sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Grávida de olho na dieta

Publicado no Jornal do Commercio (15/01/2012)
 
Alimentos ricos em ácido fólico e ferro devem estar presente no cardápio da gestante, que precisa ainda evitar refrigerante e cafeína. Controlar o ganho de peso é outra preocupação

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

O que evitar e o que acrescentar na alimentação durante a gravidez? Essa dúvida de muitas mães é bem justificável. A dieta é fundamental tanto para uma gestação saudável como para preparar a mãe para o período da amamentação. Segundo os especialistas, um menu desequilibrado pode até mesmo criar predisposição a algumas doenças aos futuros bebês, como a obesidade. “A alimentação influencia diretamente no crescimento e desenvolvimento da criança. Então, se a mãe se alimenta bem, mais chances de o bebê nascer com saúde”, disse a nutricionista Glisley Barros Delmondes.
Em média, as mulheres podem ter um acréscimo de até 12 quilos durante a gestação. A recomendação médica é que haja um aumento de 300 calorias na dieta, mas só a partir do terceiro mês. Essa regra só não vale para as mulheres que possuem sobrepeso ou obesidade e para aquelas que já consomem um volume de comida acima da média. “Tanto as mães desnutridas como as obesas e as que têm uma alimentação acima da recomendada desenvolvem predisposições negativas para os bebês. Há mães que engordam até 30 quilos durante a gestação, dando o gatilho para desenvolver essa doença no seu filho”, afirmou a nutricionista Roberta Costi.
Se o acréscimo de calorias só é recomendado a partir do segundo trimestre da gestação, a qualidade da dieta é fundamental para o período inicial da gravidez. “No primeiro trimestre da gestação, não é preciso se preocupar em aumentar a quantidade, mas é fundamental atentar para a qualidade. Nesse período, o bebê está formando toda a parte do tubo neural”, afirmou Costi.
Nessa dieta saudável estão a ingestão de alimentos ricos em proteínas, cálcio, ferro, vitaminas e o ácido fólico, que é um elemento fundamental para a formação do feto. “Os alimentos que têm acido fólico em quantidades pequenas são os folhosos, como brócolis e espinafre, o feijão, fígado bovino, germe de trigo. Há um pouco também no suco de laranja. Em geral, o consumo desses alimentos acabam não suprindo, sendo preciso uma suplementação, que deve ser feita sob indicação médica”, disse a coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Maurício de Nassau, Cinthia Rodrigues.
Há uma série de recomendações que já são conhecidas pela maioria das gestantes, como banir o álcool e o fumo durante a gravidez. Mas há alimentos aparentemente menos nocivos, que estão na dieta diária da maioria das pessoas e que precisam também ser evitados, como o café, chocolate e o refrigerante. “As bebidas com gás não deixam o organismo absorver cálcio e ferro, que são fundamentais para esse período”, disse a nutricionista Roberta Costi.
