.
Numa pesquisa informal realizada pela equipe do JC, uma pequena feira de produtos sustentáveis chega a ser 46% mais cara em relação à de produtos equivalentes que não possuem essa diferenciação. A maior parcela da população brasileira está incluída na classe C e possui uma renda familiar entre quatro e dez salários mínimos – atualmente fixado em R$ 540 –, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um brasileiro que recebe mensalmente R$ 2.160 e resolve comprar apenas os dez itens listados na pesquisa informal realizada pela reportagem gastaria R$ 61,37 em produtos “verdes” contra R$ 41,85 numa cesta com produtos equivalentes que não fossem sustentáveis. A variação do preço das cestas chega a 46,6%.
Embora sejam mais caros, a pensionista Conceição Lima prefere levar os produtos orgânicos e os recicláveis quando tem a possibilidade. “Mesmo que sejam mais caros, compensam porque são mais sadios, não levam agrotóxico e não agridem o meio ambiente”, comenta. A administradora Renata Dornellas também tem essa preocupação na hora de comprar. Mas nem sempre ela leva todos os produtos ecologicamente corretos que deseja. Além de não encontrar tanta oferta desses produtos como deseja, realmente sento o peso no bolso. “Acho que eles aumentam cerca de 20% o preço da feira. Às vezes você para, pensa e acaba abrindo mão de levar um produto.”
Do carrinho cheio de compras da administradora, apenas dois produtos eram “verdes”: o quiabo orgânico e o pacote de esponja para prato. “Se os preços fossem mais acessíveis, a maioria das pessoas compraria. Mas, com esses preços, é quase impossível para uma pessoa de renda baixa fazer uma feira dessas”, pondera. Entre as razões que tornam esses artigos mais caros, está a produção em menor quantidade, geralmente realizada por pequenos agricultores que também enfrentam gastos com transporte.
Como ainda é pequeno o número de pessoas com a consciência de um consumo sustentável, as grandes empresas também oferecem uma oferta menor de produtos com essa preocupação. “A demanda ainda é pequena, mas a oferta também é menor, o que encarece os produtos disponíveis.”, observa a professora do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Fátima Massena.
De acordo com a professora, ainda é preciso trabalhar a educação ambiental e de consumo da maioria da população, para que a demanda por produtos sustentáveis vá além do discurso, forçando produtores e fornecedores a também se adaptarem a essa realidade. “Quando acrescentamos na feira os produtos sustentáveis, pagamos uns R$ 130 a mais na conta. Isso dificulta o acesso ao consumo desses produtos. Além de haver pouca variedade, a oferta ainda é pequena, os produtores não têm tanta preocupação com a embalagem, os consumidores também não modificaram os hábitos. Agora é que as empresas e os consumidores começaram a se preocupar e se adaptar a essas mudanças de hábitos”, observa Fátima Massena.
“Incorretos” somam 95% do País
Você já parou para pensar sobre a origem dos produtos que consome? Se a fabricação respeita o meio ambiente ou se a empresa trabalha preocupada com a sustentabilidade ambiental? Caso não, você integra atualmente um nada seletivo grupo de 95% dos brasileiros que ainda não estão integrados ao costume do consumo consciente. Apesar dos dados nada animadores, os especialistas de mercado acreditam que a procura por produtos “sustentáveis” vai crescer em breve, principalmente com a massificação do discurso, presente em diversas campanhas educativas e anúncios publicitários.
Pesquisa dos institutos Akatu e Ethos revelou que a fatia de consumidores conscientes permaneceu em 5%, entre 2006 e 2010. O levantamento, que ouviu 800 pessoas de nove regiões metropolitanas brasileiras, incluindo Recife e outras três capitais, mapeou 13 tipos de comportamento como: comprar produtos orgânicos ou feitos com material reciclado e ler rótulos de produtos antes de decidir uma compra. “A sustentabilidade tem que ser observada por três ângulos: a questão ambiental, econômica e social, questões que o consumidor brasileiro ainda não está preocupado”, afirmou o consultor especialista em marketing e estratégia de negócios, Bento Albuquerque.
INDIFERENTES
Um dado alarmante apontado pelo estudo foi o crescimento da população considerada indiferente quanto ao consumo consciente. Os indiferentes – que possuem no máximo quatro comportamentos sustentáveis – representavam 25% dos consumidores, e passaram para 37% no ano passado. A razão apontada pelos especialistas está relacionada ao crescimento da classe C, aumento de renda da população e democratização do acesso ao crédito. O estudo considera que o primeiro momento após esse novo contexto social e econômico, citado como “festa do consumo”, é o mais difícil para se incorporar comportamentos ligados a um consumo mais consciente e sustentável.
O estudante de design Tomáz Alencar, 19 anos, é um dos que se enquadra do grupo dos consumidores conscientes. Comportamentos simples, como usar eco bag, optar por produtos naturais e observar selos de reciclagem, o diferenciam da maioria da população. Comprometido, ele faz até palestras sobre sustentabilidade e criou um blog sobre o tema. “Tentei incentivar as pessoas a se preocuparem com o meio ambiente, mas a maioria das pessoas não quer nem saber. Me sinto meio sozinho nesse mundo.”
Novos consumidores estão longe da sustentabilidade
O apelo ao consumo por produtos ecologicamente corretos está engatinhando no Brasil. Segundo dados de um estudo realizado pelos institutos Akatu e Ethos, 56% de 800 pessoas entrevistadas em todas as regiões do Brasil nem sequer ouviram falar sobre o termo sustentabilidade, 19% apresentaram uma definição errada e 9% já ouviram sobre o assunto, mas não sabiam explicar o assunto. Na classe C, a conclusão é evidente. “Quando uma nova parcela da população tem mais renda, a primeira expectativa é apenas o consumo em si. Isso não significa que as pessoas não se importam com a questão do consumo social, embora não se reflita no momento do consumo”, diz o professor de publicidade da Unicap e consultor de branding, Rodrigo Duguay.
Para os especialistas, o crescimento da responsabilidade ambiental da população se dará de forma lenta e ancorada num esforço em comunicação. Mas, apesar da parcela enorme de pessoas ainda desinteressadas sobre o assunto, os comprometidos já representam um mercado consumidor amplo, principalmente pelo fato de serem um grupo com maior poder de compra. “Por mais que o percentual não seja tão significativo, em determinados mercados de bilhões de dólares, esses 5% podem ser o fator determinante para a vitória ou o fracasso de uma marca. A indústria tem que agir antes que a tendência se consolide. As empresas que esperarem esse percentual de comprometimento crescer para investir em sustentabilidade vão perder mercado”, analisa Duguay.
Os números revelam uma realidade de desconhecimento sobre o tema, explicado pelo consultor Bento Albuquerque como o fruto da falta de uma cultura sustentável no Estado e no meio empresarial. “Os países desenvolvidos tem um consumo mais consciente porque o Estado começou a estabelecer normas e padrões para esse fim. No Brasil, esse movimento está apenas começando.” (R.D)
Publicado no Jornal do Commercio (06/02/2011)
Valor alto nos supermercados dos produtos com características de ecologicamente corretos ainda inibe a procura dos brasileiros por este tipo de item
Embora o termo sustentabilidade seja muito usado, comprar produtos biodegradáveis que não agridem o meio ambiente ou diminuir o consumo e o gasto de energia ainda não são hábitos incorporados pela maioria das pessoas. Uma das razões disso é o alto preço que se paga por produtos que trazem estampado na embalagem as características de ecologicamente corretos, recicláveis, biodegradáveis ou orgânicos.
