sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Grávida de olho na dieta

Publicado no Jornal do Commercio (15/01/2012)
 
Alimentos ricos em ácido fólico e ferro devem estar presente no cardápio da gestante, que precisa ainda evitar refrigerante e cafeína. Controlar o ganho de peso é outra preocupação

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

O que evitar e o que acrescentar na alimentação durante a gravidez? Essa dúvida de muitas mães é bem justificável. A dieta é fundamental tanto para uma gestação saudável como para preparar a mãe para o período da amamentação. Segundo os especialistas, um menu desequilibrado pode até mesmo criar predisposição a algumas doenças aos futuros bebês, como a obesidade. “A alimentação influencia diretamente no crescimento e desenvolvimento da criança. Então, se a mãe se alimenta bem, mais chances de o bebê nascer com saúde”, disse a nutricionista Glisley Barros Delmondes.
Em média, as mulheres podem ter um acréscimo de até 12 quilos durante a gestação. A recomendação médica é que haja um aumento de 300 calorias na dieta, mas só a partir do terceiro mês. Essa regra só não vale para as mulheres que possuem sobrepeso ou obesidade e para aquelas que já consomem um volume de comida acima da média. “Tanto as mães desnutridas como as obesas e as que têm uma alimentação acima da recomendada desenvolvem predisposições negativas para os bebês. Há mães que engordam até 30 quilos durante a gestação, dando o gatilho para desenvolver essa doença no seu filho”, afirmou a nutricionista Roberta Costi.
Se o acréscimo de calorias só é recomendado a partir do segundo trimestre da gestação, a qualidade da dieta é fundamental para o período inicial da gravidez. “No primeiro trimestre da gestação, não é preciso se preocupar em aumentar a quantidade, mas é fundamental atentar para a qualidade. Nesse período, o bebê está formando toda a parte do tubo neural”, afirmou Costi.
Nessa dieta saudável estão a ingestão de alimentos ricos em proteínas, cálcio, ferro, vitaminas e o ácido fólico, que é um elemento fundamental para a formação do feto. “Os alimentos que têm acido fólico em quantidades pequenas são os folhosos, como brócolis e espinafre, o feijão, fígado bovino, germe de trigo. Há um pouco também no suco de laranja. Em geral, o consumo desses alimentos acabam não suprindo, sendo preciso uma suplementação, que deve ser feita sob indicação médica”, disse a coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Maurício de Nassau, Cinthia Rodrigues.
Há uma série de recomendações que já são conhecidas pela maioria das gestantes, como banir o álcool e o fumo durante a gravidez. Mas há alimentos aparentemente menos nocivos, que estão na dieta diária da maioria das pessoas e que precisam também ser evitados, como o café, chocolate e o refrigerante. “As bebidas com gás não deixam o organismo absorver cálcio e ferro, que são fundamentais para esse período”, disse a nutricionista Roberta Costi.
A cafeína também reduz a capacidade do corpo de absorver ferro, o que aumenta os riscos de anemia nas mulheres. Estudo publicado pelo American Journal of Obstetrics and Gynecology, em 2008, apontou que mulheres com consumo diário a partir de 200 mg de cafeína tinham o risco de aborto espontâneo dobrado, quando comparadas às que não consumiam a substância.
O consumo de adoçantes artificiais e de frituras são outros pecados gastronômicos a serem deixados de lado na gestação. “É fundamental evitar alimentos tóxicos dos hábitos alimentares. As gestantes devem preferir alimentos naturais, evitando sempre aqueles industrializados e ricos em gorduras trans, como margarinas, salgadinhos, biscoitos recheados”, sugere Cinthia Rodrigues. Comida fast-food está entre os alimentos tóxicos a serem esquecidos pela gestante.
As futuras mamães devem tomar muito cuidado com os desejos típicos desse período. A nutricionista Glisley Barros Delmondes alerta que os desejos estão relacionados diretamente a fatores emocionais e não fisiológicos, podendo surgir, neste caso, o anseio por alimentos que podem ser até nocivos à gravidez. “Esses comportamentos são provocados por carências afetivas. Esse é um período em que as mães se sentem muito fragilizadas, quando os hormônios estão alterados. É comum a mãe ter desejos ou rejeição a alguns alimentos. A gestante não pode comer tudo o que vem na cabeça”, afirmou.
A alimentação adequada é fundamental também para que a mulher se prepare para o período de lactação (fase de produção do leite). Segundo as especialistas, a falta de reservas nutricionais da gestante pode ocasionar a restrição da quantidade necessária do leite ou a redução da sua qualidade. “Como a alimentação do bebê nos seis primeiros meses deve ser exclusiva de leite materno, a mãe precisa se preparar para esse período. O leite praticamente fica insuficiente se a mulher não tiver uma boa alimentação e, principalmente, se não ingerir líquidos de forma adequada”, alerta Glisley.
VIDA CORRIDA
Ciente de todas as recomendações, a enfermeira Priscila Ferraz, 31 anos, que está no quarto mês de gestação, tem dificuldades de manter a dieta ideal por fazer diversas refeições fora de casa. “Me alimento na maioria das vezes na rua devido às minhas atividades profissionais. Se não andar com um lanchinho é difícil ter uma alimentação saudável”, confessa a enfermeira, que já ganhou três quilos nos quatro primeiros meses de gestação.
Priscila está se adaptando à gestação, buscando se alimentar com mais frequência e em menor quantidade. “Procuro fazer refeições menores e mais vezes ao dia”, explica. O fato de a maioria das lanchonetes e cantinas oferecerem principalmente frituras, dificulta as pretensões da futura mamãe. “Imploro para a vendedora de lanches trazer salada de frutas, mas ela é adepta das frituras”, lamenta a enfermeira, que evita comidas embutidas e cruas, como sushis, sob orientação médica.z

Cisternas geram polêmica

Publicado no Jornal do Commercio (15/01/2012)

MATERIAL Decisão do governo de introduzir reservatórios de plástico causa protesto entre a população rural
 
Juliana GodoyRafael Dantas

Para acelerar o combate à falta de água no Semiárido, o governo federal iniciou nos últimos meses de 2011 a instalação de cisternas de plástico, ao invés das tradicionais feitas de placas, através do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC). A mudança causou um mal estar entre o Ministério de Desenvolvimento Agrário e a Articulação no Semiárido (ASA), organização que coordena essa implantação das cisternas.
Frente a um protesto de mais de 15 mil pessoas em Petrolina e Juazeiro, em dezembro, o governo assinou um contrato que garantiu a continuidade do trabalho da ONG até março. Uma medida que está longe de encerrar a polêmica.
A ASA faz uma série de críticas às cisternas de plástico, alegando questões econômicas e de sustentabilidade. O custo de uma peça feita de polietileno (plástico) é de R$ 5 mil, enquanto no modelo antigo era pouco mais de R$ 2 mil. Além de mais cara, a ONG defende que o antigo formato de instalação envolvia as comunidades. “As famílias participam de todo o processo, que vai das seleções, capacitações, construção e das ações de controle. No novo formato não há um fortalecimento da comunidade”, alega Neilda Pereira, coordenadora executiva da ASA em Pernambuco. Ela afirma que o processo de instalação das cisternas de placa permite a geração de empregos para a mão de obra local e capacitação profissional realizada pela ONG.
Para dar visibilidade a sua contestação, a ONG coordena campanha que em seu primeiro ato conseguiu mobilizar 15 mil agricultores, autoridades políticas e parceiros da ASA, no Sertão pernambucano e baiano. A multidão atravessou a Ponte Presidente Dutra, que liga Petrolina e Juazeiro, com faixas de protesto. “Estamos intensificando a mobilização no Nordeste, colocando que a opção pelas cisternas de PVC é um retrocesso”, defendeu Neilda.
No final 2011, dez dias após o movimento, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) assinou um aditivo que garantiu a continuidade da parceria com a ASA até março. O contrato tem valor estimado de R$ 6 milhões, que é destinado à construção de 443 cisternas e a compra de sementes nativas, intercâmbios e sistematização de experiências.
PVC
Segundo o secretário de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração, Sérgio Duarte de Castro, o uso do plástico não representa o fim da parceria com a ASA, mas uma tentativa do governo em alcançar a meta fixada pela presidente Dilma Rousseff de construção um milhão de cisternas até 2014. “Não é que não existirá mais cisternas de placa. O que queremos é universalizar o acesso de água para beber até 2014 e para isso precisamos agilizar a produção. Já temos 327 mil de placa, que foram construídas em oito anos, e precisamos atingir nesse período mais 750 mil famílias que ainda estão sem água. Então, concentramos nossos esforços em várias tecnologias diferentes”, explicou. Segundo Sérgio Duarte, serão construídas ainda cerca de 450 mil cisternas de placa e as demais serão de PVC.
Sobre a ausência de participação da população local na construção das cisternas, o secretário rebate. Ele afirma que serão construídas quatro fábricas no Nordeste para a produção das cisternas de plástico, sendo uma delas em Petrolina. “A população vai continuar trabalhando e vamos, inclusive, aumentar os trabalhadores. A matéria-prima também é local (originária da Bahia) e vamos fazer a montagem após capacitação das pessoas da região”, completou. Segundo dados do Ministério da Integração Nacional, serão gerados 432 empregos diretos e indiretos na operação das quatro fábricas.

Pele de grávida sofre

Publicado no Jornal do Commercio (22/01/2012)

