quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Fantástica fábrica da Garoto

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/01/2011)

Visita à linha de produção dos bombons da marca é o segundo passeio mais concorrido do Estado, depois do Convento da Penha

VILA VELHA – Visitar uma fábrica de chocolate está no imaginário de qualquer criança ou dos que ainda estavam na infância quando assistiram A fantástica fábrica de chocolate. Mesmo sem o famoso rio do manjar ou os inúmeros anões Oompa Loompas, a indústria da Garoto, a maior produtora brasileira e da América Latina, localizada em Vila Velha se tornou o segundo ponto turístico mais visitado no Espírito Santo, perdendo apenas para o Convento da Penha, que também atrai uma grande quantidade de visitantes. A concorrência para a saborosa visita é tão grande que apenas 30% da demanda é atendida pela empresa. Cerca de 300 mil pessoas passam pelo programa de visitas da Garoto por ano.
Antes de entrar literalmente na linha de produção, todos os turistas recebem instruções de segurança, deixam todos os objetos num guardador e vestem bata e toca para garantir a higiene no ambiente. Passadas as instruções iniciais, é hora de começar a seguir os quilômetros de tubos que levam chocolate, castanha e açúcar, entre diversos outros ingredientes sólidos e líquidos que compõe os bombons e barras da Garoto. Os turistas descobrem alguns segredos da produção, imperceptíveis ao saborear os produtos, e acompanham todo o processo que se encerra na embalagem e distribuição das caixas amarelas.
Além de observar o trabalho dos funcionários e máquinas gigantes, que fazem quase todo o processo, e obter informações de cada etapa, o visitante faz duas paradas “técnicas” para provar os bombons produzidos naquele setor. Detalhe é que todos os chocolates que estão à disposição dos visitantes são feitos no dia. Quem já conhece os sabores da Garoto percebe que o sabor de alguns bombons é um pouco diferente – ainda melhor.
A quantidade de chocolates por visita é ilimitada, o que gera em alguns grupos que visitam a fábrica uma deliciosa disputa: quem come mais chocolates. Na visita que dura cerca de uma hora, o surpreendente recorde foi de exatos 73 bombons. O marco se torna ainda mais interessante pelo fato de o roteiro não prever parada para água.
O chocotour, como é chamado, fica apenas na lembrança dos seus chocoturistas, porque fotos não são permitidas dentro da fábrica. O registro fica exclusivo para o Hall da Fama Garoto, que registra fotos de diversas personalidades que já passaram pelo local.
Conhecido todo o ciclo de fabricação, embalagem e empacotamento, o turista que vai a Vila Velha normalmente não perde a oportunidade de passar também pela Loja da Garoto, com toda a linha de produtos da fábrica, alguns com embalagens que já parecem para presentes. O local é o único do Brasil onde são vendidos os bombons da caixa da Garoto também separadamente. Além disso, para os pernambucanos que pretendem visitar o local, a dica é procurar novidades. Há algumas variedades de chocolate que ainda não são comercializados no Nordeste.
Para visitar a fábrica, é necessário fazer a reserva com antecedência de pelo menos um mês. Devido à procura elevada, o turista que chega na hora não consegue fazer o circuito.
HISTÓRIA
Com mais de 80 anos de funcionamento, a fábrica tem uma longa histórica contada pelo Centro de Documentação e Memória (CDM). Estão expostos fotos e máquinas dos primeiros anos de funcionamento e as embalagens de todos os doces e chocolates produzidos pela fábrica fundada pelo alemão Henrique Meyerfreund, em 1929. O sobrenome nada comum, inclusive, foi o primeiro nome da indústria, que mudou pela dificuldade das pessoas de pronunciá-lo. A marca foi escolhida pelo fato de que eram os garotos da cidade que vendiam os primeiros doces. O turista pode conferir também um vídeo que traz imagens antigas da empresa e de campanhas publicitárias clássicas da Garoto. Para pequenos grupos, não é necessário fazer reserva para conhecer o CDM.
» O ingresso para o chocotour (visita à fábrica) custa R$ 10. Para fazer o agendamento ligue para: 27 3320-1709

Cresce PIB do Agreste

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)

Caruaru teve o melhor desempenho com PIB superando pela primeira vez a casa dos R$ 2 bi

Caruaru é a cidade do Agreste com maior Produto Interno Bruto do Agreste, com R$ 2,19 bilhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados no final de 2010. No ranking do PIB Per capita, o município ficou em segundo lugar, com R$ 7,45 mil por ano, ficando atrás apenas de Belo Jardim, com R$ 8,60 mil. Os dados, divulgados recentemente pelo instituto referentes ao ano de 2008, refletem os números do crescimento do Estado, que superou R$ 70 bilhões.

Pela primeira vez a Capital do Forró superou a casa dos dois milhões do PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos pela cidade durante um ano. O cálculo, que é feito pelo IBGE, faz uma medição de todas as riquezas produzidas no País.

“O crescimento não ficou restrito a Caruaru, mas principalmente às áreas que estão no polo de confecções. Um polo regional do ponto de vista comercial, industrial e educacional”, resume o o economista Jorge Jatobá. “Todo mundo achava que a duplicação da BR-232 esvaziaria a cidade, devido à rapidez que se chegaria ao Recife. Mas ocorreu o contrário, o crescimento se acelerou”, constata.

O crescimento registrado pelo município foi de 10,5%, em relação a 2007. A segunda colocada entre as cidades com maior PIB, Garanhuns, obteve um crescimento ainda maior, 12,5%. “Caruaru tem um alinhamento político com o governo do Estado, que aliado a investimentos corretos da prefeitura, tem atraído recursos e empresas para a região”, declarou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico de Caruaru.

Nos números revelados pelo IBGE, 20 cidades superaram a casa dos R$ 100 milhões. João Alfredo e Pedra superaram o índice pela primeira vez, anteriormente os dois municípios possuíam respectivamente R$ 89,48 milhões e R$ 94.95 milhões.

“As cidades estão se tornando cada vez mais fortes do ponto de vista econômico, gerando mais empregos. Há um maior nível de renda circulando nesses municípios, que estão com muito mais base econômica, com maior capacidade de tributação, tendendo a arrecadar mais ICMS e IPTU”, afirmou o Jatobá.

A hora da gestão profissional

Economistas advertem que municípios precisam profissionalizar a administração para aproveitar crescimento de PE

Para atrair mais recursos e empresas e aproveitar a onda de crescimento do Estado, as prefeituras, segundo especialistas em economia, têm a difícil missão de mudar a gestão, tornando-a cada vez mais profissional. “Infelizmente, o processo de administração de muitas cidades ainda é amadora. Não possuem pessoas competitivas para melhorar a gestão do governo municipal”, constatou o economista Jorge Jatobá.

Um dos indicadores básicos que apontam o grau de profissionalização da gestão é o quadro de funcionários. “As prefeituras têm que possuir quadros técnicos e administrativos que possam direcionar um certo desenvolvimento autônomo dos municípios e traçar uma política de desenvolvimento regional”, afirma o economista Romilson Cabral.

Outra questão mapeada como um problema é a alta rotatividade, proporcionada pelo elevado números de cargos de confiança e temporários. “O menor o número de concursados em relação aos cargos de confiança mostra gestores menos profissionalizados”, ressaltou Jatobá.
Com os investimentos que chegam aos Estados e os programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família (que incrementam a receita familiar de muitos municípios do interior, gerando mais consumo e maior arrecadação de impostos), algumas secretarias ficam sobrecarregadas e desafiadas a trabalhar com maior eficiência. “As áreas responsáveis pelo planejamento, administração, fiscal e finanças, o núcleo duro das decisões municipais, são aquelas que têm que trabalhar mais nesse momento. São secretarias que teriam que ter jornadas de trabalho mais longas ou ainda operar com mais eficiência no seu horário de funcionamento”, diz Jatobá.

