sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Vida sexual saudável em qualquer idade

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2012)

DESEJO EM ALTA Despojar-se de preconceitos, manter constante diálogo com o parceiro e ter hábitos saudáveis podem prolongar o desejo pelo companheiro na terceira idade 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Satisfação sexual não é uma dádiva exclusiva da juventude. Embora a idade tenha influência direta com a qualidade e quantidade das relações sexuais, os avanços da ciência e a prática de hábitos de vida saudável permitem manter o desejo e a vida sexual ativa mesmo após os 70 anos. Mas para o casal manter-se sexualmente ativo é necessário um constante diálogo durante toda a vida em comum, inclusive na velhice.
“Uma das maiores dificuldades dos idosos é a falta de comunicação, uma vez que culturalmente foram orientados a não falar sobre sexo. Porém, as mudanças corporais e funcionais impostas pelo envelhecimento fisiológico fazem com que haja uma maior necessidade de conversar nessa faixa etária, para uma melhor readaptação da vida sexual do casal”, avalia o geriatra do Hospital Santa Joana, Carlos Henrique Albuquerque.
Desde jovem é bom estar atento também que, na terceira idade, quando não há mais a beleza física da juventude, os gatilhos para a sedução são outros. “A intimidade e a cumplicidade entre os casais, além de ter tempo para estar junto, lazer, entretenimento e bom humor são os fatores estimulantes que substituem o apelo estético ao sexo”, esclarece Carmita Abdo coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Hospital das Clínicas da USP.
Para a sexóloga Laura Muller, autora do livro Altos papos sobre sexo – dos 12 aos 80 anos, quando o casal consegue levar a experiência de vida para a cama, algumas barreiras fisiológicas são vencidas, já que há o incremento mais forte do fator emocional na relação. “Temos o direito de ter prazer a vida inteira, mas é preciso lidar com a cabeça. Quando pensamos que não é só o corpo que faz o sexo com o outro, isso tem reflexos na cama. Quem está nessa faixa de idade tem toda uma experiência e maturidade para lidar com as emoções e sentimentos, o que permitem uma maior tranquilidade para viver a sua sexualidade”, diz Laura.
Se o lado psicológico e comportamental precisa superar barreiras, o fator fisiológico também precisa de cuidados muitos anos antes de a velhice chegar. A disfunção erétil masculina pode ser revertida com medicamentos, como o viagra, ou com novos métodos, a exemplo das próteses penianas. Porém, é possível adiar a necessidade do seu uso e chegar mais inteiro na terceira idade com bons hábitos.
“Dieta balanceada, cuidados com a hidratação e prática regular de exercício físico contribuem para um envelhecimento bem sucedido e para uma atividade sexual saudável. Deve-se ressaltar também a importância do controle de doenças, como o diabetes, e a cessação de hábitos prejudiciais, como o tabagismo”, disse o geriatra Carlos Henrique. O estresse da vida moderna, uso demasiado de medicamentos – que tem efeitos colaterais indesejáveis – e a obesidade são outros vilões que estão relacionados à antecipação dos problemas com a sexualidade.
FREQUÊNCIA
Mesmo enfrentando as barreiras da idade, dados da pesquisa Mosaico Brasil, maior estudo realizado sobre a sexualidade brasileira, mostram que os homens acima dos 70 anos têm frequência sexual média de 1,4 relação/semana. Entre as mulheres na mesma idade o estudo aponta uma relação a cada duas semanas. “As relações são menos frequentes que antes, mas a atividade sexual continua ocorrendo para boa parcela da população de brasileiros na terceira idade”, diz a sexóloga e psiquiatra, Carmita Abdo, coordenadora da pesquisa.
O melhor é que ter uma vida sexual ativa na idade madura não só é possível como recomendável para uma boa saúde física e psíquica. Para os especialistas, as descobertas científicas que permitiram a maior longevidade da prática sexual melhoram por tabela a qualidade de vida. “Sexo é mais importante para o ser humano do que pensamos. A pessoa com capacidade sexual plena é mais feliz e toma menos antidepressivos”, declarou o chefe de urologia do HC da UFMG, Carlos Corradi.

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