Mudanças hormonais, aumento de peso e cuidados para evitar uso de medicação que prejudique o bebê favorecem o surgimento de estrias, acne e manchas 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Se a maioria das mulheres se preocupa bastante com a pele por questões estéticas, para as grávidas, essa preocupação é ainda maior já que elas levam em conta a saúde do bebê. O maior órgão do corpo humano terá durante a gestação uma série de restrições para reduzir riscos de má-formação do feto, pré-disposição para doenças e até de aborto. Segundo especialistas, a atenção vai desde os cosméticos dos cabelos até o uso de hidratantes.
Desde o início da gravidez a pele da grávida passa por algumas mudanças. “Na gestação, a pele fica propensa ao surgimento de manchas, não só as áreas que já têm uma maior pigmentação natural. Os mamilos, axilas e virilha ficam mais escuros e surge a linha alba, no centro da barriga”, afirma a dermatologista do Centro de Estudos Dermatológicos de Recife, Flávia Alves.
Um das grandes preocupações da mulher na gestação é quanto ao surgimento do melasma (cloasma), que são manchas que aparecem com frequência nas áreas do corpo expostas ao sol, principalmente no segundo trimestre de gravidez. Dois fatores influenciam o surgimento: a exposição da pele ao sol e o aumento das taxas de hormônios. “Como vivemos numa área de alta incidência de raios ultravioletas, é necessário proteger a pele porque é uma mancha que escurece”, declara Perla Gomes, dermatologista do Santa Joana.
Usar diariamente protetor solar, evitar levar sol das 10h às 16h e redobrar outros cuidados, como usar chapéus, estão entre as dicas das especialistas. Flávia Alves diz que os protetores não devem ser deixados de lado nem nos dias chuvosos ou quando a grávida permanece em casa. “Isso porque existe uma radiação indireta. Até na sombra há radiação por reflexão da luz”, explica Flávia. “Por que esse cuidado todo? Uma vez que o melasma surge, para desaparecer dá trabalho e ele fica sempre voltando”, adverte a médica. Essa proteção deve ocorrer nos primeiros meses de gravidez, quando os níveis de hormônio sobem.
Pouco pode ser feito após o surgimento das manchas. “Na amamentação e durante a gravidez não podemos fazer muito pela paciente. As poucas medicações que podemos utilizar são indicadas apenas a partir do segundo trimestre e são muito fracas para um tratamento eficaz”, afirma Perla.
Outra preocupação das grávidas é quanto aos riscos de usar medicamentos na pele. Como não são feitas pesquisas sobre os efeitos deles em gestantes, toda nova medicação lançada é contraindicada. “É difícil dizer que determinado produto não prejudica o feto. Os riscos podem estar nos cosméticos ou em remédios”, diz a dermatologista Perla Gomes.
HIDRATANTES
De acordo com Perla, o uso de um simples hidratante de pele tem suas restrições. “Alguns com determinada composição de substâncias são contraindicados. Hidratantes, por exemplo, com uréia e lactato de amônio, devem ser evitados durante a gravidez”, declarou.
Outra contraindicação das dermatologistas em relação às loções hidratantes são os produtos à base de frutas cítricas, como maracujá. “O uso desses hidratantes podem ocasionar o surgimento de manchas na pele, além do próprio risco de fazer a grávida enjoar. O cheiro de um hidratante pode ser o suficiente para provocar náusea e a mulher não suportar usá-lo. A gestante deve procurar produtos mais suaves e mais neutros”, diz Flávia.
Apesar de restrições com o tipo de hidratantes, o uso deles é fundamental para reduzir os riscos de estrias durante a gestação. A própria distensão que a barriga sofre com o desenvolvimento do feto e com o crescimento dos seios pode predispor as indesejáveis estrias. Portanto, a dica das especialistas é não economizar na hidratação, principalmente nas mamas, glúteos, abdome e coxas.
Outros fatores que aumentam as chances do surgimento desse mal na pele é o acréscimo de peso acima de 15 ou 20 quilos (a média recomendada pelos obstetras é de 12 quilos) e a idade inferior a 20 anos das grávidas.
O surgimento acentuado de acne também incomoda as que esperam bebês. Mas nem todas as mulheres sofrem com as indesejáveis espinhas. Em algumas, aliás, acontece exatamente o oposto. “Não está provado que a gravidez interfere no surgimento da acne. Há grávidas que não têm uma espinha no rosto. Já outras sofrem muito com isso. Para fazer o tratamento adequado, é importante saber quais medicações podem ser usadas ou não”, diz Perla.
A designer de interiores Danielle da Costa, 35 anos, passou por algumas das restrições enquanto esperava a primeira filhinha, Kali. Como usava um creme que continha ácido na sua composição, ela suspendeu de imediato o produto ao descobrir-se grávida.
Curiosamente, Danielle afirma que a pele e o cabelo ficaram até mais bonitos durante a gestação, sem o surgimento de acne. Usar protetor solar diariamente, no entanto, não foi o suficiente para evitar o surgimento do melasma. “Não pude tratar das manchas para evitar riscos para a saúde do bebê. Sigo a orientação do dermatologista de só tratar o problema quando encerrar a fase da amamentação”, afirma.

Clássico dos sertanejos

Publicado no Jornal do Commercio (18/03/2012)

FUTEBOL Em situação oposta, a equipe do Araripina encara hoje a de Petrolina, pelo Campeonato Pernambucano
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Enquanto a fera sertaneja sonha com a vitória para se manter firme na briga por uma vaga na Série D, o Araripina precisa superar o rival para respirar no Campeonato e garantir mais uma temporada na elite do futebol pernambucano. O clássico sertanejo, que acontece hoje do Estádio do Chapadão do Araripe, às 16h, pode ser um divisor de águas nas pretensões dos dois clubes.
Vindo de uma sequência de quatro derrotas – para o Salgueiro, Sport, Serra Talhada e Santa Cruz – o Petrolina tenta hoje quebrar a sequência de maus resultados. A equipe que virou o primeiro turno entre os times que passariam para as semifinais, ainda não venceu no segundo turno. A maré negativa empurrou o time da quarta colocação para a sexta, sendo superado pelo Santa Cruz e Ypiranga, que vêm com boas sequências de resultados e estão crescendo na competição.
Um novo tropeço da fera pode levá-lo a perder mais uma posição após os jogos da 17ª rodada. Com a estagnação do Petrolina nos 22 pontos, o Serra Talhada, que estava passeando pelas últimas posições, já encostou na tabela de classificação, com 19 pontos e pode empatar com o Petrolina em número de pontos e superá-lo no critério de saldo de gols. Outro que se aproxima é o Central, que tem o mesmo número de pontos do Serra, mas tem duas vitórias a menos que o Petrolina.
ARARIPINA
Se o dilema dos petrolinenses é pela vaga na Série D – onde apenas duas equipes do interior se classificam, no lado do bode sertanejo a luta é pela manutenção na primeira divisão do Campeonato Pernambucano. O time do técnico Paulo Júnior está na zona de rebaixamento, na penúltima colocação, com 16 pontos. O mesmo número de pontos do Belo Jardim, mas com duas vitórias a menos, perde nesse critério de desempate. No segundo turno, o único resultado positivo da equipe foi a goleada sobre o Porto por 4 a 1. Nas duas últimas rodadas foram duas derrotas.
Como a briga na parte inferior da tabela do Campeonato Pernambucano está bastante disputada, uma vitória do Araripina e uma combinação de resultados pode levar o bode sertanejo da incômoda 11ª para a 7ª posição. Por outro lado, uma derrota contra o Petrolina complica a vida do Araripina, que pode ver o Belo Jardim – que está com o mesmo número de pontos e uma partida a menos – se distanciar. Além disso, a equipe viaja para o Recife, onde enfrenta o Santa Cruz, no Arruda, que precisa pontuar para garantir vaga na fase final da competição.
SERRA TALHADA
Outro sertanejo que vai a campo hoje é o Serra Talhada. Depois de um início de campeonato arrasador, a equipe se distanciou muito dos líderes e agora luta também contra o rebaixamento. O adversário será o Belo Jardim, no Mendonção, no Agreste.
Praticamente no meio da tabela, com 19 pontos, o Serra Talhada pode se aproximar da briga por uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, caso consiga superar o Belo Jardim. O resultado do jogo interessa diretamente o Araripina. Após a partida em Belo Jardim, o Serra Talhada volta para o Sertão para enfrentar o Salgueiro, um dos gigantes da competição, no Estádio Cornélio de Barros.

Porto tem elenco mais valorizado do interior

Publicado no Jornal do Commercio (08/04/2012)
 
 GAVIÃO EM ALTA Pesquisa da Pluri aponta que clube de Caruaru é o time do interior de PE com maior valor de mercado
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

O Porto é o time com maior valor de mercado entre os clubes do interior de Pernambuco, segundo a pesquisa Valor de Mercado dos Campeonatos Estaduais, realizada pela Pluri Consultoria. De acordo com o estudo, os atletas do clube valem nada menos que R$ 7,4 milhões, perdendo apenas para o trio da Capital, Sport, Náutico e Santa Cruz, que encabeçam a lista. No ranking considerando os 25 clubes mais valiosos no Norte, Nordeste e Centro Oeste, o Gavião foi o único do Agreste, ficando na 17ª posição.
Apesar de não fazer uma grande campanha no Campeonato Pernambucano 2012, ainda com riscos de rebaixamento, a valorização do quadro de atletas da equipe tem uma justificativa: trabalho de base. Desde a fundação do clube, em 1993, o Gavião do Agreste tem se notabilizado pela revelação de jogadores. Alguns que chegaram até a seleção brasileira, como Araújo e Josué.
De acordo com o gerente de futebol do clube, Borges Carvalho, nas divisões de base do time, cerca de 90 jogadores estão sendo preparados para o futebol profissional, nas categorias juvenil, sub-17 e sub-20. “A dedicação do clube na formação de atletas é a mesma desde a fundação. Ao dar oportunidade aos garotos para jogar no Campeonato Pernambucano e em outras competições oficiais, criamos uma grande motivação neles e isso gera uma valorização natural de mercado”, afirma o dirigente.
Além do destaque em nível estadual, a equipe mesmo fora do Campeonato Brasileiro surpreende ao aparecer no ranking regional – que avaliou clubes do Norte, Nordeste e Centro Oeste – à frente de clubes mais tradicionais, como o Ferroviário (19º), do Ceará, e o Anapolina (20º), de Goiás, fundados respectivamente em 1933 e 1948. Quem também apareceu atrás do Gavião foi o sertanejo Salgueiro (22º), que jogou no ano passado a Série B do Brasileirão.
Se a pesquisa foi um motivo de comemoração para o Porto, ela não foi nada animadora para o cenário do futebol interiorano. Mesmo somando-se o valor de mercado dos quatro clubes do Agreste – Central com R$ 4,9 mi, Ypiranga com R$ 4,7 mi e Belo Jardim com R$ 2,6 mi – o montante é inferior ao do Santa Cruz, que está em terceiro lugar entre os mais valiosos de Pernambuco, com o valor de R$ 24,4 milhões. “Os três times da capital têm valor de mercado somado de R$ 84 milhões, ou 68% do total”, destacou o relatório coordenado pelo economista Fernando Pinto Ferreira, especialista em gestão e marketing do esporte e pesquisa de mercado.
De acordo com o consultor esportivo e coordenador da pós-graduação em gestão de marketing esportivo da Maurício de Nassau, Tibério Praxar, esse fenômeno de concentração de valor nos clubes da capital é não é uma exclusividade de Pernambuco. “Exceto alguns Estados do Norte e Nordeste, os clubes da capital são mais valorizados. No Sul e Sudeste essa concentração é ainda maior. Mas, em Pernambuco, isso não tem reduzido o valor da marca do campeonato estadual. Nos últimos anos temos acompanhado de forma grata o crescimento dos clubes do interior”, disse o consultor.
Os R$ 19,6 milhões – valor de todos os atletas dos clubes do Agreste, de acordo com a consultoria – representam apenas 15,8% do Campeonato Pernambucano, que nem está entre os mais valorizados do País. Segundo o estudo da Pluri, os R$ 124 milhões do estadual representam menos do que o valor do Grêmio, de Porto Alegre, no Campeonato Brasileiro 2011. Entre os 10 Estados pesquisados, Pernambuco apareceu na 7ª posição, com apenas três times entre os 50 mais valiosos do País.
A Pluri atribui o valor de cada jogador através de uma combinação de critérios objetivos (como idade, resultados de marketing, condição física) e alguns subjetivos (a exemplo de qualidade técnica e disciplina tática), além de sondar as expectativas com relação ao futuro dos atletas, que são influenciadas pelas condições dos mercados vendedores e compradores. A data base de realização do estudo, publicado nesta semana, foi janeiro de 2012.