Numa pesquisa informal realizada pela equipe do JC, uma pequena feira de produtos sustentáveis chega a ser 46% mais cara em relação à de produtos equivalentes que não possuem essa diferenciação. A maior parcela da população brasileira está incluída na classe C e possui uma renda familiar entre quatro e dez salários mínimos – atualmente fixado em R$ 540 –, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um brasileiro que recebe mensalmente R$ 2.160 e resolve comprar apenas os dez itens listados na pesquisa informal realizada pela reportagem gastaria R$ 61,37 em produtos “verdes” contra R$ 41,85 numa cesta com produtos equivalentes que não fossem sustentáveis. A variação do preço das cestas chega a 46,6%.
Embora sejam mais caros, a pensionista Conceição Lima prefere levar os produtos orgânicos e os recicláveis quando tem a possibilidade. “Mesmo que sejam mais caros, compensam porque são mais sadios, não levam agrotóxico e não agridem o meio ambiente”, comenta. A administradora Renata Dornellas também tem essa preocupação na hora de comprar. Mas nem sempre ela leva todos os produtos ecologicamente corretos que deseja. Além de não encontrar tanta oferta desses produtos como deseja, realmente sento o peso no bolso. “Acho que eles aumentam cerca de 20% o preço da feira. Às vezes você para, pensa e acaba abrindo mão de levar um produto.”
Do carrinho cheio de compras da administradora, apenas dois produtos eram “verdes”: o quiabo orgânico e o pacote de esponja para prato. “Se os preços fossem mais acessíveis, a maioria das pessoas compraria. Mas, com esses preços, é quase impossível para uma pessoa de renda baixa fazer uma feira dessas”, pondera. Entre as razões que tornam esses artigos mais caros, está a produção em menor quantidade, geralmente realizada por pequenos agricultores que também enfrentam gastos com transporte.
Como ainda é pequeno o número de pessoas com a consciência de um consumo sustentável, as grandes empresas também oferecem uma oferta menor de produtos com essa preocupação. “A demanda ainda é pequena, mas a oferta também é menor, o que encarece os produtos disponíveis.”, observa a professora do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Fátima Massena.
De acordo com a professora, ainda é preciso trabalhar a educação ambiental e de consumo da maioria da população, para que a demanda por produtos sustentáveis vá além do discurso, forçando produtores e fornecedores a também se adaptarem a essa realidade. “Quando acrescentamos na feira os produtos sustentáveis, pagamos uns R$ 130 a mais na conta. Isso dificulta o acesso ao consumo desses produtos. Além de haver pouca variedade, a oferta ainda é pequena, os produtores não têm tanta preocupação com a embalagem, os consumidores também não modificaram os hábitos. Agora é que as empresas e os consumidores começaram a se preocupar e se adaptar a essas mudanças de hábitos”, observa Fátima Massena.
“Incorretos” somam 95% do País
Você já parou para pensar sobre a origem dos produtos que consome? Se a fabricação respeita o meio ambiente ou se a empresa trabalha preocupada com a sustentabilidade ambiental? Caso não, você integra atualmente um nada seletivo grupo de 95% dos brasileiros que ainda não estão integrados ao costume do consumo consciente. Apesar dos dados nada animadores, os especialistas de mercado acreditam que a procura por produtos “sustentáveis” vai crescer em breve, principalmente com a massificação do discurso, presente em diversas campanhas educativas e anúncios publicitários.
Pesquisa dos institutos Akatu e Ethos revelou que a fatia de consumidores conscientes permaneceu em 5%, entre 2006 e 2010. O levantamento, que ouviu 800 pessoas de nove regiões metropolitanas brasileiras, incluindo Recife e outras três capitais, mapeou 13 tipos de comportamento como: comprar produtos orgânicos ou feitos com material reciclado e ler rótulos de produtos antes de decidir uma compra. “A sustentabilidade tem que ser observada por três ângulos: a questão ambiental, econômica e social, questões que o consumidor brasileiro ainda não está preocupado”, afirmou o consultor especialista em marketing e estratégia de negócios, Bento Albuquerque.
INDIFERENTES
Um dado alarmante apontado pelo estudo foi o crescimento da população considerada indiferente quanto ao consumo consciente. Os indiferentes – que possuem no máximo quatro comportamentos sustentáveis – representavam 25% dos consumidores, e passaram para 37% no ano passado. A razão apontada pelos especialistas está relacionada ao crescimento da classe C, aumento de renda da população e democratização do acesso ao crédito. O estudo considera que o primeiro momento após esse novo contexto social e econômico, citado como “festa do consumo”, é o mais difícil para se incorporar comportamentos ligados a um consumo mais consciente e sustentável.
O estudante de design Tomáz Alencar, 19 anos, é um dos que se enquadra do grupo dos consumidores conscientes. Comportamentos simples, como usar eco bag, optar por produtos naturais e observar selos de reciclagem, o diferenciam da maioria da população. Comprometido, ele faz até palestras sobre sustentabilidade e criou um blog sobre o tema. “Tentei incentivar as pessoas a se preocuparem com o meio ambiente, mas a maioria das pessoas não quer nem saber. Me sinto meio sozinho nesse mundo.”
Novos consumidores estão longe da sustentabilidade
O apelo ao consumo por produtos ecologicamente corretos está engatinhando no Brasil. Segundo dados de um estudo realizado pelos institutos Akatu e Ethos, 56% de 800 pessoas entrevistadas em todas as regiões do Brasil nem sequer ouviram falar sobre o termo sustentabilidade, 19% apresentaram uma definição errada e 9% já ouviram sobre o assunto, mas não sabiam explicar o assunto. Na classe C, a conclusão é evidente. “Quando uma nova parcela da população tem mais renda, a primeira expectativa é apenas o consumo em si. Isso não significa que as pessoas não se importam com a questão do consumo social, embora não se reflita no momento do consumo”, diz o professor de publicidade da Unicap e consultor de branding, Rodrigo Duguay.
Para os especialistas, o crescimento da responsabilidade ambiental da população se dará de forma lenta e ancorada num esforço em comunicação. Mas, apesar da parcela enorme de pessoas ainda desinteressadas sobre o assunto, os comprometidos já representam um mercado consumidor amplo, principalmente pelo fato de serem um grupo com maior poder de compra. “Por mais que o percentual não seja tão significativo, em determinados mercados de bilhões de dólares, esses 5% podem ser o fator determinante para a vitória ou o fracasso de uma marca. A indústria tem que agir antes que a tendência se consolide. As empresas que esperarem esse percentual de comprometimento crescer para investir em sustentabilidade vão perder mercado”, analisa Duguay.
