quinta-feira, 12 de maio de 2011

Em busca da competitividade

Publicado no Jornal do Commercio (04/04/2011)
Por Rafael Dantas

Prefeitura de Petrolina quer atrair empresas para a cidade a partir de projetos nas áreas de logística e energia

Para conseguir atrair empreendimentos empresariais, a Prefeitura de Petrolina começa a se mobilizar em torno de uma série de ações em busca de uma maior competitividade para a região. Hoje grande parte dos investimentos estão concentrados no Complexo Industrial Portuário de Suape, devido às vantagens logísticas da região onde está instalado.

A atração de empresas é um dos principais pontos na agenda de atuação da prefeitura. “Buscamos diferenciais para diminuir a concentração de projetos em Suape. Queremos a redução do custo da energia, por exemplo. Cremos que isso poderia atrair empreendimentos”, declarou o vice-prefeito Domingos Sávio.

O vice-prefeito defende a diminuição do custo do quilowatt para as empresas do município, em razão de as principais fontes de energia do Estado estarem na região do Rio São Francisco. “Não achamos justo que a gente pague o mesmo quilowatt que o Recife, por exemplo. A energia que abastece o Estado está num raio muito próximo a Petrolina. Estamos tentando convencer o administrador do sistema sobre isso”, informou Sávio.

Além da questão energética, outro fator competitivo que está sendo pleiteado pela prefeitura é a melhoria da infraestrutura de transportes. Alguns projetos decisivos apontados pelo poder municipal são a consolidação da Hidrovia do São Francisco – anunciada pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, a construção do Aeroporto Indústria e a criação de uma extensão que ligue a cidade a Salgueiro, cidade que está no trajeto da Transnordestina.

“Precisaríamos de um braço de ferrovia de Petrolina para Salgueiro, que não está incluído ainda no projeto da Transnordestina. A duplicação da rodovia que liga as duas cidades seria um fator competitivo relevante para a região. Se não vier o ramal, essa duplicação nos daria um movimento importante para o transporte de cargas.” Na última visita do Eduardo Campos a Petrolina, o projeto de duplicação foi apresentado ao governador.

Na visita realizada esta semana à Infraero, para tratar da modernização do Aeroporto Internacional Senador Nilo Coelho, a prefeitura colocou em pauta também o projeto do Aeroporto Indústria de Petrolina. Ele prevê o estímulo à implantação de empresas industriais de montagem de produtos para exportação de alto valor agregado.

A prefeitura vem buscando também parceiros estrangeiros para concretizar o projeto. “Queremos atrair capital chinês para o novo aeroporto, no papel desde o governo FHC, além de atrair investidores também para o Canal do Sertão”, disse o vice-prefeito que participou de uma missão no ano passado à China e deve voltar ao país asiático no segundo semestre deste ano.

Dia decisivo para os clubes

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2011)
Por Rafael Dantas

Porto semifinalista. Central morto na praia. Ypiranga ainda luta contra a degola. Esse é o cenário dos clubes do Agreste na última rodada da primeira fase do Campeonato Pernambucano Coca Cola. No melhor dos cenários para os clubes da região, o Porto termina o turno no terceiro lugar, à frente do Sport, e o time de Santa Cruz do Capibaribe se segura na elite do futebol estadual. Ao Central – quinto na tabela de classificação – cabe apenas se concentrar no Troféu Campeão do Interior.

Na outra briga pela outra ponta da tabela, o Porto enfrenta o Petrolina, em Caruaru. Com a classificação garantida para a próxima fase, o resultado dessa tarde do Gavião do Agreste decidirá quem será o rival no prosseguimento da competição. Uma vitória simples do Porto irá manter o clube na terceira posição. Na semifinal, o clube enfrenta o Santa Cruz ou o Náutico, que estão empatados na liderança. Os corais seguem em primeiro por ter mais vitórias que os alvirrubros.

Além da disputa do título, o Porto tem ainda atleta brigando pela artilharia do Campeonato Pernambucano Coca Cola. Com 13 gols, Paulista pode aproveitar a tarde de hoje para aumentar a distância dos atacantes Gilberto, do Santa Cruz (11 gols) e Ricardo Xavier, do Náutico (9 gols).