Para o economista Romilson Cabral, quando esse núcleo da gestão municipal não funciona, o desenvolvimento das cidades fica à mercê das decisões governamentais ou ainda federais, que nem sempre são as mais adequadas para os arranjos locais. “Quando não há a discussão das políticas públicas regionalizadas, as cidades ficam a reboque do governo estadual ou governo federal. As regras terminam sendo definidas em Brasília e depois dos prejuízos a população reclama para desfazer o mal feito.” Para Cabral, as vítimas do planejamento mal direcionado, que são as cidades, deveriam participar efetivamente da concepção dos projetos de desenvolvimento, não só de avaliação dos resultados.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Renda dos cinemas cresce 30%

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)

Segundo a UCI Ribeiro, o público das telonas aumentou 21% em 2010. O resultado reflete a demanda da classe C e o interesse pelos filmes nacionais

Recifenses são apaixonados pela sétima arte e, apesar da pirataria, estão mais presentes no cinema. Segundo dados da UCI Ribeiro, rede que administra os cinemas dos Shoppings Recife, Plaza e Tacaruna, o público das telonas cresceu 21% em 2010. Temperados pela chegada das salas de 3D e pelo ano de sucesso do cinema nacional, a rede comemorou o aumento de renda de 30% nas bilheterias. O consumo de produtos culturais pela classe C foi um dos fatores apontados como responsáveis pelo crescimento. A movimentação do Recife evoluiu mais que a média nacional, que cresceu 19,5%, segundo dados do portal Filme B.
Os balanços do setor de cinema em 2010 revelam que um dos motivos que alavancaram a quantidade de cinéfilos no País foi o interesse pela produção nacional. Entre janeiro e dezembro de 2010, a procura pelos filmes nacionais foi 60% superior do que no mesmo período do ano anterior. “O principal fator que explica o crescimento do público foram os filmes exibidos, que foram bastante comerciais. Além disso, o cinema brasileiro se destacou e quando ele se destaca traz um público que não vem normalmente ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, gerente de programação do grupo Severiano Ribeiro.
Mais de 25 milhões de brasileiros prestigiaram o cinema nacional, com destaque para Tropa de Elite 2, com um público de mais de 11 milhões de pessoas, gerando uma receita de R$ 102,5 milhões em bilheterias. Entre os 10 filmes que mais faturaram no ano figuravam mais dois nacionais, Nosso Lar, com renda de R$ 36,1 milhões, e Chico Xavier, com R$ 30,3 milhões.
Fã dos filmes nacionais, Jonata Ferreira, 18, comparece semanalmente ao cinema. O estudante de administração só neste início de ano já conferiu dois brasileiros – assistiu duas vezes De pernas pro ar, que na primeira semana do ano vendeu mais de 1 milhão de ingressos, e o filme Muita calma nessa hora. “O único problema que tenho enfrentado são as filas. Tenho que chegar pelo menos 40 minutos antes da exibição para entrar”, disse Jonata.
Elielma Maria da Silva, 24, está no perfil de público que vai ao cinema uma vez por mês. Dados do Ipea, na Pesquisa de Sistema de Indicadores de Percepção Social, publicada em 2010, revelam que 9,8% dos nordestinos vão ao cinema pelo uma vez por mês. Ela que trabalha como acompanhante de idosos, também dá preferência ao cinema nacional. “Gosto de comédia e ação. Nem sempre pego filas, porque venho com idosos, mas a movimentação nos cinemas é realmente muito grande”, declarou a jovem que não se queixou do preço das sessões, que considera “razoável”.
Mesmo com o crescente público, a média do Nordeste de frequência nos cinemas ainda é a menor entre todas as regiões brasileiras. No Norte, por exemplo, 28,9% da população afirmou que vai ao cinema todos os meses. Entre os que vão ao cinema diariamente, o ranking é liderado pelo Sudeste, onde 1,4% da população está de domingo a domingo de frente às telonas. No Nordeste, apenas 0,1% se enquadra nesse perfil. Dos entrevistados de todo o País, 54% afirmaram que nunca vão ao cinema. Dados que demonstram o potencial de crescimento como uma prática de atividade cultural.
Outro fator que tem contribuído para formar novos cinéfilos são as promoções. Pacote família, dias especiais pela metade do preço, vale tudo para incentivar maior circulação nos cinemas. No mês de janeiro, quando a circulação é naturalmente maior por causa das férias, as campanhas promocionais diminuem, mas as redes prometem que basta terminar as férias para os descontos retornarem. “Quando chega a alta temporada as promoções diminuem, mas tem época que o cinema está com ingressos a R$ 3, preços impressionantes que abrem a possibilidade de todo tipo de público vir ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, que apontou ainda a série de festivais de cinema que existem no Recife como um ingrediente importante para a formação do público de cinema local.

Mercado de música ao ritmo de boas vendas

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (16/01/2011)

A previsão da Sonotec Music & Sound, uma das principais importadoras de instrumentos musicais do País, é de crescimento de 60% no faturamento do setor somente no Estado de Pernambuco

Entre a melodia das notas musicais, quem começa o ano embalado com o crescente consumo é o mercado de instrumentos musicais. Só em Pernambuco, a perspectiva da Sonotec Music & Sound, uma das principaisras e distribuidoras de instrumentos musicais do País, é de um crescimento de vendas de 60%. “Nenhum Estado do País tem uma perspectiva tão ascendente quanto a de Pernambuco”, relatou Nenrod Adiel Antonazi gerente comercial responsável pela distribuição da Sonotec Music & Sound.
No balanço de 2010, o ritmo do crescimento bateu na casa dos 19%, principalmente na comercialização de violões, baixos e guitarras. Nos dados revelados pela empresa, só do modelo de violão popular, que custa cerca de R$ 130, foram vendidos no Estado 2.315 unidades. Em todo o País, a empresa fechou o ano passado com crescimento de seus negócios da ordem de 40% e projeta um percentual de 30% para 2011. Para o Nordeste, a projeção de crescimento é de 50%.
E para quem acha que não tem mercado para os instrumentos com um precinho acima da média, foram vendidos pelas lojas da capital 182 instrumentos, que custam nada menos que R$ 12 mil. “Existe todo o tipo de consumidor e procuramos nos adaptar a cada um deles. Trabalhamos tanto com a linha mais popular, como para aquele músico profissional”, afirmou Antonazi.
A razão do otimismo é justificada pela empresa com base em diversos fatores. “A linha de produtos que trazemos se encaixou muito bem no perfil de consumo da região. Tenho gente que viaja fazendo visita nas lojas, pegando as necessidades do público com os vendedores”, disse Antonazi. Pernambuco é responsável por 4% do faturamento nacional. Na região, só Ceará e Bahia consomem mais instrumentos que o Estado.
PERFIL
Entre os comerciantes da Rua da Concórdia, o principal polo de venda de instrumentos e acessórios musicais do Recife, as opiniões divergiram acerca das perspectivas da distribuidora, mas todos concordam que o mercado está aquecido. Os maiores consumidores na sondagem dos lojistas são as igrejas, escolas e empresas de sonorização.
Um dos estabelecimentos que confirmam a tendência de crescimento é a Hiper Music. A empresa registrou um aumento de vendas de mais de 100%, em relação a 2009. “Música sempre tem mercado e nos últimos anos o crescimento tem sido grande. Acredito que a obrigatoriedade da música nas escolas é um dos fatores que tem contribuído para esse aumento da procura”, disse o gerente do estabelecimento, Jeferson Mendes.
Há 42 anos no mercado, a Bartô Eletrônica é a mais antiga loja da cidade no segmento. Com um aumento de vendas de 30% em 2010, o gerente Carlos Carvalho faz projeções um pouco menores do que os 60% para 2011, mas avalia que o volume de vendas está relacionado ao aumento de renda da população. “Nos últimos anos, a população passou a viver um pouco melhor, a realizar algumas vontades e música é sonho. E é nesse tipo de consumo que a música aparece”.
Com uma perspectiva menos otimista, o supervisor de vendas da CI Eletrônica, Fernando Ribeiro, aponta para um crescimento em torno de 20%. “Há uma procura maior, mas não tão agressiva. Um dos pontos que prejudica a venda de instrumentos é o reduzido número de escolas musicais na cidade”, relacionou. Além dos instrumentos, a loja registrou um aumento na venda de equipamentos para áudio profissional, como amplificadores e alto-falantes.
TEMPLOS
Nas projeções dos comerciantes, o público evangélico representa de 40% a 60% da fatia de vendas no Recife. Esse segmento é diverso, tanto com iniciantes, que estão aprendendo a tocar nos templos, como de músicos mais rodados, com suas bandas eclesiásticas, com um perfil de consumo de equipamentos de maior qualidade.
Tocando guitarra num grupo de louvor de uma igreja evangélica em Olinda e numa banda, também cristã, Brenno Duran, 26 anos, sempre está de olho nas novidades. “No ano passado, comprei minha guitarra, agora estou investindo num caixa e em cabos. Na hora de comprar procuro mediar entre preço e qualidade”, disse o guitarrista, que em 2011 já gastou cerca de R$ 200 em equipamentos.
Ainda mais recente no meio musical, Stênio Santos, 19, está começando a tocar violão e já arranha umas notas no contrabaixo. Também evangélico, o estudante de música toca na Igreja Batista Nacional em Arthur Lundgren 1, numa banda que montou com os amigos, a Sacrius, e num grupo de chorinho na escola. Os investimentos do jovem no primeiro ano foram de R$ 800, mas as pretensões são maiores. “Procuro estar atualizado, sempre estou andando nas lojas de música. Assim que começar a trabalhar pretendo investir um pouco mais.”

