Publicado no Jornal do Commercio (15/04/2012)
BIOGRAFIA Zé Monteiro quase chegou ao leito de morte antes de dar
forma a grandes obras de arte no Agreste pernambucano
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br
Do leito da morte para a vida de artista plástico. Diferente da história da maioria dos artistas populares, que desde a infância começaram a fazer suas pinturas ou fazer suas criações, com Zé Monteiro, 86 anos, a descoberta da arte começou na terceira idade. Em 2004, problemas cardíacos deixaram o ex-caminhoneiro de Arcoverde desenganado pelos médicos. Mas após recuperar a saúde, a estrada do artesanato foi a forma encontrada pela família para que ele ocupasse o seu tempo – já que não podia mais trabalhar. Se sua produção começou tarde, o reconhecimento pela sua arte foi rápido e em menos de 10 anos na nova rota, o artesão teve a oportunidade de ver sua história contada no documentário Zé Monteiro, o homem que venceu cinco mortes, recém-lançado pelo cineasta Wilson Freire.
Foi a partir da madeira que Zé Monteiro reviveu a infância do Sertão pernambucano, dando vida aos retirantes e personagens do interior. Quadros feitos de forma bem primitiva, num estilo de pintura naif – sem técnica geométrica e com uso livre de cores – expõe a sua simplicidade. Com as primeiras produções, ele se tornou o último integrante da família a se dedicar à arte, que contava com a ex-presidente da Associação dos Artesãos em Barro do Alto do Moura, Rosário Monteiro, e sua esposa Noêmia Vieira, como as principais incentivadoras.
E foi o seu traço simples e natural que encantaram o marchand Roberto Rugiero, que levou boa parte das suas peças nos primeiros anos de produção para a Galeria Brasiliana, em São Paulo. “A arte de Zé Monteiro é inspirada na vida do povo nordestino. É a história dele. E era isso que o marchand estava procurando. Assim que viu as peças de papai, comprou todos os quadros. Até então, todas as suas pinturas ficavam em casa”, contou Lúcia Monteiro, artesã e filha do artista plástico.
A partir da Galeria Brasiliana, a arte de Zé Monteiro chegou a exposições no exterior, em países como França, Alemanha e Estados Unidos. Em Pernambuco, a maior vitrine de Zé Monteiro é a Fenearte, onde participa desde 2005. Para a edição desde ano, uma das novidades serão os santos de madeira, com os traços do homem nordestino.
Da sua produção local, num simples ateliê em Arcoverde, para as telonas, a trajetória se valeu da web. Uma postagem da sua filha, Lúcia, na rede mundial de computadores apresentando a produção e história do artesão, chegou ao conhecimento do cineasta Wilson Freire. O interesse pelo tema somado ao desejo da família em expor o legado do pai foram o ponto de partida para a produção do documentário de 20 minutos, que da sua concepção à primeira exibição, durou três anos. “Gosto muito de fazer os meus bonecos. Agora mesmo fiz uns dez São Franciscos. E me senti bem, muito satisfeito, ao ver o filme que fizeram”, relatou Zé Monteiro.
O documentário é narrado em cordel, com texto do próprio cineasta, e usa as imagens do artesão na Fazenda Dezerto e de suas inúmeras obras, misturando o que há de mais tradicional na literatura pernambucana, com o cinema de animação. “O tempo que Zé Monteiro retrata não é o presente, mas o passado. O cangaço, a seca, Luiz Gonzaga. Não tínhamos imagens animadas, vivas, documentais sobre isso. Veio a ideia: ele próprio vai ser o fotógrafo e o cineasta das suas próprias imagens”, afirmou Wilson Freire. O documentário da Candieiro Produções teve ainda a trilha sonora de Lula Moreira e Orquestra Sertão.
Depois da primeira exibição, que aconteceu em dezembro de 2011, na Associação Cultural Urucungo – que é localizada em Arcoverde e foi a proponente do documentário – a história de Zé Monteiro foi um dos curtas selecionados para ser apresentada no maior festival de cinema do Estado, o CinePE, que acontecerá nos dias 28 e 29 de abril, no Teatro dos Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco.