A cafeína também reduz a capacidade do corpo de absorver ferro, o que aumenta os riscos de anemia nas mulheres. Estudo publicado pelo American Journal of Obstetrics and Gynecology, em 2008, apontou que mulheres com consumo diário a partir de 200 mg de cafeína tinham o risco de aborto espontâneo dobrado, quando comparadas às que não consumiam a substância.
O consumo de adoçantes artificiais e de frituras são outros pecados gastronômicos a serem deixados de lado na gestação. “É fundamental evitar alimentos tóxicos dos hábitos alimentares. As gestantes devem preferir alimentos naturais, evitando sempre aqueles industrializados e ricos em gorduras trans, como margarinas, salgadinhos, biscoitos recheados”, sugere Cinthia Rodrigues. Comida fast-food está entre os alimentos tóxicos a serem esquecidos pela gestante.
As futuras mamães devem tomar muito cuidado com os desejos típicos desse período. A nutricionista Glisley Barros Delmondes alerta que os desejos estão relacionados diretamente a fatores emocionais e não fisiológicos, podendo surgir, neste caso, o anseio por alimentos que podem ser até nocivos à gravidez. “Esses comportamentos são provocados por carências afetivas. Esse é um período em que as mães se sentem muito fragilizadas, quando os hormônios estão alterados. É comum a mãe ter desejos ou rejeição a alguns alimentos. A gestante não pode comer tudo o que vem na cabeça”, afirmou.
A alimentação adequada é fundamental também para que a mulher se prepare para o período de lactação (fase de produção do leite). Segundo as especialistas, a falta de reservas nutricionais da gestante pode ocasionar a restrição da quantidade necessária do leite ou a redução da sua qualidade. “Como a alimentação do bebê nos seis primeiros meses deve ser exclusiva de leite materno, a mãe precisa se preparar para esse período. O leite praticamente fica insuficiente se a mulher não tiver uma boa alimentação e, principalmente, se não ingerir líquidos de forma adequada”, alerta Glisley.
VIDA CORRIDA
Ciente de todas as recomendações, a enfermeira Priscila Ferraz, 31 anos, que está no quarto mês de gestação, tem dificuldades de manter a dieta ideal por fazer diversas refeições fora de casa. “Me alimento na maioria das vezes na rua devido às minhas atividades profissionais. Se não andar com um lanchinho é difícil ter uma alimentação saudável”, confessa a enfermeira, que já ganhou três quilos nos quatro primeiros meses de gestação.
Priscila está se adaptando à gestação, buscando se alimentar com mais frequência e em menor quantidade. “Procuro fazer refeições menores e mais vezes ao dia”, explica. O fato de a maioria das lanchonetes e cantinas oferecerem principalmente frituras, dificulta as pretensões da futura mamãe. “Imploro para a vendedora de lanches trazer salada de frutas, mas ela é adepta das frituras”, lamenta a enfermeira, que evita comidas embutidas e cruas, como sushis, sob orientação médica.z