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Quando a fé vai a campo

Publicado no Jornal do Commercio (23-04-2009)
Por Rafael Dantas e Breno Pires

A conexão entre a fé e o esporte começa a dar os primeiros passos de uma parceria pela recuperação social de jovens carentes



Foto: Marcos Michael/JC Imagem


Esquerdinha e Lukas, ambos com 11 anos, são duas promessas do time de futsal sub-11 do Náutico que participou de competições na Suíça. Os atletas mirins têm um detalhe em comum: foram reveladas por um projeto socioesportivo, organizado por uma igreja no Recife.

O Programa Socioesportivo Formando o Amanhã, no bairro dos Coelhos, foi criado há um ano pela Primeira Igreja Batista do Recife (PIBR) e trabalha com 90 crianças e adolescentes, dos 7 aos 17 anos. Além desse projeto, existem na cidade outros 70 líderes de programas que envolvem futebol e religião treinados pela Coalizão Brasileira de Ministérios Esportivos (CBME).

“O esporte faz com que alcancemos crianças e adolescentes aos quais nunca chegaríamos com as atividades tradicionais das igrejas”, comentou Cristiano Dias, líder do ministério esportivo da PIBR e representante estadual da CBME. Há algumas décadas, as igrejas tinham muita rejeição ao futebol. Até hoje algumas denominações tratam a prática do futebol como pecado. Mas a visão mudou bastante e a parceria entre a igreja e os esportes começa a ganhar força.

“A igreja passou a entender que tal linguagem (a do futebol), universal por excelência, poderia ser um excelente meio de acesso a diversos grupos que se mantêm distantes da igreja e muitas vezes até mesmo do cuidado público”, afirmou Marcos Grava, coordenador nacional do CBME.

A queda da barreira entre o futebol e as igrejas teve início quando o meio esportivo começou a receber cristãos declarados, a exemplo do ex-goleiro João Leite, do ex-meia-atacante Silas e do ex-atacante Baltazar, o “artilheiro de Deus”.

A conexão entre o futebol e o projeto social da igreja PIBR revelou José Douglas da Silva Cunha, o Esquerdinha, o craque do Formando o Amanhã, e Lukas, outro destaque do projeto. Após terem sido descobertos pelo Náutico, Esquerdinha e Lukas foram para a Suíça com o time sub-11. “O mais legal foi a neve. Quando ninguém estava olhando, nós comemos um pouco”, confessou Lukas.

Na Europa, os meninos fizeram sucesso representando o Náutico e o Brasil. Em dois torneios preliminares, os alvirrubros chegaram perto do título. No principal, o Torneio Internacional de Futebol Aarau Masters, os timbus terminaram na 12ª posição, entre 26 participantes.

Esquerdinha chegou a marcar um belo gol no Manchester United, no empate em 1x1. Em Zurich, os garotos tiveram, ainda, a oportunidade de conhecer o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

Com o destaque alcançado dentro de campo, os garotos conseguiram bolsas de estudo pagas pelo Náutico. Lukas estuda no colégio Pio XII e Esquerdinha, que tinha mais deficiência nos estudos, tem aulas de reforço para melhorar o desempenho escolar.

DEMONSTRAR VALORES

“De quase 100 garotos, apenas um se torna profissional e vive do esporte. O nosso objetivo não é descobrir atletas, mas mostrar a eles valores. Eles têm ainda a favela na cabeça, por isso tentamos mostrar que existe um mundo inteiro além dos Coelhos que eles podem alcançar”, comentou Cristiano Dias. Além das atividades esportivas, que acontecem todos os sábados pela manhã num campinho nos Coelhos, os alunos têm atividades educativas, como vídeos, palestras e estudos bíblicos, no turno da tarde.

Entre os líderes nacionais de movimentos que integram igreja e esporte estão o ex-piloto de Fórmula 1, Alex Ribeiro, e o auxiliar-técnico da seleção brasileira de futebol, Jorginho, presidente nacional dos Atletas de Cristo.

Seis meses depois, Mata Sul segue batalha pelo soerguimento

Publicada no JC Online, em 18/10/2010
Por Rafael Dantas e Breno Pires

Seis meses separam a tragédia do desafio da reconstrução das 41 cidades atingidas pelas fortes chuvas que caíram na Zona da Mata Sul de Pernambuco, na segunda quinzena de junho, devastando 17 mil residências, 5 hospitais e quase 300 escolas, desabrigando 27 mil pessoas e tirando 20 vidas. Cidades como Palmares, Barreiros e Água Preta correm para superar o estado de calamidade.

http://www2.uol.com.br/JC/HTML_PORTAL/cotidiano/imagens/rec_depois.jpg

A coordenação dos investimentos para que a região ressurja dos escombros e floresça tem à frente a Operação Reconstrução, liderada pelo Governo do Estado, que prevê a construção de 18 mil casas, até o fim de 2011, nos municípios que sofreram com as enchentes. Casas pelas quais esperam as quase mil pessoas que seguem em abrigos, no limite da paciência. O investimento chegará a R$ 800 milhões, pagos em parceira com o Governo Federal. Além das moradias, as obras já começaram também na reforma e construção de hospitais, escolas, pontes e prédios públicos, com ritmos diferentes em cada uma das cidades, que, juntas, detêm mais de 2 milhões de habitantes.

Só em infraestrutura, estão previstas pela Operação Reconstrução mais de 300 intervenções nas cidades, totalizando investimentos na ordem de R$ 90 milhões. A maioria dos recursos serão direcionados para a construção de estradas vicinais (48%) e para vias urbanas (18%).

