sábado, 2 de julho de 2011

Inovar para não ser Excluído

Publicado no Jornal do Commercio (2011)
Por Rafael Dantas

Amudança de postura do empresariado de Pernambuco, tornando-se mais inovador, é um dos requisitos centrais, apontados pela 11ª Edição da Pesquisa Empresas & Empresários, para que as empresas pernambucanas sejam mais competitivas para participar do novo momento econômico do Estado. “Entre os fatores que vão delimitar o ritmo possível da economia pernambucana está a postura do empresário. É preciso buscar competitividade, inovar. O empresário precisa identificar onde estão as novas demandas, ter ousadia para mudar o seu padrão tecnológico e se inserir nesse cenário, ou ficará fora dele”, disse o consultor Sérgio Buarque, sócio da Multivisão.

Apesar da chegada de grandes empreendimentos, os índices de inovação empresarial local estão abaixo da média nacional e até de outros Estados nordestinos. Segundo a Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec 2008), realizada pelo IBGE, de 2.312 empresas pernambucanas entrevistadas, apenas 31,5% inovaram. Na Bahia a taxa de inovação é de 36,5% e no Ceará o índice apontado pelo Pintec é de 40,3%. No País, a taxa média de inovação é de 38,1%. A pesquisa abrangeu empresas com 500 ou mais funcionários. Um dos consensos entre os consultores e membros do conselho consultivo da pesquisa E&E é que a reversão desse quadro não pode estar ancorada sob a responsabilidade das instituições públicas, como afirma a presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), Lucia Melo. “O apoio estatal é certamente importante, porém, não é suficiente. Uma
maior participação das empresas pernambucanas também deve ser parte de uma agenda local de apoio à inovação.”

Gasto em P&DQuando comparado o volume de investimentos da iniciativa pública e privada, o mapeamento das pesquisas aponta ser necessário uma maior iniciativa dos empresários. Segundo dados do Relatório Mundial da Ciência, 55% dos recursos voltados para pesquisa e desenvolvimento, por exemplo, são oriundos do poder público. Nos países desenvolvidos o percentual de investimentos realizados pelas empresas chegam a superar o marco dos 70%. “Embora os investimentos privados sejam crescentes no Brasil, ainda vivemos uma fase de predominância de investimentos públicos”, constata Ronaldo Mota, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, que no entanto, é otimista. “Se tivermos sucesso, no futuro haverá uma inversão, com os investimentos transformando-se em predominantemente privado.”

Para o diretor executivo do Banco Gerador, Paulo Dalla Nora, o maior problema do empresariado local para entrar na cadeia produtiva dos grandes empreendimentos é ter requisitos que facilitem o acesso a capital para financiar a inovação. “O maior desafio é repensar a abordagem do acesso a capital, preparar a empresa para ser elegível a fontes de recursos de mais longo prazo, que exigem um nível de governança e transparência muito mais elevado do que o padrão médio histórico das empresas”, afirma Dalla Nora. Ter acesso ao capital, segundo ele, será definitivo na competitividade, mas os empresários não devem se limitar aos financiamentos governamentais. “Temos que pensar no mercado de capitais de forma mais ampliada, global”, orienta.

Cenários da Inovação no Brasil

Ainda que o volume de recursos para financiamento às ações inovadoras no País seja pequeno, quando comparados a outros emergentes, nos últimos anos houve avanços consideráveis, com diversos programas de suporte. A consultora Tânia Bacelar, da Ceplan, destaca a evolução das ações voltadas para inovação dentro do setor público. “Temos muitas políticas públicas nessa área. O governo federal, por exemplo, criou uma secretaria voltada para inovação (a Setec), dentro do Ministério de Ciência e Tecnologia. O Governo de Pernambuco fez o mesmo. Avançamos institucionalmente, mas na prática não conseguimos ainda deslanchar. O desafio é muito maior”, analisa Tânia Bacelar.

QUALIFICAÇÃO

MARINHO É um desafio que não podemos vencer sozinhos // ANÁLISE Fátima: Momento vai exigir muito do empresárioNo meio empresarial, uma ação importante de sensibilização ao protagonismo da iniciativa privada é o Movimento Empresarial pela Inovação (MEI), coordenado pela Confederação Nacional da Indústria. Entre as metas do MEI está a capacitação de 15 mil companhias e a implementação de núcleos de gestão da inovação em cinco mil empresas. Frente ao desafio de promover um novo padrão empresarial no Estado, o consultor Valdeci Monteiro, também da Ceplan, destaca a urgência de se criar uma nova cultura empresarial. “Hoje todos estão preocupados com a formação profissional da nossa mão de obra, mas vejo como tão ou mais importante investir na capacitação de nossas empresas face ao novo ambiente de Pernambuco e do País e, em especial, às exigências colocadas pelo padrão de competitividade mundial”.