Cisternas geram polêmica

Publicado no Jornal do Commercio (15/01/2012)

MATERIAL Decisão do governo de introduzir reservatórios de plástico causa protesto entre a população rural
 
Juliana GodoyRafael Dantas

Para acelerar o combate à falta de água no Semiárido, o governo federal iniciou nos últimos meses de 2011 a instalação de cisternas de plástico, ao invés das tradicionais feitas de placas, através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). A mudança causou um mal estar entre o Ministério de Desenvolvimento Agrário e a Articulação no Semiárido (ASA), organização que coordena essa implantação das cisternas.
Frente a um protesto de mais de 15 mil pessoas em Petrolina e Juazeiro, em dezembro, o governo assinou um contrato que garantiu a continuidade do trabalho da ONG até março. Uma medida que está longe de encerrar a polêmica.
A ASA faz uma série de críticas às cisternas de plástico, alegando questões econômicas e de sustentabilidade. O custo de uma peça feita de polietileno (plástico) é de R$ 5 mil, enquanto no modelo antigo era pouco mais de R$ 2 mil. Além de mais cara, a ONG defende que o antigo formato de instalação envolvia as comunidades. “As famílias participam de todo o processo, que vai das seleções, capacitações, construção e das ações de controle. No novo formato não há um fortalecimento da comunidade”, alega Neilda Pereira, coordenadora executiva da ASA em Pernambuco. Ela afirma que o processo de instalação das cisternas de placa permite a geração de empregos para a mão de obra local e capacitação profissional realizada pela ONG.
Para dar visibilidade a sua contestação, a ONG coordena campanha que em seu primeiro ato conseguiu mobilizar 15 mil agricultores, autoridades políticas e parceiros da ASA, no Sertão pernambucano e baiano. A multidão atravessou a Ponte Presidente Dutra, que liga Petrolina e Juazeiro, com faixas de protesto. “Estamos intensificando a mobilização no Nordeste, colocando que a opção pelas cisternas de PVC é um retrocesso”, defendeu Neilda.
No final 2011, dez dias após o movimento, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) assinou um aditivo que garantiu a continuidade da parceria com a ASA até março. O contrato tem valor estimado de R$ 6 milhões, que é destinado à construção de 443 cisternas e a compra de sementes nativas, intercâmbios e sistematização de experiências.
PVC
Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração, Sérgio Duarte de Castro, o uso do plástico não representa o fim da parceria com a ASA, mas uma tentativa do governo em alcançar a meta fixada pela presidente Dilma Rousseff de construção um milhão de cisternas até 2014. “Não é que não existirá mais cisternas de placa. O que queremos é universalizar o acesso de água para beber até 2014 e para isso precisamos agilizar a produção. Já temos 327 mil de placa, que foram construídas em oito anos, e precisamos atingir nesse período mais 750 mil famílias que ainda estão sem água. Então, concentramos nossos esforços em várias tecnologias diferentes”, explicou. Segundo Sérgio Duarte, serão construídas ainda cerca de 450 mil cisternas de placa e as demais serão de PVC.
Sobre a ausência de participação da população local na construção das cisternas, o secretário rebate. Ele afirma que serão construídas quatro fábricas no Nordeste para a produção das cisternas de plástico, sendo uma delas em Petrolina. “A população vai continuar trabalhando e vamos, inclusive, aumentar os trabalhadores. A matéria-prima também é local (originária da Bahia) e vamos fazer a montagem após capacitação das pessoas da região”, completou. Segundo dados do Ministério da Integração Nacional, serão gerados 432 empregos diretos e indiretos na operação das quatro fábricas.