Os números revelam uma realidade de desconhecimento sobre o tema, explicado pelo consultor Bento Albuquerque como o fruto da falta de uma cultura sustentável no Estado e no meio empresarial. “Os países desenvolvidos tem um consumo mais consciente porque o Estado começou a estabelecer normas e padrões para esse fim. No Brasil, esse movimento está apenas começando.” (R.D)
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Fantástica fábrica da Garoto
Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/01/2011)
Visita à linha de produção dos bombons da marca é o segundo passeio mais concorrido do Estado, depois do Convento da Penha
VILA VELHA – Visitar uma fábrica de chocolate está no imaginário de qualquer criança ou dos que ainda estavam na infância quando assistiram A fantástica fábrica de chocolate. Mesmo sem o famoso rio do manjar ou os inúmeros anões Oompa Loompas, a indústria da Garoto, a maior produtora brasileira e da América Latina, localizada em Vila Velha se tornou o segundo ponto turístico mais visitado no Espírito Santo, perdendo apenas para o Convento da Penha, que também atrai uma grande quantidade de visitantes. A concorrência para a saborosa visita é tão grande que apenas 30% da demanda é atendida pela empresa. Cerca de 300 mil pessoas passam pelo programa de visitas da Garoto por ano.
Antes de entrar literalmente na linha de produção, todos os turistas recebem instruções de segurança, deixam todos os objetos num guardador e vestem bata e toca para garantir a higiene no ambiente. Passadas as instruções iniciais, é hora de começar a seguir os quilômetros de tubos que levam chocolate, castanha e açúcar, entre diversos outros ingredientes sólidos e líquidos que compõe os bombons e barras da Garoto. Os turistas descobrem alguns segredos da produção, imperceptíveis ao saborear os produtos, e acompanham todo o processo que se encerra na embalagem e distribuição das caixas amarelas.
Além de observar o trabalho dos funcionários e máquinas gigantes, que fazem quase todo o processo, e obter informações de cada etapa, o visitante faz duas paradas “técnicas” para provar os bombons produzidos naquele setor. Detalhe é que todos os chocolates que estão à disposição dos visitantes são feitos no dia. Quem já conhece os sabores da Garoto percebe que o sabor de alguns bombons é um pouco diferente – ainda melhor.
A quantidade de chocolates por visita é ilimitada, o que gera em alguns grupos que visitam a fábrica uma deliciosa disputa: quem come mais chocolates. Na visita que dura cerca de uma hora, o surpreendente recorde foi de exatos 73 bombons. O marco se torna ainda mais interessante pelo fato de o roteiro não prever parada para água.
O chocotour, como é chamado, fica apenas na lembrança dos seus chocoturistas, porque fotos não são permitidas dentro da fábrica. O registro fica exclusivo para o Hall da Fama Garoto, que registra fotos de diversas personalidades que já passaram pelo local.
Conhecido todo o ciclo de fabricação, embalagem e empacotamento, o turista que vai a Vila Velha normalmente não perde a oportunidade de passar também pela Loja da Garoto, com toda a linha de produtos da fábrica, alguns com embalagens que já parecem para presentes. O local é o único do Brasil onde são vendidos os bombons da caixa da Garoto também separadamente. Além disso, para os pernambucanos que pretendem visitar o local, a dica é procurar novidades. Há algumas variedades de chocolate que ainda não são comercializados no Nordeste.
Para visitar a fábrica, é necessário fazer a reserva com antecedência de pelo menos um mês. Devido à procura elevada, o turista que chega na hora não consegue fazer o circuito.
HISTÓRIA
Com mais de 80 anos de funcionamento, a fábrica tem uma longa histórica contada pelo Centro de Documentação e Memória (CDM). Estão expostos fotos e máquinas dos primeiros anos de funcionamento e as embalagens de todos os doces e chocolates produzidos pela fábrica fundada pelo alemão Henrique Meyerfreund, em 1929. O sobrenome nada comum, inclusive, foi o primeiro nome da indústria, que mudou pela dificuldade das pessoas de pronunciá-lo. A marca foi escolhida pelo fato de que eram os garotos da cidade que vendiam os primeiros doces. O turista pode conferir também um vídeo que traz imagens antigas da empresa e de campanhas publicitárias clássicas da Garoto. Para pequenos grupos, não é necessário fazer reserva para conhecer o CDM.
» O ingresso para o chocotour (visita à fábrica) custa R$ 10. Para fazer o agendamento ligue para: 27 3320-1709
Publicado no Jornal do Commercio (27/01/2011)
Visita à linha de produção dos bombons da marca é o segundo passeio mais concorrido do Estado, depois do Convento da Penha
VILA VELHA – Visitar uma fábrica de chocolate está no imaginário de qualquer criança ou dos que ainda estavam na infância quando assistiram A fantástica fábrica de chocolate. Mesmo sem o famoso rio do manjar ou os inúmeros anões Oompa Loompas, a indústria da Garoto, a maior produtora brasileira e da América Latina, localizada em Vila Velha se tornou o segundo ponto turístico mais visitado no Espírito Santo, perdendo apenas para o Convento da Penha, que também atrai uma grande quantidade de visitantes. A concorrência para a saborosa visita é tão grande que apenas 30% da demanda é atendida pela empresa. Cerca de 300 mil pessoas passam pelo programa de visitas da Garoto por ano.
Antes de entrar literalmente na linha de produção, todos os turistas recebem instruções de segurança, deixam todos os objetos num guardador e vestem bata e toca para garantir a higiene no ambiente. Passadas as instruções iniciais, é hora de começar a seguir os quilômetros de tubos que levam chocolate, castanha e açúcar, entre diversos outros ingredientes sólidos e líquidos que compõe os bombons e barras da Garoto. Os turistas descobrem alguns segredos da produção, imperceptíveis ao saborear os produtos, e acompanham todo o processo que se encerra na embalagem e distribuição das caixas amarelas.
Além de observar o trabalho dos funcionários e máquinas gigantes, que fazem quase todo o processo, e obter informações de cada etapa, o visitante faz duas paradas “técnicas” para provar os bombons produzidos naquele setor. Detalhe é que todos os chocolates que estão à disposição dos visitantes são feitos no dia. Quem já conhece os sabores da Garoto percebe que o sabor de alguns bombons é um pouco diferente – ainda melhor.
A quantidade de chocolates por visita é ilimitada, o que gera em alguns grupos que visitam a fábrica uma deliciosa disputa: quem come mais chocolates. Na visita que dura cerca de uma hora, o surpreendente recorde foi de exatos 73 bombons. O marco se torna ainda mais interessante pelo fato de o roteiro não prever parada para água.
O chocotour, como é chamado, fica apenas na lembrança dos seus chocoturistas, porque fotos não são permitidas dentro da fábrica. O registro fica exclusivo para o Hall da Fama Garoto, que registra fotos de diversas personalidades que já passaram pelo local.
Conhecido todo o ciclo de fabricação, embalagem e empacotamento, o turista que vai a Vila Velha normalmente não perde a oportunidade de passar também pela Loja da Garoto, com toda a linha de produtos da fábrica, alguns com embalagens que já parecem para presentes. O local é o único do Brasil onde são vendidos os bombons da caixa da Garoto também separadamente. Além disso, para os pernambucanos que pretendem visitar o local, a dica é procurar novidades. Há algumas variedades de chocolate que ainda não são comercializados no Nordeste.
