sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Grávida de olho na dieta

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (15/01/2012)

Alimentos ricos em ácido fólico e ferro devem estar presente no cardápio da gestante, que precisa ainda evitar refrigerante e cafeína. Controlar o ganho de peso é outra preocupação

O que evitar e o que acrescentar na alimentação durante a gravidez? Essa dúvida de muitas mães é bem justificável. A dieta é fundamental tanto para uma gestação saudável como para preparar a mãe para o período da amamentação. Segundo os especialistas, um menu desequilibrado pode até mesmo criar predisposição a algumas doenças aos futuros bebês, como a obesidade. “A alimentação influencia diretamente no crescimento e desenvolvimento da criança. Então, se a mãe se alimenta bem, mais chances de o bebê nascer com saúde”, disse a nutricionista Glisley Barros Delmondes.

Em média, as mulheres podem ter um acréscimo de até 12 quilos durante a gestação. A recomendação médica é que haja um aumento de 300 calorias na dieta, mas só a partir do terceiro mês. Essa regra só não vale para as mulheres que possuem sobrepeso ou obesidade e para aquelas que já consomem um volume de comida acima da média. “Tanto as mães desnutridas como as obesas e as que têm uma alimentação acima da recomendada desenvolvem predisposições negativas para os bebês. Há mães que engordam até 30 quilos durante a gestação, dando o gatilho para desenvolver essa doença no seu filho”, afirmou a nutricionista Roberta Costi.

Se o acréscimo de calorias só é recomendado a partir do segundo trimestre da gestação, a qualidade da dieta é fundamental para o período inicial da gravidez. “No primeiro trimestre da gestação, não é preciso se preocupar em aumentar a quantidade, mas é fundamental atentar para a qualidade. Nesse período, o bebê está formando toda a parte do tubo neural”, afirmou Costi.

Nessa dieta saudável estão a ingestão de alimentos ricos em proteínas, cálcio, ferro, vitaminas e o ácido fólico, que é um elemento fundamental para a formação do feto. “Os alimentos que têm acido fólico em quantidades pequenas são os folhosos, como brócolis e espinafre, o feijão, fígado bovino, germe de trigo. Há um pouco também no suco de laranja. Em geral, o consumo desses alimentos acabam não suprindo, sendo preciso uma suplementação, que deve ser feita sob indicação médica”, disse a coordenadora do curso de nutrição da Faculdade Maurício de Nassau, Cinthia Rodrigues.

Há uma série de recomendações que já são conhecidas pela maioria das gestantes, como banir o álcool e o fumo durante a gravidez. Mas há alimentos aparentemente menos nocivos, que estão na dieta diária da maioria das pessoas e que precisam também ser evitados, como o café, chocolate e o refrigerante. “As bebidas com gás não deixam o organismo absorver cálcio e ferro, que são fundamentais para esse período”, disse a nutricionista Roberta Costi.

A cafeína também reduz a capacidade do corpo de absorver ferro, o que aumenta os riscos de anemia nas mulheres. Estudo publicado pelo American Journal of Obstetrics and Gynecology, em 2008, apontou que mulheres com consumo diário a partir de 200 mg de cafeína tinham o risco de aborto espontâneo dobrado, quando comparadas às que não consumiam a substância.

O consumo de adoçantes artificiais e de frituras são outros pecados gastronômicos a serem deixados de lado na gestação. “É fundamental evitar alimentos tóxicos dos hábitos alimentares. As gestantes devem preferir alimentos naturais, evitando sempre aqueles industrializados e ricos em gorduras trans, como margarinas, salgadinhos, biscoitos recheados”, sugere Cinthia Rodrigues. Comida fast-food está entre os alimentos tóxicos a serem esquecidos pela gestante.

As futuras mamães devem tomar muito cuidado com os desejos típicos desse período. A nutricionista Glisley Barros Delmondes alerta que os desejos estão relacionados diretamente a fatores emocionais e não fisiológicos, podendo surgir, neste caso, o anseio por alimentos que podem ser até nocivos à gravidez. “Esses comportamentos são provocados por carências afetivas. Esse é um período em que as mães se sentem muito fragilizadas, quando os hormônios estão alterados. É comum a mãe ter desejos ou rejeição a alguns alimentos. A gestante não pode comer tudo o que vem na cabeça”, afirmou.

A alimentação adequada é fundamental também para que a mulher se prepare para o período de lactação (fase de produção do leite). Segundo as especialistas, a falta de reservas nutricionais da gestante pode ocasionar a restrição da quantidade necessária do leite ou a redução da sua qualidade. “Como a alimentação do bebê nos seis primeiros meses deve ser exclusiva de leite materno, a mãe precisa se preparar para esse período. O leite praticamente fica insuficiente se a mulher não tiver uma boa alimentação e, principalmente, se não ingerir líquidos de forma adequada”, alerta Glisley.

VIDA CORRIDA

Ciente de todas as recomendações, a enfermeira Priscila Ferraz, 31 anos, que está no quarto mês de gestação, tem dificuldades de manter a dieta ideal por fazer diversas refeições fora de casa. “Me alimento na maioria das vezes na rua devido às minhas atividades profissionais. Se não andar com um lanchinho é difícil ter uma alimentação saudável”, confessa a enfermeira, que já ganhou três quilos nos quatro primeiros meses de gestação.

Priscila está se adaptando à gestação, buscando se alimentar com mais frequência e em menor quantidade. “Procuro fazer refeições menores e mais vezes ao dia”, explica. O fato de a maioria das lanchonetes e cantinas oferecerem principalmente frituras, dificulta as pretensões da futura mamãe. “Imploro para a vendedora de lanches trazer salada de frutas, mas ela é adepta das frituras”, lamenta a enfermeira, que evita comidas embutidas e cruas, como sushis, sob orientação médica.z

Pele de grávida sofre

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (22/01/2012)

Mudanças hormonais, aumento de peso e cuidados para evitar uso de medicação que prejudique o bebê favorecem o surgimento de estrias, acne e manchas

Se a maioria das mulheres se preocupa bastante com a pele por questões estéticas, para as grávidas, essa preocupação é ainda maior já que elas levam em conta a saúde do bebê. O maior órgão do corpo humano terá durante a gestação uma série de restrições para reduzir riscos de má-formação do feto, pré-disposição para doenças e até de aborto. Segundo especialistas, a atenção vai desde os cosméticos dos cabelos até o uso de hidratantes.

Desde o início da gravidez a pele da grávida passa por algumas mudanças. “Na gestação, a pele fica propensa ao surgimento de manchas, não só as áreas que já têm uma maior pigmentação natural. Os mamilos, axilas e virilha ficam mais escuros e surge a linha alba, no centro da barriga”, afirma a dermatologista do Centro de Estudos Dermatológicos de Recife, Flávia Alves.