“Ter acesso ao capital será definitivo na competitividade, porém as empresas não devem se limitar a financiamentos governamentais, as pensar no mercado de capitais de forma mais ampliada, global”, diz Paulo Dalla Nora

A inovação dos processos gerenciais, segundo o consultor Cláudio Marinho, é uma das preocupações centrais na agenda internacional. Para Marinho, esse aspecto organizacional tem sido marginalizado, por exemplo, pelas linhas de financiamento para inovação. “A preocupação fundamental hoje é buscar outro tipo de inovação, não apenas de produtos, mas de processos, de gestão e de marketing. É nos modelos de negócios onde está havendo a maior onda de inovações que fazem a diferença hoje na economia”.

Para o advogado e economista, Roberto Cavalcanti de Albuquerque, diretor técnico do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), o primeiro passo a ser dado pelas empresas para inovar e se inserir no novo cenário econômico pernambucano é identificar em quais elos das cadeias de produção existem oportunidades para o mercado local.

“É preciso conceber projeto de interação mutuamente fertilizadora entre base econômica existente em Pernambuco e o complexo industrial que está se formando em Suape, para mapear as demandas atuais e potenciais e as ofertas que poderão ser propiciadas pela base econômica estadual. Isso certamente irá identificar algumas oportunidades de investimento capazes de ensejar uma maior integração entre as duas estruturas produtivas.”

Sociedades podem acelerar inovação

Um aspecto considerado fundamental pelos especialistas para o amadurecimento e capacitação acelerada dos empresários locais é a interação com polos que já possuem experiência nos novos segmentos produtivos que estão chegando ao Estado. As parcerias com empresas e instituições de pesquisa, seja no Brasil ou no exterior, são apontadas pelos especialistas como essenciais para se compreender as mudanças na nossa estrutura produtiva e onde estão as oportunidades.

DUBEUX Temos um plano de negócios voltado para o futuroNa opinião do consultor Cláudio Marinho, ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco, o empresariado pernambucano precisa de modéstia e humildade para fazer alianças que alavanquem a sua competitividade. “Vivemos um desafio extraordinário que não pode ser vencido sem parcerias. Não podemos entrar nessa nova realidade sozinhos como pernambucanos. Nem com xenofobia ou bairrismo. Temos uma cultura empresarial com pouca tendência à associação empresarial que impede processos de modernização da gestão que são fundamentais”, adverte.

Para o advogado e economista, Roberto Cavalcanti de Albuquerque, o cenário pernambucano deve ser desenhado como um tripé, composto por empresas globais, nacionais e estaduais. “É lícito os pernambucanos reforçarem o pé, hoje mais frágil dessa tríade, mediante inserção de empresas locais em elos relevantes das cadeias produtivas que aqui se desenham.”

Um case local relevante é o da Cone S/A. A empresa, fruto de um investimentos de R$ 1,4 bi do Grupo Moura Dubeux para atuar nos setores de logística e serviços para a indústria, se consolida, após uma longa gestação que demandou um vasto planejamento e conexão com polos com características semelhantes à Suape. “Desenvolvemos um plano de negócios olhando para o futuro. Procuramos entender no mundo como funcionam asplataformas multimodais, os polos petroquímicos e navais. Buscamos entender como a economia local se comportou e quais as demandas que surgiram em outras regiões”, disse o diretor presidente da Cone S/A, Marcos Roberto Dubeux.

Com parcerias com grandes empresas nacionais e multinacionais, a Cone S/A está integrando uma joint venture que irá construir a Companhia Siderúrgica Suape (CSS). Ao lado da pernambucana, estão no empreendimento a multinacional Trasteel, a Fábrica Participações, a empresa italiana Danielli, uma das maiores montadoras e fabricantes mundiais de plantas siderúrgicas, e a consultoria nacional Metal Data.

PÚBLICO E PRIVADO

Uma conexão mais estreita tanto entre os próprios empresários locais e entre o governo e iniciativa privada é defendida pelo ex-secretário de Turismo do Recife, Samuel Oliveira. Ele afirma que essa aproximação é fundamental para promover um ambiente de maior competitividade. “As três esferas do poder público, os empresários e associações empresariais devem marchar juntos. Temos um momento muito importante para o Estado, com a Copa do Mundo, e essa parceria está qualificando a nossa oferta turística e criando novos roteiros na cidade.”

