quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quando a fé vai a campo

Publicado no Jornal do Commercio (23-04-2009)
Por Rafael Dantas e Breno Pires

A conexão entre a fé e o esporte começa a dar os primeiros passos de uma parceria pela recuperação social de jovens carentes



Foto: Marcos Michael/JC Imagem


Esquerdinha e Lukas, ambos com 11 anos, são duas promessas do time de futsal sub-11 do Náutico que participou de competições na Suíça. Os atletas mirins têm um detalhe em comum: foram reveladas por um projeto socioesportivo, organizado por uma igreja no Recife.

O Programa Socioesportivo Formando o Amanhã, no bairro dos Coelhos, foi criado há um ano pela Primeira Igreja Batista do Recife (PIBR) e trabalha com 90 crianças e adolescentes, dos 7 aos 17 anos. Além desse projeto, existem na cidade outros 70 líderes de programas que envolvem futebol e religião treinados pela Coalizão Brasileira de Ministérios Esportivos (CBME).

“O esporte faz com que alcancemos crianças e adolescentes aos quais nunca chegaríamos com as atividades tradicionais das igrejas”, comentou Cristiano Dias, líder do ministério esportivo da PIBR e representante estadual da CBME. Há algumas décadas, as igrejas tinham muita rejeição ao futebol. Até hoje algumas denominações tratam a prática do futebol como pecado. Mas a visão mudou bastante e a parceria entre a igreja e os esportes começa a ganhar força.

“A igreja passou a entender que tal linguagem (a do futebol), universal por excelência, poderia ser um excelente meio de acesso a diversos grupos que se mantêm distantes da igreja e muitas vezes até mesmo do cuidado público”, afirmou Marcos Grava, coordenador nacional do CBME.

A queda da barreira entre o futebol e as igrejas teve início quando o meio esportivo começou a receber cristãos declarados, a exemplo do ex-goleiro João Leite, do ex-meia-atacante Silas e do ex-atacante Baltazar, o “artilheiro de Deus”.

A conexão entre o futebol e o projeto social da igreja PIBR revelou José Douglas da Silva Cunha, o Esquerdinha, o craque do Formando o Amanhã, e Lukas, outro destaque do projeto. Após terem sido descobertos pelo Náutico, Esquerdinha e Lukas foram para a Suíça com o time sub-11. “O mais legal foi a neve. Quando ninguém estava olhando, nós comemos um pouco”, confessou Lukas.

Na Europa, os meninos fizeram sucesso representando o Náutico e o Brasil. Em dois torneios preliminares, os alvirrubros chegaram perto do título. No principal, o Torneio Internacional de Futebol Aarau Masters, os timbus terminaram na 12ª posição, entre 26 participantes.

Esquerdinha chegou a marcar um belo gol no Manchester United, no empate em 1x1. Em Zurich, os garotos tiveram, ainda, a oportunidade de conhecer o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Com o destaque alcançado dentro de campo, os garotos conseguiram bolsas de estudo pagas pelo Náutico. Lukas estuda no colégio Pio XII e Esquerdinha, que tinha mais deficiência nos estudos, tem aulas de reforço para melhorar o desempenho escolar.

DEMONSTRAR VALORES

“De quase 100 garotos, apenas um se torna profissional e vive do esporte. O nosso objetivo não é descobrir atletas, mas mostrar a eles valores. Eles têm ainda a favela na cabeça, por isso tentamos mostrar que existe um mundo inteiro além dos Coelhos que eles podem alcançar”, comentou Cristiano Dias. Além das atividades esportivas, que acontecem todos os sábados pela manhã num campinho nos Coelhos, os alunos têm atividades educativas, como vídeos, palestras e estudos bíblicos, no turno da tarde.

Entre os líderes nacionais de movimentos que integram igreja e esporte estão o ex-piloto de Fórmula 1, Alex Ribeiro, e o auxiliar-técnico da seleção brasileira de futebol, Jorginho, presidente nacional dos Atletas de Cristo.

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