Pele de grávida sofre

Publicado no Jornal do Commercio (22/01/2012)

Mudanças hormonais, aumento de peso e cuidados para evitar uso de medicação que prejudique o bebê favorecem o surgimento de estrias, acne e manchas 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Se a maioria das mulheres se preocupa bastante com a pele por questões estéticas, para as grávidas, essa preocupação é ainda maior já que elas levam em conta a saúde do bebê. O maior órgão do corpo humano terá durante a gestação uma série de restrições para reduzir riscos de má-formação do feto, pré-disposição para doenças e até de aborto. Segundo especialistas, a atenção vai desde os cosméticos dos cabelos até o uso de hidratantes.
Desde o início da gravidez a pele da grávida passa por algumas mudanças. “Na gestação, a pele fica propensa ao surgimento de manchas, não só as áreas que já têm uma maior pigmentação natural. Os mamilos, axilas e virilha ficam mais escuros e surge a linha alba, no centro da barriga”, afirma a dermatologista do Centro de Estudos Dermatológicos de Recife, Flávia Alves.
Um das grandes preocupações da mulher na gestação é quanto ao surgimento do melasma (cloasma), que são manchas que aparecem com frequência nas áreas do corpo expostas ao sol, principalmente no segundo trimestre de gravidez. Dois fatores influenciam o surgimento: a exposição da pele ao sol e o aumento das taxas de hormônios. “Como vivemos numa área de alta incidência de raios ultravioletas, é necessário proteger a pele porque é uma mancha que escurece”, declara Perla Gomes, dermatologista do Santa Joana.
Usar diariamente protetor solar, evitar levar sol das 10h às 16h e redobrar outros cuidados, como usar chapéus, estão entre as dicas das especialistas. Flávia Alves diz que os protetores não devem ser deixados de lado nem nos dias chuvosos ou quando a grávida permanece em casa. “Isso porque existe uma radiação indireta. Até na sombra há radiação por reflexão da luz”, explica Flávia. “Por que esse cuidado todo? Uma vez que o melasma surge, para desaparecer dá trabalho e ele fica sempre voltando”, adverte a médica. Essa proteção deve ocorrer nos primeiros meses de gravidez, quando os níveis de hormônio sobem.
Pouco pode ser feito após o surgimento das manchas. “Na amamentação e durante a gravidez não podemos fazer muito pela paciente. As poucas medicações que podemos utilizar são indicadas apenas a partir do segundo trimestre e são muito fracas para um tratamento eficaz”, afirma Perla.
Outra preocupação das grávidas é quanto aos riscos de usar medicamentos na pele. Como não são feitas pesquisas sobre os efeitos deles em gestantes, toda nova medicação lançada é contraindicada. “É difícil dizer que determinado produto não prejudica o feto. Os riscos podem estar nos cosméticos ou em remédios”, diz a dermatologista Perla Gomes.
HIDRATANTES
De acordo com Perla, o uso de um simples hidratante de pele tem suas restrições. “Alguns com determinada composição de substâncias são contraindicados. Hidratantes, por exemplo, com uréia e lactato de amônio, devem ser evitados durante a gravidez”, declarou.
Outra contraindicação das dermatologistas em relação às loções hidratantes são os produtos à base de frutas cítricas, como maracujá. “O uso desses hidratantes podem ocasionar o surgimento de manchas na pele, além do próprio risco de fazer a grávida enjoar. O cheiro de um hidratante pode ser o suficiente para provocar náusea e a mulher não suportar usá-lo. A gestante deve procurar produtos mais suaves e mais neutros”, diz Flávia.
Apesar de restrições com o tipo de hidratantes, o uso deles é fundamental para reduzir os riscos de estrias durante a gestação. A própria distensão que a barriga sofre com o desenvolvimento do feto e com o crescimento dos seios pode predispor as indesejáveis estrias. Portanto, a dica das especialistas é não economizar na hidratação, principalmente nas mamas, glúteos, abdome e coxas.
Outros fatores que aumentam as chances do surgimento desse mal na pele é o acréscimo de peso acima de 15 ou 20 quilos (a média recomendada pelos obstetras é de 12 quilos) e a idade inferior a 20 anos das grávidas.
O surgimento acentuado de acne também incomoda as que esperam bebês. Mas nem todas as mulheres sofrem com as indesejáveis espinhas. Em algumas, aliás, acontece exatamente o oposto. “Não está provado que a gravidez interfere no surgimento da acne. Há grávidas que não têm uma espinha no rosto. Já outras sofrem muito com isso. Para fazer o tratamento adequado, é importante saber quais medicações podem ser usadas ou não”, diz Perla.
A designer de interiores Danielle da Costa, 35 anos, passou por algumas das restrições enquanto esperava a primeira filhinha, Kali. Como usava um creme que continha ácido na sua composição, ela suspendeu de imediato o produto ao descobrir-se grávida.
Curiosamente, Danielle afirma que a pele e o cabelo ficaram até mais bonitos durante a gestação, sem o surgimento de acne. Usar protetor solar diariamente, no entanto, não foi o suficiente para evitar o surgimento do melasma. “Não pude tratar das manchas para evitar riscos para a saúde do bebê. Sigo a orientação do dermatologista de só tratar o problema quando encerrar a fase da amamentação”, afirma.

Clássico dos sertanejos

Publicado no Jornal do Commercio (18/03/2012)