Transformação industrial

Publicado no Jornal do Commercio (29/01/2012)

MUDANÇA Com chegada de grandes fábricas, região deixa de ser baseada na pecuária e no comércio de confecções
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Da terra do têxtil e da bacia leiteira, o Agreste passará a ser reconhecido como uma região de diversos parques industriais. Caruaru vai confirmando a fama de “Suape Seco”, com a captação da maior parte dos novos empreendimentos que desembarcam no interior. Mas outros municípios estão recebendo investimentos milionários, tanto privados, como públicos que estão aumentando a oferta de empregos e alavancando o desenvolvimento regional.
Segundo informações da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), a maioria das empresas que se instalam na região estão de olho no suprimento das demandas do mercado interno. Para o presidente da agência, Márcio Stefanni, essas indústrias perceberam a necessidade de montar no Estado seus parques de produção. “Os centros de distribuição não deram conta da demanda local. Não é por acaso que Sadia e Perdigão trouxeram suas fábricas”, disse.
Setores de alimentos e bebidas são os que levam mais empresas para o Agreste. Retomando o tempo da Maguary, Bonito, no Agreste Central, receberá a baiana Brasfrut, num investimento de R$ 5,2 milhões, que produzirá bebidas e pretende ter como fornecedores agricultores familiares locais de frutas. “Já estamos com um galpão montado, temos alguns funcionários já trabalhando e esperamos até o final do ano começar a processar 22 tipos de frutas. Estamos numa fase de aquisição dos equipamentos”, afirmou o gerente da Brasfrut, André Ornellas. O município receberá também a Iban (Indústria de Água e Bebidas do Nordeste), que produzirá cerveja, energéticos, água mineral e refrigerante.
Garanhuns, reconhecida por sua bacia leiteira, perdeu alguns empreendimentos para cidades vizinhas, mas já possui um parque industrial com mais de 100 empresas, segundo informações da Fiepe. A Nestlé e a Bom Gosto, instaladas na cidade anunciaram que vão ampliar seu parque. Garanhuns garantiu ainda a permanência da Pinga Nordestina, que vive também uma fase de ampliação. A empresa que possui 60 trabalhadores, contará com mais 340 funcionários com a nova fábrica. “Com um perfil voltado para agropecuária, evidentemente que se direcionarmos indústrias para esse segmento é o ideal, já que há uma infraestrutura montada para esse setor”, diz o secretário de desenvolvimento econômico de Garanhuns Ornilo Lundgren Filho, que adiantou ainda que a Doces Popular, de Arapiraca, instalará um centro de distribuição e posteriormente uma fábrica no município.
Há poucos quilômetros da Suíça pernambucana, Brejão receberá uma fábrica do grupo Notaro Alimentos, detentor da marca Natto. A empresa anunciou um investimento de R$ 40 milhões para entrar com força no mercado de empanados, hambúrgueres, mortadela e salsicha. A fábrica se instalará no novo distrito industrial do município, anunciado no final do ano passado pela AD Diper, que terá uma área de 75 hectares. A área deve abrigar também três novas empresas, uma de armação de óculos, uma de papel e uma de reciclagem de PET.
Se a produção de alimentos já é uma vocação regional, uma novidade para a indústria do Agreste são as fábricas de motos. São Caetano receberá uma montadora da chinesa Sazaki Motors, num investimento de R$ 40 milhões, e Caruaru uma unidade da Active Trading (fruto de uma parceria com a também chinesa Lifan), no valor de R$ 91 milhões. As empresas visam atender as classes C e D, com motos populares, a partir de 50 cilindradas.
Ainda no setor automotor, a Baterias Moura, localizada em Belo Jardim, anunciou expansão que custará R$ 30 milhões, ampliando a capacidade de produção de baterias tracionais e estacionárias – usadas em sistemas de telecomunicações, subestações elétricas, sistemas de alarme e de energias alternativas, como solar e eólica. Além de comemorar a nova unidade, o prefeito de Belo Jardim, Marcos Coca-Cola, diz que fará novos anúncios de investimentos neste primeiro semestre. “Divulgaremos até março a chegada de quatro novas empresa. Não podemos dizer ainda os nomes, mas serão dos setores automotivo, de confecções e serviços”, adiantou.
CARUARU
Com a chegada de indústrias e a ampliação da sua rede de serviços, Caruaru espera um crescimento econômico ainda mais acelerado nos próximos anos, quando as obras de construção dos parques industriais forem concluídas e as fábricas entrarem em operação. “Só a Alnor, que produzirá cabos de cobre, fios metálicos de alumínio e telhas metálicas, tem a projeção de faturamento de R$ 500 milhões por ano e deve entrar em operação no primeiro semestre. Outras empresas estão na fase da terraplanagem, como a Cemil, que vai processar 200 mil litros de leite por dia”, salientou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico de Caruaru. Estão na lista das empresas em instalação na cidade de Caruaru, indústrias do setor automotivo, de bebidas, sacos plásticos, artefatos de concreto pré-moldados, entre outros.

Boa alimentação garante boa visão

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

OFTALMOLOGIA Especialistas garantem que comer bem pode retardar problemas como a degeneração macular, lesão relacionada ao processo de envelhecimento

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Os benefícios de uma alimentação saudável vão muito além de evitar quilos a mais. Especialistas alertam que comer bem pode retardar ou até prevenir problemas de visão, inclusive aqueles relacionados com o avanço da idade. Segundo a oftalmologista do Hospital de Olhos de Pernambuco, Ana Lúcia Arcoverde, assim como todo o organismo, o olho também sofre com distúrbios nutricionais. “Uma alimentação adequada é fundamental para uma boa visão. Alimentos ricos em vitaminas, como as verduras e frutas, e ricos em ômega 3 evitam o envelhecimento das células do organismo e, em especial, da retina, retardando o aparecimento de doenças que são responsáveis por cegueira, como a degeneração macular (lesão que atinge a mácula, uma pequena área no fundo do olho) relacionada à idade”, declarou. A carência da vitamina A, por exemplo, pode levar a distúrbios, como a xeroftalmia (caracterizada por provocar alterações na produção e composição das lágrimas) e a cegueira noturna.
Entre as contraindicações citadas pela oftalmologista está a ingestão de alimentos ricos em gordura e conservantes. “Eles contribuem para o aparecimento mais precoce das doenças oculares”, alertou. O fumo é outro vilão dos olhos. Segundo informações da Organização Mundial da Saúde, os fumantes têm o dobro de chance de ficar cegos e têm 2,5 vezes mais chance de desenvolver a doença da degeneração macular, que é relacionada à idade.
SOL
Além dos cuidados com a alimentação, outra recomendação dos especialistas é estar atento ao sol. Em especial no período do verão. A incidência dos raios solares nos olhos podem provocar danos na superfície da córnea, que poderiam causar irritações, crescimento do pterígio (conhecida popularmente como carne crescida no olho), além de favorecer o surgimento da catarata.
Os riscos à exposição solar ficam ainda maiores porque muitas pessoas usam óculos escuros apenas por questão estética, sem atentar se possuem proteção para raios ultravioleta. “Ao usar um óculos escuro sem qualidade e sem filtro, acaba sendo pior que não usá-los. Além disso, também é recomendado a utilização de bonés”, disse o oftalmologista do Hospital Santa Luzia, Theophilo Freitas.
A universitária Natácia Carlos, 23 anos, tem cuidados redobrados com a visão. Portadora de ceratocone (doença degenerativa) desde os 10 anos, ela faz exames periódicos na visão e segue as recomendações médicas. “Além dos óculos de grau, uso óculos escuros – indicados pelos médicos – e lubrificantes, que são para diminuir o ressecamento do olho. Também evito o sol”, disse. Essas atitudes retardam o avanço da sua doença ocular e previne outros problemas na visão.
Quem também não dispensa os óculos é Doriana Correia, 45, não só por recomendação médica para leitura, mas também por questões estéticas. “A claridade me irrita um pouco. Uso óculos por questão de prevenção e conforto. Adoro óculos e tenho várias opções porque me preocupo também com a estética. Passo praticamente todo o dia com óculos, até mesmo dentro de casa. Mas sempre opto por comprar os que têm lentes de boa qualidade”, afirmou Doriana, que disse ainda tomar cuidado na hora da compra de um novo modelo. “Têm alguns que podem até piorar a saúde dos olhos.”
Os cuidados no verão devem ser redobrados. Os oftalmologistas contraindicam a leitura na praia, pelo excesso de claridade ou ainda pelo reflexo do sol no papel, que podem levar a lesões oculares. Para quem curte praia ou piscina, os banhistas devem ter cuidado com o uso do protetor solar, pois o contato do produto com o olho pode provocar queimadura química ocular.

Manga alavanca exportações

Publicado no Jornal do Commercio (15/04/2012)
 
 ECONOMIA Vale do São Francisco é responsável por 83% do que é enviado para supermercados da Europa e dos Estados Unidos 
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

De acordo com balanço da Secretaria do Comércio Exterior, a exportação de mangas do Brasil voltou a crescer. Como o Vale do São Francisco é responsável por 83% das mangas que saem do País para abastecer os supermercados da Europa e Estados Unidos, a Valexport garantiu um faturamento de US$ 114.985 milhões, em 2011. O desempenho superou em 5,86% o alcançado no ano anterior, mas não foi comemorado pelos empresário do setor, que almejavam um índice maior. O volume de exportações da fruta subiu 6,9%, superando 105 toneladas.
Com o consumo do mercado europeu ainda em baixa, foram as exportações para os Estados Unidos fez com que o Vale do São Francisco conseguisse seguir se recuperando do impacto negativo da crise de 2008. Em 2011, a região obteve sucesso na produção, mas os preços reduzidos acabaram rebaixando o faturamento do setor. “A produção do ano foi positiva, mas os preços médios não foram tão bons, porque caíram muito no fim da safra”, comentou o presidente da Valexport, José Gualberto.
Se o crescimento da manga foi baixo, as exportações de uva foram menores ainda que no ano anterior. No ano passado, o mercado internacional recebeu 59.339 toneladas de uvas produzidas na região, contra 60.774 toneladas de 2010, 2,4% a menos. Apesar disso, o faturamento com as uvas pouco se alterou em relação a 2010, com uma queda de 0,67%. Os motivos apresentados para esse desempenho é o aquecimento do mercado interno e o direcionamento de parte da produção para a fabricação de sucos. “Em face a depreciação do mercado externo, para muitos produtores vender para o mercado interno se tornou mais atrativo”, afirmou Gualberto.
A perspectiva da Valexport para 2011 era de um crescimento em faturamento em torno de 20%. Somando-se as produções de manga e uva, o aumento foi de apenas 2,37%, saltando de US$ 244.803 milhões para US$ 250.627. Para 2012, a expectativa dos produtores é que a região siga se recuperando. “Neste ano, o clima está bom, e temos a expectativa da uma produção melhor em qualidade e quantidade. Em relação ao mercado, parece que a crise da Europa passa a ser resolvida, o que sinaliza uma retomada da venda de frutas, que já faz parte da cultura alimentar do europeu”, afirmou o presidente da Valexport.
MANUAL
Em março, o Sebrae lançou a versão portuguesa do Manual de Práticas para o Melhor Manejo Pós-colheita da Manga, que tem como objetivo orientar os produtores acerca de como atender às exigências de importação do mercado norte-americano. Os Estados Unidos importam 98% do total de mangas que consume e segundo o Sebrae, cerca de 8% delas do Brasil. A National Mango Board, instituição do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que é responsável pelo incentivo ao consumo de mangas, esteve em Petrolina para o lançamento da publicação.