Um das grandes preocupações da mulher na gestação é quanto ao surgimento do melasma (cloasma), que são manchas que aparecem com frequência nas áreas do corpo expostas ao sol, principalmente no segundo trimestre de gravidez. Dois fatores influenciam o surgimento: a exposição da pele ao sol e o aumento das taxas de hormônios. “Como vivemos numa área de alta incidência de raios ultravioletas, é necessário proteger a pele porque é uma mancha que escurece”, declara Perla Gomes, dermatologista do Santa Joana.

Usar diariamente protetor solar, evitar levar sol das 10h às 16h e redobrar outros cuidados, como usar chapéus, estão entre as dicas das especialistas. Flávia Alves diz que os protetores não devem ser deixados de lado nem nos dias chuvosos ou quando a grávida permanece em casa. “Isso porque existe uma radiação indireta. Até na sombra há radiação por reflexão da luz”, explica Flávia. “Por que esse cuidado todo? Uma vez que o melasma surge, para desaparecer dá trabalho e ele fica sempre voltando”, adverte a médica. Essa proteção deve ocorrer nos primeiros meses de gravidez, quando os níveis de hormônio sobem.

Pouco pode ser feito após o surgimento das manchas. “Na amamentação e durante a gravidez não podemos fazer muito pela paciente. As poucas medicações que podemos utilizar são indicadas apenas a partir do segundo trimestre e são muito fracas para um tratamento eficaz”, afirma Perla.

Outra preocupação das grávidas é quanto aos riscos de usar medicamentos na pele. Como não são feitas pesquisas sobre os efeitos deles em gestantes, toda nova medicação lançada é contraindicada. “É difícil dizer que determinado produto não prejudica o feto. Os riscos podem estar nos cosméticos ou em remédios”, diz a dermatologista Perla Gomes.

HIDRATANTES

De acordo com Perla, o uso de um simples hidratante de pele tem suas restrições. “Alguns com determinada composição de substâncias são contraindicados. Hidratantes, por exemplo, com uréia e lactato de amônio, devem ser evitados durante a gravidez”, declarou.

Outra contraindicação das dermatologistas em relação às loções hidratantes são os produtos à base de frutas cítricas, como maracujá. “O uso desses hidratantes podem ocasionar o surgimento de manchas na pele, além do próprio risco de fazer a grávida enjoar. O cheiro de um hidratante pode ser o suficiente para provocar náusea e a mulher não suportar usá-lo. A gestante deve procurar produtos mais suaves e mais neutros”, diz Flávia.

Apesar de restrições com o tipo de hidratantes, o uso deles é fundamental para reduzir os riscos de estrias durante a gestação. A própria distensão que a barriga sofre com o desenvolvimento do feto e com o crescimento dos seios pode predispor as indesejáveis estrias. Portanto, a dica das especialistas é não economizar na hidratação, principalmente nas mamas, glúteos, abdome e coxas.

Outros fatores que aumentam as chances do surgimento desse mal na pele é o acréscimo de peso acima de 15 ou 20 quilos (a média recomendada pelos obstetras é de 12 quilos) e a idade inferior a 20 anos das grávidas.

O surgimento acentuado de acne também incomoda as que esperam bebês. Mas nem todas as mulheres sofrem com as indesejáveis espinhas. Em algumas, aliás, acontece exatamente o oposto. “Não está provado que a gravidez interfere no surgimento da acne. Há grávidas que não têm uma espinha no rosto. Já outras sofrem muito com isso. Para fazer o tratamento adequado, é importante saber quais medicações podem ser usadas ou não”, diz Perla.

A designer de interiores Danielle da Costa, 35 anos, passou por algumas das restrições enquanto esperava a primeira filhinha, Kali. Como usava um creme que continha ácido na sua composição, ela suspendeu de imediato o produto ao descobrir-se grávida.

Curiosamente, Danielle afirma que a pele e o cabelo ficaram até mais bonitos durante a gestação, sem o surgimento de acne. Usar protetor solar diariamente, no entanto, não foi o suficiente para evitar o surgimento do melasma. “Não pude tratar das manchas para evitar riscos para a saúde do bebê. Sigo a orientação do dermatologista de só tratar o problema quando encerrar a fase da amamentação”, afirma.

Gravidez saudável pede cuidados

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (25/12/2011)

Ter os filhos até os 40 e fazer os exames indicados pelo obstetra são alguns dos conselhos dados pelos especialistas na reportagem que abre série a ser publicada nos próximos quatro domingos

O ano de 2012 bate à porta. E se engravidar está entre as suas resoluções, é bom ficar atenta a algumas recomendações médicas. Elas são imprescindíveis para reduzir os riscos de aborto e má-formação do feto, bem como garantir a saúde da mamãe. O grande drama da mulher moderna, segundo os especialistas, é conciliar o sonho de ser mãe com os projetos profissionais. A incompatibilidade desses planos tem adiado a gravidez, chegando a complicar ou inviabilizar a chegada de novos rebentos ao mundo.

Segundo o obstetra e ginecologista do Hospital Esperança, Hélio Costa, um dos aspectos mais importantes que o casal precisa entender é que existe uma idade ideal para engravidar. “O mais adequado é que a mulher comece a engravidar antes dos 35 anos e complete a sua prole (tenha todos os filhos que gostaria de ter) antes dos 40 anos”, aponta.

O obstetra lembra que a fase de maior fertilidade está entre 20 e 32 anos. De acordo com estudiosos, quanto maior a idade, também são maiores os riscos de abortamento e de má-formação, principalmente quando a gestante passa dos 40 anos.

Independente da idade, outra dica para as mulheres é fugir da ansiedade que é uma das causas de infertilidade. “Com a inserção da mulher do mercado de trabalho, ela tende a adiar a maternidade. Porém, ao decidir ter o filho com uma idade avançada, sabendo que tem pouco tempo, a ansiedade dessas mulheres em engravidar logo pode atrapalhar os planos delas”, aconselha Hélio Costa.

Rosineide Francisca é um dos exemplos de quem deixou para engravidar um pouco mais tarde. Aos 36 anos, ela está na tentativa do primeiro filho, após 16 anos de casamento. “Esperei todo esse tempo porque queria trabalhar mais para ter uma condição financeira mais tranquila no momento da gestação”, conta. Graças aos cuidados com a saúde ao longo da vida, com uma alimentação saudável e sem vícios, Rosineide passou bem pelos exames médicos e agora está só na expectativa.

“Não queria engravidar nova. Como já estou chegando na faixa dos 40, está na hora, mas estou despreocupada, com a saúde está tudo bem”, diz.

Quem também está na tentativa de engravidar é a auxiliar de enfermagem Jailce Raquel Santos. Há alguns anos, descobriu que tinha um cisto no ovário. Fez um tratamento que durou cerca de seis meses, bem-sucedido. “Ao terminar, o médico disse que estava tudo perfeito para engravidar”. Recentemente, descobriu que sofre de endometriose, doença que inviabiliza a gestação.