FUTEBOL Em situação oposta, a equipe do Araripina encara hoje a de Petrolina, pelo Campeonato Pernambucano
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Enquanto a fera sertaneja sonha com a vitória para se manter firme na briga por uma vaga na Série D, o Araripina precisa superar o rival para respirar no Campeonato e garantir mais uma temporada na elite do futebol pernambucano. O clássico sertanejo, que acontece hoje do Estádio do Chapadão do Araripe, às 16h, pode ser um divisor de águas nas pretensões dos dois clubes.
Vindo de uma sequência de quatro derrotas – para o Salgueiro, Sport, Serra Talhada e Santa Cruz – o Petrolina tenta hoje quebrar a sequência de maus resultados. A equipe que virou o primeiro turno entre os times que passariam para as semifinais, ainda não venceu no segundo turno. A maré negativa empurrou o time da quarta colocação para a sexta, sendo superado pelo Santa Cruz e Ypiranga, que vêm com boas sequências de resultados e estão crescendo na competição.
Um novo tropeço da fera pode levá-lo a perder mais uma posição após os jogos da 17ª rodada. Com a estagnação do Petrolina nos 22 pontos, o Serra Talhada, que estava passeando pelas últimas posições, já encostou na tabela de classificação, com 19 pontos e pode empatar com o Petrolina em número de pontos e superá-lo no critério de saldo de gols. Outro que se aproxima é o Central, que tem o mesmo número de pontos do Serra, mas tem duas vitórias a menos que o Petrolina.
ARARIPINA
Se o dilema dos petrolinenses é pela vaga na Série D – onde apenas duas equipes do interior se classificam, no lado do bode sertanejo a luta é pela manutenção na primeira divisão do Campeonato Pernambucano. O time do técnico Paulo Júnior está na zona de rebaixamento, na penúltima colocação, com 16 pontos. O mesmo número de pontos do Belo Jardim, mas com duas vitórias a menos, perde nesse critério de desempate. No segundo turno, o único resultado positivo da equipe foi a goleada sobre o Porto por 4 a 1. Nas duas últimas rodadas foram duas derrotas.
Como a briga na parte inferior da tabela do Campeonato Pernambucano está bastante disputada, uma vitória do Araripina e uma combinação de resultados pode levar o bode sertanejo da incômoda 11ª para a 7ª posição. Por outro lado, uma derrota contra o Petrolina complica a vida do Araripina, que pode ver o Belo Jardim – que está com o mesmo número de pontos e uma partida a menos – se distanciar. Além disso, a equipe viaja para o Recife, onde enfrenta o Santa Cruz, no Arruda, que precisa pontuar para garantir vaga na fase final da competição.
SERRA TALHADA
Outro sertanejo que vai a campo hoje é o Serra Talhada. Depois de um início de campeonato arrasador, a equipe se distanciou muito dos líderes e agora luta também contra o rebaixamento. O adversário será o Belo Jardim, no Mendonção, no Agreste.
Praticamente no meio da tabela, com 19 pontos, o Serra Talhada pode se aproximar da briga por uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, caso consiga superar o Belo Jardim. O resultado do jogo interessa diretamente o Araripina. Após a partida em Belo Jardim, o Serra Talhada volta para o Sertão para enfrentar o Salgueiro, um dos gigantes da competição, no Estádio Cornélio de Barros.

Porto tem elenco mais valorizado do interior

Publicado no Jornal do Commercio (08/04/2012)
 
 GAVIÃO EM ALTA Pesquisa da Pluri aponta que clube de Caruaru é o time do interior de PE com maior valor de mercado
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