Mãos que são exemplo de vida

Publicado no Jornal do Commercio (15/04/2012)

BIOGRAFIA Zé Monteiro quase chegou ao leito de morte antes de dar forma a grandes obras de arte no Agreste pernambucano 
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Do leito da morte para a vida de artista plástico. Diferente da história da maioria dos artistas populares, que desde a infância começaram a fazer suas pinturas ou fazer suas criações, com Zé Monteiro, 86 anos, a descoberta da arte começou na terceira idade. Em 2004, problemas cardíacos deixaram o ex-caminhoneiro de Arcoverde desenganado pelos médicos. Mas após recuperar a saúde, a estrada do artesanato foi a forma encontrada pela família para que ele ocupasse o seu tempo – já que não podia mais trabalhar. Se sua produção começou tarde, o reconhecimento pela sua arte foi rápido e em menos de 10 anos na nova rota, o artesão teve a oportunidade de ver sua história contada no documentário Zé Monteiro, o homem que venceu cinco mortes, recém-lançado pelo cineasta Wilson Freire.
Foi a partir da madeira que Zé Monteiro reviveu a infância do Sertão pernambucano, dando vida aos retirantes e personagens do interior. Quadros feitos de forma bem primitiva, num estilo de pintura naif – sem técnica geométrica e com uso livre de cores – expõe a sua simplicidade. Com as primeiras produções, ele se tornou o último integrante da família a se dedicar à arte, que contava com a ex-presidente da Associação dos Artesãos em Barro do Alto do Moura, Rosário Monteiro, e sua esposa Noêmia Vieira, como as principais incentivadoras.
E foi o seu traço simples e natural que encantaram o marchand Roberto Rugiero, que levou boa parte das suas peças nos primeiros anos de produção para a Galeria Brasiliana, em São Paulo. “A arte de Zé Monteiro é inspirada na vida do povo nordestino. É a história dele. E era isso que o marchand estava procurando. Assim que viu as peças de papai, comprou todos os quadros. Até então, todas as suas pinturas ficavam em casa”, contou Lúcia Monteiro, artesã e filha do artista plástico.
A partir da Galeria Brasiliana, a arte de Zé Monteiro chegou a exposições no exterior, em países como França, Alemanha e Estados Unidos. Em Pernambuco, a maior vitrine de Zé Monteiro é a Fenearte, onde participa desde 2005. Para a edição desde ano, uma das novidades serão os santos de madeira, com os traços do homem nordestino.
Da sua produção local, num simples ateliê em Arcoverde, para as telonas, a trajetória se valeu da web. Uma postagem da sua filha, Lúcia, na rede mundial de computadores apresentando a produção e história do artesão, chegou ao conhecimento do cineasta Wilson Freire. O interesse pelo tema somado ao desejo da família em expor o legado do pai foram o ponto de partida para a produção do documentário de 20 minutos, que da sua concepção à primeira exibição, durou três anos. “Gosto muito de fazer os meus bonecos. Agora mesmo fiz uns dez São Franciscos. E me senti bem, muito satisfeito, ao ver o filme que fizeram”, relatou Zé Monteiro.
O documentário é narrado em cordel, com texto do próprio cineasta, e usa as imagens do artesão na Fazenda Dezerto e de suas inúmeras obras, misturando o que há de mais tradicional na literatura pernambucana, com o cinema de animação. “O tempo que Zé Monteiro retrata não é o presente, mas o passado. O cangaço, a seca, Luiz Gonzaga. Não tínhamos imagens animadas, vivas, documentais sobre isso. Veio a ideia: ele próprio vai ser o fotógrafo e o cineasta das suas próprias imagens”, afirmou Wilson Freire. O documentário da Candieiro Produções teve ainda a trilha sonora de Lula Moreira e Orquestra Sertão.
Depois da primeira exibição, que aconteceu em dezembro de 2011, na Associação Cultural Urucungo – que é localizada em Arcoverde e foi a proponente do documentário – a história de Zé Monteiro foi um dos curtas selecionados para ser apresentada no maior festival de cinema do Estado, o CinePE, que acontecerá nos dias 28 e 29 de abril, no Teatro dos Guararapes, no Centro de Convenções de Pernambuco.

Cabeça boa para encarar mudanças

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

DEPRESSÃO Preparar-se para a saída dos filhos de casa e para a aposentadoria inclui praticar exercícios, alimentar o círculo de amizade e até fazer psicoterapia para ficar bem

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

É na faixa dos 40 anos que começa a aparecer o fantasma da depressão. Segundo pesquisa publicada pela Social Science and Medicine, no Brasil 47 anos é a idade de maior risco. Na opinião dos especialistas, os elevados índices da doença nessa fase está relacionada a fatores sociais, emocionais e biológicos. A aproximação da aposentadoria, a síndrome do ninho vazio (saída dos filhos de casa) e até mesmo mudanças hormonais são ingredientes que interferem no humor das pessoas e aumentam o risco da doença.
Chegar aos 40 e lidar com uma casa sem crianças ou até mesmo sem a presença dos filhos, que começam a formar suas próprias famílias, gera em muitos pais a sensação de vazio no lar. É a partir da saudade excessiva que a tristeza se transforma num dos gatilhos da doença. “Criamos os filhos para a independência, mas quando eles se vão, muitas pessoas acabam se sentindo sem utilidade. Esse é um dos principais motivos da depressão nessa idade”, explica a psicóloga Jacira Andrade.
A saída dos filhos de casa, segundo a psicóloga, em muitos casos acaba até sendo o motivo de divórcio dos casais. “Nesse período é comum ver separações. É como se a família tivesse acabado porque os filhos estão criados”, pontua. Para os especialistas, é importante que os homens e mulheres, ao chegarem nesse momento, devam se preocupar em valorizar a vida de casal. “Muitos esquecem que é importante ter um momento deles, fazer uma viagem a dois. Esquecem de namorar para viver apenas em função da família”, alerta Jacira.
Para algumas pessoas, o surgimento da depressão em geral fica relacionado à atividade laboral associada à falta de momentos de lazer. Segundo pesquisa da Universidade de Londres, os trabalhadores que gastam mais de 11 horas de trabalhos diários tem 2,5 vezes mais chances de desenvolver a doença. “A depressão para essas pessoas começa de forma camuflada. O isolamento, a falta de atividades físicas e a rotina de viver da casa para o trabalho deprimem as pessoas”, disse a psicóloga.
Como o isolamento é um dos primeiros sintomas e um fator agravante da depressão, uma das formas de preveni-la é se envolver em atividades mais sociais, manter o contato com amigos e familiares. A integração em grupos de atividades de lazer ou religiosos e ainda o envolvimento com trabalhos voluntários também contribuem.
Além das mudanças sociais e questões emocionais, as alterações orgânicas devem ser consideradas. De acordo com o geriatra do Hospital Esperança e do Hospital das Clínicas, Marcelo Cabral, a redução da quantidade de três neurotransmissores (substâncias que favorecem a comunicação entre os neurônios) contribuem para a instalação dos quadros depressivos. “A partir da meia idade, o corpo começa a ter deficiência de serotonina, noradrenalina e acetilcolina. A partir dessa compreensão, os tratamentos psicoterapêuticos vem andando em conjunto com a farmacologia (uso de medicamentos) para curar a depressão”, diz.
Uma forma de prevenir a diminuição dos neurotransmissores é realizar atividades físicas. “Os exercícios físicos têm um impacto na redução dos riscos de depressão. É importante investir em lazer associado a esportes ou caminhadas na fase da vida adulta”, orienta Cabral.
A prática de exercícios por 30 minutos, três vezes por semana, reduz em 47% os sintomas depressivos, segundo estudo da Universidade Southwestern. “A depressão está muito associada ao isolamento e a pensamentos tristes. Essa socialização, principalmente em aulas coletivas, contribui para que essas pessoas tenham novos relacionamentos. Os exercícios acabam por ser um lazer para eles”, diz a personal trainer Vanessa Xavier.
VIRANDO O JOGO
Encarar um tratamento para a depressão não é fácil, especialmente, para quem está na faixa dos 40 anos, com vida profissional ativa e uma vasta rede de relacionamentos, assumir que precisa de auxílio médico é um desafio. A auxiliar de enfermagem Sheila Brito, 44 anos, passou a sofrer de depressão há seis anos. O quadro só começou a mudar quando encarou que precisava de ajuda. “Não são todos que admitem a depressão. Uma pessoa próxima chegou a me dizer que não deveria entrar num tratamento. Ela queria me proteger do preconceito, mas eu sabia que precisava do tratamento.”
Sua luta foi longa. A prova do que passou está nos laudos médicos, receitas, encaminhamentos para internamentos que ela guarda. “Depressão é igual à morte. O choro de tristeza não me deixava ter perspectivas de vida. Tive coragem para enfrentar isso”, fala a ex-paciente. Com ajuda do psicólogo, de um psiquiatra e dos medicamentos, começou o tratamento que a curou. A caminhada diária de três quilômetros e a maior frequência aos cultos da igreja da qual participa fizeram parte desse momento. Curada, ela se dispõe a aconselhar outras pessoas que passam pelo que ela passou.

Tomar banhos de sol faz bem para a saúde

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

LADO BOM Conhecida por provocar envelhecimento, exposição ao sol, quando moderada, pode trazer benefícios para a imunidade e a massa muscular 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Quem deseja ter uma vida longa deve incluir na agenda um tempo para o banho de sol. Embora o astro rei seja um dos vilões do envelhecimento e do câncer de pele, é através dele, que o corpo consegue absorver a vitamina D. A queda do nível dessa vitamina pode provocar o surgimento da osteoporose ou ainda promover a diminuição da massa muscular. Mais: a substância está relacionada à imunidade (defesas do organismo contra infecções) e pesquisas recentes analisam seus benefícios na prevenção de doenças do coração.
Para resolver o dilema entre os riscos e vantagens do banho de sol, pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais revela que a exposição deve ser de 15 a 30 minutos, três vezes por semana, antes das 10h e depois das 16h (para fugir dos raios ultravioletas que podem causar câncer e envelhecimento). Pessoas com pele muito clara, porém, devem ser orientadas por especialistas.
Cuidado redobrado também se deve ter com as crianças, segundo o dermatologista Sérgio Paulo, professor da UPE. Ele explica que os dez primeiros anos de vida são fundamentais na determinação se a pessoa terá ou não câncer de pele no futuro. “Ao se proteger somente após os 10 anos, o que se pode fazer é adiar o aparecimento, mas não evitar”, alerta Sérgio Paulo, que defende o uso de protetor solar desde os seis meses. Ele orienta que pouco tempo de exposição diária, no cotidiano, é o suficiente para absorver a vitamina D.
VITAMINA D
O banho de sol é responsável por 90% da absorção de vitamina D no corpo humano, enquanto que a ingestão de alimentos, como leite, gema de ovo, e peixes de água fria, respondem por 10%. “A não exposição ao sol pode levar a déficit de vitamina D no organismo e tendência à osteoporose e fraturas, além da diminuição de massa muscular”, explica o geriatra Alexandre de Mattos, diretor do Instituto de Medicina do Idoso. “Outros problemas têm sido estudado nos últimos anos, como a possível relação da deficiência da vitamina com o aumento de doenças cardiovasculares e autoimunes”, acrescentou.
Segundo o coordenador do Serviço de Endocrinologia do Imip e professor da Faculdade Pernambucana de Saúde, Érico Higino de Carvalho, praticamente todas as células do corpo têm receptores da vitamina, cujo efeito mais conhecido é o metabolismo do cálcio e fósforo no organismo. “Esses elementos são essenciais na manutenção da arquitetura óssea e na atividade celular em diferentes tecidos, especialmente nervoso e muscular”, afirmou. A ação da vitamina D, está relacionada ainda com a imunidade e regulação do ciclo celular, com a fertilidade, na regulação da secreção de hormônios como insulina e no controle da pressão arterial.
A absorção reduzida de vitamina D acontece mais em idosos. “O envelhecimento da pele, com menor capacidade de síntese da vitamina e uso de medicamentos interferem na sua absorção”, disse Érico Higino. É bom considerar que após os 60 anos, mesmo com a exposição solar adequada, o organismo pode não gerar o nível suficiente da vitamina. Nesse caso deve ser feita a reposição com suplementação por via oral. “Além de diminuir o risco de fratura e osteoporose, a reposição pode reduzir em até 30% o risco de quedas, já que fortalece a massa muscular e melhora a força e o equilíbrio”, explica o geriatra Alexandre de Mattos.
Além dos idosos, outro grupo de risco são as mulheres. Pesquisa do departamento de endocrinologia do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) indicou que 43% das recifenses já entraram na menopausa com esse déficit. “A maior perda óssea acontece na menopausa, período onde ocorre uma queda abrupta do estrógeno, hormônio que exerce papel crucial na manutenção da massa óssea. Se associarmos com a deficiência de vitamina D, o risco de fraturas aumenta e a reposição dessa vitamina deve fazer parte do tratamento da osteoporose”, informou Erico de Carvalho. O envelhecimento também leva a uma perda óssea tanto em homens como em mulheres, só que de forma mais lenta.

