Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)
Caruaru teve o melhor desempenho com PIB superando pela primeira vez a casa dos R$ 2 bi
Caruaru é a cidade do Agreste com maior Produto Interno Bruto do Agreste, com R$ 2,19 bilhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados no final de 2010. No ranking do PIB Per capita, o município ficou em segundo lugar, com R$ 7,45 mil por ano, ficando atrás apenas de Belo Jardim, com R$ 8,60 mil. Os dados, divulgados recentemente pelo instituto referentes ao ano de 2008, refletem os números do crescimento do Estado, que superou R$ 70 bilhões.
Pela primeira vez a Capital do Forró superou a casa dos dois milhões do PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos pela cidade durante um ano. O cálculo, que é feito pelo IBGE, faz uma medição de todas as riquezas produzidas no País.
“O crescimento não ficou restrito a Caruaru, mas principalmente às áreas que estão no polo de confecções. Um polo regional do ponto de vista comercial, industrial e educacional”, resume o o economista Jorge Jatobá. “Todo mundo achava que a duplicação da BR-232 esvaziaria a cidade, devido à rapidez que se chegaria ao Recife. Mas ocorreu o contrário, o crescimento se acelerou”, constata.
O crescimento registrado pelo município foi de 10,5%, em relação a 2007. A segunda colocada entre as cidades com maior PIB, Garanhuns, obteve um crescimento ainda maior, 12,5%. “Caruaru tem um alinhamento político com o governo do Estado, que aliado a investimentos corretos da prefeitura, tem atraído recursos e empresas para a região”, declarou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico de Caruaru.
Nos números revelados pelo IBGE, 20 cidades superaram a casa dos R$ 100 milhões. João Alfredo e Pedra superaram o índice pela primeira vez, anteriormente os dois municípios possuíam respectivamente R$ 89,48 milhões e R$ 94.95 milhões.
“As cidades estão se tornando cada vez mais fortes do ponto de vista econômico, gerando mais empregos. Há um maior nível de renda circulando nesses municípios, que estão com muito mais base econômica, com maior capacidade de tributação, tendendo a arrecadar mais ICMS e IPTU”, afirmou o Jatobá.
A hora da gestão profissional
Economistas advertem que municípios precisam profissionalizar a administração para aproveitar crescimento de PE
Para atrair mais recursos e empresas e aproveitar a onda de crescimento do Estado, as prefeituras, segundo especialistas em economia, têm a difícil missão de mudar a gestão, tornando-a cada vez mais profissional. “Infelizmente, o processo de administração de muitas cidades ainda é amadora. Não possuem pessoas competitivas para melhorar a gestão do governo municipal”, constatou o economista Jorge Jatobá.
Um dos indicadores básicos que apontam o grau de profissionalização da gestão é o quadro de funcionários. “As prefeituras têm que possuir quadros técnicos e administrativos que possam direcionar um certo desenvolvimento autônomo dos municípios e traçar uma política de desenvolvimento regional”, afirma o economista Romilson Cabral.
Outra questão mapeada como um problema é a alta rotatividade, proporcionada pelo elevado números de cargos de confiança e temporários. “O menor o número de concursados em relação aos cargos de confiança mostra gestores menos profissionalizados”, ressaltou Jatobá.
Com os investimentos que chegam aos Estados e os programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família (que incrementam a receita familiar de muitos municípios do interior, gerando mais consumo e maior arrecadação de impostos), algumas secretarias ficam sobrecarregadas e desafiadas a trabalhar com maior eficiência. “As áreas responsáveis pelo planejamento, administração, fiscal e finanças, o núcleo duro das decisões municipais, são aquelas que têm que trabalhar mais nesse momento. São secretarias que teriam que ter jornadas de trabalho mais longas ou ainda operar com mais eficiência no seu horário de funcionamento”, diz Jatobá.
Para o economista Romilson Cabral, quando esse núcleo da gestão municipal não funciona, o desenvolvimento das cidades fica à mercê das decisões governamentais ou ainda federais, que nem sempre são as mais adequadas para os arranjos locais. “Quando não há a discussão das políticas públicas regionalizadas, as cidades ficam a reboque do governo estadual ou governo federal. As regras terminam sendo definidas em Brasília e depois dos prejuízos a população reclama para desfazer o mal feito.” Para Cabral, as vítimas do planejamento mal direcionado, que são as cidades, deveriam participar efetivamente da concepção dos projetos de desenvolvimento, não só de avaliação dos resultados.
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