Publicado no Jornal do Commercio (04/09/2012)
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br
Com a reindustrialização de Pernambuco e o desembarque de investimentos públicos em infraestrutura, o interior começa a ganhar uma nova face, que – além de fábricas e obras – recebe importantes espaços de formação. Seja com a criação de unidades acadêmicas, pulverização de cursos a distância ou a vinda de novas universidades, o Agreste e o Sertão estão sendo povoados por profissionais de nível superior que irão fomentar um crescimento sustentável para as regiões.
Para checar quais as cidades estão sendo protagonistas do acelerado crescimento econômico do Estado, basta observar para onde foram destinados os maiores investimentos em educação superior. Caruaru e Vitória receberam Centros Acadêmicos da UFPE. Garanhuns e Serra Talhada foram as escolhidas para a expansão interiorana da UFRPE, que já tem em vista a chegada no Cabo de Santo Agostinho. A UPE, que tem uma vocação para a interiorização há muito tempo, possui campus em Salgueiro, Petrolina, Arcoverde, Garanhuns, Caruaru e Nazaré da Mata.
De acordo com o professor de economia da Unicap e diretor da Ceplan, Valdeci Monteiro, o processo de descentralização do ensino superior não está atrelado apenas a Suape, é um movimento nacional e potencializa as vocações regionais. “Essa interiorização traz uma série de impactos importantes para esses municípios. Há uma circulação de renda maior, são criadas estruturas de serviços nos entornos das faculdades, há uma perspectiva de fixar as pessoas na região. Além disso, essa mão de obra que fica na região tem como se articular com a economia local”, declara.
A aluna Manuella Figueiras, 22 anos, moradora de Caruaru, é uma das universitárias que não precisou sair da cidade onde reside a família para estudar. Interessada em estudar engenharia e de olho no aquecido mercado da indústria civil na região, ela está no 8º período de Engenharia Civil do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), da UFPE. “A presença da faculdade aqui é importante, pois dá suporte para a população local. Acho o curso interessante e bastante abrangente”, diz.
Se anteriormente as instituições de ensino contemplavam basicamente licenciaturas, nos últimos cinco anos cursos de engenharias, direito, enfermagem e medicina começaram a surgir nos cenários do Sertão e Agreste. Recentemente, por exemplo, foi anunciado um novo curso de medicina para o CAA. “Estamos começando a inverter os caminhos. No passado, nascido no interior precisava estudar no Recife. Hoje, apesar da maioria das vagas serem ocupadas pelos alunos da região, muitas pessoas da capital estão se deslocando para estudar no interior”, disse o pró-reitor de interiorização da Universidade de Pernambuco, Pedro Falcão.
A comprovação veio da concorrência do curso de medicina da UPE em Garanhuns no último vestibular, 56 alunos por vaga, a maior do Estado. Alguns cursos da instituição são exclusivos das cidades do interior, como direito – em Arcoverde – e psicologia – em Garanhuns. Em ambos não há oferta de vagas na capital. Estão nos planos de expansão da UPE no interior um novo Campus em Serra Talhada, com cursos de medicina e enfermagem, e outro em Palmares, que seria a primeira universidade na Mata Sul.
Se as engenharias e formações na área de saúde são bem-vindas para qualquer lugar, uma das características dos cursos que têm chegado ao interior é a tentativa de aproximá-los da vocação econômica da região. Bons exemplos disso são design com ênfase em moda, no CAA/UFPE, se articulando com o Polo Têxtil e de Confecção do Agreste, e os cursos do campus de ciências agrárias da Univasf, em Petrolina, fazendo uma conexão com o polo frutivinicultor. A Unidade Acadêmica de Serra Talhada (Uast) da UFRPE fomenta o potencial agropecuário da região do Pajeú com cursos como ciências econômicas, com ênfase rural, e agronomia.
Fornecer mão de obra qualificada para o interior não é a única contribuição que a interiorização universitária oferece para os municípios e microrregiões que recebem as unidades de ensino. Parte do tripé básico do ensino superior, a pesquisa, tem estudado problemas regionais e proposto soluções para o Sertão e Agreste.
A chegada a UFRPE em Serra Talhada possibilitou que o município recebesse a primeira reserva florestal da Caatinga, que estuda as características do principal bioma do Nordeste brasileiro. Além dessa iniciativa, que teve origem em 2011, fruto de uma parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Governo do Estado, a universidade dispõe de um mestrado de produção vegetal e vive a expectativa de abrir o mestrado em produção animal.