Para evitar a idade do com dor

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

BONS HÁBITOS Boa postura, manter o peso e até não fumar são atitudes que impedem surgimento de sintomas dolorosos

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

A dor acomete a rotina da maioria dos brasileiros, mas tem suas peculiaridades para os que passaram dos 40 anos. O desgaste do corpo ao longo da vida, provocado por má postura, traumas ou excesso de esforço físico, geram as dores musculares. Já o estresse é um dos causadores da dor de cabeça, campeã de queixas da população brasileira.
Pesquisa da Pfizer/Ibope, de 2008, mostrou que 92% dos brasileiros afirmaram ter sentido dores de cabeça ao longo da vida. Entre os que estão acima dos 40 anos, o percentual é ainda maior, 94%. O estresse está entre as principais causas da doença. “As pessoas precisam encontrar formas de relaxar e lidar com as pressões do cotidiano”, advertiu o clínico geral, Francisco Barreto.
O esforço visual e a qualidade do sono também causam dor de cabeça, de acordo com estudo realizado pela Neosaldina. Fome, TPM e até o excesso de exposição ao sol também foram apontados como desencadeadores do problema. “O sono tem uma grande função de tirar as dores do corpo, mas muitas pessoas têm dificuldades para dormir com qualidade e em quantidade adequada. Um remédio contra as dores do envelhecimento é a caminhada diária”, aconselha o clínico.
Segundo o especialista em coluna, Rodrigo Castro, as dores de origem muscular estão no topo das queixas dos pacientes. No Brasil, as dores nas costas atingem 70% da população acima dos 50 anos e as causadas por excesso de esforço físico acometem 44% dos brasileiros entre 40 e 49 anos. “A incidência elevada tem origem nos problemas de desgaste da coluna ou de postura”, afirmou o ortopedista.
Os desgastes no disco vertebral, que originam as dores, podem ter início na adolescência. Quando isso acontece, ao chegar na fase adulta, o disco tem um envelhecimento mais avançado que a idade cronológica do indivíduo. “A tendência a ter essa dor na meia idade está relacionada a uma herança do estilo de vida, como o histórico de traumas, tipo de esportes que se pratica, excesso de peso, sedentarismos e hábitos como o fumo”, mapeou Rodrigo Castro.
Postura inadequada na utilização de produtos tecnológicos como notebook, tablet e celulares, está na lista dos maus hábitos destacados pelos especialistas. A obesidade é outra herança do estilo de vida relacionada com a dor. Segundo o Ministério da Saúde, 48,5% dos brasileiros estão acima do peso recomendado. De acordo com estudo da Gallup Organization, as pessoas obesas estão mais sujeitas ao surgimento de dores sem causa específica.

Vida sexual saudável em qualquer idade

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

DESEJO EM ALTA Despojar-se de preconceitos, manter constante diálogo com o parceiro e ter hábitos saudáveis podem prolongar o desejo pelo companheiro na terceira idade 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Satisfação sexual não é uma dádiva exclusiva da juventude. Embora a idade tenha influência direta com a qualidade e quantidade das relações sexuais, os avanços da ciência e a prática de hábitos de vida saudável permitem manter o desejo e a vida sexual ativa mesmo após os 70 anos. Mas para o casal manter-se sexualmente ativo é necessário um constante diálogo durante toda a vida em comum, inclusive na velhice.
“Uma das maiores dificuldades dos idosos é a falta de comunicação, uma vez que culturalmente foram orientados a não falar sobre sexo. Porém, as mudanças corporais e funcionais impostas pelo envelhecimento fisiológico fazem com que haja uma maior necessidade de conversar nessa faixa etária, para uma melhor readaptação da vida sexual do casal”, avalia o geriatra do Hospital Santa Joana, Carlos Henrique Albuquerque.
Desde jovem é bom estar atento também que, na terceira idade, quando não há mais a beleza física da juventude, os gatilhos para a sedução são outros. “A intimidade e a cumplicidade entre os casais, além de ter tempo para estar junto, lazer, entretenimento e bom humor são os fatores estimulantes que substituem o apelo estético ao sexo”, esclarece Carmita Abdo coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Hospital das Clínicas da USP.
Para a sexóloga Laura Muller, autora do livro Altos papos sobre sexo – dos 12 aos 80 anos, quando o casal consegue levar a experiência de vida para a cama, algumas barreiras fisiológicas são vencidas, já que há o incremento mais forte do fator emocional na relação. “Temos o direito de ter prazer a vida inteira, mas é preciso lidar com a cabeça. Quando pensamos que não é só o corpo que faz o sexo com o outro, isso tem reflexos na cama. Quem está nessa faixa de idade tem toda uma experiência e maturidade para lidar com as emoções e sentimentos, o que permitem uma maior tranquilidade para viver a sua sexualidade”, diz Laura.
Se o lado psicológico e comportamental precisa superar barreiras, o fator fisiológico também precisa de cuidados muitos anos antes de a velhice chegar. A disfunção erétil masculina pode ser revertida com medicamentos, como o viagra, ou com novos métodos, a exemplo das próteses penianas. Porém, é possível adiar a necessidade do seu uso e chegar mais inteiro na terceira idade com bons hábitos.
“Dieta balanceada, cuidados com a hidratação e prática regular de exercício físico contribuem para um envelhecimento bem sucedido e para uma atividade sexual saudável. Deve-se ressaltar também a importância do controle de doenças, como o diabetes, e a cessação de hábitos prejudiciais, como o tabagismo”, disse o geriatra Carlos Henrique. O estresse da vida moderna, uso demasiado de medicamentos – que tem efeitos colaterais indesejáveis – e a obesidade são outros vilões que estão relacionados à antecipação dos problemas com a sexualidade.
FREQUÊNCIA
Mesmo enfrentando as barreiras da idade, dados da pesquisa Mosaico Brasil, maior estudo realizado sobre a sexualidade brasileira, mostram que os homens acima dos 70 anos têm frequência sexual média de 1,4 relação/semana. Entre as mulheres na mesma idade o estudo aponta uma relação a cada duas semanas. “As relações são menos frequentes que antes, mas a atividade sexual continua ocorrendo para boa parcela da população de brasileiros na terceira idade”, diz a sexóloga e psiquiatra, Carmita Abdo, coordenadora da pesquisa.
O melhor é que ter uma vida sexual ativa na idade madura não só é possível como recomendável para uma boa saúde física e psíquica. Para os especialistas, as descobertas científicas que permitiram a maior longevidade da prática sexual melhoram por tabela a qualidade de vida. “Sexo é mais importante para o ser humano do que pensamos. A pessoa com capacidade sexual plena é mais feliz e toma menos antidepressivos”, declarou o chefe de urologia do HC da UFMG, Carlos Corradi.

Eles não cuidam da saúde

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

INCENTIVO Homens brasileiros não costumam fazer prevenção e governo lança política para estimulá-los a frequentar serviços médicos

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Francisco Eduardo Souza, funcionário público de 50 anos, frequenta regularmente os consultórios médicos. Anualmente faz uma visita ao dermatologista, ao urologista e ao neurologista. A cada três meses vai também ao cardiologista. Além disso, toma religiosamente os medicamentos para controlar o colesterol e a pressão. Os cuidados com a saúde, porém, só se tornaram uma prioridade após um infarto e um AVC.
Como Francisco, a maioria dos homens só passa a procurar um médico quando já têm alguma doença instalada e, muitas vezes, apenas em estágios avançados. “Antes do infarto meus cuidados com a saúde eram zero. Bebia e fumava demais, além de ter muito estresse. Hoje, ter a consulta médica periódica para mim é algo sagrado”, compara.
O estímulo à prevenção masculina é uma das metas do Ministério de Saúde, que instituiu em 2009 uma Política Nacional de Saúde do Homem para aproximá-lo dos consultório. Segundo pesquisa nacional do Ibope Mídia, feita em 2010, 64% da população masculina do País só vai ao médico quando está realmente doente. O resultado disso é que, no Brasil, as mulheres vivem 7,6 anos a mais que os homens, segundo o IBGE.
FRAGILIDADE
“Queremos que eles possam se perceber como sujeitos que necessitam de cuidados. O homem precisa sair do isolamento e saber que saúde não é sinônimo de fragilidade, mas de força. Cuidar-se é sinal de fortaleza, de pessoas que têm saúde emocional para buscar ajuda”, disse Eduardo Chakora, coordenador do Programa de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
Esse comportamento avesso ao cuidado com a saúde é refletido não só na saúde pública, como nos serviços privados. Segundo dados do ministério, 64% dos homens não possuem planos de saúde. As secretarias de saúde constataram que as causas desses comportamento são culturais e associadas ao machismo. “O homem só busca ajuda, entrando pela porta da urgência e emergência. Historicamente ele não se cuida. Foi criado para ser o provedor e sempre viu os cuidados com a saúde com a conotação de sexo frágil”, declarou Lucyana Moreira, gerente Estadual de Saúde do Homem e do Idoso do Governo de Pernambuco.
Outro fator é o receio de saber que está com alguma enfermidade. “Eles têm medo de se descobrir doente e quando descobrem não fazem o tratamento devido”, completou Lucyana.
Dauziley Souza, 44, é uma exceção. A cada seis meses passa num consultório médico para fazer exames periódicos. Apesar de dispensar uma atenção maior à saúde desde a juventude, a morte do avô por câncer de próstata o alertou para se preparar com o avanço da idade. “A partir dos 40 passei a frequentar o urologista a cada seis meses e vou ao cardiologista ao menos uma vez por ano, para ver como está o coração”, disse o funcionário público, que pratica uma série de atividades físicas e tem cuidados redobrados com a alimentação.
Para que outros homens tenham a mesma atitude de Dauziley, uma das frentes de atuação do governo é investir em informação para o público alvo – cerca de 52 milhões de brasileiros. Outro objetivo é atingir os profissionais dos serviços médicos da rede pública. “O ministério traçou uma estratégia para que o homem tenha acesso à saúde básica. Queremos que ele se sinta acolhido e melhor amparado por essas estruturas”, disse Eduardo Chakora. O intuito é também permitir que esses profissionais desenvolvam um olhar para a diversidade do universo masculino. “Existem homens do campo e urbanos, brancos e negros, heterossexuais e gays. É preciso que compreendam esses aspectos socioculturais que dificultam o acesso do homem ao serviço de saúde”, salientou.
A distribuição de materiais educativos e as ações para incentivar a prevenção à saúde masculina acontecem em lugares estratégicos, como campos de futebol, além de ambientes de trabalho tipicamente masculinos, como na construção civil, e também entre trabalhadores de Suape. “Na campanha estadual de saúde do homem distribuímos uma cartilha, inclusive no clássico do Sport x Náutico, do ano passado. Vimos que houve interesse e respeito com o trabalho. Não houve desperdício de material nas intermediações do estádio”, conta Lucyana.
ATENDIMENTO
Segundo a Prefeitura do Recife, em alguns Postos de Saúde da Família (PSF), o número de homens que procuram atendimento é de apenas cerca de 20% do total do público atendido. Para estimular os recifenses a procurar o serviço médico com mais frequência, a Secretaria de Saúde começou a oferecer atendimento em horários alternativos, que se estendem até as 22h. “Eles não faltam ao trabalho e o atendimento do PSF durante o dia dificultava um pouco esse acesso. Com a mudança de horário, percebemos o aumento da frequência masculina nos postos. A adesão aos tratamentos tem melhorado”, diz a médica Danielle Leal, diretora do Distrito Sanitário 6, da Secretaria de Saúde da Prefeitura do Recife.
O PSF do Jordão Alto foi pioneiro no atendimento em horário especial, mas hoje outros postos do Distrito Sanitário 6 seguem o modelo.