Ela está sendo acompanhada por um profissional, mas uma das suas lutas que começa a ser vencida, e também atrapalha a gestação, é a ansiedade. “Hoje estou trabalhando melhor o meu psicológico. A ansiedade estava piorando a situação. Antes, quando a menstruação estava chegando, já ficava naquela tensão”, afirma Jailce, que conta com o apoio do marido e de amigos para fugir das pressões.

EXAMES

Além da idade, a mulher deve cuidar bem da sua saúde para só então iniciar o processo de gestação. O conselho dos médicos é que antes mesmo de suspender os métodos anticoncepcionais a mulher deve tratar todas as doenças, lesões ou demais fatores complicadores da gestação, visto que há uma série de medicamentos e tratamentos que são proibidos no período da gravidez.

“É importante que as pessoas que desejam ter filhos procurem o serviço de saúde para receber orientação, cuidar da sua saúde e fazer os exames para ficar com tudo em dia”, salienta a gerente de Atenção à Saúde da Mulher do Recife, Benita Spinelli.

A dona de casa Fabiana Cordeiro, 34, passou anos evitando engravidar. Há 24 meses, quando decidiu que era a hora de encomendar o neném descobriu que possuía endometriose (doença que se desenvolve na parte interna do útero). Só a partir daí, procurou profissionais médicos para se preparar para a gravidez. Fez cirurgia, tratamento e segue sobre orientação de ginecologista com o objetivo de engravidar.

Sob os devidos cuidados, ela e o esposo Cristiano Viega, 40, lutam pelo sonho de ter o primeiro filho. “No começo estava ansiosa para ter logo o bebê. Hoje, já controlo melhor a ansiedade. Tenho seguido as orientações médicas, fazendo os exames e mantendo uma vida saudável”, revela Fabiana.

Com ajuda do obstetra, em geral a mulher que pretende engravidar faz diversos exames. Os mais comuns são os testes de doenças que podem ser transmitidas para o bebê. “Houve uma época que haviam os exames pré-nupciais, mas isso caiu um pouco em desuso. O básico são os testes das doenças sexualmente transmissíveis e uma preventiva do câncer do colo de útero”, disse Benita.

Exames para verificar se a grávida tem alguma infecção urinária, hepatite, diabetes, hipertensão, hipotireoidismo e anemia estão na pauta de verificação das mulheres antes de engravidar. “Há uma série de doenças que precisam de um diagnóstico feito antes da gravidez, porque há um prejuízo grande de se engravidar com elas, oferecendo riscos para si e para o bebê”, diz Hélio Costa.

Um dos suplementos para a alimentação da mulher nos meses anteriores à gestação e nos primeiros meses da gravidez é o ácido fólico. Ao tomar o comprimido – diariamente – são reduzidas as chances de defeitos na formação do tubo neural do bebê, que é a estrutura que originará o cérebro e à medula espinal do feto. Segundo os especialistas, é importante que essa suplementação ocorra antes do início da gestação porque a formação do tubo neural se dá no bem começo da gravidez. O serviço público de saúde oferece, sem custo nenhum, o suplemento de ácido fólico.

Outra medida preventiva que pode ser tomada por quem deseja engravidar é deixar as vacinas em dia antes de tudo. “As vacinas para hepatite, tétano e rubéola são importantes para a mulher grávida. As duas primeiras podem até ser tomadas durante a gestação, mas a de rubéola tem que ser antes”, avisa o ginecologista e obstetra Alexandre Guerra.

Prevenção ainda não é hábito

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (26/07/2011)

COMPORTAMENTO Pesquisa mostra que os brasileiros temem doenças crônicas, mas não adotam atitudes saudáveis para preveni-las

Madalena Severina, 71 anos, tem diabete e hipertensão. Para manter a saúde em ordem, ela não abre mão de uma alimentação saudável e de seguir à risca todas as recomendações médicas de como evitar que as doenças se agravem. Os cuidados com a saúde, porém, se tornaram mais frequentes após descobrir que estava com essas enfermidades crônicas. “Não me preocupava, comecei a me cuidar melhor depois de ficar doente”, afirmou a aposentada.

Esse comportamento de Madalena é muito comum no Brasil, segundo a pesquisa internacional de saúde Bupa Health Pulse 2010, a qual detectou que 88% dos brasileiros temem as doenças crônicas. Apesar do medo, o estudo, que ouviu 12 mil pessoas em diversos países, apontou que 30% não fizeram nada para avaliar seu risco de desenvolver a enfermidade nos últimos 12 meses. Além disso, 66% fazem uso do álcool e 20% fumam.

Esses dados tornam-se ainda mais preocupantes com o envelhecimento da população brasileira. A prevenção das doenças crônicas ganha um papel mais relevante nas políticas públicas de saúde e, segundo os especialistas, requer disposição dos brasileiros para se cuidarem melhor.

Os fatores de risco das doenças crônicas, apontados pela coordenadora de vigilância em doenças e agravos não transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, são alimentação inadequada, sedentarismo, consumo de álcool e o tabagismo. “A retenção do crescimento das doenças crônicas é uma preocupação não só do Ministério da Saúde, mas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Hoje, os principais grupos de doenças que estamos enfrentando são as cardiovasculares, os cânceres, diabete e as doenças respiratórias”, afirma Malta.

A hipertensão que atinge Madalena, por exemplo, acomete 30% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. Entre os idosos, como ela, o índice chega a superar a marca dos 50%. Se entre as pessoas mais velhas o percentual é elevado, outros grupos dentro da população também preocupam. “Temos feito um monitoramento, ouvindo 54 mil pessoas, que tem revelado um risco maior entre homens e com a população de baixa renda, que acumulam mais fatores de riscos, como alimentação menos saudável e maior sedentarismo”, afirma.

Segundo levantamento do Ministério da Saúde, divulgado no ano passado, apenas 14,7% dos brasileiros praticam atividades físicas com regularidade. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que cada pessoa realize 30 minutos diários de exercícios, cinco vezes na semana. Para reverter esse quadro, o governo federal vai lançar uma série de iniciativas para construir ou financiar as Academias da Saúde, seguindo um modelo muito parecido ao da Academia das Cidades, implantado de forma pioneira no Recife. A meta do governo é que até 2015 sejam construídas 4 mil academias em todo o Brasil. A falta de atividade física, associada à alimentação inadequada, leva a um outro problema, que influencia diretamente no surgimento dessas doenças, que é a obesidade.

