sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Onda verde impulsiona turismo

Publicado no Jornal do Commercio (05/06/2012)

VIAGEM Com o aumento da conscientização ambiental, cresce o interesse das pessoas por destinos que oferecem contato com a natureza 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Com a onda do esverdeamento das atividades econômicas em direção a um mundo mais sustentável, a indústria do turismo é um dos setores que vem sofrendo mudanças. A Organização Mundial do Turismo estima que a demanda por destinos com equipamentos rurais cresça 6% ao ano. O ecoturismo, por sua vez, tem uma elevação do fluxo de turistas seis vezes maior que o restante do setor. “As pessoas estão começando a ver o mundo de maneira diferente e consequentemente isso interfere em vários aspectos da vida, até mesmo na escolha dos destinos turísticos. Há uma busca por lugares que proporcionem maior contato com a natureza e com a cultura local. E isso é devido à uma maior conscientização ambiental”, diz o consultor turístico e professor da Universidade Federal do Ceará, Robson Mota.
A tendência global do turismo verde também é uma realidade no Estado de Pernambuco. De acordo com informações da Associação Pernambucana de Turismo Ecológico e Rural (Apeturr), entre 2010 e 2011 os 25 equipamentos filiados – na Zona da Mata, Agreste e Sertão – registraram uma ampliação da demanda em torno de 40%. “Essa procura estimulou a criação de novos empreendimentos e aumentou o número de unidades habitacionais nos empreendimentos já existentes. Crescemos a oferta para atender a expectativa de demanda”, afirma a empresária Melânia Vieira, dona do Engenho Laje Bonita, situado em Quipapá, e vice-presidente da Aperturr.
FAMÍLIAS
Pernambucanos ainda são maioria dos turistas que procurado os equipamentos de turismo e lazer. O refúgio nas cidades interioranas nos finais de semana tem garantido aos hotéis e pousadas que se enquadram nesse perfil uma taxa de ocupação que varia entre 90% e 100%. Durante a semana o público predominante é de turismo de negócios e pedagógico. Nos finais de semana os gerentes desses hotéis registram o fluxo grande de famílias.
Natural de Gravatá e hoje morador do Recife, é para a cidade natal que o universitário Eric Darwinson, 20 anos, aproveita os feriadões. “Nossa preferência é por ambientes parecidos com fazendas e que ao mesmo tempo tenham conforto”, disse Eric, que destaca ainda o interesse por atividades radicais, como o arborismo (caminhando por cima das árvores, com cordas) e o rapel.
Além dos conhecidos hotéis de Gravatá, a rede de equipamentos turísticos rurais e ecológicos pernambucana é extensa e variada. Fazendas e antigos engenhos se transformaram em pousadas e hotéis que têm em comum apenas o princípio de preservação ambiental, com ações como a reciclagem de lixo, uso de energia solar e o incentivo à educação ambiental. “Os equipamentos são muito diferentes. Quem está nos centros urbanos, quando conhece um pedacinho desse universo, começa a visitar os outros hotéis e pousadas da rede”, diz Luciana Petribú, presidente da Apeturr e proprietária do Aparauá Ecoaventura, localizado em Goiana.
Situado no distrito de Serra Negra (Agreste), a 110 quilômetros do Recife, a Pousada Canto da Serra tem uma taxa média de ocupação que se aproxima dos 100% na alta estação do turismo rural (que vai de maio a agosto) . “Quando procuram esses destinos, muitos adultos querem passar para os filhos o gosto pelo contato com a natureza, além de reviver a sua infância. Muita gente vem apenas para descansar da agitação das cidades grandes”, avalia Maria Oliveira, gerente da pousada. Entre os atrativos do local – que tem sete hectares de área, numa altitude de 850 metros –, estão trilhas ecológicas, com passeios em grutas, mirantes e cavernas.
A proliferação de equipamentos desse perfil tem importância não só para a preservação da mata original no interior do Estado, mas para a geração de emprego e renda nas comunidades em que estão situadas. Só entre os empreendimentos filiados a Apettur são mais de 600 empregos diretos, sem contar os indiretos. “Espera-se que o ‘enverdecimento’ do setor reforce seu potencial de empregos com aumento de contratações locais. Ao incentivar o setor de turismo verde, aumenta-se o envolvimento da comunidade local – especialmente a carente – na cadeia de valores do turismo, o que é essencial para desenvolver a economia e reduzir a pobreza”, analisa o relatório Rumo a uma economia verde, publicado no ano passado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Para o presidente da Agência Condepe/Fidem, Antônio Alexandre, o Estado ainda tem um vasto potencial turístico a ser explorado. Em especial nas cidades onde é possível unir os atrativos ecológicos com a cultura local. “Temos o turismo no interior com diversos recortes. Tanto ancorado na natureza, como Gravatá, Bezerros, Bonito e Taquaritinga do Norte, como uma série de municípios com atrativos culturais, que incluem grandes festas, como São João e Carnaval, além do turismo religioso. Para onde você olha tem um potencial que não pode ser menosprezado”, afirma Alexandre.

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