As parcerias, seja com players mundiais e nacionais, ou entre os atores da economia local (públicos e privados) são tentativas para acelerar a capacidade competitiva e acompanhar a velocidade com que estão chegand[o os empreendimentos no Estado. “O desafio é conquistar competitividade num tempo adequado. Esse é o momento de reconstrução da nossa capacidade produtiva e vai exigir muito do nosso empresário e do Estado, que terá um papel indutor no desenvolvimento”, declara a consultora Fátima Brayner, sócia da TGI. (R.D.)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Em busca da competitividade

Publicado no Jornal do Commercio (04/04/2011)
Por Rafael Dantas

Prefeitura de Petrolina quer atrair empresas para a cidade a partir de projetos nas áreas de logística e energia

Para conseguir atrair empreendimentos empresariais, a Prefeitura de Petrolina começa a se mobilizar em torno de uma série de ações em busca de uma maior competitividade para a região. Hoje grande parte dos investimentos estão concentrados no Complexo Industrial Portuário de Suape, devido às vantagens logísticas da região onde está instalado.

A atração de empresas é um dos principais pontos na agenda de atuação da prefeitura. “Buscamos diferenciais para diminuir a concentração de projetos em Suape. Queremos a redução do custo da energia, por exemplo. Cremos que isso poderia atrair empreendimentos”, declarou o vice-prefeito Domingos Sávio.

O vice-prefeito defende a diminuição do custo do quilowatt para as empresas do município, em razão de as principais fontes de energia do Estado estarem na região do Rio São Francisco. “Não achamos justo que a gente pague o mesmo quilowatt que o Recife, por exemplo. A energia que abastece o Estado está num raio muito próximo a Petrolina. Estamos tentando convencer o administrador do sistema sobre isso”, informou Sávio.

Além da questão energética, outro fator competitivo que está sendo pleiteado pela prefeitura é a melhoria da infraestrutura de transportes. Alguns projetos decisivos apontados pelo poder municipal são a consolidação da Hidrovia do São Francisco – anunciada pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, a construção do Aeroporto Indústria e a criação de uma extensão que ligue a cidade a Salgueiro, cidade que está no trajeto da Transnordestina.

“Precisaríamos de um braço de ferrovia de Petrolina para Salgueiro, que não está incluído ainda no projeto da Transnordestina. A duplicação da rodovia que liga as duas cidades seria um fator competitivo relevante para a região. Se não vier o ramal, essa duplicação nos daria um movimento importante para o transporte de cargas.” Na última visita do Eduardo Campos a Petrolina, o projeto de duplicação foi apresentado ao governador.

Na visita realizada esta semana à Infraero, para tratar da modernização do Aeroporto Internacional Senador Nilo Coelho, a prefeitura colocou em pauta também o projeto do Aeroporto Indústria de Petrolina. Ele prevê o estímulo à implantação de empresas industriais de montagem de produtos para exportação de alto valor agregado.

A prefeitura vem buscando também parceiros estrangeiros para concretizar o projeto. “Queremos atrair capital chinês para o novo aeroporto, no papel desde o governo FHC, além de atrair investidores também para o Canal do Sertão”, disse o vice-prefeito que participou de uma missão no ano passado à China e deve voltar ao país asiático no segundo semestre deste ano.

Dia decisivo para os clubes

Publicado no Jornal do Commercio (17/04/2011)
Por Rafael Dantas

Porto semifinalista. Central morto na praia. Ypiranga ainda luta contra a degola. Esse é o cenário dos clubes do Agreste na última rodada da primeira fase do Campeonato Pernambucano Coca Cola. No melhor dos cenários para os clubes da região, o Porto termina o turno no terceiro lugar, à frente do Sport, e o time de Santa Cruz do Capibaribe se segura na elite do futebol estadual. Ao Central – quinto na tabela de classificação – cabe apenas se concentrar no Troféu Campeão do Interior.

Na outra briga pela outra ponta da tabela, o Porto enfrenta o Petrolina, em Caruaru. Com a classificação garantida para a próxima fase, o resultado dessa tarde do Gavião do Agreste decidirá quem será o rival no prosseguimento da competição. Uma vitória simples do Porto irá manter o clube na terceira posição. Na semifinal, o clube enfrenta o Santa Cruz ou o Náutico, que estão empatados na liderança. Os corais seguem em primeiro por ter mais vitórias que os alvirrubros.

Além da disputa do título, o Porto tem ainda atleta brigando pela artilharia do Campeonato Pernambucano Coca Cola. Com 13 gols, Paulista pode aproveitar a tarde de hoje para aumentar a distância dos atacantes Gilberto, do Santa Cruz (11 gols) e Ricardo Xavier, do Náutico (9 gols).