Para visitar a fábrica, é necessário fazer a reserva com antecedência de pelo menos um mês. Devido à procura elevada, o turista que chega na hora não consegue fazer o circuito.
HISTÓRIA
Com mais de 80 anos de funcionamento, a fábrica tem uma longa histórica contada pelo Centro de Documentação e Memória (CDM). Estão expostos fotos e máquinas dos primeiros anos de funcionamento e as embalagens de todos os doces e chocolates produzidos pela fábrica fundada pelo alemão Henrique Meyerfreund, em 1929. O sobrenome nada comum, inclusive, foi o primeiro nome da indústria, que mudou pela dificuldade das pessoas de pronunciá-lo. A marca foi escolhida pelo fato de que eram os garotos da cidade que vendiam os primeiros doces. O turista pode conferir também um vídeo que traz imagens antigas da empresa e de campanhas publicitárias clássicas da Garoto. Para pequenos grupos, não é necessário fazer reserva para conhecer o CDM.
» O ingresso para o chocotour (visita à fábrica) custa R$ 10. Para fazer o agendamento ligue para: 27 3320-1709
Cresce PIB do Agreste
Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)
Caruaru teve o melhor desempenho com PIB superando pela primeira vez a casa dos R$ 2 bi
Caruaru é a cidade do Agreste com maior Produto Interno Bruto do Agreste, com R$ 2,19 bilhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados no final de 2010. No ranking do PIB Per capita, o município ficou em segundo lugar, com R$ 7,45 mil por ano, ficando atrás apenas de Belo Jardim, com R$ 8,60 mil. Os dados, divulgados recentemente pelo instituto referentes ao ano de 2008, refletem os números do crescimento do Estado, que superou R$ 70 bilhões.
Pela primeira vez a Capital do Forró superou a casa dos dois milhões do PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos pela cidade durante um ano. O cálculo, que é feito pelo IBGE, faz uma medição de todas as riquezas produzidas no País.
“O crescimento não ficou restrito a Caruaru, mas principalmente às áreas que estão no polo de confecções. Um polo regional do ponto de vista comercial, industrial e educacional”, resume o o economista Jorge Jatobá. “Todo mundo achava que a duplicação da BR-232 esvaziaria a cidade, devido à rapidez que se chegaria ao Recife. Mas ocorreu o contrário, o crescimento se acelerou”, constata.
O crescimento registrado pelo município foi de 10,5%, em relação a 2007. A segunda colocada entre as cidades com maior PIB, Garanhuns, obteve um crescimento ainda maior, 12,5%. “Caruaru tem um alinhamento político com o governo do Estado, que aliado a investimentos corretos da prefeitura, tem atraído recursos e empresas para a região”, declarou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico de Caruaru.
Nos números revelados pelo IBGE, 20 cidades superaram a casa dos R$ 100 milhões. João Alfredo e Pedra superaram o índice pela primeira vez, anteriormente os dois municípios possuíam respectivamente R$ 89,48 milhões e R$ 94.95 milhões.
“As cidades estão se tornando cada vez mais fortes do ponto de vista econômico, gerando mais empregos. Há um maior nível de renda circulando nesses municípios, que estão com muito mais base econômica, com maior capacidade de tributação, tendendo a arrecadar mais ICMS e IPTU”, afirmou o Jatobá.
A hora da gestão profissional
Economistas advertem que municípios precisam profissionalizar a administração para aproveitar crescimento de PE
Para atrair mais recursos e empresas e aproveitar a onda de crescimento do Estado, as prefeituras, segundo especialistas em economia, têm a difícil missão de mudar a gestão, tornando-a cada vez mais profissional. “Infelizmente, o processo de administração de muitas cidades ainda é amadora. Não possuem pessoas competitivas para melhorar a gestão do governo municipal”, constatou o economista Jorge Jatobá.
Um dos indicadores básicos que apontam o grau de profissionalização da gestão é o quadro de funcionários. “As prefeituras têm que possuir quadros técnicos e administrativos que possam direcionar um certo desenvolvimento autônomo dos municípios e traçar uma política de desenvolvimento regional”, afirma o economista Romilson Cabral.
Outra questão mapeada como um problema é a alta rotatividade, proporcionada pelo elevado números de cargos de confiança e temporários. “O menor o número de concursados em relação aos cargos de confiança mostra gestores menos profissionalizados”, ressaltou Jatobá.
Com os investimentos que chegam aos Estados e os programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família (que incrementam a receita familiar de muitos municípios do interior, gerando mais consumo e maior arrecadação de impostos), algumas secretarias ficam sobrecarregadas e desafiadas a trabalhar com maior eficiência. “As áreas responsáveis pelo planejamento, administração, fiscal e finanças, o núcleo duro das decisões municipais, são aquelas que têm que trabalhar mais nesse momento. São secretarias que teriam que ter jornadas de trabalho mais longas ou ainda operar com mais eficiência no seu horário de funcionamento”, diz Jatobá.
Para o economista Romilson Cabral, quando esse núcleo da gestão municipal não funciona, o desenvolvimento das cidades fica à mercê das decisões governamentais ou ainda federais, que nem sempre são as mais adequadas para os arranjos locais. “Quando não há a discussão das políticas públicas regionalizadas, as cidades ficam a reboque do governo estadual ou governo federal. As regras terminam sendo definidas em Brasília e depois dos prejuízos a população reclama para desfazer o mal feito.” Para Cabral, as vítimas do planejamento mal direcionado, que são as cidades, deveriam participar efetivamente da concepção dos projetos de desenvolvimento, não só de avaliação dos resultados.
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)
Caruaru teve o melhor desempenho com PIB superando pela primeira vez a casa dos R$ 2 bi
Caruaru é a cidade do Agreste com maior Produto Interno Bruto do Agreste, com R$ 2,19 bilhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados no final de 2010. No ranking do PIB Per capita, o município ficou em segundo lugar, com R$ 7,45 mil por ano, ficando atrás apenas de Belo Jardim, com R$ 8,60 mil. Os dados, divulgados recentemente pelo instituto referentes ao ano de 2008, refletem os números do crescimento do Estado, que superou R$ 70 bilhões.
Pela primeira vez a Capital do Forró superou a casa dos dois milhões do PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos pela cidade durante um ano. O cálculo, que é feito pelo IBGE, faz uma medição de todas as riquezas produzidas no País.
“O crescimento não ficou restrito a Caruaru, mas principalmente às áreas que estão no polo de confecções. Um polo regional do ponto de vista comercial, industrial e educacional”, resume o o economista Jorge Jatobá. “Todo mundo achava que a duplicação da BR-232 esvaziaria a cidade, devido à rapidez que se chegaria ao Recife. Mas ocorreu o contrário, o crescimento se acelerou”, constata.
O crescimento registrado pelo município foi de 10,5%, em relação a 2007. A segunda colocada entre as cidades com maior PIB, Garanhuns, obteve um crescimento ainda maior, 12,5%. “Caruaru tem um alinhamento político com o governo do Estado, que aliado a investimentos corretos da prefeitura, tem atraído recursos e empresas para a região”, declarou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico de Caruaru.