CÂNCER

Dentre todas as doenças crônicas, a que mais causa medo aos brasileiros é o câncer, apontado como a principal preocupação por 33% dos entrevistados da pesquisa da Bupa. Para o oncologista e mastologista Rogério Brandão, diretor médico da Oncoclínica e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica - Regional Nordeste, a maioria dos casos de câncer poderia ser evitado por meio de hábitos saudáveis ou ter sido tratado, caso o diagnóstico tivesse sido feito em sua fase inicial. “A lista de recomendações para prevenção de câncer é muito grande, mas, sem dúvida, a principal é não fumar. O tabaco é responsável por 30% da mortalidade por câncer”, diz. A dificuldade de acesso ao serviço de saúde, em especial por parte da população de baixa renda, é apontado pelo médico como o principal fator que atrapalha o diagnóstico precoce da doença.

Alemanha além de Berlim

Por Rafael Dantas

Publicado no Jornal do Commercio (15/09/2011)

KOBLENZ (Alemanha) – O voo direto Recife–Frankfurt fez a Alemanha ficar mais perto e mais acessível aos pernambucanos. Com isso, além das cidades mais badaladas do roteiro alemão, como Berlim e Munique, outros destinos podem entrar no roteiro dos amantes do Velho Mundo. E nas rotas turísticas a serem descobertas pelos turistas locais estão algumas cidades do Estado da Renânia-Palatinado, como Koblenz – sede do festival alemão de jardinagem – Bad Ems e Nürburg, que guarda no seu autódromo a história e o luxo da principal categoria do automobilismo mundial – a Fórmula 1.

O país, conhecido pelos seus vários castelos, sabe muito bem preservar e dar vida a prédios e espaços públicos que testemunharam uma longa história de realeza e fé. Mesmo longe das grandes cidades, os pequenos distritos e vilarejos guardam as lendas das famílias que as fundaram e as construções antigas que ficaram de pé apesar das bombas de guerras. Num passeio pelas estradas alemãs, avista-se facilmente no horizonte pequenos castelos.

Os apreciadores do turismo religioso encontram nas cidades alemãs uma característica curiosa: as igrejas evangélicas também têm arquitetura e detalhes que muito se assemelham ao esplendor das igrejas católicas – com suas imagens em ouro e pinturas que retratam os santos e histórias bíblicas. No berço da Reforma Protestante, as ideias do monge Martinho Lutero arrastaram várias igrejas para o movimento. Uma nova fé, mas nos mesmos prédios católicos.

E os rios que cortam o Estado, que fica a 130 quilômetros de Frankfurt, compõem as paisagens nas mais importantes cidades locais. Estão às margens do Rio Reno imponentes construções e monumentos, como o Canto Alemão, um dos cartões-postais mais visitados do país. E como o Reno – o maior da região – é navegável, há ótimas opções para passear pelas suas águas e as de seus afluentes.

Confira quais atrativos são imperdíveis para visitar em Koblenz, Bad Ems e Nürburgring, localizadas na Renânia-Palatinado.

Cidade das flores e dos rios

KOBLENZ Cidade onde as águas do Reno e de Mosela se encontram abriga, até 16 de outubro, o Buga, diversificado festival da flora alemã

KOBLENZ
(Alemanha) – Água, terra, construções históricas e muitas flores. Uma combinação perfeita para ser sede do Bundesgartenschau ou simplemente o Buga 2011 (www.buga2011.de), um amplo festival da jardinagem nacional alemã. Para este ano, a cidade escolhida para acolher o evento foi Koblenz, onde os Rios Reno e Mosela se encontram e onde se pode apreciar uma série de atrativos naturais e históricos. Belo roteiro para os turistas interessados em conhecer um dos recantos mais famosos do Estado da Renânia-Palatinado.

A entrada do festival é no Kurfürstliche Schloss ou Palácio Eleitoral de Koblenz, patrimônio mundial da Unesco desde 2002. Diversas espécies de flores, de variadas cores, formam um jardim digno de um castelo. Todos os tipos de espécies possuem placas informando o nome e algumas características. E como os alemães adoram ter a frente de suas casas repleta de plantas e árvores, não é raro ver gente com um caderninho anotando o nome dos tipos desejados.

Além das flores, há uma série de edifícios históricos exuberantes – algumas datando do início do classisismo francês – que compõe o complexo onde funcionam diversas agências federais. Mais do que a imponência dos prédios, o pátio posterior ao palácio oferece uma bela paisagem ressaltada pelo Rio Reno. Aos amantes dos passeios marítimos, há uma série de embarcações para pequenas viagens. O turista pode comprar o bilhete do Buga já incluindo o passeio de barco.

Continuando o passeio, após o pátio posterior existem várias opções de restaurantes. Se você tiver sorte e o dia for de sol, poderá curtir bons músicos tocando clássicos ao violino.

Um dos pontos mais conhecidos de Koblenz é o Deutsches Eck (o Canto Alemão), onde se encontram os rios que cortam a cidade e há um mirante. É láque está localizado o monumento equestre de 14 metros de altura de Guilherme I, o primeiro kaiser alemão da Alemanha unificada (foi imperador entre 1871 e 1888).

FORTALEZA

Numa olhada para a outra margem do rio, é possível apreciar a Ehrenbreitstein Fortress. Uma fortaleza localizada 118 metros acima do Rio Reno. Mais interessante do que a vista, é pegar o teleférico e conhecer o outro lado das exposições do festival de flores, com as diversas construções da cidade. A travessia no bondinho permite uma bela vista composta por embarcações e montanhas que cercam a cidade.

Para o evento, na área da Fortaleza de Ehrenbreitstein há várias exposições de arte, de plantas e algumas salas com achados que recompõe a vasta história de Koblenz. Um dos espaços mais disputados é a mostra de bonsais. De todos os tamanhos e tipos, as miniárvores orientais são um atrativo à parte. Curiosamente, em um dos corredores de exposição há uma mostra de itens natalinos.

O ponto alto do passeio à fortaleza é o mirante, de onde se tem uma vista panorâmica de Koblenz. Cercada por cadeias de montanhas e com dois mil anos de história, resguardada em cada igreja, monumento, edifício e forte, a cidade que já tinha elementos suficientes para seduzir os turistas do mundo inteiro, se tornou ainda mais relevante após se preparar para o Buga, que se encerra no dia 16 de outubro.

Festival à parte, Koblenz possui um centro comercial bem movimentado, com diversos restaurantes oferecendo no cardápio o melhor da gastronomia alemã. Dos pratos repletos de carne de porco, batata e saladas, nada melhor do que um sorvete tamanho família ou um chocolate para sobremesa – algumas das especialidades do país. (R.D.)

Nürburg é palco da Fórmula 1

NÜRBURG (Alemanha) – Há 60 quilômetros de Koblenz, no meio da tranquilidade das florestas da cidade de Nürburg, a natureza e a paisagem medieval dos castelos abrem espaço para a modernidade do circuito da Fórmula 1. Ao lado de Hockenheim, Nürburgring (www.nuerburgring.de) é o mais tradicional circuito de automobilismo da Alemanha. E o autódromo não é uma opção apenas para os dias de corrida. Para os amantes dos carros há um museu repleto de modelos de automobilismo – em especial os alemães, como BMW e Mercedes – e salas especiais onde em poucos minutos se faz um passeio pela história e curvas do famoso circuito automobilístico.

