terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Renda dos cinemas cresce 30%

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (23/01/2011)

Segundo a UCI Ribeiro, o público das telonas aumentou 21% em 2010. O resultado reflete a demanda da classe C e o interesse pelos filmes nacionais

Recifenses são apaixonados pela sétima arte e, apesar da pirataria, estão mais presentes no cinema. Segundo dados da UCI Ribeiro, rede que administra os cinemas dos Shoppings Recife, Plaza e Tacaruna, o público das telonas cresceu 21% em 2010. Temperados pela chegada das salas de 3D e pelo ano de sucesso do cinema nacional, a rede comemorou o aumento de renda de 30% nas bilheterias. O consumo de produtos culturais pela classe C foi um dos fatores apontados como responsáveis pelo crescimento. A movimentação do Recife evoluiu mais que a média nacional, que cresceu 19,5%, segundo dados do portal Filme B.
Os balanços do setor de cinema em 2010 revelam que um dos motivos que alavancaram a quantidade de cinéfilos no País foi o interesse pela produção nacional. Entre janeiro e dezembro de 2010, a procura pelos filmes nacionais foi 60% superior do que no mesmo período do ano anterior. “O principal fator que explica o crescimento do público foram os filmes exibidos, que foram bastante comerciais. Além disso, o cinema brasileiro se destacou e quando ele se destaca traz um público que não vem normalmente ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, gerente de programação do grupo Severiano Ribeiro.
Mais de 25 milhões de brasileiros prestigiaram o cinema nacional, com destaque para Tropa de Elite 2, com um público de mais de 11 milhões de pessoas, gerando uma receita de R$ 102,5 milhões em bilheterias. Entre os 10 filmes que mais faturaram no ano figuravam mais dois nacionais, Nosso Lar, com renda de R$ 36,1 milhões, e Chico Xavier, com R$ 30,3 milhões.
Fã dos filmes nacionais, Jonata Ferreira, 18, comparece semanalmente ao cinema. O estudante de administração só neste início de ano já conferiu dois brasileiros – assistiu duas vezes De pernas pro ar, que na primeira semana do ano vendeu mais de 1 milhão de ingressos, e o filme Muita calma nessa hora. “O único problema que tenho enfrentado são as filas. Tenho que chegar pelo menos 40 minutos antes da exibição para entrar”, disse Jonata.
Elielma Maria da Silva, 24, está no perfil de público que vai ao cinema uma vez por mês. Dados do Ipea, na Pesquisa de Sistema de Indicadores de Percepção Social, publicada em 2010, revelam que 9,8% dos nordestinos vão ao cinema pelo uma vez por mês. Ela que trabalha como acompanhante de idosos, também dá preferência ao cinema nacional. “Gosto de comédia e ação. Nem sempre pego filas, porque venho com idosos, mas a movimentação nos cinemas é realmente muito grande”, declarou a jovem que não se queixou do preço das sessões, que considera “razoável”.
Mesmo com o crescente público, a média do Nordeste de frequência nos cinemas ainda é a menor entre todas as regiões brasileiras. No Norte, por exemplo, 28,9% da população afirmou que vai ao cinema todos os meses. Entre os que vão ao cinema diariamente, o ranking é liderado pelo Sudeste, onde 1,4% da população está de domingo a domingo de frente às telonas. No Nordeste, apenas 0,1% se enquadra nesse perfil. Dos entrevistados de todo o País, 54% afirmaram que nunca vão ao cinema. Dados que demonstram o potencial de crescimento como uma prática de atividade cultural.
Outro fator que tem contribuído para formar novos cinéfilos são as promoções. Pacote família, dias especiais pela metade do preço, vale tudo para incentivar maior circulação nos cinemas. No mês de janeiro, quando a circulação é naturalmente maior por causa das férias, as campanhas promocionais diminuem, mas as redes prometem que basta terminar as férias para os descontos retornarem. “Quando chega a alta temporada as promoções diminuem, mas tem época que o cinema está com ingressos a R$ 3, preços impressionantes que abrem a possibilidade de todo tipo de público vir ao cinema”, disse Pedro Pinheiro, que apontou ainda a série de festivais de cinema que existem no Recife como um ingrediente importante para a formação do público de cinema local.

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