Polo irradiador do comércio na Mata Sul e uma das cidades mais atingidas pelas chuvas, Palmares é onde o ritmo das obras é mais rápido. Segundo o secretário de infraestrutura do município, Clodomir Azevedo, até o final do ano estão previstas as entregas da emergência do novo Hospital Regional de Palmares — orçado em R$ 35 milhões — e de 40 casas no bairro Quilombo dos Palmares 1. "No bairro Quilombo dos Palmares 2 - Nova Esperança, ficarão o Fórum, o Ginásio Municipal e mais 2.600 casas. Acredito que, antes do próximo inverno, todas as novas moradias serão entregues. O ritmo das obras está bem acelerado", declarou o secretário. O Sistema de assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado de Pernambuco (Sassepe) foi o primeiro dos prédios públicos que passaram a ser reativados, no início deste mês.

http://www2.uol.com.br/JC/HTML_PORTAL/cotidiano/imagens/rec_palmares.jpg
Em Palmares, área em frente à matriz da cidade, antes e depois da reconstrução

Em Barreiros, duas pontes ainda estão destruídas, e as escolas receberam apenas uma ação emergencial para não comprometer o ano letivo, com a limpeza e pequenos ajustes nas salas. "Houve recuperações parciais nas escolas. A nossa foi onde o trabalho evoluiu menos. Estamos com salas improvisadas e adaptadas para oferecer as aulas", disse José Tarcísio Paixão de Oliveira, gestor da Escola Doutor Anthenor Guimarães (Edag).

Em Cortês, o principal prejuízo foram os estragos no hospital municipal, que teve que ser demolido. Desde então, os atendimentos de saúde são feitos no prédio de uma escola pública, que está sendo também improvisada na quadra municipal. "O atendimento é de emergência. Só não fazemos cirurgias e alguns exames como o raios-X. Os pacientes que necessitam passar por procedimentos cirúrgicos precisam ir para outras cidades", disse Carlos Ferreira, diretor do hospital desde o dia da enchente.

O secretário de obras de Cortês, Jurandir Figuerêdo, reconhece que o atendimento não é o ideal e admite que a situação ainda deve se estender. "Não tenho dúvida, está sendo uma coisa provisória. As cidades que passaram por esse processo de cheia, para se recompor, vão levar anos. Acredito que vai ter coisa que, daqui há dois anos, vai estar se ajeitando ainda. Uma tragédia dessa não é do dia para noite que se constrói, que se reforma, que volta a ter uma vida normal", reflete.


Iniciativa privada na Mata Sul se recupera da devastação das chuvas

Publicado em 18.12.2010, às 15h55

Do JC Online

Foto: Breno Pires/JC Online
http://www2.uol.com.br/JC/HTML_PORTAL/cotidiano/imagens/rec_comercio.jpg

Por Breno Pires e Rafael Dantas
Do JC Online e Jornal do Commercio

Uma rápida olhada no centro da cidade de Palmares deixa claro: o comércio está consideravelmente recuperado após seis meses da devastação das chuvas na Mata Sul. Se, quando a água das chuvas baixou, a praça Doutor Paulo Paranhos - sede de muitas lojas - estava em ruínas, hoje se encontra organizada, movimentada e até bonita.

O jovem Alex de Oliveira, 23 anos, é um dos que já colhe frutos do ressurgimento do comércio de Palmares. Sócio da Alex Calçados, conta que a loja se recuperou de um período de mais de 3 meses fechada e hoje já tem mais funcionários que em dezembro de 2009. Eram 17, agora são 30.

Para Alex, a força de vontade dos comerciantes da cidade tem sido o mais importante na reestruturação. Segundo ele, não está havendo tanto apoio do poder público.

Em Barreiros, o comerciante Carlos Alberto, 33, é uma prova de que não se pode esperar ajuda; é preciso agir. Ele, que perdeu tudo na sua oficina de bicicletas e viu parte da loja ruir rio abaixo, diz que já investiu R$ 50 mil para recuperar os prejuízos. Muitos lojistas têm buscado fazer o mesmo, e o comércio em Barreiros vai se recuperando como pode.

CRESCIMENTO - O novo presidente da Câmara de Diretores Lojistas de Palmares, Gilvan Rocha, avalia como muito boa a resposta do comércio em Palmares aos desafios impostos pela enchente, que obrigou diversos estabelecimentos a fecharem as portas, alguns ainda não reabertas. Mas reconhece dificuldades.

Em sua análise, Rocha cita a necessidade de a população repor produtos perdidos nas enchentes como um elemento importante para impulsionar o setor e cita a duplicação da BR-101 como outro ponto importante, junto com a instalação de algumas empresas no município. E avalia como razoável a atuação governamental no auxílio aos comerciantes.

"O número de empresas que, nesse período, conseguiu reabrir rapidamente foi pequeno. Com o bom número da liberação do FGTS, dos empréstimos de pessoas físicas, houve uma necessidade de as pessoas recuperarem os bens perdidos e realmente houve um aquecimento muito bom na cidade. Nesse sentido, o Governo trouxe benefícios. Mas, para as pessoas jurídicas, foi um pouco mais difícil, que foi o caso da linha de crédito liberada pelo governo, que poucos receberam", opina.

O presidente da CDL diz que o município já vinha numa tendência de crescimento, em virtude de investimentos na região, e espera que ela possa continuar. "Antes das chuvas Palmares era bom para você descansar, não tinha opção de lazer e de trabalho. Mas agora a gente está vendo muitas condições de trabalho, também na área da construção civil. A gente observa que é um crescimento geral que não vai ser estacionado a curto prazo, a perspectiva é muito boa para os próximos cinco anos na região", diz, otimista quanto ao que a iniciativa privada pode trazer a Palmares e à Mata Sul como um todo.


ENCHENTES: SEIS MESES DEPOIS

Servidores dão suor extra para tocar as atividades na Mata Sul

Publicado em 18.12.2010, às 15h48

Do JC Online Por Breno Pires e Rafael Dantas

Enquanto o comércio das cidades da Mata Sul atingidas pelas chuvas há seis meses foi rapidamente reerguido pela iniciativa privada, a maioria das instituições de serviço público funciona de maneira precária ou improvisada — ou simplesmente estão com as portas fechadas, desde o dia das chuvas que devastaram a região.
Escolas, hospitais, postos de saúde, fórum, posto policial... Em cada cidade ainda há prédios fechados pelas as águas.

"O que foi reconstruindo é o que o povo está reconstruindo. As escolas voltaram a funcionar porque os professores e funcionários entraram para ajudar na reforma e limpeza." O depoimento é do funcionário público do IFPE, Emílio Moacir Amaral, 50 anos, morador de Barreiros, e retrata a opinião dos trabalhadores públicos que estão atuando em condições inapropriadas ou tiveram seus locais de trabalho fechados.

Sob o risco de ter todos os móveis e até as grades roubadas no período pós-enchente, os professores e funcionários da Escola Doutor Anthenor Guimarães, de Barreiros, entraram em ação para ver a escola voltar a funcionar. "A escola foi saqueada. Levaram até grades dos corredores, das janelas. Se não voltassem as aulas, além de termos perdido muitos materiais, tudo seria roubado", comentou o merendeiro Isaías Abraão. Após a recuperação de 11 das 16 salas, as atividades escolares foram retomadas. Como uma ala da escola ainda está sem condições de trabalho, vários espaços como a antiga cozinha e a biblioteca foram transformadas em salas de aula improvisadas.

"Estamos sem biblioteca, auditório, laboratórios e cantina. A restauração não atendeu 20% do que precisávamos. Além disso, a escola está ainda sem uma vigilângia permanente", alertou José Tarcísio Paixão de Oliveira, gestor da escola que possui 800 alunos.