Onda verde impulsiona turismo

Publicado no Jornal do Commercio (05/06/2012)

VIAGEM Com o aumento da conscientização ambiental, cresce o interesse das pessoas por destinos que oferecem contato com a natureza 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Com a onda do esverdeamento das atividades econômicas em direção a um mundo mais sustentável, a indústria do turismo é um dos setores que vem sofrendo mudanças. A Organização Mundial do Turismo estima que a demanda por destinos com equipamentos rurais cresça 6% ao ano. O ecoturismo, por sua vez, tem uma elevação do fluxo de turistas seis vezes maior que o restante do setor. “As pessoas estão começando a ver o mundo de maneira diferente e consequentemente isso interfere em vários aspectos da vida, até mesmo na escolha dos destinos turísticos. Há uma busca por lugares que proporcionem maior contato com a natureza e com a cultura local. E isso é devido à uma maior conscientização ambiental”, diz o consultor turístico e professor da Universidade Federal do Ceará, Robson Mota.
A tendência global do turismo verde também é uma realidade no Estado de Pernambuco. De acordo com informações da Associação Pernambucana de Turismo Ecológico e Rural (Apeturr), entre 2010 e 2011 os 25 equipamentos filiados – na Zona da Mata, Agreste e Sertão – registraram uma ampliação da demanda em torno de 40%. “Essa procura estimulou a criação de novos empreendimentos e aumentou o número de unidades habitacionais nos empreendimentos já existentes. Crescemos a oferta para atender a expectativa de demanda”, afirma a empresária Melânia Vieira, dona do Engenho Laje Bonita, situado em Quipapá, e vice-presidente da Aperturr.
FAMÍLIAS
Pernambucanos ainda são maioria dos turistas que procurado os equipamentos de turismo e lazer. O refúgio nas cidades interioranas nos finais de semana tem garantido aos hotéis e pousadas que se enquadram nesse perfil uma taxa de ocupação que varia entre 90% e 100%. Durante a semana o público predominante é de turismo de negócios e pedagógico. Nos finais de semana os gerentes desses hotéis registram o fluxo grande de famílias.
Natural de Gravatá e hoje morador do Recife, é para a cidade natal que o universitário Eric Darwinson, 20 anos, aproveita os feriadões. “Nossa preferência é por ambientes parecidos com fazendas e que ao mesmo tempo tenham conforto”, disse Eric, que destaca ainda o interesse por atividades radicais, como o arborismo (caminhando por cima das árvores, com cordas) e o rapel.
Além dos conhecidos hotéis de Gravatá, a rede de equipamentos turísticos rurais e ecológicos pernambucana é extensa e variada. Fazendas e antigos engenhos se transformaram em pousadas e hotéis que têm em comum apenas o princípio de preservação ambiental, com ações como a reciclagem de lixo, uso de energia solar e o incentivo à educação ambiental. “Os equipamentos são muito diferentes. Quem está nos centros urbanos, quando conhece um pedacinho desse universo, começa a visitar os outros hotéis e pousadas da rede”, diz Luciana Petribú, presidente da Apeturr e proprietária do Aparauá Ecoaventura, localizado em Goiana.
Situado no distrito de Serra Negra (Agreste), a 110 quilômetros do Recife, a Pousada Canto da Serra tem uma taxa média de ocupação que se aproxima dos 100% na alta estação do turismo rural (que vai de maio a agosto) . “Quando procuram esses destinos, muitos adultos querem passar para os filhos o gosto pelo contato com a natureza, além de reviver a sua infância. Muita gente vem apenas para descansar da agitação das cidades grandes”, avalia Maria Oliveira, gerente da pousada. Entre os atrativos do local – que tem sete hectares de área, numa altitude de 850 metros –, estão trilhas ecológicas, com passeios em grutas, mirantes e cavernas.
A proliferação de equipamentos desse perfil tem importância não só para a preservação da mata original no interior do Estado, mas para a geração de emprego e renda nas comunidades em que estão situadas. Só entre os empreendimentos filiados a Apettur são mais de 600 empregos diretos, sem contar os indiretos. “Espera-se que o ‘enverdecimento’ do setor reforce seu potencial de empregos com aumento de contratações locais. Ao incentivar o setor de turismo verde, aumenta-se o envolvimento da comunidade local – especialmente a carente – na cadeia de valores do turismo, o que é essencial para desenvolver a economia e reduzir a pobreza”, analisa o relatório Rumo a uma economia verde, publicado no ano passado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Para o presidente da Agência Condepe/Fidem, Antônio Alexandre, o Estado ainda tem um vasto potencial turístico a ser explorado. Em especial nas cidades onde é possível unir os atrativos ecológicos com a cultura local. “Temos o turismo no interior com diversos recortes. Tanto ancorado na natureza, como Gravatá, Bezerros, Bonito e Taquaritinga do Norte, como uma série de municípios com atrativos culturais, que incluem grandes festas, como São João e Carnaval, além do turismo religioso. Para onde você olha tem um potencial que não pode ser menosprezado”, afirma Alexandre.

Em busca do verde perdido

Publicado no Jornal do Commercio (05/06/2012)
 
ÊXODO URBANO Cansadas do estresse das cidades, pessoas optam por viver em sítios e casas longe do Centro e com área arborizada

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Já pensou em morar no meio do mato? Muitas famílias têm optado por deixar seus apartamentos em localidades centrais das cidades para viver em bairros com área verde. Este êxodo urbano é realizado por um perfil de morador que busca vida mais tranquila e em harmonia com a natureza.
O casal Helenilda Cavalcanti e Fernando Wucherpfennig há mais de 10 anos se encontrou e se encantou com Aldeia. Junto com quase 20 famílias, eles inauguraram o condomínio ecológico Flor da Mata (com 94% de área verde preservada) numa área de preservação ambiental. Um paraíso a poucos quilômetros do Centro de Camaragibe, onde estão alguns dos principais mananciais que abastecem a Região Metropolitana do Recife e várias espécies da flora e fauna.
A experiência de morar numa reserva de Mata Atlântica era um desejo antigo da psicóloga Helenilda, que é pesquisadora da Fundaj. Nascida na zona rural em Gravatá, o contato com a natureza não saiu da sua lembrança nos anos em que viveu em Olinda e São Paulo. “As pessoas ficam espantadas com essa convivência harmoniosa com o meio ambiente”, afirmou Helenilda, que revelou a presença de pássaros, macacos, preguiças e até cobras no condomínio. O local já foi área de soltura do Ibama. Com a ausência do barulho da cidade, é possível ouvir constantemente o som dos animais.
Quem também decidiu se mudar para fora da agitação urbana foi o engenheiro agrônomo Flávio Mariano. Funcionário público do Recife, ele se desloca 30 km por dia da zona rural de São Lourenço da Mata, onde tem um sítio de 13 hectares, até o local de trabalho. “Sou um cidadão urbano que mora na área rural. Observo que a procura por essas áreas aumentou muito. É como um êxodo invertido”, definiu.
O receio de quem vive na paz de um ambiente arborizado e preservado é que a procura de novas pessoas por esse perfil de moradia acabe com o sossego e traga os mesmos problemas dos espaços urbanizados, como lixo, barulho e redução da área verde. “Há um pouco de medo dos moradores pelo que está acontecendo no entorno de Aldeia. As pessoas têm um comportamento muito predatório porque os homens desaprenderam a conviver com a natureza”, disse Fernando Wucherpfennig, que é economista e consultor ambiental.
Mesmo com a distância – percorrida diariamente de moto – Mariano não se arrepende da mudança que aconteceu há 13 anos, quando deixou o bairro de Casa Amarela. Apaixonado pela natureza desde criança, fez cursos de biologia e agronomia, e exalta o convívio mais humano dos locais onde há mais áreas verdes. “No meio rural a relação é mais amistosa. Todo mundo se conhece. A vida na cidade está cada vez mais complicada. Aqui, meu estresse diário baixou muito e até minha condição física melhorou”, destaca Mariano, que cria galinhas no sítio e faz plantação de subsistência.
A fuga da cidade (fugere urbem), como preconizavam os poetas do arcadismo, tem a sua lógica nas cidades pouco humanizadas de hoje, na opinião do psicólogo Jayme Panerai Alves. “A cada dia é mais difícil conviver num grande centro urbano. Quando eles perdem a visão de colocar o humano em primeiro lugar tudo fica caótico. Quando as pessoas se deslocam para os municípios menores, buscam por mais simplicidade ou até mesmo mais comodidade”, diz. Mas ele admite que há cidades que são grandes, mas prazerosas para seus habitantes, como Barcelona, Londres e Paris.
O psicólogo afirma que o convívio com a natureza traz uma série de impactos positivos. “A comunhão com o meio ambiente acalma a circulação sanguínea, diminui a ansiedade e integra a pessoa com a natureza e os seus ritmos, que é algo que a cidade corta, com o seu excesso de concreto e asfalto”, aponta.
Segundo o presidente do Sindimóveis-PE, Paulo Rodrigues, os espaços mais procurados por moradores que querem um contato com a natureza são Aldeia e Gravatá. “Alguns dos empreendimentos mais distantes e com mais áreas verdes têm um público maior de pessoas aposentadas ou que não têm mais os filhos em casa. Todo morador gosta do contato com o meio ambiente, mas a maioria dá prioridade a áreas com boa infraestrutura por perto”, afirma.
BAIRRO PLANEJADO
Mas, há uma série de bairros planejados ou grandes condomínios verticais e horizontais que têm como característica a preservação de extensas áreas verdes e o uso de tecnologias sustentáveis. A Reserva do Paiva, por exemplo, dos seus 550 hectares, 180 são de áreas verdes, o que equivale a cerca de 30 Parques da Jaqueira. O seu entorno tem cerca de 450 hectares de Mata Atlântica preservada. Entre as soluções ambientalmente corretas estão a captação de energia solar e o reuso de água.
Segundo o arquiteto Geraldo Marinho, a procura por condomínios com áreas verdes é uma tendência em várias grandes cidades. Mas, ele tem ressalvas sobre esse novo padrão de urbanização. “Existe um fator positivo que é a preservação dessas áreas verdes, mas em geral são espaços de baixa densidade, o que resulta numa extensão da ocupação humana muito grande”. Marinho lembra que os centros urbanos possuem grandes vazios, subutilizados e com potencial imobiliário para expandir as ofertas de habitação.