Quem tem a missão mais espinhosa de hoje é o Ypiranga, ao encarar o Santa Cruz que segue líder da competição. A máquina de costura, que tem apenas 33% de aproveitamento no torneio, precisa vencer os corais para garantir a permanência na primeira divisão. Com apenas um ponto acima dos times que estão na Zona de Rebaixamento, caso a equipe empate ou venha a perder, o time do técnico Levi Gomes precisará torcer para que América e Vitória não vençam seus jogos, que serão respectivamente contra Araripina e Cabense.

RESSACA

O Central vai ao Sertão apenas para cumprir tabela diante do Salgueiro. Com a derrota no último domingo para o Ypiranga, dentro de casa, no Estádio Luiz Lacerda, os alvinegros deram adeus às chances de chegar as semifinais do Campeonato Pernambucano Coca Cola. Com 33 pontos na tabela, mesmo que saia de Salgueiro derrotado, o time não perde a 5ª posição. Além de perder a chance de estar na fase final, o clube também ficou de fora da Série D do Campeonato Brasileiro. As duas vagas de Pernambuco foram para o Santa Cruz e Porto. O Central, que chegou a liderar o Campeonato Pernambucano Coca Cola, despencou com a saída do técnico Maurício Simões, que está na disputa do Campeonato Paraibano à frente do Campinense.

Sem jogos oficiais no segundo semestre, o presidente do clube, João Tavares, promete reformar o gramado do Estádio Luiz Lacerda e investir forte nas categorias de base. “Para a partida de hoje e para o torneio do interior vamos recorrer aos pratas da casa e ao longo do semestre vamos fazer um trabalho com novos jogadores que jamais foi visto no Central. Queremos estar em todos os campeonatos para jogadores do juvenil, infantil, entre outros”, diz. Sobre o gramado, o dirigente alvinegro mensurou em R$ 150 mil os custos para reforma, que demandará de um período de até quatro meses, sem a realização de partidas.

Novo mapa econômico de PE

Publicado no Jornal do Commercio (26/04/2011)
Por Rafael Dantas

A concentração de grandes empreendimentos na Região Metropolitana do Recife (RMR) e na Zona da Mata se destaca no atual momento econômico de Pernambuco. A distribuição espacial desses investimentos é uma das preocupações da 11ª edição da Pesquisa Empresas & Empresários, realizada pela TGI e Instituto da Gestão (INTG), em parceria com a Consultoria Econômica e Planejamento (Ceplan) e com a Multivisão. A nova configuração de investimentos produtivos e de infraestrutura compõe, segundo os especialistas, um novo cenário, com desafios para Pernambuco e suas empresas. Esse cenário será discutido nesta segunda série do projeto Pernambuco da Próxima Geração, que começa hoje no JC.

De acordo com a projeção elaborada pela pesquisa, até 2020, os investimentos que desembarcam em Pernambuco superam a marca dos R$ 70 bilhões. Esses números, porém, podem ser bem maiores, segundo os consultores. O estudo foi feito a partir dos números anunciados pelas empresas, que, portanto, sofre alterações com as decisões de ampliação ou chegada de novos empreendimentos e fornecedores.

A Fiat, por exemplo, fez um anúncio de R$ 3 bilhões, que passou para R$ 8 bilhões, com as novas empresas que serão acopladas ao seu parque industrial. Além da montadora, a Refinaria Abreu e Lima é outro caso em que o plano de investimento inicial foi em muito superado, passando de US$ 4 bilhões para US$ 13 bilhões.

Aproveitando as vantagens competitivas do Porto de Suape, 74% dos novos investimentos que estão dinamizando a economia do Estado estão na faixa da Zona da Mata e Região Metropolitana do Recife. A região que já era responsável pela maior fatia do PIB do Estado, deverá ampliar essa participação com a conclusão das obras dos novos parques industriais. Embora concentrado nos dois polos do Estado, esse crescimento, segundo os especialistas, ocorre também no interior, em menor proporção.

“O fato dos investimentos estarem se concentrando em Suape pode estar ofuscando um fenômeno que também está acontecendo que é o crescimento do interior, em proporções menores, mas que têm um impacto local muito importante”, declarou o consultor Leonardo Guimarães Neto, sócio da Ceplan, que destacou ainda a formação de polos em diversos municípios, tendo como o exemplo mais contundente a cidade de Salgueiro, com a vocação logística.