Do leito da morte para a vida de artista plástico. Diferente da história da maioria dos artistas populares, que desde a infância começaram a fazer suas pinturas ou fazer suas criações, com Zé Monteiro, 86 anos, a descoberta da arte começou na terceira idade. Em 2004, problemas cardíacos deixaram o ex-caminhoneiro de Arcoverde desenganado pelos médicos. Mas após recuperar a saúde, a estrada do artesanato foi a forma encontrada pela família para que ele ocupasse o seu tempo – já que não podia mais trabalhar. Se sua produção começou tarde, o reconhecimento pela sua arte foi rápido e em menos de 10 anos na nova rota, o artesão teve a oportunidade de ver sua história contada no documentário Zé Monteiro, o homem que venceu cinco mortes, recém-lançado pelo cineasta Wilson Freire.
Foi a partir da madeira que Zé Monteiro reviveu a infância do Sertão pernambucano, dando vida aos retirantes e personagens do interior. Quadros feitos de forma bem primitiva, num estilo de pintura naif – sem técnica geométrica e com uso livre de cores – expõe a sua simplicidade. Com as primeiras produções, ele se tornou o último integrante da família a se dedicar à arte, que contava com a ex-presidente da Associação dos Artesãos em Barro do Alto do Moura, Rosário Monteiro, e sua esposa Noêmia Vieira, como as principais incentivadoras.
E foi o seu traço simples e natural que encantaram o marchand Roberto Rugiero, que levou boa parte das suas peças nos primeiros anos de produção para a Galeria Brasiliana, em São Paulo. “A arte de Zé Monteiro é inspirada na vida do povo nordestino. É a história dele. E era isso que o marchand estava procurando. Assim que viu as peças de papai, comprou todos os quadros. Até então, todas as suas pinturas ficavam em casa”, contou Lúcia Monteiro, artesã e filha do artista plástico.
A partir da Galeria Brasiliana, a arte de Zé Monteiro chegou a exposições no exterior, em países como França, Alemanha e Estados Unidos. Em Pernambuco, a maior vitrine de Zé Monteiro é a Fenearte, onde participa desde 2005. Para a edição desde ano, uma das novidades serão os santos de madeira, com os traços do homem nordestino.
Da sua produção local, num simples ateliê em Arcoverde, para as telonas, a trajetória se valeu da web. Uma postagem da sua filha, Lúcia, na rede mundial de computadores apresentando a produção e história do artesão, chegou ao conhecimento do cineasta Wilson Freire. O interesse pelo tema somado ao desejo da família em expor o legado do pai foram o ponto de partida para a produção do documentário de 20 minutos, que da sua concepção à primeira exibição, durou três anos. “Gosto muito de fazer os meus bonecos. Agora mesmo fiz uns dez São Franciscos. E me senti bem, muito satisfeito, ao ver o filme que fizeram”, relatou Zé Monteiro.
O documentário é narrado em cordel, com texto do próprio cineasta, e usa as imagens do artesão na Fazenda Dezerto e de suas inúmeras obras, misturando o que há de mais tradicional na literatura pernambucana, com o cinema de animação. “O tempo que Zé Monteiro retrata não é o presente, mas o passado. O cangaço, a seca, Luiz Gonzaga. Não tínhamos imagens animadas, vivas, documentais sobre isso. Veio a ideia: ele próprio vai ser o fotógrafo e o cineasta das suas próprias imagens”, afirmou Wilson Freire. O documentário da Candieiro Produções teve ainda a trilha sonora de Lula Moreira e Orquestra Sertão.
Depois da primeira exibição, que aconteceu em dezembro de 2011, na Associação Cultural Urucungo – que é localizada em Arcoverde e foi a proponente do documentário – a história de Zé Monteiro foi um dos curtas selecionados para ser apresentada no maior festival de cinema do Estado, o CinePE, que acontecerá nos dias 28 e 29 de abril, no Teatro dos Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco.
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