Bicicleta resiste mesmo sem ciclovias

Publicado no Jornal do Commercio (05/06/2012)

TRÂNSITO Com área de 218,50 km² e cerca de 13 mil vias, Recife possui apenas 24 quilômetros de rotas para o deslocamento de bicicletas 
 
Rafael Dantas

rdantas@jc.com.br

Sem ciclovias, ciclofaixas, bicicletários ou mesmo um motorista mais educado, 11,3% dos nordestinos já têm na magrela o principal meio de transporte. A constatação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, no estudo Sistema de Indicadores Percepção Social (2010), já é percebido nas ruas e estacionamentos. Menos por uma consciência ambiental e mais para fugir do trânsito, o número de ciclistas é crescente e atuante. Cobram por uma cidade que priorize o cidadão – e não os carros.
Com uma área de 218,50 km² e cerca de 13 mil vias, a cidade do Recife possui apenas 24 quilômetros de rotas para o deslocamento de bicicletas – entre ciclovias, ciclofaixas e ciclo rotas – de acordo com informações da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU). Em Amsterdam, capital da Holanda, praticamente do mesmo tamanho, a infraestrutura para as bikes dispõe de cerca de 400 quilômetros de extensão. Não é por acaso que é a capital mundial dos ciclistas.
Morando em Boa Viagem, o engenheiro de sistemas Raoni Valadares, 24 anos, vai diariamente para o trabalho de bicicleta. Há dois anos ele não usava o modal, sequer para lazer. A mudança radical foi para reduzir o estresse diário com o trânsito. Hoje ele pedala dez quilômetros para o Cesar, onde trabalha, em cerca de 30 minutos. Antes, o mesmo percurso era feito em uma hora de ônibus lotado. Dependendo do fluxo de carros na cidade o martírio poderia aumentar em mais meia hora. “Era muito desconfortável, vir em pé, com ônibus cheio. De bike, o único problema é a falta de infraestrutura adequada”, diz.
Ele ainda é privilegiado pelo fato de ter no seu percurso a ciclovia que liga a Avenida Boa Viagem à Brasília Teimosa, a maior do Recife, com 9,5 km. A experiência do engenheiro-ciclista, porém, mostra que mesmo onde há estrutura, não existe respeito ao espaço. “Muitos carros estacionam na ciclovia para comprar alguma coisa nos quiosques da praia. A própria polícia não respeita a área destinada aos ciclistas. Muitas pessoas que estão caminhando, saem do calçadão e entram na faixa. Além disso, quando chove, fica tudo alagado”, aponta.
Se falta infraestrutura, sobra mobilização. Além de grupos pequenos que se juntam para fazer seus passeios pelos motivos mais diversos, há um movimento nacional que cobra do poder público mais espaço para as bicicletas nas ruas: a bicicletada. Sem um estatuto ou uma liderança formal, eles se juntam para pedalar, divulgar a bicicleta como um meio de transporte e criar condições favoráveis para o uso deste veículo. O lema do movimento é simples: “um carro a menos”.
Participante da Bicicletada Recife, Daniel Valença, 28 anos, raramente usa carro. Mora perto do trabalho e pedala para casa dos amigos e da namorada. “Sempre que o deslocamento é até uns oito ou dez quilômetros vou de bicicleta”, diz. Para ele a principal demanda é mesmo ensinar aos motoristas a conviver de forma mais amigável com os ciclistas. “As pessoas têm medo de optar por este meio de transporte porque os motoristas não respeitam o trânsito. Eles não respeitam a distância lateral mínima, nem diminuem a velocidade, como manda o código de trânsito. Quem pega a bicicleta pela primeira vez e vê o carro passar a um palmo se assusta”, lamenta.
Daniel acredita que o próprio crescimento do número de ciclistas ajuda na reorientação dos condutores de automóveis e motoqueiros da cidade. “Com os engarrafamentos, algumas pessoas estão comprando motos, mas tem muita gente optando pela bike. Cada novo ciclista na rua acaba educando mais motoristas”, resume.
Além das cobranças do poder público por educação no trânsito e por vias para circulação das magrelas, os ativistas também cobram a colaboração da iniciativa privada para tornar possível que os recifenses possam ir trabalhar neste modal. “Infraestrutura não só ciclovia, mas locais onde seja possível deixar a bicicleta, além de banheiros e vestiários. Espaços que as empresas poderiam providenciar para incentivar os funcionários a deixarem o carro em casa e usarem bicicletas”, defende o universitário Lúcio Flausino, 26, que também integra a Bicicletada.

Gavião faz a festa no Agreste

Publicado no Jornal do Commercio (02/02/2009)
 
Com boa campanha no campeonato estadual, Porto, de Caruaru, leva alegria a seus poucos, mas fiéis torcedores
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Líder das primeiras rodadas do Campeonato Pernambucano, se o Porto não é a sensação de Caruaru, onde ainda predomina a torcida do Central, ao menos faz alegria da seus fiéis admiradores, especialmente de um ilustre torcedor, Geraldo Goberto. Ele não frequenta apenas o estádio, mas arrasta quantos torcedores forem possíveis para empurrar o Porto para cima dos adversários. Só este ano ele já distribuiu mais de 480 camisas do time caruaruense. Além de torcedor símbolo, Geraldo, 46, ainda se autodenomina historiador do clube e foi responsável pela criação da carteirinha de sócio-torcedor, que já conta com 2.860 associados. Com ela, associados pagam metade do preço dos ingressos.
Apesar da animação do início do campeonato, Geraldo é realista quanto às expectativas do Porto na competição e não falou em título. “A filosofia do Porto é revelar jogadores e permanecer na primeira divisão. Agora o objetivo é alcançar a classificação para a série D do Campeonato Brasileiro”, afirmou o torcedor. Enquanto o time faz bonito em campo, o seu torcedor símbolo e fundador da Torcida Pé de Serra do Gavião, vai incentivando novos caruaruenses a torcerem pelo o clube. “Não somos torcedores, somos admiradores. Nossa torcida não tem nada de confusão, vamos ao estádio para fazer alegria”, comentou Geraldo. Além de levar os torcedores para o estádio, ele ainda se dá ao trabalho de providenciar o lanche no intervalo dos jogos. Distribui mil pacotes de pipocas e mil pastilhas para a torcida. O custo do lanche do intervalo sai do bolso do torcedor símbolo e de alguns patrocinadores. Como ele é praticamente uma torcida organizada ambulante, tem até site com sua trajetória de torcedor e diversas fotos com personagens ilustres do futebol brasileiro e do mundo artístico. Entre as celebridades que já vestiram a camisa do Porto, ao menos para as fotos de Geraldo, estão Josué, Araújo, Nildo, Biro Biro, o ex-corredor Robson Caetano, além dos cantores Reginaldo Rossi e Netinho.
CRAQUES
Geraldo faz a festa na arquibancada, mas dentro de campo quem está fazendo a festa da torcida é o meia Guego. Aos 22 anos, o jogador, que é caruaruense e está no clube desde 2003, já briga pela artilharia do Campeonato Pernambucano. Apesar de ser da cidade, ele revela que não torcia para nenhum clube da região. “Eu sempre gostei do Porto, mas nunca fui de ir a campo, até começar a jogar no time”, comentou o atleta. Apesar disso, Guego reconhece que a campanha do clube pode trazer um maior número de torcedores, principalmente entre os mais jovens. “Essa campanha incentiva os meninos da cidade a gostarem do Porto. Se não ganharmos jogos, não tem como trazer torcedor.”
Ter um prata da casa como estrela do time não é novidade para o tricolor do Agreste. O time que já revelou Josué, ex-São Paulo e Goiás, hoje no Wolfsburg da Alemanha, e Araújo, que já jogou no Cruzeiro, Goiás, Shimizu S-Pulse e Gamba Osaka (ambos do Japão) e está no Al-Gharafa, do Catar. Até o treinador Adelmo Soares, que já comandou diversos times do interior, antes de trabalhar com os profissionais, dirigiu por seis meses as categorias de base do Clube. “É uma experiência muito boa trabalhar com jogadores jovens. Eles são mais focados e estão mais dispostos a aprender. No mundo da bola tem muita gente, quem pisca o olho acaba ficando para trás”, destacou Adelmo Soares.
Esse ano, o Porto ampliou as instalações do Ninho do Gavião, um Centro de Treinamento com uma estrutura invejável para apoiar o time profissional e desenvolver ainda mais os jogadores jovens. No CT, o Porto investe em torno de R$ 25 mil por mês, para manutenção administrativa.
» Serviço: Site oficial da torcida www.torcidapedeserradogaviao.com

Quando a fé vai a campo

Publicado no Jornal do Commercio (19/04/2009)

A conexão entre a fé e o esporte começa a dar os primeiros passos de uma parceria pela recuperação social de jovens carentes 
 
Breno Piresbpires@jc.com.br
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Esquerdinha e Lukas, ambos com 11 anos, são duas promessas do time de futsal sub-11 do Náutico que participou de competições na Suíça. Os atletas mirins têm um detalhe em comum: foram reveladas por um projeto socioesportivo, organizado por uma igreja no Recife.
O Programa Socioesportivo Formando o Amanhã, no bairro dos Coelhos, foi criado há um ano pela Primeira Igreja Batista do Recife (PIBR) e trabalha com 90 crianças e adolescentes, dos 7 aos 17 anos. Além desse projeto, existem na cidade outros 70 líderes de programas que envolvem futebol e religião treinados pela Coalizão Brasileira de Ministérios Esportivos (CBME).

“O esporte faz com que alcancemos crianças e adolescentes aos quais nunca chegaríamos com as atividades tradicionais das igrejas”, comentou Cristiano Dias, líder do ministério esportivo da PIBR e representante estadual da CBME. Há algumas décadas, as igrejas tinham muita rejeição ao futebol. Até hoje algumas denominações tratam a prática do futebol como pecado. Mas a visão mudou bastante e a parceria entre a igreja e os esportes começa a ganhar força.

“A igreja passou a entender que tal linguagem (a do futebol), universal por excelência, poderia ser um excelente meio de acesso a diversos grupos que se mantêm distantes da igreja e muitas vezes até mesmo do cuidado público”, afirmou Marcos Grava, coordenador nacional do CBME.
A queda da barreira entre o futebol e as igrejas teve início quando o meio esportivo começou a receber cristãos declarados, a exemplo do ex-goleiro João Leite, do ex-meia-atacante Silas e do ex-atacante Baltazar, o “artilheiro de Deus”.