O Porto é o time com maior valor de mercado entre os clubes do interior de Pernambuco, segundo a pesquisa Valor de Mercado dos Campeonatos Estaduais, realizada pela Pluri Consultoria. De acordo com o estudo, os atletas do clube valem nada menos que R$ 7,4 milhões, perdendo apenas para o trio da Capital, Sport, Náutico e Santa Cruz, que encabeçam a lista. No ranking considerando os 25 clubes mais valiosos no Norte, Nordeste e Centro Oeste, o Gavião foi o único do Agreste, ficando na 17ª posição.
Apesar de não fazer uma grande campanha no Campeonato Pernambucano 2012, ainda com riscos de rebaixamento, a valorização do quadro de atletas da equipe tem uma justificativa: trabalho de base. Desde a fundação do clube, em 1993, o Gavião do Agreste tem se notabilizado pela revelação de jogadores. Alguns que chegaram até a seleção brasileira, como Araújo e Josué.
De acordo com o gerente de futebol do clube, Borges Carvalho, nas divisões de base do time, cerca de 90 jogadores estão sendo preparados para o futebol profissional, nas categorias juvenil, sub-17 e sub-20. “A dedicação do clube na formação de atletas é a mesma desde a fundação. Ao dar oportunidade aos garotos para jogar no Campeonato Pernambucano e em outras competições oficiais, criamos uma grande motivação neles e isso gera uma valorização natural de mercado”, afirma o dirigente.
Além do destaque em nível estadual, a equipe mesmo fora do Campeonato Brasileiro surpreende ao aparecer no ranking regional – que avaliou clubes do Norte, Nordeste e Centro Oeste – à frente de clubes mais tradicionais, como o Ferroviário (19º), do Ceará, e o Anapolina (20º), de Goiás, fundados respectivamente em 1933 e 1948. Quem também apareceu atrás do Gavião foi o sertanejo Salgueiro (22º), que jogou no ano passado a Série B do Brasileirão.
Se a pesquisa foi um motivo de comemoração para o Porto, ela não foi nada animadora para o cenário do futebol interiorano. Mesmo somando-se o valor de mercado dos quatro clubes do Agreste – Central com R$ 4,9 mi, Ypiranga com R$ 4,7 mi e Belo Jardim com R$ 2,6 mi – o montante é inferior ao do Santa Cruz, que está em terceiro lugar entre os mais valiosos de Pernambuco, com o valor de R$ 24,4 milhões. “Os três times da capital têm valor de mercado somado de R$ 84 milhões, ou 68% do total”, destacou o relatório coordenado pelo economista Fernando Pinto Ferreira, especialista em gestão e marketing do esporte e pesquisa de mercado.
De acordo com o consultor esportivo e coordenador da pós-graduação em gestão de marketing esportivo da Maurício de Nassau, Tibério Praxar, esse fenômeno de concentração de valor nos clubes da capital é não é uma exclusividade de Pernambuco. “Exceto alguns Estados do Norte e Nordeste, os clubes da capital são mais valorizados. No Sul e Sudeste essa concentração é ainda maior. Mas, em Pernambuco, isso não tem reduzido o valor da marca do campeonato estadual. Nos últimos anos temos acompanhado de forma grata o crescimento dos clubes do interior”, disse o consultor.
Os R$ 19,6 milhões – valor de todos os atletas dos clubes do Agreste, de acordo com a consultoria – representam apenas 15,8% do Campeonato Pernambucano, que nem está entre os mais valorizados do País. Segundo o estudo da Pluri, os R$ 124 milhões do estadual representam menos do que o valor do Grêmio, de Porto Alegre, no Campeonato Brasileiro 2011. Entre os 10 Estados pesquisados, Pernambuco apareceu na 7ª posição, com apenas três times entre os 50 mais valiosos do País.
A Pluri atribui o valor de cada jogador através de uma combinação de critérios objetivos (como idade, resultados de marketing, condição física) e alguns subjetivos (a exemplo de qualidade técnica e disciplina tática), além de sondar as expectativas com relação ao futuro dos atletas, que são influenciadas pelas condições dos mercados vendedores e compradores. A data base de realização do estudo, publicado nesta semana, foi janeiro de 2012.

Transformação industrial

Publicado no Jornal do Commercio (29/01/2012)