Nos números revelados pelo IBGE, 20 cidades superaram a casa dos R$ 100 milhões. João Alfredo e Pedra superaram o índice pela primeira vez, anteriormente os dois municípios possuíam respectivamente R$ 89,48 milhões e R$ 94.95 milhões.
“As cidades estão se tornando cada vez mais fortes do ponto de vista econômico, gerando mais empregos. Há um maior nível de renda circulando nesses municípios, que estão com muito mais base econômica, com maior capacidade de tributação, tendendo a arrecadar mais ICMS e IPTU”, afirmou o Jatobá.
A hora da gestão profissional
Economistas advertem que municípios precisam profissionalizar a administração para aproveitar crescimento de PE
Para atrair mais recursos e empresas e aproveitar a onda de crescimento do Estado, as prefeituras, segundo especialistas em economia, têm a difícil missão de mudar a gestão, tornando-a cada vez mais profissional. “Infelizmente, o processo de administração de muitas cidades ainda é amadora. Não possuem pessoas competitivas para melhorar a gestão do governo municipal”, constatou o economista Jorge Jatobá.
Um dos indicadores básicos que apontam o grau de profissionalização da gestão é o quadro de funcionários. “As prefeituras têm que possuir quadros técnicos e administrativos que possam direcionar um certo desenvolvimento autônomo dos municípios e traçar uma política de desenvolvimento regional”, afirma o economista Romilson Cabral.
Outra questão mapeada como um problema é a alta rotatividade, proporcionada pelo elevado números de cargos de confiança e temporários. “O menor o número de concursados em relação aos cargos de confiança mostra gestores menos profissionalizados”, ressaltou Jatobá.
Com os investimentos que chegam aos Estados e os programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família (que incrementam a receita familiar de muitos municípios do interior, gerando mais consumo e maior arrecadação de impostos), algumas secretarias ficam sobrecarregadas e desafiadas a trabalhar com maior eficiência. “As áreas responsáveis pelo planejamento, administração, fiscal e finanças, o núcleo duro das decisões municipais, são aquelas que têm que trabalhar mais nesse momento. São secretarias que teriam que ter jornadas de trabalho mais longas ou ainda operar com mais eficiência no seu horário de funcionamento”, diz Jatobá.
Para o economista Romilson Cabral, quando esse núcleo da gestão municipal não funciona, o desenvolvimento das cidades fica à mercê das decisões governamentais ou ainda federais, que nem sempre são as mais adequadas para os arranjos locais. “Quando não há a discussão das políticas públicas regionalizadas, as cidades ficam a reboque do governo estadual ou governo federal. As regras terminam sendo definidas em Brasília e depois dos prejuízos a população reclama para desfazer o mal feito.” Para Cabral, as vítimas do planejamento mal direcionado, que são as cidades, deveriam participar efetivamente da concepção dos projetos de desenvolvimento, não só de avaliação dos resultados.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Renda dos cinemas cresce 30%
Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)
Segundo a UCI Ribeiro, o público das telonas aumentou 21% em 2010. O resultado reflete a demanda da classe C e o interesse pelos filmes nacionais
Recifenses são apaixonados pela sétima arte e, apesar da pirataria, estão mais presentes no cinema. Segundo dados da UCI Ribeiro, rede que administra os cinemas dos Shoppings Recife, Plaza e Tacaruna, o público das telonas cresceu 21% em 2010. Temperados pela chegada das salas de 3D e pelo ano de sucesso do cinema nacional, a rede comemorou o aumento de renda de 30% nas bilheterias. O consumo de produtos culturais pela classe C foi um dos fatores apontados como responsáveis pelo crescimento. A movimentação do Recife evoluiu mais que a média nacional, que cresceu 19,5%, segundo dados do portal Filme B.
Os balanços do setor de cinema em 2010 revelam que um dos motivos que alavancaram a quantidade de cinéfilos no País foi o interesse pela produção nacional. Entre janeiro e dezembro de 2010, a procura pelos filmes nacionais foi 60% superior do que no mesmo período do ano anterior. “O principal fator que explica o crescimento do público foram os filmes exibidos, que foram bastante comerciais. Além disso, o cinema brasileiro se destacou e quando ele se destaca traz um público que não vem normalmente ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, gerente de programação do grupo Severiano Ribeiro.
Mais de 25 milhões de brasileiros prestigiaram o cinema nacional, com destaque para Tropa de Elite 2, com um público de mais de 11 milhões de pessoas, gerando uma receita de R$ 102,5 milhões em bilheterias. Entre os 10 filmes que mais faturaram no ano figuravam mais dois nacionais, Nosso Lar, com renda de R$ 36,1 milhões, e Chico Xavier, com R$ 30,3 milhões.
Fã dos filmes nacionais, Jonata Ferreira, 18, comparece semanalmente ao cinema. O estudante de administração só neste início de ano já conferiu dois brasileiros – assistiu duas vezes De pernas pro ar, que na primeira semana do ano vendeu mais de 1 milhão de ingressos, e o filme Muita calma nessa hora. “O único problema que tenho enfrentado são as filas. Tenho que chegar pelo menos 40 minutos antes da exibição para entrar”, disse Jonata.
Elielma Maria da Silva, 24, está no perfil de público que vai ao cinema uma vez por mês. Dados do Ipea, na Pesquisa de Sistema de Indicadores de Percepção Social, publicada em 2010, revelam que 9,8% dos nordestinos vão ao cinema pelo uma vez por mês. Ela que trabalha como acompanhante de idosos, também dá preferência ao cinema nacional. “Gosto de comédia e ação. Nem sempre pego filas, porque venho com idosos, mas a movimentação nos cinemas é realmente muito grande”, declarou a jovem que não se queixou do preço das sessões, que considera “razoável”.
Mesmo com o crescente público, a média do Nordeste de frequência nos cinemas ainda é a menor entre todas as regiões brasileiras. No Norte, por exemplo, 28,9% da população afirmou que vai ao cinema todos os meses. Entre os que vão ao cinema diariamente, o ranking é liderado pelo Sudeste, onde 1,4% da população está de domingo a domingo de frente às telonas. No Nordeste, apenas 0,1% se enquadra nesse perfil. Dos entrevistados de todo o País, 54% afirmaram que nunca vão ao cinema. Dados que demonstram o potencial de crescimento como uma prática de atividade cultural.
Outro fator que tem contribuído para formar novos cinéfilos são as promoções. Pacote família, dias especiais pela metade do preço, vale tudo para incentivar maior circulação nos cinemas. No mês de janeiro, quando a circulação é naturalmente maior por causa das férias, as campanhas promocionais diminuem, mas as redes prometem que basta terminar as férias para os descontos retornarem. “Quando chega a alta temporada as promoções diminuem, mas tem época que o cinema está com ingressos a R$ 3, preços impressionantes que abrem a possibilidade de todo tipo de público vir ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, que apontou ainda a série de festivais de cinema que existem no Recife como um ingrediente importante para a formação do público de cinema local.
