sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Construção aquece economia

Publicado no Jornal do Commercio (13/11/2012)

REFERÊNCIA O setor é tão representativo que gerou 18 mil novos postos de trabalho de 2011 para 2012, um crescimento de 13,5%
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

O setor da construção civil se destaca no processo de reindustrialização de Pernambuco e no cenário de investimentos em infraestrutura. No segundo trimestre deste ano, o PIB do segmento teve um desempenho 12,5% superior ao mesmo período do ano passado, o maior de todas as atividades produtivas do Estado, de acordo com dados da Agência Condepe/Fidem. Além da sua capacidade de geração de empregos, o aquecimento da construção civil contribui para a dinâmica econômica estadual, ao passo que gera demanda para uma série de empresas que compõe a sua cadeia produtiva.
O desempenho do setor é explicado por três grandes motores: as obras de infraestrutura, a construção dos novos parques industriais e o aquecimento da indústria imobiliária. “Esse bom momento do setor, que está gerando tantos empregos, está relacionado a grandes investimentos públicos viários e de saneamento, a instalação de indústrias como a Refinaria Abreu e Lima e de diversas plantas industriais, além da demanda do mercado imobiliário, que foi impulsionada com o aumento do consumo das famílias”, aponta Rodolfo Guimarães, diretor de estudos e pesquisas socioeconômicas da Agência Condepe/Fidem.
Com uma demanda elevada, a indústria da construção passa a absorver um percentual significativo da mão de obra do Estado. De acordo com estudo publicado pela Ceplan, entre junho de 2011 e 2012, a construção civil em Pernambuco apresentou um crescimento na quantidade de empregos de 13,5%, o que representa a geração de 18 mil novos postos de trabalho em apenas um ano. Atualmente o setor tem cerca de 150 mil funcionários com registro em carteira de trabalho.
O desempenho do setor, aliás, é crescente há um bom tempo no Estado. Entre 2002 e 2010, o total de empregos formais na construção civil cresceu 173,8%, saltando de 44,8 mil trabalhadores para 122,9 mil. “Uma grande parte do crescimento do PIB de Pernambuco nos últimos anos está relacionada à construção civil. E com esse desempenho o setor é responsável por 8% dos empregos formais de Pernambuco. Enquanto os parques da indústria de transformação não ficam prontos, a construção é quem tem puxado o PIB industrial para cima”, afirma Valdeci Monteiro, diretor da Ceplan e professor de economia da Unicap.
Em Caruaru, um dos polos de crescimento imobiliário do Estado, a prefeitura indica que nos últimos três anos foram criados em média 30 empregos formais por mês no setor, além de contar com 184 empresas ligadas à cadeia da construção civil, como imobiliárias, construtoras e escritórios de engenharia e arquitetura. “O setor tem uma participação pujante na economia hoje e com uma expectativa considerável de avanço nos próximos anos. Com a vinda de novas indústrias e o crescimento do turismo de negócios temos uma demanda ainda elevada por unidades residenciais e leitos da rede hoteleira”, mapeou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico da cidade.
Além das oportunidades de trabalho para os funcionários que atuam na base da obra – como pedreiros, marceneiros, eletricistas – uma série de outras categorias profissionais ligadas ao setor também vem conseguindo índices elevados de empregabilidade. De acordo com dados do Caged, elaborado pelo Ministério do Emprego e Trabalho, o estoque de empregos de arquitetos e urbanistas entre 2004 e 2010, por exemplo, cresce 17,4% ao ano. O número de técnicos de edificações e de obras de infraestrutura com trabalhos formalizados subiu no período em taxas de 15,5% e 13,1%, respectivamente, ao ano.
Na análise de Valdeci Monteiro, com o conjunto de empreendimentos em curso, o setor e a economia pernambucana, em geral, têm o crescimento garantido por alguns anos. “Pernambuco segue nesse ciclo econômico positivo, que se reflete diretamente na construção civil, pelo menos até o final da década. A década seguinte depende muito dos efeitos da crise internacional no cenário brasileiro, entre outros fatores”, diz.

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