INCENTIVOS FISCAIS

Ao analisar o crescimento econômico do Estado por inteiro, o consultor Francisco Cunha, sócio da TGI, ressalta que existem iniciativas importantes que estimulam a interiorização de investimentos, como os incentivos fiscais do Governo do Estado. Mas, para ele, o desenvolvimento do interior passa por uma maior articulação da dinâmica dos polos e pela concretização de alguns projetos no Sertão e no Agreste. “Os investimentos que estão sendo feitos no Complexo Portuário de Suape vão ter como resultado um transbordamento para outras regiões do Estado”, acredita Francisco Cunha. “Embora os incentivos fiscais sejam importantes, eles não são suficientes para provocar a desconcentração de investimentos. É necessário um planejamento de longo prazo para adensar o desenvolvimento do Oeste do Estado”, sugere.

Numa reflexão propositiva, o consultor da TGI afirma que o Canal do Sertão seria uma obra necessária para dinamizar os polos de Petrolina, que precisa de mais áreas de irrigação, e do Araripe, que possui uma antiga demanda energética. O projeto que visa captar água do Rio São Francisco para abastecer mais de 600 km, incluindo 16 municípios de Pernambuco e um baiano. “O Canal do Sertão seria um contraponto importante, pois consegue criar alternativas para essa região do Extremo Oeste. “A obra viabilizaria a produção de cana de açúcar para produção de etanol e geração de energia a partir do bagaço.”

Para ampliar e qualificar a cadeia produtiva desses polos que têm dinâmicas movidas por suas vocações naturais (a frutivinicultura e a extração de gesso), a consultora Fátima Brayner, sócia da TGI, defende que haja uma política clara de desenvolvimento, associada a investimentos tecnológicos que permitam produtos de maior valor agregado. “Para se apropriar dessas vocações naturais regionais, como no Vale do São Francisco e no Araripe, é preciso definir políticas que garantam o adensamento de suas cadeias de produção. É necessário definir qual o eixo de desenvolvimento e fazer investimentos que permitam à chegada de novas empresas, estimulando a criação de outra dinâmica de produção.” No polo gesseiro, por exemplo, seria ampliar as atividades, em paralelo à extração de gipsita, e investir também em novos produtos e derivados.

Outra mudança relevante na dinâmica da economia de Pernambuco é a retomada da importância da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) pernambucano. Na projeção dos investimentos que chegam ao Estado, cerca de 70% são para o setor industrial. “Estamos passando por um momento de transformação, com o surgimento de oportunidades que estão levando Pernambuco a uma mudança no perfil produtivo. Após um longo período de desindustrialização, estamos num momento de recuperação ancorada em atividades que não tínhamos e que vão ter uma repercussão sobre a antiga base industrial”, afirmou o consultor Valdeci Monteiro, sócio da Ceplan.

Além do novo momento industrial, uma tendência apontada pelos especialistas é a nova dimensão que terá o setor de serviços no Estado. O aumento do número de empregos, a geração e expansão da renda dos trabalhadores do Polo de Suape impactam diretamente no mercado de serviços. Tanto o setor de serviços especializados, de apoio à indústria, como manutenção, informática e assistência técnica, como serviços pessoais e sociais, devido ao aumento do poder de consumo.

Páscoa: a festa dos judeus e cristãos

Publicado no Jornal do Commercio (24/04/2011)
Por Rafael Dantas

Páscoa. Entre as celebrações com o pão e vinho dos cristãos às comemorações que remontam a libertação dos judeus da escravidão no Egito está uma das datas mais importantes dos dois segmentos religiosos. Diferenças à parte, o nome da festa que vem do termo hebraico Pessach – que significa “passar por sobre” – está ligado a fatos marcantes em que crêem as duas religiões milenárias. Longe dos coelhinhos e dos ovos de chocolate, os rituais que marcam o dia têm uma relação aos marcos históricos dos cristãos e judeus.

O significado da Páscoa é a primeira diferença entre a festa dos judeus e dos cristãos. Para os descendentes da tribo de Judá, a celebração marca a última praga do Egito – relatada na história bíblica das dez pragas – e a consequente libertação do povo, após mais de 400 anos de exílio. “Essa data é uma referência à décima praga do Egito, quando o anjo da morte passou sobre a casa dos judeus e levou o primogênito apenas dos egípcios”, disse a pesquisadora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, Suzana Veiga.

Para os cristãos, a páscoa se refere à ressurreição de Jesus Cristo, três dias após a sua morte. As festividades fazem referência ao período compreendido entre a última ceia de Jesus ao lado dos discípulos, sua prisão, julgamento, condenação, crucificação e ressurreição. “Para os cristãos a mensagem de Páscoa também é a libertação, mas com um outro sentido. Como o sangue do cordeiro marcou a liberdade do povo no Egito, acreditamos que no sangue de Cristo somos libertos da culpa e das marcas do pecado”, disse o pastor João Marcos Florentino, secretário geral da Convenção Batista em Pernambuco, ex-pastor da Primeira Igreja Batista em Gravatá.