Nürburgring é considerado um dos templos do automobilismo europeu. Porém, além da Fórmula 1 e de diversas outras categorias que competem no circuito, a sede do Grande Prêmio da Alemanha se tornou um museu da velocidade, parque de diversões, além do acesso à pista também aos não pilotos. Os amadores da velocidade têm a opção de dar uma volta na pista com seus carros, pagando um pouco mais que o ingresso do museu. A Nordschleife, o traçado antigo do local que se adaptou à nova Fórmula 1, com mais de 22 quilômetros, é o desafio que os pilotos terão a sua frente. E para quem não curte correr, mas visitou a cidade num dia sem provas oficiais, há algumas áreas abertas – fora do parque oficial – onde é possível ver os carros acelerarem no circuito antigo.

No museu, o turista encontrará carros de corrida de diversas épocas e categorias. No acervo, estão os carros da McLaren, a campeã mundial com Mika Hakkinen, e da Benetton, que levou Michael Schumacher aos primeiros títulos. Há uma diversidade de informações sobre o funcionamento dos motores, parte por parte – com textos em inglês e alemão. Carros desmontados, réplica de modelos dos anos 50 e até dois cockpits estão em exposição. Entre as peças do espaço estão estátuas em tamanho real dos grandes pilotos da Fórmula 1. Entre os brasileiros o único que figura nesse hall da fama é Ayrton Senna. Ao lado dele, estão ídolos locais, como o próprio Schumacher e o austríaco Niki Lauda, que até hoje é comentarista na televisão alemã.

O museu da velocidade dispõe também de salas modernas que levam os turistas a um tour virtual ao passado do circuito, contando a trajetória de Nürburgring. Preferido das crianças, o NurBuss é uma sala cercada por telões que simulam o passeio pelo autódromo em um ônibus. Na sala que conta a história do local, os turistas sentem na pele desde a emoção do festejo com o champanhe – sempre presente nos pódios – até a sensação de impotência diante do fogo que incendiou o carro de Lauda, em um acidente em 1976 na pista local. A sala também esfria e simula a neve quando fala das corridas realizadas nos invernos alemães. (R.D.)


Escolas capacitam professores

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)

ATUALIZAÇÃO Ao contrário dos alunos, docentes não têm afinidade com a web e colégios investem na formação dos profissionais

Novas tecnologias demandam novas maneiras de ensinar e aprender. Mas, pesquisa do Comitê Gestor da Internet do Brasil revelou que 64% dos professores das escolas públicas admitem saber menos de computador e internet que os seus alunos. Para reverter esse quadro e qualificar os professores para utilizarem as novas ferramentas tecnológicas na escola, diversas redes de ensino têm investido em programas e estruturas de formação continuada para plugar os docentes na era da web.

Para os especialistas, a educação continuada não é necessária porque os professores tiveram problemas na sua formação, mas porque as mudanças na sociedade impõem aos docentes habilidades que antes não eram exigidas. “A formação inicial não dá conta das constantes mudanças e transformações que acontecem. Todo profissional precisa se atualizar e isso não é diferente com os professores”, disse Auxiliadora Padilha, vice-coordenadora do programa de pós-graduação em educação matemática e tecnológica da UFPE.

Diferente dos alunos, que são considerados os nativos digitais, os docentes são considerados os migrantes, vindos de uma era analógica de quadro e giz. E mais do que conhecer as ferramentas tecnológicas, o grande desafio dos professores é saber como elas podem contribuir com a sua prática pedagógica. A professora da UFPE Patrícia Smith, Ph.D. em Educação pela University Of Newcastle Upon Tyne constata que, assim como os alunos, muitos professores também usam a tecnologia no seu cotidiano. “Eles já estão nas redes sociais, fazem especializações a distância, usam serviços de banco online, só não usam essas ferramentas na docência. Da porta da escola para fora todos estão conectados, mas dentro da sala de aula, não”, resume.

A principal barreira é a própria resistência dos docentes, aliada à falta de infraestrutura. Apesar da procura acelerada pelas formações continuadas, nem sempre o conhecimento adquirido chega às salas de aula. “A tecnologia implica ajustar alguns processos, o uso de metodologias, a partir de outros pressupostos, significa mudar a forma de trabalhar que os professores estão acostumados”, afirmou Patrícia.

O tempo das aulas de informática ficou para trás. Para os especialistas, a tendência é o uso da internet e aplicativos educacionais dentro das disciplinas. A decisão de usar o Google Docs na construção de um texto coletivo ou montar um vídeo como um trabalho escolar depende da infraestrutura e do conteúdo que está sendo ensinado. Mas para escolher o instrumento correto, é necessário que os docentes conheçam os novos métodos e tenham sensibilidade para optar pela ferramenta adequada.

“A educação continuada possibilita que os professores tenham acesso a uma reflexão sobre como usar as tecnologias. Mais que um saber técnico, é uma competência pedagógica mesmo, para trabalhar com alunos que têm um pensamento hiperlincado”, afirmou Michela Caroline Macêdo, coordenadora de pedagogia de faculdade particular.

RECIFE

Para atualizar o quadro de docentes da rede municipal de ensino, a Prefeitura do Recife criou no ano passado o Centro de Formação de Educadores Professor Paulo Freire. Além de oficinas para aprofundar os conteúdos curriculares, diversos cursos envolvendo o domínio de novas tecnologias estão na grade – como produção e edição de vídeos, tecnologias na educação e a instrução em sistemas operacionais, como o Linux e Windows.

Além da criação do centro, a prefeitura tem investido também em convênios com institutos de ensino superior para que os professores façam pós-graduações. Segundo a assessora executiva da Secretaria de Educação, Irenice Bezerra, cerca de 60% do corpo docente já possui especialização. “Nossos jovens nasceram num mundo digital, nós somos os migrantes digitais. A tecnologia não estava instalada, nem disseminada na geração anterior. Hoje, com o acesso muito fácil, sabemos que nossos estudantes buscam as lan houses e queremos trazer a tecnologia para dentro da escola. E os nossos professores estão correndo atrás”, afirmou.

Na rede privada de ensino diversas escolas têm se preocupado com a qualificação dos seus professores para lidarem com as novas tecnologias. A professora a assessora de informática educacional Joselma Maria de Oliveira defende uma capacitação durante o trabalho, quando surge as necessidade dos professores. “Atuo junto com o professor, fazendo o planejamento das aulas. Auxilio no uso de ferramentas que, às vezes, eles nem conhecem.”