Os pensamentos de Marenilda Maia Ferreira, 54, enquanto caminha na calçada ainda enlameada do antigo Hospital Regional de Palmares, que foi destruído pelas chuvas, são de pura tristeza. Ex-auxiliar de enfermagem da unidade que era uma referência para as 21 cidades da Zona da Mata Sul, aposentada por um aneurisma, ela lamenta sem tirar os olhos dos vestígios do local onde trabalhou, apontando para cada janela e dizendo onde era feito cada atendimento. "Parece uma casa fantasma", diz.

O orgulho do trabalho que realizava é o mesmo que tem da resistência de seus conterrâneos às adversidades. "As enchentes desse ano foram mais um pesadelo, mas sempre choveu muito por aqui. O povo de Palmares é muito guerreiro".

O lamento da ex-funcionária é compartilhado por outros vizinhos do hospital, do Hemope e do Posto de Saúde da Família, localizados numa das áreas da cidade mais atingidas e que, pelos menos por enquanto, não tem nenhum plano de reconstrução. Os prédios estão abandonados e devem permanecer assim por um bom tempo, já que o hospital será construído numa localidade mais alta de Palmares.

Na cidade, o único prédio público destruído que voltou a funcionar foi a agência regional de Palmares do Sistema de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado de Pernambuco (IRH-Sassepe). Fechado por cinco meses, o serviço foi reaberto no dia 6 de dezembro. Segundo o diretor da unidade, Luciano Costa Paranhos, a expectativa é de que o IRH-Sassepe atenda diariamente 50 servidores do Estado.

Na Mata Sul, o trauma persiste após volta para casa

Publicado em 18.12.2010, às 15h29

Do JC Online Por Breno Pires e Rafael Dantas

Massacre, choque e trauma são palavras que surgem naturalmente da boca de Ana Lúcia de Oliveira, 33 anos, ao contar a (sobre)vivência das enchentes em Palmares, Mata Sul de Pernambuco. No período crítico das chuvas na região, entre os dias 17 e 18 de junho, ela passou 38 horas ilhada no teto de uma casa, junto ao marido, Aluísio, aos filhos, Artur e Rodrigo, e a vizinhos, enquanto seu lar — logo ao lado — estava submerso na lama.

A luta pela reconstrução não é só das cidades, mas da dignidade das pessoas. "Eu passei noites sem conseguir dormir depois disso. Acho que o trauma ficou e vai continuar até a gente conseguir se recuperar", recorda Ana Lúcia, que trabalha em um supermercado na cidade.

Porém, o que mais a entristece — mais até que as perdas materiais, como móveis e equipamentos eletrodomésticos — é o estado de abandono de partes da cidade, como o antigo Hospital Regional de Palmares, em grande parte destruído pelas chuvas, que fica na rua de sua casa.

Seis meses após a tormenta, algumas ruas na vizinhança de Ana Lúcia parecem cenário de filme de faroeste. De algumas casas resta só a fachada; de outras, só a escada. O Hemope, destruído, parece, por dentro, cenário de filmes de assombração. Imagens desconcertantes e que, de imediato, não devem mudar.

O cuidado do poder público tem sido com o essencial. O novo Hospital Regional de Palmares está em construção, perto da inauguração do sertor de emergência. A cidade é um canteiro de obras de infraestrutura na passagem da BR-101. No entanto, falta força para uma ação mais ampla, que não deixe no descaso áreas antigas.

Segundo Ana Lúcia, o espaço do antigo Hospital Regional de Palmares, desativado, virou ponto de tráfico de drogas. "Faz pena, é doloroso ver um lugar em que a gente cuidava, que tinha atendimento médico, estar sendo abandonado desse jeito. Além de toda consequência, a gente ainda tem essa questão do tráfico que a gente vê passar por lá. Um patrimônio nosso não deveria estar naquela situação", disse Ana Lúcia, cobrando que o município ao menos mure e limpe o local. "Se não vai ser mais um hospital, então bote uma biblioteca, uma escola, uma faculdade", sugere.

A moradora afirma que, diante da cheia e dos problemas decorrentes, teve vontade de deixar Palmares, mas bate o pé: "Eu moro aqui. Eu gosto daqui". E externa um grande desejo. "Eu queria muito ter a visão de Palmares como era antes. Palmares é uma cidade bonita, bem conservada, mas você sabe que, depois disso, é impossível dizer como ela deverá ficar. Acho que daqui a dois anos a gente deve estar se reerguendo."

DE VOLTA, MAS COM MEDO

Somente 8 quilômetros separam o centro de Palmares da cidade de Água Preta, que, embora um poco menor, também foi muito atingida. Lá, Maria José da Silva, 56 anos, também teve sua residência afetada e, por isso, tem recebido o auxílio governamental que vem sendo chamado de bolsa-enchente, no valor de R$ 150. Ela espera poder receber uma casa nova, mesmo sem a sua ter sido destroçada.

A moradora relembra o temporal. "A chuva cobriu tudo e eu perdi tudo. Fiquei desesperada no meio da rua. Fiquei nos abrigos. E graças a Deus recebi uma ajuda, que estão me pagando todo mês", afirma, observando que a vida não está nada fácil; além disso, ainda teme nova ação da força da natureza.

"Se essa casa minha não fosse minha, eu não tinha voltado para aqui. Eu fiquei assustada, com medo de outra enchente ser pior. Porque o rio tá raso, qualquer coisa aí vai invadir de novo. Se eu pudesse eu me mudaria daqui. Sairia daqui", ressalta Maria José.

Influência da mulher no volante

Publicado no Recall de Marcas, do Jornal do Commercio
Por Rafael Dantas

Empresas do segmento de veículos e transportes já foram predominantemente masculinas, hoje se rendem ao poder feminino

Pesquisa publicada pela Sophia Mind, em agosto, que ouviu 963 mulheres, aponta que 59% das brasileiras já possuem veículo próprio e 71% delas moram em residências com automóveis. Outro estudo do grupo apontou que elas dominam 66% do consumo no País, além de influenciar consideravelmente a compra realizada pelos homens.

Os números mostram não somente a mudança de perfil da mulher brasileira ao longo dos anos, como também representam um desafio para empresas que antes trabalhavam em sua maioria com o público masculino, como o segmento de veículos e transportes.

Segundo a gerente de vendas de veículos novos da Italiana, revendedora de veículos Fiat vencedora do Recall, Gilvana Elias, o crescimento das mulheres já é perceptível há alguns anos no mercado, mas a cada dia elas assumem mais um papel decisivo na compra. ''Antes a mulher influenciava na decisão, dava sua opinião, mas quem pagava era o marido. Hoje ela já tem o poder de compra e mesmo quando são os homens que escolhem o carro, dificilmente fazem sem consultá-las primeiro.''

Na concessionária, 50% da equipe de vendas é composta por mulheres. Segundo o cálculo das montadoras, a participação do público feminino nas compras diretas de carros pulou de 25% para 42%, em uma década. De acordo com a Fiat, vencedora no item fábrica de automóveis, o consumo de veículos novos para o público feminino já representa quase a metade do total de vendas. ''Além de serem responsáveis por 45% das compras de automóveis zero quilômetro, elas influenciam os outros 55% de compradores.

Esta afirmação justifica-se pelo fato de que a decisão de compra do automóvel é quase sempre tomada em família, que leva em consideração fatores como a segurança dos filhos, o espaço para bagagem, a economia e a versatilidade do carro, atributos nos quais os nossos carros são campeões'', disse Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat. A dinâmica do contato com os clientes na hora da compra e no pós-venda é outro fator que começou a mudar com a crescente participação das mulheres nas concessionárias.