Quem tem a missão mais espinhosa de hoje é o Ypiranga, ao encarar o Santa Cruz que segue líder da competição. A máquina de costura, que tem apenas 33% de aproveitamento no torneio, precisa vencer os corais para garantir a permanência na primeira divisão. Com apenas um ponto acima dos times que estão na Zona de Rebaixamento, caso a equipe empate ou venha a perder, o time do técnico Levi Gomes precisará torcer para que América e Vitória não vençam seus jogos, que serão respectivamente contra Araripina e Cabense.

RESSACA

O Central vai ao Sertão apenas para cumprir tabela diante do Salgueiro. Com a derrota no último domingo para o Ypiranga, dentro de casa, no Estádio Luiz Lacerda, os alvinegros deram adeus às chances de chegar as semifinais do Campeonato Pernambucano Coca Cola. Com 33 pontos na tabela, mesmo que saia de Salgueiro derrotado, o time não perde a 5ª posição. Além de perder a chance de estar na fase final, o clube também ficou de fora da Série D do Campeonato Brasileiro. As duas vagas de Pernambuco foram para o Santa Cruz e Porto. O Central, que chegou a liderar o Campeonato Pernambucano Coca Cola, despencou com a saída do técnico Maurício Simões, que está na disputa do Campeonato Paraibano à frente do Campinense.

Sem jogos oficiais no segundo semestre, o presidente do clube, João Tavares, promete reformar o gramado do Estádio Luiz Lacerda e investir forte nas categorias de base. “Para a partida de hoje e para o torneio do interior vamos recorrer aos pratas da casa e ao longo do semestre vamos fazer um trabalho com novos jogadores que jamais foi visto no Central. Queremos estar em todos os campeonatos para jogadores do juvenil, infantil, entre outros”, diz. Sobre o gramado, o dirigente alvinegro mensurou em R$ 150 mil os custos para reforma, que demandará de um período de até quatro meses, sem a realização de partidas.

Novo mapa econômico de PE

Publicado no Jornal do Commercio (26/04/2011)
Por Rafael Dantas

A concentração de grandes empreendimentos na Região Metropolitana do Recife (RMR) e na Zona da Mata se destaca no atual momento econômico de Pernambuco. A distribuição espacial desses investimentos é uma das preocupações da 11ª edição da Pesquisa Empresas & Empresários, realizada pela TGI e Instituto da Gestão (INTG), em parceria com a Consultoria Econômica e Planejamento (Ceplan) e com a Multivisão. A nova configuração de investimentos produtivos e de infraestrutura compõe, segundo os especialistas, um novo cenário, com desafios para Pernambuco e suas empresas. Esse cenário será discutido nesta segunda série do projeto Pernambuco da Próxima Geração, que começa hoje no JC.

De acordo com a projeção elaborada pela pesquisa, até 2020, os investimentos que desembarcam em Pernambuco superam a marca dos R$ 70 bilhões. Esses números, porém, podem ser bem maiores, segundo os consultores. O estudo foi feito a partir dos números anunciados pelas empresas, que, portanto, sofre alterações com as decisões de ampliação ou chegada de novos empreendimentos e fornecedores.

A Fiat, por exemplo, fez um anúncio de R$ 3 bilhões, que passou para R$ 8 bilhões, com as novas empresas que serão acopladas ao seu parque industrial. Além da montadora, a Refinaria Abreu e Lima é outro caso em que o plano de investimento inicial foi em muito superado, passando de US$ 4 bilhões para US$ 13 bilhões.

Aproveitando as vantagens competitivas do Porto de Suape, 74% dos novos investimentos que estão dinamizando a economia do Estado estão na faixa da Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife. A região que já era responsável pela maior fatia do PIB do Estado, deverá ampliar essa participação com a conclusão das obras dos novos parques industriais. Embora concentrado nos dois polos do Estado, esse crescimento, segundo os especialistas, ocorre também no interior, em menor proporção.