A conexão entre o futebol e o projeto social da igreja PIBR revelou José Douglas da Silva Cunha, o Esquerdinha, o craque do Formando o Amanhã, e Lukas, outro destaque do projeto. Após terem sido descobertos pelo Náutico, Esquerdinha e Lukas foram para a Suíça com o time sub-11. “O mais legal foi a neve. Quando ninguém estava olhando, nós comemos um pouco”, confessou Lukas.
Na Europa, os meninos fizeram sucesso representando o Náutico e o Brasil. Em dois torneios preliminares, os alvirrubros chegaram perto do título. No principal, o Torneio Internacional de Futebol Aarau Masters, os timbus terminaram na 12ª posição, entre 26 participantes.

Esquerdinha chegou a marcar um belo gol no Manchester United, no empate em 1x1. Em Zurich, os garotos tiveram, ainda, a oportunidade de conhecer o presidente da Fifa, Joseph Blatter.
Com o destaque alcançado dentro de campo, os garotos conseguiram bolsas de estudo pagas pelo Náutico. Lukas estuda no colégio Pio XII e Esquerdinha, que tinha mais deficiência nos estudos, tem aulas de reforço para melhorar o desempenho escolar.

DEMONSTRAR VALORES
“De quase 100 garotos, apenas um se torna profissional e vive do esporte. O nosso objetivo não é descobrir atletas, mas mostrar a eles valores. Eles têm ainda a favela na cabeça, por isso tentamos mostrar que existe um mundo inteiro além dos Coelhos que eles podem alcançar”, comentou Cristiano Dias. Além das atividades esportivas, que acontecem todos os sábados pela manhã num campinho nos Coelhos, os alunos têm atividades educativas, como vídeos, palestras e estudos bíblicos, no turno da tarde.

Entre os líderes nacionais de movimentos que integram igreja e esporte estão o ex-piloto de Fórmula 1, Alex Ribeiro, e o auxiliar-técnico da seleção brasileira de futebol, Jorginho, presidente nacional dos Atletas de Cristo.

Desenvolvimento muda interior

Publicado no Jornal do Commercio (04/09/2012)

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Com a reindustrialização de Pernambuco e o desembarque de investimentos públicos em infraestrutura, o interior começa a ganhar uma nova face, que – além de fábricas e obras – recebe importantes espaços de formação. Seja com a criação de unidades acadêmicas, pulverização de cursos a distância ou a vinda de novas universidades, o Agreste e o Sertão estão sendo povoados por profissionais de nível superior que irão fomentar um crescimento sustentável para as regiões.
Para checar quais as cidades estão sendo protagonistas do acelerado crescimento econômico do Estado, basta observar para onde foram destinados os maiores investimentos em educação superior. Caruaru e Vitória receberam Centros Acadêmicos da UFPE. Garanhuns e Serra Talhada foram as escolhidas para a expansão interiorana da UFRPE, que já tem em vista a chegada no Cabo de Santo Agostinho. A UPE, que tem uma vocação para a interiorização há muito tempo, possui campus em Salgueiro, Petrolina, Arcoverde, Garanhuns, Caruaru e Nazaré da Mata.
De acordo com o professor de economia da Unicap e diretor da Ceplan, Valdeci Monteiro, o processo de descentralização do ensino superior não está atrelado apenas a Suape, é um movimento nacional e potencializa as vocações regionais. “Essa interiorização traz uma série de impactos importantes para esses municípios. Há uma circulação de renda maior, são criadas estruturas de serviços nos entornos das faculdades, há uma perspectiva de fixar as pessoas na região. Além disso, essa mão de obra que fica na região tem como se articular com a economia local”, declara.
A aluna Manuella Figueiras, 22 anos, moradora de Caruaru, é uma das universitárias que não precisou sair da cidade onde reside a família para estudar. Interessada em estudar engenharia e de olho no aquecido mercado da indústria civil na região, ela está no 8º período de Engenharia Civil do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), da UFPE. “A presença da faculdade aqui é importante, pois dá suporte para a população local. Acho o curso interessante e bastante abrangente”, diz.
Se anteriormente as instituições de ensino contemplavam basicamente licenciaturas, nos últimos cinco anos cursos de engenharias, direito, enfermagem e medicina começaram a surgir nos cenários do Sertão e Agreste. Recentemente, por exemplo, foi anunciado um novo curso de medicina para o CAA. “Estamos começando a inverter os caminhos. No passado, nascido no interior precisava estudar no Recife. Hoje, apesar da maioria das vagas serem ocupadas pelos alunos da região, muitas pessoas da capital estão se deslocando para estudar no interior”, disse o pró-reitor de interiorização da Universidade de Pernambuco, Pedro Falcão.
A comprovação veio da concorrência do curso de medicina da UPE em Garanhuns no último vestibular, 56 alunos por vaga, a maior do Estado. Alguns cursos da instituição são exclusivos das cidades do interior, como direito – em Arcoverde – e psicologia – em Garanhuns. Em ambos não há oferta de vagas na capital. Estão nos planos de expansão da UPE no interior um novo Campus em Serra Talhada, com cursos de medicina e enfermagem, e outro em Palmares, que seria a primeira universidade na Mata Sul.
Se as engenharias e formações na área de saúde são bem-vindas para qualquer lugar, uma das características dos cursos que têm chegado ao interior é a tentativa de aproximá-los da vocação econômica da região. Bons exemplos disso são design com ênfase em moda, no CAA/UFPE, se articulando com o Polo Têxtil e de Confecção do Agreste, e os cursos do campus de ciências agrárias da Univasf, em Petrolina, fazendo uma conexão com o polo frutivinicultor. A Unidade Acadêmica de Serra Talhada (Uast) da UFRPE fomenta o potencial agropecuário da região do Pajeú com cursos como ciências econômicas, com ênfase rural, e agronomia.
Fornecer mão de obra qualificada para o interior não é a única contribuição que a interiorização universitária oferece para os municípios e microrregiões que recebem as unidades de ensino. Parte do tripé básico do ensino superior, a pesquisa, tem estudado problemas regionais e proposto soluções para o Sertão e Agreste.
A chegada a UFRPE em Serra Talhada possibilitou que o município recebesse a primeira reserva florestal da Caatinga, que estuda as características do principal bioma do Nordeste brasileiro. Além dessa iniciativa, que teve origem em 2011, fruto de uma parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Governo do Estado, a universidade dispõe de um mestrado de produção vegetal e vive a expectativa de abrir o mestrado em produção animal.
Os alunos e professores do Centro Acadêmico do Agreste também têm se dedicado a propor soluções aos problemas de Caruaru e da região. A aluna Manuella Figueiras participou do grupo que pesquisou sobre as cisternas. O resultado do trabalho foi apresentado no ano passado no XIV Congresso Mundial da Água da Indiana Water Resources Association.

Tecnologia revoluciona as atividades

Publicado no Jornal do Commercio (04/09/2012)

CONEXÃO Profissionais da TIC oferecem soluções para os mais diferentes segmentos, como o comércio eletrônico no varejo 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

O uso TIC está cada vez mais presente na vida dos cidadãos e das profissões. Seja no marketing, no comércio ou até mesmo nos serviços relacionados à mobilidade, lá estão soluções tecnológicas, que mudam a dinâmica da vida moderna e geram oportunidades de trabalho. “A tecnologia da informação mudou, radicalmente, a maneira de se trabalhar, se relacionar e, principalmente, de fazer negócios. A adaptação às novas tecnologias é fator crucial para o sucesso, tanto de empresas como de trabalhadores”, disse o consultor de marketing digital e diretor da IMKT Brasil, Fábio Lira.
A compra virtual, um hábito que está vencendo os receios dos consumidores, deve movimentar US$ 18,7 bilhões neste ano, de acordo com a consultoria eMarketer. Se o resultado já é bastante representativo, a expectativa do e-commerce brasileiro é seguir crescendo. As projeções para 2015 é de que 31,6 milhões de brasileiros já terão realizado ao menos uma compra eletrônica. Com um cenário tão favorável, uma série de grandes magazines e microempresários tem investido em lojas virtuais.
Quem deixou a fonoaudiologia para abrir uma loja de produtos orgânicos e integrais na web foi Silvia Sabadell. Após seis anos no mercado, a Comadre Fulozinha (comadrefulozinha.com.br) já conta com uma lista de mais de 3 mil clientes cadastrados. “Eu era consumidora de produtos orgânicos e trabalhava com muitos portadores de deficiência que tinham problemas de mastigação e precisavam desses produtos, que eram difíceis de ser encontrados. Hoje 95% das nossas vendas são pelo e-commerce. Quem tem alguma dúvida ou dificuldade com o computador pede por telefone, mas é exceção”, diz. Além dos proprietários, hoje a Comadre Fulozinha conta com quatro funcionários.
A Infobox, loja de produtos de informática, que conta com dez unidades em três Estados, passou a investir também na web há 7 anos. Hoje, de 5% a 10% do faturamento da marca vem do e-commerce. Três funcionários trabalham exclusivamente para a loja virtual, além dos trabalhadores que atuam na logística das vendas. “Aqui a gente espera que o funcionário tenha facilidade na relação com a tecnologia e possua alguns cursos relacionados à área. Já os clientes ainda preferem a loja física, por isso temos um trabalho estratégico para que eles tenham mais segurança na compra através do site”, disse Leandro Martorelli, gerente do e-commerce da Infobox.
BANCOS
Além das compras, o uso da tecnologia revolucionou diversos serviços, como bancários (a princípio com os caixas eletrônicos e mais recentemente com o e-banking), a administração pública (que passou a oferecer uma série de serviços online, além de dar maior transparência na gestão dos recursos), além de ser o principal fator de inovação de várias atividades econômicas. Até as mais tradicionais já veem na TIC uma possibilidade de inovar para ganhar maior competitividade.
A mobilidade urbana, por exemplo, tem encontrado algumas soluções. Uma das grandes novidades no segmento é o Samba, sistema desenvolvido pela empresa pernambucana Serttel que associa o uso de bicicletas com estações computadorizadas que usam um sistema wi-fi onde os ciclistas dispõem de uma ferramenta de autoatendimento para retirada e devolução das bikes através do celular.
“É um projeto inovador para o País e permite um crescimento viral da base de pessoas que passaram a usar esse modal de transporte para pequenos percursos. Na Europa existe o serviço de aluguel de bicicletas, mas sem esse suporte tecnológico precisam de funcionários nos pontos de apoio”, disse Angelo Leite, presidente da Serttel. O sistema foi implantado no Rio de Janeiro, São Paulo e Petrolina.
O universitário José Gomes, 24 anos, já está de olho nessa tendência. Estudante tecnólogo em análise e desenvolvimento de sistemas, ele desenvolveu, para conclusão de curso, um aplicativo para celular que tem o objetivo de facilitar a locomoção dos turistas no Recife através do sistema metroviário. O Metrô Recife WebApp – que tem versões para três idiomas – permite que com poucos toques alguém que nunca andou na cidade possa traçar uma rota usando o metrô, já com informações das linhas integradas de ônibus.
“Pensando na Copa, imaginei um projeto que poderia ajudar a melhorar na comunicação com os turistas. A proposta é que uma pessoa que nunca tenha usado o nosso sistema e que não fale português possa se locomover até a estação mais próxima e seguir até o seu lugar de interesse, sem precisar perguntar a ninguém”, explica.