''Existe uma abordagem um pouco mais delicada com as mulheres. O ritual de vendas é diferente, principalmente na apresentação do veículo, destacando detalhes que chamam mais a atenção delas, como o design, acabamento e segurança, as principais necessidades desse público'', afirmou Tércio Lopes, diretor-comercial da América, revendedora de veículos Ford vencedora do Recall de Marcas 2010. O ganhador na categoria revendedora de veículos GM/Chevrolet, a Auto Nunes realiza cursos a cada dois meses com instruções básicas de mecânica para as clientes.

''É crescente o número de mulheres na oficina, conversando diretamente com os nossos mecânicos. Com o público feminino trabalhamos com agendamento, sempre lembrando sobre as manutenções preventivas do veículo'', disse Gleydson Zarzar, gerente-geral da Auto Nunes. Além do atendimento, existem mudanças nos próprios produtos (na concepção dos carros), que começaram a receber acessórios para atender os interesses desse público. ''As montadoras têm desenvolvido carros mais voltados para elas, com espelho de cortesia, porta-objetos, assentos que não rasguem a meia calça. O próprio design dos carros mudou'', afirma o diretor- comercial da Meira Lins, premiada no item revendedora de veículos Volkswagen, Luiz Henrique Gouveia.

SOFISTICAÇÃO

As grandes montadoras de veículos têm trabalhado com equipes exclusivas para desenvolver detalhes voltados para o universo feminino. ''As empresas de fabricação de veículos não lançam produtos específicos para mulher, mas a sofisticação desse mercado é tão grande que elas têm inclusive equipes técnicas responsáveis em desenvolver particularidades para atender esse público'', revelou o especialista em marketing e professor de administração mercadológica da Faculdade Maurício de Nassau, Carlos Harduim.

Entre as peculiaridades apontadas pelo especialista estão as maçanetas modificadas para não quebrar unhas, veículos de cores menos tradicionais, espelho para passageiro, refrigeração do porta-luvas, entre outros. A importância das mulheres para o mercado automotivo mudou até mesmo a publicidade da Baterias Moura, marca vencedora na categoria bateria de carro.

A empresa, há dois anos, leva para sua campanha publicitária a atriz Maria Fernanda Cândido, contracenando com o ex-piloto Emerson Fittipaldi, que já fazia a publicidade da empresa anteriormente. No intervalo entre 2008 e 2010, a marca obteve uma taxa de crescimento da lembrança espontânea pelo público feminino que evoluiu 25,20% na primeira exibição da campanha em 2009, e 35,10% na repetição do comercial em 2010.

''Começamos a conversar com o público feminino que é crescente em poder aquisitivo e que tem buscado uma autonomia nas suas escolhas. Elas são bem exigentes na compra, estão dispostas até a pagar mais por um produto, desde que este passe uma confiabilidade maior'', disse Marcos Ferreira, gerente de marketing da Baterias Moura.

Outra premiada no segmento de transportes, a TAM, vencedora na categoria companhia de aviação, pesquisada pela primeira vez no Recall de Marcas, também desenvolve estratégias para incentivar o consumo de passagens aéreas pelo público feminino.

''Dentro do nosso planejamento existem ações segmentadas para diversos públicos. No caso das mulheres, patrocinamos eventos ligados à questão estética no qual o interesse feminino é maior, como o São Paulo Fashion Week e da Casa Cor'', disse a diretora de marketing da TAM, Manoela Amaro. Atualmente, as mulheres representam 41% dos passageiros da TAM e esse número vem crescendo nos últimos anos, segundo informações da companhia.

VENCEDORAS

A Pirelli e a Borborema completam a lista de vencedoras no segmento, premiadas respectivamente nas categoOutra premiada no segmento de transportes, a TAM, vencedora na categoria companhia de aviação, pesquisada pela primeira vez no Recall de Marcas, também desenvolve estratégias para incentivar o consumo de passagens aéreas pelo público feminino.

''Dentro do nosso planejamento existem ações segmentadas para diversos públicos. No caso das mulheres, patrocinamos eventos ligados à questão estética no qual o interesse feminino é maior, como o São Paulo Fashion Week e da Casa Cor'', disse a diretora de marketing da TAM, Manoela Amaro. Atualmente, as mulheres representam 41% dos passageiros da TAM e esse número vem crescendo nos últimos anos, segundo informações da companhia.

VENCEDORAS

A Pirelli e a Borborema completam a lista de vencedoras no segmento, premiadas respectivamente nas categorias Pneus e Empresa de Ônibus Urbano. A Pirelli destaca que Pernambuco está entre os três Estados no Brasil que mais recebeu investimentos da empresa, em 2010.

''Desenvolvemos um planejamento específico para Pernambuco, considerando os aspectos da cultura regional e sobre o consumo e mídia local'', disse Humberto Andrade, diretor de marketing da Pirelli na América Latina. A empresa trabalhou ações específicas no aniversário do Recife e no São João, bem como vem desenvolvendo uma campanha promocional no segundo semestre. A Borborema destaca a própria prestação de serviço como um diferencial.

De acordo com o diretor de marketing da empresa, Gustavo Schwambach, a Borborema está investindo pesado em renovação de frota, com idade média de três anos, bem como em oferecer veículos com ar-condicionado e poltronas reclináveis. ''O atendimento aos clientes é reciclado periodicamente, nossos colaboradores recebem orientação especial de cordialidade. Fazemos um trabalho institucional regular, que em conjunto, resulta nesta premiação, dez anos em primeiro lugar.''

Uma questão de classe

Publicado no Recall de Marcas 2010, no Jornal do Commercio
Por Rafael Dantas

Empresas do setor têm investido tanto no público de alto poder aquisitivo, como na ascendente classe C

Mercado nacional aquecido aliado ao déficit habitacional do País criou um solo fértil para a aceleração do setor imobiliário no Brasil. Segundo relatório da consultoria MB Associados, feito este ano, entre 2010 e 2016, a demanda potencial média brasileira é de 1,4 milhão de imóveis por ano. Movido pelo aumento de renda da população e pela criação do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), as empresas que atuam no segmento de construção e reforma vivem o desafio de aproveitar a onda, atendendo ao mesmo tempo a crescente classe C e a um público de alto poder aquisitivo, que começa a ser representativo no Estado. A conjuntura do mercado levou algumas empresas a criarem marcas alternativas, mudarem a forma de abordagem do público e até de especializar funcionários para atender a cada perfil consumidor

A Moura Dubeux, empresa vencedora na categoria construtora de imóveis, de olho nos potenciais compradores de produtos mais econômicos, lançou em 2006 a Vivex, voltada para imóveis de médio padrão, de até R$ 220 mil. Recentemente, a construtora fechou uma parceria com uma empresa mineira especializada na comercialização desse segmento. ''Para alcançar as classes C e D, temos visto muitos casos de empresas criando uma marca alternativa ou ainda se juntando para lançar empreendimentos de grande porte'', declarou o presidente da Associação de Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), Alexandre Mirinda. Especializar os corretores no atendimento a produtos voltados para classe média ou direcioná-los ao público que consome imóveis de alto valor, é outro caminho procurado para aproveitar as oportunidades do mercado. ''Defendemos a ideia da especialização. Não trabalhamos com corretores 'faz tudo'. Cada um é voltado para um tipo de imóvel específico. Só com o programa Minha Casa, Minha Vida, temos uma equipe de 60 corretores'', destacou Renata Miranda, diretora de produção e marketing da Paulo Miranda, marca vencedora da categoria Imobiliária.