“O fato dos investimentos estarem se concentrando em Suape pode estar ofuscando um fenômeno que também está acontecendo que é o crescimento do interior, em proporções menores, mas que têm um impacto local muito importante”, declarou o consultor Leonardo Guimarães Neto, sócio da Ceplan, que destacou ainda a formação de polos em diversos municípios, tendo como o exemplo mais contundente a cidade de Salgueiro, com a vocação logística.

INCENTIVOS FISCAIS

Ao analisar o crescimento econômico do Estado por inteiro, o consultor Francisco Cunha, sócio da TGI, ressalta que existem iniciativas importantes que estimulam a interiorização de investimentos, como os incentivos fiscais do Governo do Estado. Mas, para ele, o desenvolvimento do interior passa por uma maior articulação da dinâmica dos polos e pela concretização de alguns projetos no Sertão e no Agreste. “Os investimentos que estão sendo feitos no Complexo Portuário de Suape vão ter como resultado um transbordamento para outras regiões do Estado”, acredita Francisco Cunha. “Embora os incentivos fiscais sejam importantes, eles não são suficientes para provocar a desconcentração de investimentos. É necessário um planejamento de longo prazo para adensar o desenvolvimento do Oeste do Estado”, sugere.

Numa reflexão propositiva, o consultor da TGI afirma que o Canal do Sertão seria uma obra necessária para dinamizar os polos de Petrolina, que precisa de mais áreas de irrigação, e do Araripe, que possui uma antiga demanda energética. O projeto que visa captar água do Rio São Francisco para abastecer mais de 600 km, incluindo 16 municípios de Pernambuco e um baiano. “O Canal do Sertão seria um contraponto importante, pois consegue criar alternativas para essa região do Extremo Oeste. “A obra viabilizaria a produção de cana de açúcar para produção de etanol e geração de energia a partir do bagaço.”

Para ampliar e qualificar a cadeia produtiva desses polos que têm dinâmicas movidas por suas vocações naturais (a frutivinicultura e a extração de gesso), a consultora Fátima Brayner, sócia da TGI, defende que haja uma política clara de desenvolvimento, associada a investimentos tecnológicos que permitam produtos de maior valor agregado. “Para se apropriar dessas vocações naturais regionais, como no Vale do São Francisco e no Araripe, é preciso definir políticas que garantam o adensamento de suas cadeias de produção. É necessário definir qual o eixo de desenvolvimento e fazer investimentos que permitam à chegada de novas empresas, estimulando a criação de outra dinâmica de produção.” No polo gesseiro, por exemplo, seria ampliar as atividades, em paralelo à extração de gipsita, e investir também em novos produtos e derivados.

Outra mudança relevante na dinâmica da economia de Pernambuco é a retomada da importância da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) pernambucano. Na projeção dos investimentos que chegam ao Estado, cerca de 70% são para o setor industrial. “Estamos passando por um momento de transformação, com o surgimento de oportunidades que estão levando Pernambuco a uma mudança no perfil produtivo. Após um longo período de desindustrialização, estamos num momento de recuperação ancorada em atividades que não tínhamos e que vão ter uma repercussão sobre a antiga base industrial”, afirmou o consultor Valdeci Monteiro, sócio da Ceplan.

Além do novo momento industrial, uma tendência apontada pelos especialistas é a nova dimensão que terá o setor de serviços no Estado. O aumento do número de empregos, a geração e expansão da renda dos trabalhadores do Polo de Suape impactam diretamente no mercado de serviços. Tanto o setor de serviços especializados, de apoio à indústria, como manutenção, informática e assistência técnica, como serviços pessoais e sociais, devido ao aumento do poder de consumo.

Páscoa: a festa dos judeus e cristãos

Publicado no Jornal do Commercio (24/04/2011)
Por Rafael Dantas

Páscoa. Entre as celebrações com o pão e vinho dos cristãos às comemorações que remontam a libertação dos judeus da escravidão no Egito está uma das datas mais importantes dos dois segmentos religiosos. Diferenças à parte, o nome da festa que vem do termo hebraico Pessach – que significa “passar por sobre” – está ligado a fatos marcantes em que crêem as duas religiões milenárias. Longe dos coelhinhos e dos ovos de chocolate, os rituais que marcam o dia têm uma relação aos marcos históricos dos cristãos e judeus.