O dia da festa também não é necessariamente o mesmo, entre a comemoração as duas religiões, pois o calendário judeu é luni solar (regido pelas fases da lua e pelo movimento do sol). Neste ano, por exemplo, a festividade aconteceu na virada da noite da última segunda-feira, dia 18. No calendário cristão, o domingo de Páscoa acontece 46 dias a partir da quarta-feira de cinzas.

Segundo a pesquisadora Suzana Veiga, as famílias judaicas celebram a festa com um jantar, denominado de Sêder ou jantar de Pessach, que acontece na virada da noite. “Nesse jantar existem vários alimentos simbólicos que remetam à dor e ao sofrimento no tempo da escravidão do Egito”, diz. Entre os alimentos presentes desse jantar estão ervas amargas (Maror), ovos, o Charósset (uma mistura de maçãs e nozes moídas com vinho), e algum vegetal, além de um osso tostado.

Uma tradição que também é mantida pelas famílias judaicas, segundo a pesquisadora, é a queima das comidas levedadas. “Nos oito dias de duração da festa não devem ser comidos nada que seja levedado ou seja, nada que contenha fermento. Na noite anterior à Pessach a família faz a busca do Chamêts, que é tudo o que leva fermento, e na manhã seguinte ele é queimado”, disse Veiga. Os pães usados na ceia também não possuem fermento, chamados na bíblia de pão ázimo ou matzá. Em Pernambuco existem cerca de 400 famílias judias, segundo a pesquisadora.

Na tradição cristã há grandes diferenças a depender do segmento religioso. Os costumes relativos aos alimentos, como a proibição de se comer carne na Semana Santa e a tradição de comer peixe, por exemplo, são levados em consideração pelos católicos, não têm repercussão dentro dos segmentos evangélicos. Entre os católicos, por exemplo, os eventos em referência à Pascoa tem início no domingo de Ramos e se encerram no domingo de Páscoa. Entre os evangélicos, em geral, no domingo da Páscoa os cultos são temáticos, referentes à morte e ressurreição, com a celebração da Ceia do Senhor, com pão e vinho, fazendo uma memória da última ceia. “Aproveitamos a data em que a sociedade está mobilizada em torno da festa para lembrar daquele momento da morte e ressurreição. Em relação a comidas, bebidas, não seguimos nenhum ritual, como outros segmentos cristãos”, disse João Marcos.

Entre os católicos, há uma série de representações da história da paixão de Cristo, uma tradição muito forte em Pernambuco. Nas igrejas evangélicas, um costume seguido por algumas denominações é o Culto da Ressurreição, que tem início por volta das 6h da manhã no domingo de páscoa.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Marketing como padrão

Por Rafael Dantas
Jornal do Commercio (31/01/2011)

Empresa do Agreste faz gol de placa nos negócios ao fornecer uniformes para diversos times

Presente nos padrões da maioria dos clubes do futebol pernambucano, a Rota do Mar, empresa do Agreste, que tem sua sede em Santa Cruz do Capibaribe, pretende estar presente é no guarda roupa dos torcedores. A produção de material esportivo representa um dos trunfos do trabalho de marketing da empresa para popularizar a marca. Só no Campeonato Pernambucano, entre patrocínios e fornecimento de material, a empresa investe nada menos que R$ 500 mil. Além disso, a Rota do Mar já cruzou o continente, aparecendo em campeonatos nacionais e até na Libertadores da América.

No Campeonato Pernambucano 2011, dos 12 clubes que jogam na primeira divisão, seis vestem padrões fabricados pela Rota do Mar e outros três são patrocinadas. Apenas os clubes da Capital – Santa Cruz, Sport e Náutico – não têm a marca estampada na camisa. Do Agreste, o Porto, de Caruaru, e o Ypiranga, de Santa Cruz do Capibaribe, usam uniformes da empresa, que veste ainda os times do América, Cabense, Petrolina e Araripina. Além das camisas, todos os estádios têm anúncios da marca.

“Estamos com todos os clubes do interior, como fornecedores ou patrocinadores. Procuramos avançar nos times menores, sem esquecer dos grandes. Já fizemos ações também com os clubes da capital”, explica Vicente Neto, coordenador de marketing da Rota do Mar. Neste ano, o lançamento dos uniformes do América e do Central, com a presença da modelo Viviane Araujo, foi uma das ações da empresa com grande repercussão para a marca.

Além de Pernambuco, a empresa, que tem abrangência nacional, com 800 pontos de venda espalhados pelo Brasil, fornece material para quatro times paraibanos e está fechando com o Gama, de Brasília, e o Comercial, do Piauí. O último, fará no próximo mês uma partida oficial contra o Palmeiras, na primeira rodada da Copa do Brasil. A oportunidade de aproveitar a divulgação nacional levou a Rota do Mar a procurar o clube piauiense. Em 2009, a empresa de Santa Cruz do Capibaribe ousou e levou material esportivo para o clube colombiano do Independiente Medellín, que na época disputou a Copa Libertadores.

