sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Tomar banhos de sol faz bem para a saúde

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

LADO BOM Conhecida por provocar envelhecimento, exposição ao sol, quando moderada, pode trazer benefícios para a imunidade e a massa muscular 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Quem deseja ter uma vida longa deve incluir na agenda um tempo para o banho de sol. Embora o astro rei seja um dos vilões do envelhecimento e do câncer de pele, é através dele, que o corpo consegue absorver a vitamina D. A queda do nível dessa vitamina pode provocar o surgimento da osteoporose ou ainda promover a diminuição da massa muscular. Mais: a substância está relacionada à imunidade (defesas do organismo contra infecções) e pesquisas recentes analisam seus benefícios na prevenção de doenças do coração.
Para resolver o dilema entre os riscos e vantagens do banho de sol, pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais revela que a exposição deve ser de 15 a 30 minutos, três vezes por semana, antes das 10h e depois das 16h (para fugir dos raios ultravioletas que podem causar câncer e envelhecimento). Pessoas com pele muito clara, porém, devem ser orientadas por especialistas.
Cuidado redobrado também se deve ter com as crianças, segundo o dermatologista Sérgio Paulo, professor da UPE. Ele explica que os dez primeiros anos de vida são fundamentais na determinação se a pessoa terá ou não câncer de pele no futuro. “Ao se proteger somente após os 10 anos, o que se pode fazer é adiar o aparecimento, mas não evitar”, alerta Sérgio Paulo, que defende o uso de protetor solar desde os seis meses. Ele orienta que pouco tempo de exposição diária, no cotidiano, é o suficiente para absorver a vitamina D.
VITAMINA D
O banho de sol é responsável por 90% da absorção de vitamina D no corpo humano, enquanto que a ingestão de alimentos, como leite, gema de ovo, e peixes de água fria, respondem por 10%. “A não exposição ao sol pode levar a déficit de vitamina D no organismo e tendência à osteoporose e fraturas, além da diminuição de massa muscular”, explica o geriatra Alexandre de Mattos, diretor do Instituto de Medicina do Idoso. “Outros problemas têm sido estudado nos últimos anos, como a possível relação da deficiência da vitamina com o aumento de doenças cardiovasculares e autoimunes”, acrescentou.
Segundo o coordenador do Serviço de Endocrinologia do Imip e professor da Faculdade Pernambucana de Saúde, Érico Higino de Carvalho, praticamente todas as células do corpo têm receptores da vitamina, cujo efeito mais conhecido é o metabolismo do cálcio e fósforo no organismo. “Esses elementos são essenciais na manutenção da arquitetura óssea e na atividade celular em diferentes tecidos, especialmente nervoso e muscular”, afirmou. A ação da vitamina D, está relacionada ainda com a imunidade e regulação do ciclo celular, com a fertilidade, na regulação da secreção de hormônios como insulina e no controle da pressão arterial.
A absorção reduzida de vitamina D acontece mais em idosos. “O envelhecimento da pele, com menor capacidade de síntese da vitamina e uso de medicamentos interferem na sua absorção”, disse Érico Higino. É bom considerar que após os 60 anos, mesmo com a exposição solar adequada, o organismo pode não gerar o nível suficiente da vitamina. Nesse caso deve ser feita a reposição com suplementação por via oral. “Além de diminuir o risco de fratura e osteoporose, a reposição pode reduzir em até 30% o risco de quedas, já que fortalece a massa muscular e melhora a força e o equilíbrio”, explica o geriatra Alexandre de Mattos.
Além dos idosos, outro grupo de risco são as mulheres. Pesquisa do departamento de endocrinologia do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) indicou que 43% das recifenses já entraram na menopausa com esse déficit. “A maior perda óssea acontece na menopausa, período onde ocorre uma queda abrupta do estrógeno, hormônio que exerce papel crucial na manutenção da massa óssea. Se associarmos com a deficiência de vitamina D, o risco de fraturas aumenta e a reposição dessa vitamina deve fazer parte do tratamento da osteoporose”, informou Erico de Carvalho. O envelhecimento também leva a uma perda óssea tanto em homens como em mulheres, só que de forma mais lenta.

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