Os alunos e professores do Centro Acadêmico do Agreste também têm se dedicado a propor soluções aos problemas de Caruaru e da região. A aluna Manuella Figueiras participou do grupo que pesquisou sobre as cisternas. O resultado do trabalho foi apresentado no ano passado no XIV Congresso Mundial da Água da Indiana Water Resources Association.
rdantas@jc.com.br
Com a reindustrialização de Pernambuco e o desembarque de investimentos públicos em infraestrutura, o interior começa a ganhar uma nova face, que – além de fábricas e obras – recebe importantes espaços de formação. Seja com a criação de unidades acadêmicas, pulverização de cursos a distância ou a vinda de novas universidades, o Agreste e o Sertão estão sendo povoados por profissionais de nível superior que irão fomentar um crescimento sustentável para as regiões.
Para checar quais as cidades estão sendo protagonistas do acelerado crescimento econômico do Estado, basta observar para onde foram destinados os maiores investimentos em educação superior. Caruaru e Vitória receberam Centros Acadêmicos da UFPE. Garanhuns e Serra Talhada foram as escolhidas para a expansão interiorana da UFRPE, que já tem em vista a chegada no Cabo de Santo Agostinho. A UPE, que tem uma vocação para a interiorização há muito tempo, possui campus em Salgueiro, Petrolina, Arcoverde, Garanhuns, Caruaru e Nazaré da Mata.
De acordo com o professor de economia da Unicap e diretor da Ceplan, Valdeci Monteiro, o processo de descentralização do ensino superior não está atrelado apenas a Suape, é um movimento nacional e potencializa as vocações regionais. “Essa interiorização traz uma série de impactos importantes para esses municípios. Há uma circulação de renda maior, são criadas estruturas de serviços nos entornos das faculdades, há uma perspectiva de fixar as pessoas na região. Além disso, essa mão de obra que fica na região tem como se articular com a economia local”, declara.
A aluna Manuella Figueiras, 22 anos, moradora de Caruaru, é uma das universitárias que não precisou sair da cidade onde reside a família para estudar. Interessada em estudar engenharia e de olho no aquecido mercado da indústria civil na região, ela está no 8º período de Engenharia Civil do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), da UFPE. “A presença da faculdade aqui é importante, pois dá suporte para a população local. Acho o curso interessante e bastante abrangente”, diz.
Se anteriormente as instituições de ensino contemplavam basicamente licenciaturas, nos últimos cinco anos cursos de engenharias, direito, enfermagem e medicina começaram a surgir nos cenários do Sertão e Agreste. Recentemente, por exemplo, foi anunciado um novo curso de medicina para o CAA. “Estamos começando a inverter os caminhos. No passado, nascido no interior precisava estudar no Recife. Hoje, apesar da maioria das vagas serem ocupadas pelos alunos da região, muitas pessoas da capital estão se deslocando para estudar no interior”, disse o pró-reitor de interiorização da Universidade de Pernambuco, Pedro Falcão.
A comprovação veio da concorrência do curso de medicina da UPE em Garanhuns no último vestibular, 56 alunos por vaga, a maior do Estado. Alguns cursos da instituição são exclusivos das cidades do interior, como direito – em Arcoverde – e psicologia – em Garanhuns. Em ambos não há oferta de vagas na capital. Estão nos planos de expansão da UPE no interior um novo Campus em Serra Talhada, com cursos de medicina e enfermagem, e outro em Palmares, que seria a primeira universidade na Mata Sul.
Se as engenharias e formações na área de saúde são bem-vindas para qualquer lugar, uma das características dos cursos que têm chegado ao interior é a tentativa de aproximá-los da vocação econômica da região. Bons exemplos disso são design com ênfase em moda, no CAA/UFPE, se articulando com o Polo Têxtil e de Confecção do Agreste, e os cursos do campus de ciências agrárias da Univasf, em Petrolina, fazendo uma conexão com o polo frutivinicultor. A Unidade Acadêmica de Serra Talhada (Uast) da UFRPE fomenta o potencial agropecuário da região do Pajeú com cursos como ciências econômicas, com ênfase rural, e agronomia.
Fornecer mão de obra qualificada para o interior não é a única contribuição que a interiorização universitária oferece para os municípios e microrregiões que recebem as unidades de ensino. Parte do tripé básico do ensino superior, a pesquisa, tem estudado problemas regionais e proposto soluções para o Sertão e Agreste.
A chegada a UFRPE em Serra Talhada possibilitou que o município recebesse a primeira reserva florestal da Caatinga, que estuda as características do principal bioma do Nordeste brasileiro. Além dessa iniciativa, que teve origem em 2011, fruto de uma parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Governo do Estado, a universidade dispõe de um mestrado de produção vegetal e vive a expectativa de abrir o mestrado em produção animal.
Os alunos e professores do Centro Acadêmico do Agreste também têm se dedicado a propor soluções aos problemas de Caruaru e da região. A aluna Manuella Figueiras participou do grupo que pesquisou sobre as cisternas. O resultado do trabalho foi apresentado no ano passado no XIV Congresso Mundial da Água da Indiana Water Resources Association.
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