A empresa dispõe ainda, desde 2008, de uma equipe específica para comercializar imóveis com valores superiores a R$ 600 mil, denominada Exclusive. Enquanto para o MCMV são necessários conhecimento dos produtos que se adequam à faixa de renda do programa e dos caminhos dentro da Caixa Econômica para viabilizar a contratação, para o público de renda mais elevada, os corretores imprimem um forte trabalho de relacionamento para identificar os clientes com o perfil do imóvel. ''O MCMV chegou a quadruplicar ou quintuplicar o volume de vendas para a classe C. Também é perceptível o aumento do público com maior poder aquisitivo, movido pelo crescente número de investimentos no Estado, principalmente no Polo de Suape'', avaliou Renata Miranda.

MATERIAIS
Além das construtoras e imobiliárias, as empresas que trabalham com a venda de material de construção e reforma também sentiram mudanças positivas provocadas pelo crescente ritmo vivenciado pelo mercado imobiliário. As alterações no consumo passam não só pelo volume, mas também pela qualidade dos materiais comercializados. ''O crescimento de renda da classe C mudou o perfil do consumo. Hoje esse cliente está disposto a comprar produtos de qualidade superior'', observou Domingos Moreira, presidente e fundador do Armazém Coral, vencedor da categoria loja de material de construção. A empresa, que completa em 2011 a marca dos 50 anos de atividade, é uma das cinco maiores revendedoras de tintas do País e nos próximos meses vai inaugurar a sua 20ª loja, em Piedade.

Para atender os diferentes tipos de público que frequentam essas lojas, o segredo é investir no atendimento, bem como nas condições de negociação. ''Em alguns momentos temos que ter preços e produtos diferenciados e linguagens diferentes. O público da classe C, na sua maioria, normalmente se preocupa com prazos longos, as classes A e B focam marcas de qualidade e novas tendências'', afirmou Gilson Medeiros, gerente de marketing da Ferreira Costa, vencedora na categoria Home Center. Para se aproximar da classe C, a empresa desenvolve ações como o oferecimento de cursos, palestras e oficinas gratuitas, em geral sobre novidades do mercado.

A categoria de Cimento, outra beneficiada pelo mercado aquecido, apresentou um crescimento de 14,6%, num comparativo com o ano passado, no período de janeiro a agosto. O Cimento Poty, do Grupo Votorantim, foi a empresa vencedora do Recall de Marcas 2010. Além de investir em ações de ponto de venda, anúncios em rádio e jornal, e capacitações para pedreiros e engenheiros, a marca destaca o patrocínio esportivo como uma das maneiras de se apresentar a todos os públicos. ''Em Pernambuco, trabalhamos muito bem com o patrocínio ao Santa Cruz. O futebol hoje atende todas as classes sociais e nosso público está em todas elas'', ressaltou a gerente de marketing do Grupo Votorantim, Julie Gattaz. Além do Santa Cruz, a empresa patrocina a Portuguesa (em São Paulo) e o time de futsal do Santos.

TINTAS
Tintas Coral, vencedora no segmento de tintas, é outra empresa que reconhece a necessidade de entender o perfil dos diferentes públicos e se comunicar com todos. ''Nosso mercado tem variadas motivações para pintar. Existem três públicos bem distintos. As construtoras, que demandam de uma linha de produtos específicas, com velocidade e facilidade na aplicação. O público AB, que consome produtos mais seletos, com uma preocupação mais apurada com a estética da casa. E a crescente classe C, que demanda ainda de produtos com preço mais acessível, que quer simplesmente deixar a casa em ordem'', mapeou o diretor de marketing para América Latina da AkzoNobel, empresa que detém a marca, Benito Berreta.

Além do desenvolvimento de produtos voltados para cada faixa de renda, a empresa está trabalhando numa campanha de marketing que regionaliza a marca, através do projeto ''Tudo de cor para você'' , pintando ruas e pontos históricos, bem como realizando capacitações com pintores locais. Sempre artistas ligados à cultura local são convocados para o dia da ação. O Sítio Histórico de Olinda, por exemplo, recebeu Alceu Valença, no dia da pintura. ''O coração da nossa campanha de marketing é levar cor para a vida das pessoas de toda parte do Brasil'', afirmou Benito.

Construindo uma rede

Um outro fator que começa a ganhar destaque no mercado imobiliário é o investimento em publicidade virtual e nas redes digitais. Mesmo que os classificados e mídia impressa continuem sendo a preferência do segmento, segundo dados da agência Intelligent Web Sollutions, 56% das vendas no setor de construção são originadas na internet e em 30% dos negócios fechados pelas grandes construtoras são decorrentes de contatos online (chats ou e-mail).

Para o consultor em tecnologia da informação e diretor da IMKT Brasil, a primeira agência exclusiva de webmarketing em Pernambuco, Fábio Lira, o segmento é promissor, mas ainda nascente em Pernambuco. ''Praticamente todas as construtoras e imobiliárias já têm sites, mas apenas algumas já observam isso como uma parte integrante e importante dos seus negócios.'' Com o crescimento da inclusão digital no País, a demanda de contatos pelos meios virtuais é cada vez maior.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, 41,7% da população acima de 10 anos já acessa a web. Um crescimento de 112,9% em relação a 2005. ''É importante lembrar que esse novo segmento da população que está consumindo imóveis já está incluído na internet e já tem computador em casa'', ressaltou Fábio Lira. Outro fator que contribuiu para o aumento do investimento em mídia digital são as leis que restringem a quantidade e o uso dos outdoors nas grandes cidades.

Além de dispor de mais espaço para divulgação de informações sobre o imóvel do que as tradicionais mídias, a comunicação digital possibilita, em alguns casos, o contato direto com o corretor, além da simples exposição publicitária. ''A atuação pelo site da Moura Dubeux é crescente a cada dia, tanto pela demanda de público na web, como pelo número de lançamentos. Além de conhecer todos os nossos produtos em todas as praças,o cliente pode conversar online com os nossos corretores'', citou o gerente de marketing Bruno Perrelli.

Além dos investimentos em diversas mídias, Perrelli lembra que a visibilidade da marca nos tapumes das obras ainda é um dos fatores importantes para o recall da empresa, que tem atualmente 53 obras em atividade no Recife. Além dos sites institucionais das empresas e da Ademi-PE, o investimento em banners e a participação em ações em portais, como o JC Online, é outro caminho procurado pelas construtoras e imobiliárias.

O grande desafio fica agora para o desenvolvimento do relacionamento digital, através das mídias sociais, o que já vem sendo feito continuamente por grandes empresas do Sul do País. Nos seus sites, por exemplo, a Cyrela e a Tecnisa têm investido alto. No ano passado, a Cyrela gastou R$ 1 milhão, enquanto que a Tecnisa deve investir até o final do ano em torno de R$ 10 milhões.

Candidatos entre a fé e a urna

Publicado no Jornal do Commercio (27/06/2010)
Por Rafael Dantas

Políticos investem forte nos principais segmentos religiosos – imensos rebanhos de votos. No País, só 7% afirmam não seguir religião, segundo Datafolha

O Estado é laico, mas as eleições não. Mesmo que o período de campanha oficial não tenha começado, os candidatos à Presidência da República e às Casas Legislativas iniciaram faz tempo a procissão pelos votos junto aos principais segmentos religiosos. Num País onde apenas 7% da população afirma não seguir nenhuma religião, não é raro que o interesse dos candidatos se posicione ao lado das lideranças das maiores igrejas do Brasil.

Dentre inúmeras denominações, são as igrejas pentecostais e neo-petencostais (a exemplo da Assembleia de Deus e da Igreja Universal, respectivamente) as que mais têm participado destas “alianças” político-partidárias. “O envolvimento com a política não é exclusividade de nenhuma igreja, mas é bem perceptível que a participação entre as evangélicas pentecostais é mais constante”, afirma o cientista político e professor da UFPE, Adriano Oliveira.