Para Joselma, longos cursos com a exposição de inúmeras ferramentas nem sempre apresentam resultados práticos. Para ela, muitas vezes o professor sai dessas formações e não aplica o conhecimento na sala de aula porque não está interessado naquelas mídias que foram apresentadas naquele momento. “A partir dessa visão de capacitar os professores no momento em que surgem as demandas, já tivemos atividades de ciências com crianças de 8 anos com o Google Docs, aulas de religião usando o SmileBox (aplicativo para criação de álbuns, cartões e books), entre outras experiências em diversas disciplinas”, afirma.

Com professores capacitados nas novas tecnologias, as escolas têm a possibilidade de se plugarem no contexto dos seus alunos, a partir de aulas mais interessantes e antenadas com o mundo digital. “Se essas ferramentas forem usadas numa perspectiva de criatividade e não de reprodução, tornará a vida do professor e do aluno mais feliz e a escola mais animada”, disse Michela.

Ensino a distância já é uma realidade

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)

EAD Modalidade deve superar a marca de um milhão de estudantes este ano e tem sido fundamental para a interiorização da educação

Para quem tem uma carga extensa de trabalho e mesmo assim quer continuar os estudos, a educação a distância tem sido um caminho bastante procurado. Em Pernambuco, a UPE, UFRPE, IFPE, UFPE e várias instituições privadas já dispõem de cursos superiores e inclusive de pós-graduação. E se para os alunos a modalidade é um atrativo devido à flexibilidade de horários, para a demanda de profissionais do Estado, em especial no interior, a EAD tem contribuído significativamente para a formação de mão de obra.

A educação a distância (EAD) vive uma fase de consolidação no País. Segundo estimativas do Ministério da Educação (MEC), a quantidade de universitários que optaram pela modalidade deve superar a marca de um milhão este ano. De acordo com o CensoEAD 2010 – que inclui na conta cursos corporativos e livres – já havia 2,6 milhões de estudantes à distância no Brasil. Em Pernambuco, os polos da EAD se espalharam por 24 municípios, chegando a cidades em que o ensino presencial levaria décadas para se instalar.

Com cerca de sete mil alunos – em cursos de graduação, licenciatura, especialização e mestrado – a UFRPE já dispõe de uma Unidade Acadêmica em Educação a Distância. A atuação da universidade, que já formou seus primeiros alunos na nova modalidade, extrapolou os limites de Pernambuco, atendendo hoje polos na Paraíba, Tocantins, Ceará e Bahia. “Todos os nossos alunos que se formaram foram absorvidos pelo mercado. A qualidade dos estudantes a distância não deixa a desejar em relação aos alunos presenciais. E para atender ao crescimento do País não tem como pensar num crescimento do ensino superior sem investir em educação a distância”, disse Marizete Santos, diretora-geral de educação a distância da UFRPE.

Enquanto os cursos presenciais são em sua maioria de bacharelado (71,3%), na modalidade a distância a predominância é das licenciaturas, com 50%. Um dos responsáveis pela elevada oferta de vagas para formação de professores é o Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica (Parfor) criado a partir de um esforço conjunto do MEC, instituições de educação superior e das secretarias de educação estaduais e municipais. O objetivo do Parfor é garantir formação exigida por lei aos professores que atuam na rede pública de educação. E como muitos dos educadores sem formação universitária são do interior, 48% das vagas são a distância.

Estão no público alvo do Parfor os docentes que precisam realizar a primeira licenciatura e aqueles que já possuem ensino superior, mas atuam em área distinta da sua formação (um engenheiro que ensina física, por exemplo). Com destaque na experiência em cursos a distância, a UPE atende exclusivamente polos no interior do Estado. Em cinco anos, foram investidos cerca de R$ 20 milhões em infraestrutura da EAD em todos os polos, contando com mais de três mil alunos. Entre os cursos oferecidos pela instituição estão as licenciaturas em letras e biologia.

Para o diretor do Núcleo de Educação a Distância da UPE, Renato Medeiros de Moraes, a EAD garante não somente a possibilidade dos professores se formarem, como seguir os seus estudos. Principalmente em cidades mais remotas. “Muitos dos nossos alunos que estão se formando já entram nas especializações. Nos próximos anos a oferta do MEC para essas pós-graduações irá se ampliar. Pernambuco é um Estado muito comprido. E com certeza a EAD terá mais importância em alguns anos, principalmente onde não existem as grandes infraestruturas educacionais”, disse.

Outra área que vem recebendo atenção do MEC é a formação de gestores públicos, através do Programa Nacional de Formação em Administração Pública. As instituições públicas de ensino superior que trabalham com a EAD já vem ofertando tanto a graduação nessa área, como especializações em gestão pública, gestão municipal e gestão pública em saúde.

O professor universitário, Rodrigo Acioli, 28 anos, foi um dos beneficiados com a abertura das especializações a distância. Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimento, ele tinha interesse em estudar gestão pública. “Neste momento não havia condições de fazer um curso presencial por causa das minhas atividades profissionais. Dessa forma pude me qualificar melhor, adequando os horários de estudo de acordo com a minha disponibilidade”, diz. Da mesma forma que Rodrigo, uma série de profissionais que atuam na esfera pública tem procurado as pós-graduações.

AUTOFORMAÇÃO

Uma das dificuldades encontradas pelas universidades e faculdades que passam a integrar a rede de educação a distância do País é a carência de profissionais com formação nessa modalidade. Como a maioria dos docentes sempre atuou exclusivamente com o ensino presencial, estão começando a surgir os cursos de mestrado e pós-graduação na área. Neste ano, a UFRPE inaugurou a primeira turma de mestrado em gestão e tecnologia aplicada a EAD do Brasil, com 15 alunos.

Escola pública com wi-fi e PCs para todos

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)

UM COMPUTADOR POR ALUNO O primeiro resultado do programa criado pelo MinC veio com a redução da evasão escolar

SURUBIM – Uma escola com wi-fi e netbooks para todos os alunos. Se isso era uma experiência possível para poucas instituições particulares de ensino, agora a rede pública começa a viver essa realidade. Através do programa Um Computador por Aluno (UCA), do Ministério da Educação, 14 escolas municipais e estaduais em Pernambuco já estão com os dois pés no mundo digital. Seja na sala de aula, na biblioteca ou no pátio do recreio, os alunos de várias cidades do interior estão plugados gratuitamente com informações e redes sociais do mundo inteiro. Com escolas falando a língua dos estudantes, um dos primeiros resultados da fase piloto do programa é a redução da evasão escolar.

Alunos motivados e professores começando a pensar e fazer o uso da tecnologia da educação. Essas são duas características das escolas que foram beneficiadas pelo projeto UCA. Se para a capital o uso da internet em sala de aula ou nos corredores já é um atrativo, para essas instituições de ensino localizadas em lugares como Caetés, Ingazeira e Lagoa dos Gatos significa incluir estudantes e seus familiares na era digital. “O projeto causou um forte impacto no primeiro momento. Dinamizou as escolas ao permitir uma apropriação tecnológica de fato aos alunos e professores”, afirmou o professor da UFPE e coordenador do UCA em Pernambuco, Sérgio Abranches.