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)
Segundo a UCI Ribeiro, o público das telonas aumentou 21% em 2010. O resultado reflete a demanda da classe C e o interesse pelos filmes nacionais
Recifenses são apaixonados pela sétima arte e, apesar da pirataria, estão mais presentes no cinema. Segundo dados da UCI Ribeiro, rede que administra os cinemas dos Shoppings Recife, Plaza e Tacaruna, o público das telonas cresceu 21% em 2010. Temperados pela chegada das salas de 3D e pelo ano de sucesso do cinema nacional, a rede comemorou o aumento de renda de 30% nas bilheterias. O consumo de produtos culturais pela classe C foi um dos fatores apontados como responsáveis pelo crescimento. A movimentação do Recife evoluiu mais que a média nacional, que cresceu 19,5%, segundo dados do portal Filme B.
Os balanços do setor de cinema em 2010 revelam que um dos motivos que alavancaram a quantidade de cinéfilos no País foi o interesse pela produção nacional. Entre janeiro e dezembro de 2010, a procura pelos filmes nacionais foi 60% superior do que no mesmo período do ano anterior. “O principal fator que explica o crescimento do público foram os filmes exibidos, que foram bastante comerciais. Além disso, o cinema brasileiro se destacou e quando ele se destaca traz um público que não vem normalmente ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, gerente de programação do grupo Severiano Ribeiro.
Mais de 25 milhões de brasileiros prestigiaram o cinema nacional, com destaque para Tropa de Elite 2, com um público de mais de 11 milhões de pessoas, gerando uma receita de R$ 102,5 milhões em bilheterias. Entre os 10 filmes que mais faturaram no ano figuravam mais dois nacionais, Nosso Lar, com renda de R$ 36,1 milhões, e Chico Xavier, com R$ 30,3 milhões.
Fã dos filmes nacionais, Jonata Ferreira, 18, comparece semanalmente ao cinema. O estudante de administração só neste início de ano já conferiu dois brasileiros – assistiu duas vezes De pernas pro ar, que na primeira semana do ano vendeu mais de 1 milhão de ingressos, e o filme Muita calma nessa hora. “O único problema que tenho enfrentado são as filas. Tenho que chegar pelo menos 40 minutos antes da exibição para entrar”, disse Jonata.
Elielma Maria da Silva, 24, está no perfil de público que vai ao cinema uma vez por mês. Dados do Ipea, na Pesquisa de Sistema de Indicadores de Percepção Social, publicada em 2010, revelam que 9,8% dos nordestinos vão ao cinema pelo uma vez por mês. Ela que trabalha como acompanhante de idosos, também dá preferência ao cinema nacional. “Gosto de comédia e ação. Nem sempre pego filas, porque venho com idosos, mas a movimentação nos cinemas é realmente muito grande”, declarou a jovem que não se queixou do preço das sessões, que considera “razoável”.
Mesmo com o crescente público, a média do Nordeste de frequência nos cinemas ainda é a menor entre todas as regiões brasileiras. No Norte, por exemplo, 28,9% da população afirmou que vai ao cinema todos os meses. Entre os que vão ao cinema diariamente, o ranking é liderado pelo Sudeste, onde 1,4% da população está de domingo a domingo de frente às telonas. No Nordeste, apenas 0,1% se enquadra nesse perfil. Dos entrevistados de todo o País, 54% afirmaram que nunca vão ao cinema. Dados que demonstram o potencial de crescimento como uma prática de atividade cultural.
Outro fator que tem contribuído para formar novos cinéfilos são as promoções. Pacote família, dias especiais pela metade do preço, vale tudo para incentivar maior circulação nos cinemas. No mês de janeiro, quando a circulação é naturalmente maior por causa das férias, as campanhas promocionais diminuem, mas as redes prometem que basta terminar as férias para os descontos retornarem. “Quando chega a alta temporada as promoções diminuem, mas tem época que o cinema está com ingressos a R$ 3, preços impressionantes que abrem a possibilidade de todo tipo de público vir ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, que apontou ainda a série de festivais de cinema que existem no Recife como um ingrediente importante para a formação do público de cinema local.
Mercado de música ao ritmo de boas vendas
Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (16/01/2011)
A previsão da Sonotec Music & Sound, uma das principais importadoras de instrumentos musicais do País, é de crescimento de 60% no faturamento do setor somente no Estado de Pernambuco
Entre a melodia das notas musicais, quem começa o ano embalado com o crescente consumo é o mercado de instrumentos musicais. Só em Pernambuco, a perspectiva da Sonotec Music & Sound, uma das principaisras e distribuidoras de instrumentos musicais do País, é de um crescimento de vendas de 60%. “Nenhum Estado do País tem uma perspectiva tão ascendente quanto a de Pernambuco”, relatou Nenrod Adiel Antonazi gerente comercial responsável pela distribuição da Sonotec Music & Sound.
No balanço de 2010, o ritmo do crescimento bateu na casa dos 19%, principalmente na comercialização de violões, baixos e guitarras. Nos dados revelados pela empresa, só do modelo de violão popular, que custa cerca de R$ 130, foram vendidos no Estado 2.315 unidades. Em todo o País, a empresa fechou o ano passado com crescimento de seus negócios da ordem de 40% e projeta um percentual de 30% para 2011. Para o Nordeste, a projeção de crescimento é de 50%.
E para quem acha que não tem mercado para os instrumentos com um precinho acima da média, foram vendidos pelas lojas da capital 182 instrumentos, que custam nada menos que R$ 12 mil. “Existe todo o tipo de consumidor e procuramos nos adaptar a cada um deles. Trabalhamos tanto com a linha mais popular, como para aquele músico profissional”, afirmou Antonazi.
A razão do otimismo é justificada pela empresa com base em diversos fatores. “A linha de produtos que trazemos se encaixou muito bem no perfil de consumo da região. Tenho gente que viaja fazendo visita nas lojas, pegando as necessidades do público com os vendedores”, disse Antonazi. Pernambuco é responsável por 4% do faturamento nacional. Na região, só Ceará e Bahia consomem mais instrumentos que o Estado.
PERFIL
Entre os comerciantes da Rua da Concórdia, o principal polo de venda de instrumentos e acessórios musicais do Recife, as opiniões divergiram acerca das perspectivas da distribuidora, mas todos concordam que o mercado está aquecido. Os maiores consumidores na sondagem dos lojistas são as igrejas, escolas e empresas de sonorização.
Um dos estabelecimentos que confirmam a tendência de crescimento é a Hiper Music. A empresa registrou um aumento de vendas de mais de 100%, em relação a 2009. “Música sempre tem mercado e nos últimos anos o crescimento tem sido grande. Acredito que a obrigatoriedade da música nas escolas é um dos fatores que tem contribuído para esse aumento da procura”, disse o gerente do estabelecimento, Jeferson Mendes.
Há 42 anos no mercado, a Bartô Eletrônica é a mais antiga loja da cidade no segmento. Com um aumento de vendas de 30% em 2010, o gerente Carlos Carvalho faz projeções um pouco menores do que os 60% para 2011, mas avalia que o volume de vendas está relacionado ao aumento de renda da população. “Nos últimos anos, a população passou a viver um pouco melhor, a realizar algumas vontades e música é sonho. E é nesse tipo de consumo que a música aparece”.