O significado da Páscoa é a primeira diferença entre a festa dos judeus e dos cristãos. Para os descendentes da tribo de Judá, a celebração marca a última praga do Egito – relatada na história bíblica das dez pragas – e a consequente libertação do povo, após mais de 400 anos de exílio. “Essa data é uma referência à décima praga do Egito, quando o anjo da morte passou sobre a casa dos judeus e levou o primogênito apenas dos egípcios”, disse a pesquisadora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, Suzana Veiga.

Para os cristãos, a páscoa se refere à ressurreição de Jesus Cristo, três dias após a sua morte. As festividades fazem referência ao período compreendido entre a última ceia de Jesus ao lado dos discípulos, sua prisão, julgamento, condenação, crucificação e ressurreição. “Para os cristãos a mensagem de Páscoa também é a libertação, mas com um outro sentido. Como o sangue do cordeiro marcou a liberdade do povo no Egito, acreditamos que no sangue de Cristo somos libertos da culpa e das marcas do pecado”, disse o pastor João Marcos Florentino, secretário geral da Convenção Batista em Pernambuco, ex-pastor da Primeira Igreja Batista em Gravatá.

O dia da festa também não é necessariamente o mesmo, entre a comemoração as duas religiões, pois o calendário judeu é luni solar (regido pelas fases da lua e pelo movimento do sol). Neste ano, por exemplo, a festividade aconteceu na virada da noite da última segunda-feira, dia 18. No calendário cristão, o domingo de Páscoa acontece 46 dias a partir da quarta-feira de cinzas.

Segundo a pesquisadora Suzana Veiga, as famílias judaicas celebram a festa com um jantar, denominado de Sêder ou jantar de Pessach, que acontece na virada da noite. “Nesse jantar existem vários alimentos simbólicos que remetam à dor e ao sofrimento no tempo da escravidão do Egito”, diz. Entre os alimentos presentes desse jantar estão ervas amargas (Maror), ovos, o Charósset (uma mistura de maçãs e nozes moídas com vinho), e algum vegetal, além de um osso tostado.

Uma tradição que também é mantida pelas famílias judaicas, segundo a pesquisadora, é a queima das comidas levedadas. “Nos oito dias de duração da festa não devem ser comidos nada que seja levedado ou seja, nada que contenha fermento. Na noite anterior à Pessach a família faz a busca do Chamêts, que é tudo o que leva fermento, e na manhã seguinte ele é queimado”, disse Veiga. Os pães usados na ceia também não possuem fermento, chamados na bíblia de pão ázimo ou matzá. Em Pernambuco existem cerca de 400 famílias judias, segundo a pesquisadora.

Na tradição cristã há grandes diferenças a depender do segmento religioso. Os costumes relativos aos alimentos, como a proibição de se comer carne na Semana Santa e a tradição de comer peixe, por exemplo, são levados em consideração pelos católicos, não têm repercussão dentro dos segmentos evangélicos. Entre os católicos, por exemplo, os eventos em referência à Pascoa tem início no domingo de Ramos e se encerram no domingo de Páscoa. Entre os evangélicos, em geral, no domingo da Páscoa os cultos são temáticos, referentes à morte e ressurreição, com a celebração da Ceia do Senhor, com pão e vinho, fazendo uma memória da última ceia. “Aproveitamos a data em que a sociedade está mobilizada em torno da festa para lembrar daquele momento da morte e ressurreição. Em relação a comidas, bebidas, não seguimos nenhum ritual, como outros segmentos cristãos”, disse João Marcos.

Entre os católicos, há uma série de representações da história da paixão de Cristo, uma tradição muito forte em Pernambuco. Nas igrejas evangélicas, um costume seguido por algumas denominações é o Culto da Ressurreição, que tem início por volta das 6h da manhã no domingo de páscoa.