Uma das escolas onde o programa está funcionando, apesar das limitações de conexão – um problema em quase todas as cidades – está em Surubim. Localizada a 130 quilômetros do Recife, a Escola Natalicia Maria Figueiroa da Silva recebeu 300 netbooks do programa, apelidados pelos alunos de “uquinhas”. Após a adesão, a procura por interessados em estudar na escola aumentou. “Temos alunos de vários bairros da cidade e de municípios vizinhos, como Frei Miguelino e Santa Maria do Cumbucá. Muitos dos nossos alunos não tem conexão em casa, por isso eles gostam muito do programa”, afirma o diretor da escola, João Filho.

Os professores utilizam os computadores em algumas aulas, planejadas de acordo com a necessidade do conteúdo que está sendo transmitido em sala. Segundo o corpo docente da escola, os trabalhos escolares ganharam conteúdos mais ricos e exposição mais interessante. Os estudantes passaram a ter novas fontes de pesquisa – que antes se resumiam aos seus livros didáticos e ao acervo da biblioteca – e desenvolveram habilidades no power point, apresentando em slides as atividades.

De acordo com a professora de geografia e filosofia Raquel de França, antes do UCA alguns alunos usavam a internet apenas em lan houses e não tinham prática de pesquisa dos conteúdos educacionais. “O acesso contribuiu significativamente para a inclusão digital desses alunos e o fato desse programa ser na escola foi fundamental para que eles pudessem aprender a pesquisar novas fontes de informação”, diz.

Além das atividades orientadas pelos professores e monitores, no intervalo entre os turnos – visto que a escola funciona em tempo integral – os alunos podem pegar os uquinhas no laboratório para navegar na rede. E como a escola toda está conectada, eles podem escolher o cantinho mais adequado para fazer suas pesquisas, mandar seus e-mails e acessar os sites e redes sociais preferidos.

Vinda de São Paulo com a família, a aluna Eduarda Anjos, 15 anos, teve uma adaptação difícil ao Estado. Porém, um dos fatores que facilitou a aluna a se acostumar e gostar da sua nova vida em Pernambuco foi a escola. Morando perto do centro de Surubim, Eduarda não tem internet em casa e conhecia a web apenas pelas lan houses. Plugada na escola e na rede – que usa principalmente para as pesquisas e para as redes sociais, ela deseja permanecer na cidade.

Outro aluno que não perde um minuto do intervalo para ficar conectado é Kildare Brusky, 15. Morador de Surubim e com o sonho de seguir uma carreira militar, ele tem um discurso empolgado na defesa do projeto UCA. “A escola virou uma base para que os alunos fiquem perto das novas tecnologias desse século.” Kildare afirma que usa o uquinha principalmente para as disciplinas de espanhol, inglês e projeto de empreendedorismo. E além da internet, ele afirma usar com frequência programas como excel, word e power point para os seus exercícios.

EM CASA

A proposta inicial do projeto UCA era que os alunos levassem os netbooks para casa. Porém, a falta de conexão nas cidades tem sido um empecilho. Os computadores foram entregues aos alunos apenas em lugares onde a internet wi-fi funciona ao menos em algum local público. Em Caetés, por exemplo, um dos municípios onde os uquinhas já foram distribuídos, uma praça é o ponto de conexão dos alunos. A ideia dos computadores em casa é de inclusão não apenas do estudante daquela escola envolvida no programa, mas de ampliar esse acesso aos seus irmãos e pais.

Web é quase um intercâmbio

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)

IDIOMAS Alunos que complementam aprendizado pela internet encontram farto material e até conversam com nativos em chats e blogs

A distância entre os alunos de idiomas e os países de seus interesses foi substancialmente reduzida com a web. Se a internet facilita a vida de qualquer estudante, para o ensino de línguas ela é fundamental para diminuir as dificuldades de encontrar materiais – como músicas e revistas – e ainda para facilitar uma conversa com um nativo. Além do contato direto com publicações do mundo inteiro, há diversos sites que se propõem a auxiliar nessa aprendizagem, seja com cursos virtuais ou simplesmente com a disponibilização de textos com traduções e arquivos em áudio apropriados para quem está engatinhando em uma nova língua.

Para a professora de espanhol Flávia Renny é perceptível a diferença entre os alunos que exploram a internet daqueles que simplesmente vão assistir às aulas. “Os alunos que estão ligados às redes sempre chegam com novidades, empolgados por ter conversado com alguém de outra língua. Até as aulas acabam ficando mais interessantes para eles”, afirmou. Além de novos vocabulários, os alunos que se arriscam nos chats ou redes sociais de outros países terminam por absorver mais aspectos culturais e a compreender como pensam e se comunicam as pessoas em outros países.

Os alunos que se aventuram na rede têm condições de ter experiências reais com o idioma, não precisando esperar as aulas para poder conversar com algum colega de classe em outro idioma. “O acesso agora é imediato. O aluno vai direto aos sites de outros países, está muito mais exposto e tem mais condições de usar o inglês que aprende de forma real. Não fica tão reduzido à sala de aula ou à espera de ter contato com um estrangeiro”, diz Ana D’almeida, coordenadora pedagógica e integrante do grupo de consultores da empresa espanhola The Consultants-E.

O relacionamento com nativos ou com estudantes de idiomas de outros lugares do mundo já passa até a ser estimulado por algumas instituições. O Britanic, por exemplo, já promoveu dois encontros virtuais entre seus alunos e estudantes de inglês da Croácia. “Um dos nossos professores, que é croata, criou este projeto onde os alunos trocaram e-mails e fizeram atividades pedagógicas com os croatas que também estudavam inglês”, afirmou o professor Eduardo Farias, coordenador da Unidade do Britanic em Boa Viagem, que após se inserir no Facebook, já se aventura na novidade do Google+.

REDES SOCIAIS

Diversas ferramentas virtuais como os blogs, fóruns, chats e wikis (softwares colaborativos, onde a edição é feita de forma coletiva) já são bastante usados pelos professores mais plugados. As redes sociais são outro campo fértil para a atuação dos cursinhos de línguas, que lançam atividades ou sugerem vídeos através desse canal. “Com a web 2.0 o aluno passa a contribuir com a informação. Usando essas ferramentas na sala de aula, o professor torna o ensino muito mais colaborativo. Além disso, tudo o que foi discutido nos fóruns, por exemplo, fica registrado, permitindo tanto ao aluno e ao professor retornar àquela página para acompanhar todo o processo de construção do conhecimento”, disse Ana D’almeida.

Além de visitar portais de notícias e ter acesso a músicas e vídeos, o aluno de espanhol e professor de inglês Agnelo Câmara destaca que os games virtuais são uma ferramenta bastante eficiente para o enriquecimento do vocabulário. “Adoro os chats, mas uma plataforma que é muito melhor são os jogos online, especialmente aqueles de RPG. A quantidade de vocabulário que se aprende e a versatilidade do idioma com o qual você tem contato é impressionante”, diz Agnelo, que afirmou jogar em sites como o Tibia, Counter Strike e Combat Arms, que possuem jogadores de vários países.