Com uma perspectiva menos otimista, o supervisor de vendas da CI Eletrônica, Fernando Ribeiro, aponta para um crescimento em torno de 20%. “Há uma procura maior, mas não tão agressiva. Um dos pontos que prejudica a venda de instrumentos é o reduzido número de escolas musicais na cidade”, relacionou. Além dos instrumentos, a loja registrou um aumento na venda de equipamentos para áudio profissional, como amplificadores e alto-falantes.
TEMPLOS
Nas projeções dos comerciantes, o público evangélico representa de 40% a 60% da fatia de vendas no Recife. Esse segmento é diverso, tanto com iniciantes, que estão aprendendo a tocar nos templos, como de músicos mais rodados, com suas bandas eclesiásticas, com um perfil de consumo de equipamentos de maior qualidade.
Tocando guitarra num grupo de louvor de uma igreja evangélica em Olinda e numa banda, também cristã, Brenno Duran, 26 anos, sempre está de olho nas novidades. “No ano passado, comprei minha guitarra, agora estou investindo num caixa e em cabos. Na hora de comprar procuro mediar entre preço e qualidade”, disse o guitarrista, que em 2011 já gastou cerca de R$ 200 em equipamentos.
Ainda mais recente no meio musical, Stênio Santos, 19, está começando a tocar violão e já arranha umas notas no contrabaixo. Também evangélico, o estudante de música toca na Igreja Batista Nacional em Arthur Lundgren 1, numa banda que montou com os amigos, a Sacrius, e num grupo de chorinho na escola. Os investimentos do jovem no primeiro ano foram de R$ 800, mas as pretensões são maiores. “Procuro estar atualizado, sempre estou andando nas lojas de música. Assim que começar a trabalhar pretendo investir um pouco mais.”
Publicado no Jornal do Commercio (16/01/2011)
A previsão da Sonotec Music & Sound, uma das principais importadoras de instrumentos musicais do País, é de crescimento de 60% no faturamento do setor somente no Estado de Pernambuco
Entre a melodia das notas musicais, quem começa o ano embalado com o crescente consumo é o mercado de instrumentos musicais. Só em Pernambuco, a perspectiva da Sonotec Music & Sound, uma das principaisras e distribuidoras de instrumentos musicais do País, é de um crescimento de vendas de 60%. “Nenhum Estado do País tem uma perspectiva tão ascendente quanto a de Pernambuco”, relatou Nenrod Adiel Antonazi gerente comercial responsável pela distribuição da Sonotec Music & Sound.
No balanço de 2010, o ritmo do crescimento bateu na casa dos 19%, principalmente na comercialização de violões, baixos e guitarras. Nos dados revelados pela empresa, só do modelo de violão popular, que custa cerca de R$ 130, foram vendidos no Estado 2.315 unidades. Em todo o País, a empresa fechou o ano passado com crescimento de seus negócios da ordem de 40% e projeta um percentual de 30% para 2011. Para o Nordeste, a projeção de crescimento é de 50%.
E para quem acha que não tem mercado para os instrumentos com um precinho acima da média, foram vendidos pelas lojas da capital 182 instrumentos, que custam nada menos que R$ 12 mil. “Existe todo o tipo de consumidor e procuramos nos adaptar a cada um deles. Trabalhamos tanto com a linha mais popular, como para aquele músico profissional”, afirmou Antonazi.
A razão do otimismo é justificada pela empresa com base em diversos fatores. “A linha de produtos que trazemos se encaixou muito bem no perfil de consumo da região. Tenho gente que viaja fazendo visita nas lojas, pegando as necessidades do público com os vendedores”, disse Antonazi. Pernambuco é responsável por 4% do faturamento nacional. Na região, só Ceará e Bahia consomem mais instrumentos que o Estado.
PERFIL
Entre os comerciantes da Rua da Concórdia, o principal polo de venda de instrumentos e acessórios musicais do Recife, as opiniões divergiram acerca das perspectivas da distribuidora, mas todos concordam que o mercado está aquecido. Os maiores consumidores na sondagem dos lojistas são as igrejas, escolas e empresas de sonorização.
Um dos estabelecimentos que confirmam a tendência de crescimento é a Hiper Music. A empresa registrou um aumento de vendas de mais de 100%, em relação a 2009. “Música sempre tem mercado e nos últimos anos o crescimento tem sido grande. Acredito que a obrigatoriedade da música nas escolas é um dos fatores que tem contribuído para esse aumento da procura”, disse o gerente do estabelecimento, Jeferson Mendes.
Há 42 anos no mercado, a Bartô Eletrônica é a mais antiga loja da cidade no segmento. Com um aumento de vendas de 30% em 2010, o gerente Carlos Carvalho faz projeções um pouco menores do que os 60% para 2011, mas avalia que o volume de vendas está relacionado ao aumento de renda da população. “Nos últimos anos, a população passou a viver um pouco melhor, a realizar algumas vontades e música é sonho. E é nesse tipo de consumo que a música aparece”.
Com uma perspectiva menos otimista, o supervisor de vendas da CI Eletrônica, Fernando Ribeiro, aponta para um crescimento em torno de 20%. “Há uma procura maior, mas não tão agressiva. Um dos pontos que prejudica a venda de instrumentos é o reduzido número de escolas musicais na cidade”, relacionou. Além dos instrumentos, a loja registrou um aumento na venda de equipamentos para áudio profissional, como amplificadores e alto-falantes.
TEMPLOS
Nas projeções dos comerciantes, o público evangélico representa de 40% a 60% da fatia de vendas no Recife. Esse segmento é diverso, tanto com iniciantes, que estão aprendendo a tocar nos templos, como de músicos mais rodados, com suas bandas eclesiásticas, com um perfil de consumo de equipamentos de maior qualidade.
Tocando guitarra num grupo de louvor de uma igreja evangélica em Olinda e numa banda, também cristã, Brenno Duran, 26 anos, sempre está de olho nas novidades. “No ano passado, comprei minha guitarra, agora estou investindo num caixa e em cabos. Na hora de comprar procuro mediar entre preço e qualidade”, disse o guitarrista, que em 2011 já gastou cerca de R$ 200 em equipamentos.
Ainda mais recente no meio musical, Stênio Santos, 19, está começando a tocar violão e já arranha umas notas no contrabaixo. Também evangélico, o estudante de música toca na Igreja Batista Nacional em Arthur Lundgren 1, numa banda que montou com os amigos, a Sacrius, e num grupo de chorinho na escola. Os investimentos do jovem no primeiro ano foram de R$ 800, mas as pretensões são maiores. “Procuro estar atualizado, sempre estou andando nas lojas de música. Assim que começar a trabalhar pretendo investir um pouco mais.”
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Quando a fé vai a campo
Publicado no Jornal do Commercio (23-04-2009)
Por Rafael Dantas e Breno Pires
A conexão entre a fé e o esporte começa a dar os primeiros passos de uma parceria pela recuperação social de jovens carentes

Esquerdinha e Lukas, ambos com 11 anos, são duas promessas do time de futsal sub-11 do Náutico que participou de competições na Suíça. Os atletas mirins têm um detalhe em comum: foram reveladas por um projeto socioesportivo, organizado por uma igreja no Recife.