A importância dos grupos religiosos para o resultado final das eleições se dá pela fidelidade dos fieis a seus líderes e ao número crescente desses rebanhos. Segundo o Instituto Datafolha, 25% da população brasileira se identifica como evangélica, sendo 19% de origem pentecostal. “A relação entre religião e política é provocada porque os políticos sabem que o eleitorado evangélico pode garantir a eleição deles. Em nome de Deus, o eleitor acaba se comprometendo com o candidato”, explicou o cientista político.

Mesmo com a influência que algumas igrejas exercem sobre os fieis, Adriano Oliveira acredita que, nas eleições presidenciais deste ano, o fator econômico terá um peso maior na decisão do eleitorado do que a opinião dos líderes espirituais.

Para a socióloga especializada em eleições e religião, Maria das Dores Machado, professora da UFRJ, os critérios que regem as alianças se dão muito mais por questões pragmáticas do que ideológicas. “Os votos ‘religiosos’ são de um caráter pragmático. Eles têm a preocupação de estar sempre muito próximo do poder. Não passa por uma discussão de esquerda ou direita, mas muito mais numa lógica de quais são as possibilidades do grupo ampliar a sua capacidade de intervenção na esfera pública.” Entre as principais vantagens negociadas com o poder público estariam as parcerias no campo da assistência social e as concessões radiofônicas.

Frente aos interesses da formação dessas alianças, as candidaturas de José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) polarizam mais as intenções de voto e a preferência das lideranças religiosas do que Marina Silva (PV), que é evangélica, membro da Assembleia de Deus, a maior denominação evangélica do País. “A Assembleia de Deus está se dividindo entre Serra e Dilma e a Universal está apoiando praticamente Dilma”, destaca Maria das Dores.

CAMPANHADilma Roussef, José Serra e Marina Silva, os três principais candidatos na disputa pela Presidência, vez por outra participam, discursam e até patrocinam eventos religiosos. A mais questionada nas entrevistas sobre o assunto é a presidenciável do Partido Verde. Em discurso em Garanhuns (Agreste pernambucano), em abril, Marina disse que não iria misturar questões religiosas com políticas. “Não vou usar o púlpito como palanque e não vou satanizar ninguém”. Marina frequentemente é indagada sobre temas ácidos para sua religião, como abordo e legalização da maconha.

A candidata petista e o presidenciável tucano apostam respectivamente no apoio da Universal do Reino de Deus e da Assembleia de Deus, que já disse que não apoiará Marina no pleito de outubro. Nas suas caminhadas, Serra já comentou sobre casamento homossexual em evento evangélico e até recebeu bênção do padre Marcelo Rossi no Santuário do Terço Bizantino. As aparições de Dilma em eventos religiosos começaram no ano passado, quando numa mesma semana, em outubro, participou de um culto, em São Paulo, uma procissão católica, no Pará, e ainda tomou um banho de axé, na Bahia.

Frota de veículos do Estado cresceu 22,4% em 2010

Publicado no Jornal do Commercio (07/01/2011)
Por Rafael Dantas

A taxa de crescimento da frota de veículos de Pernambuco foi quase o dobro da média nacional em 2010, segundo balanço anual da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O número de emplacamentos no Estado entre janeiro e dezembro foi 22,4% maior do que no mesmo período anterior, enquanto os dados nacionais, divulgados ontem, foram de 11,91%.

Além do acelerado crescimento de vendas no ano, o Estado obteve no último mês seu recorde histórico de registros mensais, com novos 22 mil veículos emplacados, segundo dados divulgados pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PE). Dezembro de 2010 fechou com um crescimento 29,8% maior do que o último mês de 2009.

Para o diretor regional da Fenabrave, Breno Schwambach, os índices de comercialização de veículos no Estado foram aquecidos pelas facilidades de crédito no ano passado e pelo crescimento econômico de Pernambuco num ritmo mais acelerado que o do País. “O Brasil se tornou em 2010 o quarto maior mercado de automóveis do mundo, superando a Alemanha. Como o PIB do Estado cresce mais que o do País, naturalmente é gerado um potencial de consumo elevado, que beneficia não só o segmento automobilístico”, comentou.

Um dos novos 210 mil veículos registrados em Pernambuco no ano passado foi o do funcionário público, Adilson Cavalcanti, 29 anos. Fã de carro novo, ele aproveitou uma taxa reduzida de juros para financiamento e adquiriu em junho um Simbol, modelo da Renault, que custou R$ 45 mil. “Queria um carro mais potente, antes tinha um de 1.000 cilindradas. Mas com o aumento do poder aquisitivo da população e mais pessoas comprando veículos, os engarrafamentos aumentaram assustadoramente, certas horas fica impraticável”, comentou.

MOTOS

Outra curiosidade do relatório foi o acréscimo de mais de 100 mil novas motocicletas espalhadas pelo Estado, 16 mil a mais do que em 2009, quando o acumulado do ano foi de 84 mil. A frota total sobre duas rodas chegou a 640 mil unidades, 34,4% do total de veículos registrados no Detran-PE.

Nordestinos excluídos dos bancos

Publicado no JC (12/01/2011)

Segundo levantamento realizado pelo Ipea, apenas 47,4% da população da região possui conta em banco. Pouco se comparado aos 70% da Região Sul
Rafael Dantas

rdantas@jc.com.br

Mais de 50% dos nordestinos não possuem cartão bancário. Essa foi uma das constatações do Instituto Nacional de Pesquisa Aplicada (Ipea) com o estudo Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Bancos: exclusão e serviços, divulgado ontem. Outra revelação da pesquisa é que a maior parte dos usuários de serviços bancários na região estão há poucos anos incluídos no sistema. Dos 47,4% dos entrevistados com conta aberta, apenas 14,9% já a utilizam há mais de cinco anos.

Segundo o economista José Raimundo Vergolino, a razão das desigualdades no uso dos serviços bancários está relacionada tanto à renda ainda baixa dos nordestinos, como por peculiaridades regionais. “Existe ainda um contingente altíssimo de pessoas nas regiões metropolitanas que são muito pobres. Além disso, boa parte da nossa região é ruralizada, o que contribui para esses números.”

Enquanto apenas 47,4% dos nordestinos possuem conta bancária, entre os habitantes das regiões Sul (70%), Sudeste (65,9%) e Centro-Oeste (68,8%), a maioria já dispõe de pelo menos um vínculo. Além da maior abrangência de atendimento, esse público também corresponde à parcela da população que já utiliza esse serviço a mais tempo. No Centro Oeste, 24% já usam cartão bancário há mais de cinco anos.

Entre os usuários mais recentes, com menos de um ano, o Nordeste também é a região que apresentou o menor percentual. Enquanto no Norte 8,8% foram incluídos há menos de um ano, no Nordeste apenas 3% da população passou a usar conta bancária nesse período.

A pesquisa aponta que dos excluídos do sistema bancário do País, mais de 40% querem ter uma conta. O Ipea constatou que o perfil desse público potencial que manifestou esse desejo são de mulheres com menos de 24 anos, pessoas com o ensino fundamental completo, a população com faixa de renda de até 2 salários mínimos e residentes nas regiões Norte e Nordeste. “Quando cresce a renda da população, naturalmente se aumenta o desejo e o consumo”, apontou Vergolino.

ESCOLARIDADE

A inclusão é maior entre os que possuem maior escolaridade. Ao todo, 88,5% dos que possuem curso superior incompleto, completo ou pós-graduação possuem conta em banco, dos quais 63,6% a possuem há mais de cinco anos. Entre os que cursaram até a quarta série do fundamental, 44,4% têm conta, 32,4% abertas há mais de cinco anos.

Para a pesquisa, o Ipea entrevistou 2.770 pessoas nas cinco regiões brasileiras. Este é o quinto estudo da série que já analisou cultura, justiça, segurança pública e igualdade de gênero.