MUDANÇA Com chegada de grandes fábricas, região deixa de ser baseada na pecuária e no comércio de confecções
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Da terra do têxtil e da bacia leiteira, o Agreste passará a ser reconhecido como uma região de diversos parques industriais. Caruaru vai confirmando a fama de “Suape Seco”, com a captação da maior parte dos novos empreendimentos que desembarcam no interior. Mas outros municípios estão recebendo investimentos milionários, tanto privados, como públicos que estão aumentando a oferta de empregos e alavancando o desenvolvimento regional.
Segundo informações da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), a maioria das empresas que se instalam na região estão de olho no suprimento das demandas do mercado interno. Para o presidente da agência, Márcio Stefanni, essas indústrias perceberam a necessidade de montar no Estado seus parques de produção. “Os centros de distribuição não deram conta da demanda local. Não é por acaso que Sadia e Perdigão trouxeram suas fábricas”, disse.
Setores de alimentos e bebidas são os que levam mais empresas para o Agreste. Retomando o tempo da Maguary, Bonito, no Agreste Central, receberá a baiana Brasfrut, num investimento de R$ 5,2 milhões, que produzirá bebidas e pretende ter como fornecedores agricultores familiares locais de frutas. “Já estamos com um galpão montado, temos alguns funcionários já trabalhando e esperamos até o final do ano começar a processar 22 tipos de frutas. Estamos numa fase de aquisição dos equipamentos”, afirmou o gerente da Brasfrut, André Ornellas. O município receberá também a Iban (Indústria de Água e Bebidas do Nordeste), que produzirá cerveja, energéticos, água mineral e refrigerante.
Garanhuns, reconhecida por sua bacia leiteira, perdeu alguns empreendimentos para cidades vizinhas, mas já possui um parque industrial com mais de 100 empresas, segundo informações da Fiepe. A Nestlé e a Bom Gosto, instaladas na cidade anunciaram que vão ampliar seu parque. Garanhuns garantiu ainda a permanência da Pinga Nordestina, que vive também uma fase de ampliação. A empresa que possui 60 trabalhadores, contará com mais 340 funcionários com a nova fábrica. “Com um perfil voltado para agropecuária, evidentemente que se direcionarmos indústrias para esse segmento é o ideal, já que há uma infraestrutura montada para esse setor”, diz o secretário de desenvolvimento econômico de Garanhuns Ornilo Lundgren Filho, que adiantou ainda que a Doces Popular, de Arapiraca, instalará um centro de distribuição e posteriormente uma fábrica no município.
Há poucos quilômetros da Suíça pernambucana, Brejão receberá uma fábrica do grupo Notaro Alimentos, detentor da marca Natto. A empresa anunciou um investimento de R$ 40 milhões para entrar com força no mercado de empanados, hambúrgueres, mortadela e salsicha. A fábrica se instalará no novo distrito industrial do município, anunciado no final do ano passado pela AD Diper, que terá uma área de 75 hectares. A área deve abrigar também três novas empresas, uma de armação de óculos, uma de papel e uma de reciclagem de PET.
Se a produção de alimentos já é uma vocação regional, uma novidade para a indústria do Agreste são as fábricas de motos. São Caetano receberá uma montadora da chinesa Sazaki Motors, num investimento de R$ 40 milhões, e Caruaru uma unidade da Active Trading (fruto de uma parceria com a também chinesa Lifan), no valor de R$ 91 milhões. As empresas visam atender as classes C e D, com motos populares, a partir de 50 cilindradas.
Ainda no setor automotor, a Baterias Moura, localizada em Belo Jardim, anunciou expansão que custará R$ 30 milhões, ampliando a capacidade de produção de baterias tracionais e estacionárias – usadas em sistemas de telecomunicações, subestações elétricas, sistemas de alarme e de energias alternativas, como solar e eólica. Além de comemorar a nova unidade, o prefeito de Belo Jardim, Marcos Coca-Cola, diz que fará novos anúncios de investimentos neste primeiro semestre. “Divulgaremos até março a chegada de quatro novas empresa. Não podemos dizer ainda os nomes, mas serão dos setores automotivo, de confecções e serviços”, adiantou.
CARUARU
Com a chegada de indústrias e a ampliação da sua rede de serviços, Caruaru espera um crescimento econômico ainda mais acelerado nos próximos anos, quando as obras de construção dos parques industriais forem concluídas e as fábricas entrarem em operação. “Só a Alnor, que produzirá cabos de cobre, fios metálicos de alumínio e telhas metálicas, tem a projeção de faturamento de R$ 500 milhões por ano e deve entrar em operação no primeiro semestre. Outras empresas estão na fase da terraplanagem, como a Cemil, que vai processar 200 mil litros de leite por dia”, salientou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico de Caruaru. Estão na lista das empresas em instalação na cidade de Caruaru, indústrias do setor automotivo, de bebidas, sacos plásticos, artefatos de concreto pré-moldados, entre outros.