Outra novidade no mundo da tecnologia que já tem sido bastante usada pelos alunos de idiomas são os aplicativos de smartphones para o ensino de idiomas. Após anos aprendendo inglês, o estudante de ciências da computação Miguel Doherty, 19 anos, agora estuda francês e não abre mão da tecnologia. Além de aproveitar a internet para assistir a TV5 Monde (rede de televisão transmitida em francês), ele usa o celular para estudar o idioma da vez. “Uso um aplicativo do celular que disponibiliza vários tópicos de um livro, onde posso avançar meus estudos”, disse Miguel. Entre as preferências dele na internet estão os sites que ajudam na aprendizagem da conjugação de verbos, os tradutores e na pesquisa de sinônimos.

Se as ferramentas são as mais diversas, outra vantagem que leva os alunos a procurarem a web para estudar idiomas é a possibilidade de estudar e conversar com outras pessoas em qualquer horário. Para quem curte os chats, dificilmente as salas de bate papo se esvaziam. Os jogadores de plantão também encontram seus adversários a qualquer hora do dia ou da madrugada.

Além das redes sociais, já despontam uma série de cursos de idiomas pela web (e-learning). Os professores aprovam a ideia e até indicam aos alunos alguns desses sites como complementares, mas ainda acreditam que a aula presencial não deve ser substituída, principalmente pelo desenvolvimento da conversação e pela orientação de um professor por perto – já que nem tudo na internet pode ser confiável. “Esse tipo de curso é bem cômodo para quem prefere ficar em casa, mas prefiro a sala de aula onde nos envolvemos com o idioma de forma divertida e praticamos a conversação simulando situações do dia a dia”, disse a professora Flávia Renny.

O novo papel das bibliotecas

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)

NA ESTANTE Plugadas com as tendências, algumas unidades digitalizam o acervo e abrem espaço para os computadores nas prateleiras

Das páginas de papel às telas dos monitores e tablets. Se este é o futuro esperado para os livros, as bibliotecas – um dos ambientes mais tradicionais do mundo escolar e universitário – também já passam por um processo de transformação. As estantes repletas de revistas e livros dos mais diversos tamanhos e épocas começam a dar mais espaço aos computadores para pesquisa e acesso aos arquivos digitais. As unidades que estão plugadas com as tendências digitais já começam a digitalizar seus acervos e a disponibilizar algumas novas ferramentas para os seus leitores.

Embora o número de publicações ou de digitalizações de livros ainda não seja tão relevante no Brasil, como já é em outros países, a exemplo dos Estados Unidos, os estudantes e bibliotecários começam a conhecer o novo papel das bibliotecas. Para os especialistas em biblioteconomia, as unidades que não se antenarem com as novas tendências se inclinam a ter um número de frequentadores cada vez menor. “A biblioteca está ganhando uma nova função social, associada ao uso de tecnologia em larga escala”, afirmou Marcos Galindo, chefe do Departamento de Ciência da Informação e coordenador do Projeto Liber (Laboratório de Tecnologia da Informação) da UFPE.

A possibilidade de fazer pesquisas em bancos de informações de instituições do outro lado do mundo e a praticidade em selecionar e copiar trechos de interesse dos leitores estão entre as vantagens oferecidas pelas novas plataformas dos livros que atraem os frequentadores das bibliotecas. “O livro eletrônico ganhará cada vez mais espaço nas bibliotecas, principalmente na educação. Haverá busca cada vez maior através dos computadores, onde o aluno poderá imprimir partes que ele quiser, pesquisar em bancos de dados maiores, comparar documentos de diversas origens”, disse o pesquisador associado do Projeto Liber, Paulo Gileno.

Nos Estados Unidos, 67% das bibliotecas públicas já dispõem de livros digitais (os e-books) de acordo com dados da Public Library Funding & Technology Access Study. Enquanto isto, no Brasil, as bibliotecas têm um avanço mais tímido. A Universidade Católica de Pernambuco, que possui a maior biblioteca central do Norte e Nordeste, já começa a fazer investimentos rumo a era digital. Através da internet, é possível ter acesso à produção científica da universidade, através da biblioteca digital de teses, dissertações e artigos. “Dessa forma estamos preservando o conhecimento produzido na universidade”, afirmou Jaíse da Costa Leão, diretora da biblioteca da Unicap.

Além disso, a universidade tem investido na digitalização de parte do seu acervo – em especial de documentos históricos – e a partir do próximo ano a unidade passará a adquirir livros no formato e-book. “Há várias vantagens com esse movimento de digitalização das bibliotecas. Para os usuários, pela facilidade nas pesquisas, e para as instituições, em função da área de armazenamento. Apesar dos sete mil metros quadrados, já temos problemas de espaço”, disse Jaíse.

LEITOR VIRTUAL

O armazenamento e filtragem dos e-books não é a única evolução do novo perfil das bibliotecas. A oferta por internet wi-fi gratuita nesses ambientes é outro aspecto que começa a atrair os leitores virtuais. No lugar de vários livros nas mesas, vários alunos com seus laptops acessando à web. “A biblioteca por muitos anos foi mais armazém do que fonte, agora está recuperando a função de ser um ponto de acesso à informação, mas agora digital. E isso é uma mudança muito significativa”, disse Galindo.

Nas escolas particulares, porém, essa função de acesso à internet é um tanto reduzida, visto que muitos alunos já estão conectados à internet pelo celular ou nos computadores domésticos. Para a população de baixa renda, que em geral depende das lan houses para ser inserida na web, as novas bibliotecas tem o desafio de ser um espaço de inclusão digital.

Segundo Jéssica Cavalcanti, bibliotecária de uma grande escola particular do Recife, a disponibilidade de internet wi-fi e de computadores ligados à rede foram os primeiros passos da unidade onde trabalha rumo ao novo perfil das bibliotecas. Outra ação que começa a funcionar é a digitalização do acervo de revistas e jornais que estão em arquivo. “Temos assinaturas de diversos periódicos e armazenamos os assuntos que os alunos mais procuram para pesquisa. Vamos digitalizar tudo e integrar ao nosso catálogo”, planeja Jéssica Cavalcanti.

A bibliotecária revela que muitos alunos já entraram na era dos tablets e e-readers e afirma que por este motivo a busca pela biblioteca como ponto de acesso não é tão grande. “Mais de 90% dos nossos alunos já têm acesso à net em casa. Os que podem pesquisar aqui, também podem em lá. No futuro, a tendência das bibliotecas é disseminar a informação filtrada, selecionar o que existe no ambiente online e não apenas esperar que os alunos venham à biblioteca, usar as quatro paredes”, prevê Jéssica.