terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Mercado de música ao ritmo de boas vendas

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (16/01/2011)

A previsão da Sonotec Music & Sound, uma das principais importadoras de instrumentos musicais do País, é de crescimento de 60% no faturamento do setor somente no Estado de Pernambuco

Entre a melodia das notas musicais, quem começa o ano embalado com o crescente consumo é o mercado de instrumentos musicais. Só em Pernambuco, a perspectiva da Sonotec Music & Sound, uma das principaisras e distribuidoras de instrumentos musicais do País, é de um crescimento de vendas de 60%. “Nenhum Estado do País tem uma perspectiva tão ascendente quanto a de Pernambuco”, relatou Nenrod Adiel Antonazi gerente comercial responsável pela distribuição da Sonotec Music & Sound.
No balanço de 2010, o ritmo do crescimento bateu na casa dos 19%, principalmente na comercialização de violões, baixos e guitarras. Nos dados revelados pela empresa, só do modelo de violão popular, que custa cerca de R$ 130, foram vendidos no Estado 2.315 unidades. Em todo o País, a empresa fechou o ano passado com crescimento de seus negócios da ordem de 40% e projeta um percentual de 30% para 2011. Para o Nordeste, a projeção de crescimento é de 50%.
E para quem acha que não tem mercado para os instrumentos com um precinho acima da média, foram vendidos pelas lojas da capital 182 instrumentos, que custam nada menos que R$ 12 mil. “Existe todo o tipo de consumidor e procuramos nos adaptar a cada um deles. Trabalhamos tanto com a linha mais popular, como para aquele músico profissional”, afirmou Antonazi.
A razão do otimismo é justificada pela empresa com base em diversos fatores. “A linha de produtos que trazemos se encaixou muito bem no perfil de consumo da região. Tenho gente que viaja fazendo visita nas lojas, pegando as necessidades do público com os vendedores”, disse Antonazi. Pernambuco é responsável por 4% do faturamento nacional. Na região, só Ceará e Bahia consomem mais instrumentos que o Estado.
PERFIL
Entre os comerciantes da Rua da Concórdia, o principal polo de venda de instrumentos e acessórios musicais do Recife, as opiniões divergiram acerca das perspectivas da distribuidora, mas todos concordam que o mercado está aquecido. Os maiores consumidores na sondagem dos lojistas são as igrejas, escolas e empresas de sonorização.
Um dos estabelecimentos que confirmam a tendência de crescimento é a Hiper Music. A empresa registrou um aumento de vendas de mais de 100%, em relação a 2009. “Música sempre tem mercado e nos últimos anos o crescimento tem sido grande. Acredito que a obrigatoriedade da música nas escolas é um dos fatores que tem contribuído para esse aumento da procura”, disse o gerente do estabelecimento, Jeferson Mendes.
Há 42 anos no mercado, a Bartô Eletrônica é a mais antiga loja da cidade no segmento. Com um aumento de vendas de 30% em 2010, o gerente Carlos Carvalho faz projeções um pouco menores do que os 60% para 2011, mas avalia que o volume de vendas está relacionado ao aumento de renda da população. “Nos últimos anos, a população passou a viver um pouco melhor, a realizar algumas vontades e música é sonho. E é nesse tipo de consumo que a música aparece”.
Com uma perspectiva menos otimista, o supervisor de vendas da CI Eletrônica, Fernando Ribeiro, aponta para um crescimento em torno de 20%. “Há uma procura maior, mas não tão agressiva. Um dos pontos que prejudica a venda de instrumentos é o reduzido número de escolas musicais na cidade”, relacionou. Além dos instrumentos, a loja registrou um aumento na venda de equipamentos para áudio profissional, como amplificadores e alto-falantes.
TEMPLOS
Nas projeções dos comerciantes, o público evangélico representa de 40% a 60% da fatia de vendas no Recife. Esse segmento é diverso, tanto com iniciantes, que estão aprendendo a tocar nos templos, como de músicos mais rodados, com suas bandas eclesiásticas, com um perfil de consumo de equipamentos de maior qualidade.
Tocando guitarra num grupo de louvor de uma igreja evangélica em Olinda e numa banda, também cristã, Brenno Duran, 26 anos, sempre está de olho nas novidades. “No ano passado, comprei minha guitarra, agora estou investindo num caixa e em cabos. Na hora de comprar procuro mediar entre preço e qualidade”, disse o guitarrista, que em 2011 já gastou cerca de R$ 200 em equipamentos.
Ainda mais recente no meio musical, Stênio Santos, 19, está começando a tocar violão e já arranha umas notas no contrabaixo. Também evangélico, o estudante de música toca na Igreja Batista Nacional em Arthur Lundgren 1, numa banda que montou com os amigos, a Sacrius, e num grupo de chorinho na escola. Os investimentos do jovem no primeiro ano foram de R$ 800, mas as pretensões são maiores. “Procuro estar atualizado, sempre estou andando nas lojas de música. Assim que começar a trabalhar pretendo investir um pouco mais.”

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