As ações voltadas para os campos de futebol começaram há dez anos na Rota do Mar. Segundo a empresa, apenas agora começa a ter uma demanda por distribuição desses produtos, mas o grande interesse de entrar nesse mercado foi de potencializar a marca. “O grande retorno que temos é o fortalecimento do nome Rota do Mar. A produção em si não é intensa, apenas agora começamos a ter demanda”, afirmou Vicente Neto.

Após aumentar o faturamento em 15% em 2010, a meta da empresa é de no mínimo manter o ritmo de crescimento em 2011. A empresa do Agreste, com 280 funcionários, tem uma produção mensal de 120 mil peças, que são vendidas para todo o País. Em Pernambuco, além dos pontos de venda e representantes, a Rota do Mar conta com cinco lojas, duas em Santa Cruz do Capibaribe, uma em Toritama e duas em Caruaru.

SOLIDARIEDADE
Até o dia 10, a Rota do Mar, a Moda Center Santa Cruz (Parque de feiras), Associação Empresarial de Santa Cruz do Capibaribe (Ascap) e a Câmara de Dirigentes Lojistas de Santa Cruz do Capibaribe estão arrecadando donativos para desalojados e desabrigados dos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Tanto das lojas da empresa e as sedes das entidades participantes serão pontos de arrecadação de alimentos não perecíveis, roupas, água mineral e produtos de higiene pessoal.

Ser verde custa bem mais caro

Por Lara Holanda e Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (06/02/2011)

Valor alto nos supermercados dos produtos com características de ecologicamente corretos ainda inibe a procura dos brasileiros por este tipo de item

Embora o termo sustentabilidade seja muito usado, comprar produtos biodegradáveis que não agridem o meio ambiente ou diminuir o consumo e o gasto de energia ainda não são hábitos incorporados pela maioria das pessoas. Uma das razões disso é o alto preço que se paga por produtos que trazem estampado na embalagem as características de ecologicamente corretos, recicláveis, biodegradáveis ou orgânicos.

Numa pesquisa informal realizada pela equipe do JC, uma pequena feira de produtos sustentáveis chega a ser 46% mais cara em relação à de produtos equivalentes que não possuem essa diferenciação. A maior parcela da população brasileira está incluída na classe C e possui uma renda familiar entre quatro e dez salários mínimos – atualmente fixado em R$ 540 –, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um brasileiro que recebe mensalmente R$ 2.160 e resolve comprar apenas os dez itens listados na pesquisa informal realizada pela reportagem gastaria R$ 61,37 em produtos “verdes” contra R$ 41,85 numa cesta com produtos equivalentes que não fossem sustentáveis. A variação do preço das cestas chega a 46,6%.

Embora sejam mais caros, a pensionista Conceição Lima prefere levar os produtos orgânicos e os recicláveis quando tem a possibilidade. “Mesmo que sejam mais caros, compensam porque são mais sadios, não levam agrotóxico e não agridem o meio ambiente”, comenta. A administradora Renata Dornellas também tem essa preocupação na hora de comprar. Mas nem sempre ela leva todos os produtos ecologicamente corretos que deseja. Além de não encontrar tanta oferta desses produtos como deseja, realmente sento o peso no bolso. “Acho que eles aumentam cerca de 20% o preço da feira. Às vezes você para, pensa e acaba abrindo mão de levar um produto.”

Do carrinho cheio de compras da administradora, apenas dois produtos eram “verdes”: o quiabo orgânico e o pacote de esponja para prato. “Se os preços fossem mais acessíveis, a maioria das pessoas compraria. Mas, com esses preços, é quase impossível para uma pessoa de renda baixa fazer uma feira dessas”, pondera. Entre as razões que tornam esses artigos mais caros, está a produção em menor quantidade, geralmente realizada por pequenos agricultores que também enfrentam gastos com transporte.

Como ainda é pequeno o número de pessoas com a consciência de um consumo sustentável, as grandes empresas também oferecem uma oferta menor de produtos com essa preocupação. “A demanda ainda é pequena, mas a oferta também é menor, o que encarece os produtos disponíveis.”, observa a professora do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Fátima Massena.