O Programa Socioesportivo Formando o Amanhã, no bairro dos Coelhos, foi criado há um ano pela Primeira Igreja Batista do Recife (PIBR) e trabalha com 90 crianças e adolescentes, dos 7 aos 17 anos. Além desse projeto, existem na cidade outros 70 líderes de programas que envolvem futebol e religião treinados pela Coalizão Brasileira de Ministérios Esportivos (CBME).
“O esporte faz com que alcancemos crianças e adolescentes aos quais nunca chegaríamos com as atividades tradicionais das igrejas”, comentou Cristiano Dias, líder do ministério esportivo da PIBR e representante estadual da CBME. Há algumas décadas, as igrejas tinham muita rejeição ao futebol. Até hoje algumas denominações tratam a prática do futebol como pecado. Mas a visão mudou bastante e a parceria entre a igreja e os esportes começa a ganhar força.
“A igreja passou a entender que tal linguagem (a do futebol), universal por excelência, poderia ser um excelente meio de acesso a diversos grupos que se mantêm distantes da igreja e muitas vezes até mesmo do cuidado público”, afirmou Marcos Grava, coordenador nacional do CBME.
A queda da barreira entre o futebol e as igrejas teve início quando o meio esportivo começou a receber cristãos declarados, a exemplo do ex-goleiro João Leite, do ex-meia-atacante Silas e do ex-atacante Baltazar, o “artilheiro de Deus”.
A conexão entre o futebol e o projeto social da igreja PIBR revelou José Douglas da Silva Cunha, o Esquerdinha, o craque do Formando o Amanhã, e Lukas, outro destaque do projeto. Após terem sido descobertos pelo Náutico, Esquerdinha e Lukas foram para a Suíça com o time sub-11. “O mais legal foi a neve. Quando ninguém estava olhando, nós comemos um pouco”, confessou Lukas.
Na Europa, os meninos fizeram sucesso representando o Náutico e o Brasil. Em dois torneios preliminares, os alvirrubros chegaram perto do título. No principal, o Torneio Internacional de Futebol Aarau Masters, os timbus terminaram na 12ª posição, entre 26 participantes.
Esquerdinha chegou a marcar um belo gol no Manchester United, no empate em 1x1. Em Zurich, os garotos tiveram, ainda, a oportunidade de conhecer o presidente da Fifa, Joseph Blatter.
Com o destaque alcançado dentro de campo, os garotos conseguiram bolsas de estudo pagas pelo Náutico. Lukas estuda no colégio Pio XII e Esquerdinha, que tinha mais deficiência nos estudos, tem aulas de reforço para melhorar o desempenho escolar.
DEMONSTRAR VALORES
“De quase 100 garotos, apenas um se torna profissional e vive do esporte. O nosso objetivo não é descobrir atletas, mas mostrar a eles valores. Eles têm ainda a favela na cabeça, por isso tentamos mostrar que existe um mundo inteiro além dos Coelhos que eles podem alcançar”, comentou Cristiano Dias. Além das atividades esportivas, que acontecem todos os sábados pela manhã num campinho nos Coelhos, os alunos têm atividades educativas, como vídeos, palestras e estudos bíblicos, no turno da tarde.
Entre os líderes nacionais de movimentos que integram igreja e esporte estão o ex-piloto de Fórmula 1, Alex Ribeiro, e o auxiliar-técnico da seleção brasileira de futebol, Jorginho, presidente nacional dos Atletas de Cristo.
Por Rafael Dantas e Breno Pires
A conexão entre a fé e o esporte começa a dar os primeiros passos de uma parceria pela recuperação social de jovens carentes

Foto: Marcos Michael/JC Imagem
Esquerdinha e Lukas, ambos com 11 anos, são duas promessas do time de futsal sub-11 do Náutico que participou de competições na Suíça. Os atletas mirins têm um detalhe em comum: foram reveladas por um projeto socioesportivo, organizado por uma igreja no Recife.
O Programa Socioesportivo Formando o Amanhã, no bairro dos Coelhos, foi criado há um ano pela Primeira Igreja Batista do Recife (PIBR) e trabalha com 90 crianças e adolescentes, dos 7 aos 17 anos. Além desse projeto, existem na cidade outros 70 líderes de programas que envolvem futebol e religião treinados pela Coalizão Brasileira de Ministérios Esportivos (CBME).
“O esporte faz com que alcancemos crianças e adolescentes aos quais nunca chegaríamos com as atividades tradicionais das igrejas”, comentou Cristiano Dias, líder do ministério esportivo da PIBR e representante estadual da CBME. Há algumas décadas, as igrejas tinham muita rejeição ao futebol. Até hoje algumas denominações tratam a prática do futebol como pecado. Mas a visão mudou bastante e a parceria entre a igreja e os esportes começa a ganhar força.
“A igreja passou a entender que tal linguagem (a do futebol), universal por excelência, poderia ser um excelente meio de acesso a diversos grupos que se mantêm distantes da igreja e muitas vezes até mesmo do cuidado público”, afirmou Marcos Grava, coordenador nacional do CBME.
A queda da barreira entre o futebol e as igrejas teve início quando o meio esportivo começou a receber cristãos declarados, a exemplo do ex-goleiro João Leite, do ex-meia-atacante Silas e do ex-atacante Baltazar, o “artilheiro de Deus”.
A conexão entre o futebol e o projeto social da igreja PIBR revelou José Douglas da Silva Cunha, o Esquerdinha, o craque do Formando o Amanhã, e Lukas, outro destaque do projeto. Após terem sido descobertos pelo Náutico, Esquerdinha e Lukas foram para a Suíça com o time sub-11. “O mais legal foi a neve. Quando ninguém estava olhando, nós comemos um pouco”, confessou Lukas.
Na Europa, os meninos fizeram sucesso representando o Náutico e o Brasil. Em dois torneios preliminares, os alvirrubros chegaram perto do título. No principal, o Torneio Internacional de Futebol Aarau Masters, os timbus terminaram na 12ª posição, entre 26 participantes.
Esquerdinha chegou a marcar um belo gol no Manchester United, no empate em 1x1. Em Zurich, os garotos tiveram, ainda, a oportunidade de conhecer o presidente da Fifa, Joseph Blatter.
Com o destaque alcançado dentro de campo, os garotos conseguiram bolsas de estudo pagas pelo Náutico. Lukas estuda no colégio Pio XII e Esquerdinha, que tinha mais deficiência nos estudos, tem aulas de reforço para melhorar o desempenho escolar.
DEMONSTRAR VALORES
“De quase 100 garotos, apenas um se torna profissional e vive do esporte. O nosso objetivo não é descobrir atletas, mas mostrar a eles valores. Eles têm ainda a favela na cabeça, por isso tentamos mostrar que existe um mundo inteiro além dos Coelhos que eles podem alcançar”, comentou Cristiano Dias. Além das atividades esportivas, que acontecem todos os sábados pela manhã num campinho nos Coelhos, os alunos têm atividades educativas, como vídeos, palestras e estudos bíblicos, no turno da tarde.
Entre os líderes nacionais de movimentos que integram igreja e esporte estão o ex-piloto de Fórmula 1, Alex Ribeiro, e o auxiliar-técnico da seleção brasileira de futebol, Jorginho, presidente nacional dos Atletas de Cristo.
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