Boa alimentação garante boa visão

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

OFTALMOLOGIA Especialistas garantem que comer bem pode retardar problemas como a degeneração macular, lesão relacionada ao processo de envelhecimento

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Os benefícios de uma alimentação saudável vão muito além de evitar quilos a mais. Especialistas alertam que comer bem pode retardar ou até prevenir problemas de visão, inclusive aqueles relacionados com o avanço da idade. Segundo a oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco, Ana Lúcia Arcoverde, assim como todo o organismo, o olho também sofre com distúrbios nutricionais. “Uma alimentação adequada é fundamental para uma boa visão. Alimentos ricos em vitaminas, como as verduras e frutas, e ricos em ômega 3 evitam o envelhecimento das células do organismo e, em especial, da retina, retardando o aparecimento de doenças que são responsáveis por cegueira, como a degeneração macular (lesão que atinge a mácula, uma pequena área no fundo do olho) relacionada à idade”, declarou. A carência da vitamina A, por exemplo, pode levar a distúrbios, como a xeroftalmia (caracterizada por provocar alterações na produção e composição das lágrimas) e a cegueira noturna.
Entre as contraindicações citadas pela oftalmologista está a ingestão de alimentos ricos em gordura e conservantes. “Eles contribuem para o aparecimento mais precoce das doenças oculares”, alertou. O fumo é outro vilão dos olhos. Segundo informações da Organização Mundial da Saúde, os fumantes têm o dobro de chance de ficar cegos e têm 2,5 vezes mais chance de desenvolver a doença da degeneração macular, que é relacionada à idade.
SOL
Além dos cuidados com a alimentação, outra recomendação dos especialistas é estar atento ao sol. Em especial no período do verão. A incidência dos raios solares nos olhos podem provocar danos na superfície da córnea, que poderiam causar irritações, crescimento do pterígio (conhecida popularmente como carne crescida no olho), além de favorecer o surgimento da catarata.
Os riscos à exposição solar ficam ainda maiores porque muitas pessoas usam óculos escuros apenas por questão estética, sem atentar se possuem proteção para raios ultravioleta. “Ao usar um óculos escuro sem qualidade e sem filtro, acaba sendo pior que não usá-los. Além disso, também é recomendado a utilização de bonés”, disse o oftalmologista do Hospital Santa Luzia, Theophilo Freitas.
A universitária Natácia Carlos, 23 anos, tem cuidados redobrados com a visão. Portadora de ceratocone (doença degenerativa) desde os 10 anos, ela faz exames periódicos na visão e segue as recomendações médicas. “Além dos óculos de grau, uso óculos escuros – indicados pelos médicos – e lubrificantes, que são para diminuir o ressecamento do olho. Também evito o sol”, disse. Essas atitudes retardam o avanço da sua doença ocular e previne outros problemas na visão.
Quem também não dispensa os óculos é Doriana Correia, 45, não só por recomendação médica para leitura, mas também por questões estéticas. “A claridade me irrita um pouco. Uso óculos por questão de prevenção e conforto. Adoro óculos e tenho várias opções porque me preocupo também com a estética. Passo praticamente todo o dia com óculos, até mesmo dentro de casa. Mas sempre opto por comprar os que têm lentes de boa qualidade”, afirmou Doriana, que disse ainda tomar cuidado na hora da compra de um novo modelo. “Têm alguns que podem até piorar a saúde dos olhos.”
Os cuidados no verão devem ser redobrados. Os oftalmologistas contraindicam a leitura na praia, pelo excesso de claridade ou ainda pelo reflexo do sol no papel, que podem levar a lesões oculares. Para quem curte praia ou piscina, os banhistas devem ter cuidado com o uso do protetor solar, pois o contato do produto com o olho pode provocar queimadura química ocular.