De acordo com a professora, ainda é preciso trabalhar a educação ambiental e de consumo da maioria da população, para que a demanda por produtos sustentáveis vá além do discurso, forçando produtores e fornecedores a também se adaptarem a essa realidade. “Quando acrescentamos na feira os produtos sustentáveis, pagamos uns R$ 130 a mais na conta. Isso dificulta o acesso ao consumo desses produtos. Além de haver pouca variedade, a oferta ainda é pequena, os produtores não têm tanta preocupação com a embalagem, os consumidores também não modificaram os hábitos. Agora é que as empresas e os consumidores começaram a se preocupar e se adaptar a essas mudanças de hábitos”, observa Fátima Massena.

“Incorretos” somam 95% do País

Você já parou para pensar sobre a origem dos produtos que consome? Se a fabricação respeita o meio ambiente ou se a empresa trabalha preocupada com a sustentabilidade ambiental? Caso não, você integra atualmente um nada seletivo grupo de 95% dos brasileiros que ainda não estão integrados ao costume do consumo consciente. Apesar dos dados nada animadores, os especialistas de mercado acreditam que a procura por produtos “sustentáveis” vai crescer em breve, principalmente com a massificação do discurso, presente em diversas campanhas educativas e anúncios publicitários.

Pesquisa dos institutos Akatu e Ethos revelou que a fatia de consumidores conscientes permaneceu em 5%, entre 2006 e 2010. O levantamento, que ouviu 800 pessoas de nove regiões metropolitanas brasileiras, incluindo Recife e outras três capitais, mapeou 13 tipos de comportamento como: comprar produtos orgânicos ou feitos com material reciclado e ler rótulos de produtos antes de decidir uma compra. “A sustentabilidade tem que ser observada por três ângulos: a questão ambiental, econômica e social, questões que o consumidor brasileiro ainda não está preocupado”, afirmou o consultor especialista em marketing e estratégia de negócios, Bento Albuquerque.

INDIFERENTES
Um dado alarmante apontado pelo estudo foi o crescimento da população considerada indiferente quanto ao consumo consciente. Os indiferentes – que possuem no máximo quatro comportamentos sustentáveis – representavam 25% dos consumidores, e passaram para 37% no ano passado. A razão apontada pelos especialistas está relacionada ao crescimento da classe C, aumento de renda da população e democratização do acesso ao crédito. O estudo considera que o primeiro momento após esse novo contexto social e econômico, citado como “festa do consumo”, é o mais difícil para se incorporar comportamentos ligados a um consumo mais consciente e sustentável.

O estudante de design Tomáz Alencar, 19 anos, é um dos que se enquadra do grupo dos consumidores conscientes. Comportamentos simples, como usar eco bag, optar por produtos naturais e observar selos de reciclagem, o diferenciam da maioria da população. Comprometido, ele faz até palestras sobre sustentabilidade e criou um blog sobre o tema. “Tentei incentivar as pessoas a se preocuparem com o meio ambiente, mas a maioria das pessoas não quer nem saber. Me sinto meio sozinho nesse mundo.”

Novos consumidores estão longe da sustentabilidade
O apelo ao consumo por produtos ecologicamente corretos está engatinhando no Brasil. Segundo dados de um estudo realizado pelos institutos Akatu e Ethos, 56% de 800 pessoas entrevistadas em todas as regiões do Brasil nem sequer ouviram falar sobre o termo sustentabilidade, 19% apresentaram uma definição errada e 9% já ouviram sobre o assunto, mas não sabiam explicar o assunto. Na classe C, a conclusão é evidente. “Quando uma nova parcela da população tem mais renda, a primeira expectativa é apenas o consumo em si. Isso não significa que as pessoas não se importam com a questão do consumo social, embora não se reflita no momento do consumo”, diz o professor de publicidade da Unicap e consultor de branding, Rodrigo Duguay.

Para os especialistas, o crescimento da responsabilidade ambiental da população se dará de forma lenta e ancorada num esforço em comunicação. Mas, apesar da parcela enorme de pessoas ainda desinteressadas sobre o assunto, os comprometidos já representam um mercado consumidor amplo, principalmente pelo fato de serem um grupo com maior poder de compra. “Por mais que o percentual não seja tão significativo, em determinados mercados de bilhões de dólares, esses 5% podem ser o fator determinante para a vitória ou o fracasso de uma marca. A indústria tem que agir antes que a tendência se consolide. As empresas que esperarem esse percentual de comprometimento crescer para investir em sustentabilidade vão perder mercado”, analisa Duguay.

Os números revelam uma realidade de desconhecimento sobre o tema, explicado pelo consultor Bento Albuquerque como o fruto da falta de uma cultura sustentável no Estado e no meio empresarial. “Os países desenvolvidos tem um consumo mais consciente porque o Estado começou a estabelecer normas e padrões para esse fim. No Brasil, esse movimento está apenas começando.” (R.D)