sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Desenvolvimento muda interior

Publicado no Jornal do Commercio (04/09/2012)

Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

Com a reindustrialização de Pernambuco e o desembarque de investimentos públicos em infraestrutura, o interior começa a ganhar uma nova face, que – além de fábricas e obras – recebe importantes espaços de formação. Seja com a criação de unidades acadêmicas, pulverização de cursos a distância ou a vinda de novas universidades, o Agreste e o Sertão estão sendo povoados por profissionais de nível superior que irão fomentar um crescimento sustentável para as regiões.
Para checar quais as cidades estão sendo protagonistas do acelerado crescimento econômico do Estado, basta observar para onde foram destinados os maiores investimentos em educação superior. Caruaru e Vitória receberam Centros Acadêmicos da UFPE. Garanhuns e Serra Talhada foram as escolhidas para a expansão interiorana da UFRPE, que já tem em vista a chegada no Cabo de Santo Agostinho. A UPE, que tem uma vocação para a interiorização há muito tempo, possui campus em Salgueiro, Petrolina, Arcoverde, Garanhuns, Caruaru e Nazaré da Mata.
De acordo com o professor de economia da Unicap e diretor da Ceplan, Valdeci Monteiro, o processo de descentralização do ensino superior não está atrelado apenas a Suape, é um movimento nacional e potencializa as vocações regionais. “Essa interiorização traz uma série de impactos importantes para esses municípios. Há uma circulação de renda maior, são criadas estruturas de serviços nos entornos das faculdades, há uma perspectiva de fixar as pessoas na região. Além disso, essa mão de obra que fica na região tem como se articular com a economia local”, declara.
A aluna Manuella Figueiras, 22 anos, moradora de Caruaru, é uma das universitárias que não precisou sair da cidade onde reside a família para estudar. Interessada em estudar engenharia e de olho no aquecido mercado da indústria civil na região, ela está no 8º período de Engenharia Civil do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), da UFPE. “A presença da faculdade aqui é importante, pois dá suporte para a população local. Acho o curso interessante e bastante abrangente”, diz.
Se anteriormente as instituições de ensino contemplavam basicamente licenciaturas, nos últimos cinco anos cursos de engenharias, direito, enfermagem e medicina começaram a surgir nos cenários do Sertão e Agreste. Recentemente, por exemplo, foi anunciado um novo curso de medicina para o CAA. “Estamos começando a inverter os caminhos. No passado, nascido no interior precisava estudar no Recife. Hoje, apesar da maioria das vagas serem ocupadas pelos alunos da região, muitas pessoas da capital estão se deslocando para estudar no interior”, disse o pró-reitor de interiorização da Universidade de Pernambuco, Pedro Falcão.
A comprovação veio da concorrência do curso de medicina da UPE em Garanhuns no último vestibular, 56 alunos por vaga, a maior do Estado. Alguns cursos da instituição são exclusivos das cidades do interior, como direito – em Arcoverde – e psicologia – em Garanhuns. Em ambos não há oferta de vagas na capital. Estão nos planos de expansão da UPE no interior um novo Campus em Serra Talhada, com cursos de medicina e enfermagem, e outro em Palmares, que seria a primeira universidade na Mata Sul.
Se as engenharias e formações na área de saúde são bem-vindas para qualquer lugar, uma das características dos cursos que têm chegado ao interior é a tentativa de aproximá-los da vocação econômica da região. Bons exemplos disso são design com ênfase em moda, no CAA/UFPE, se articulando com o Polo Têxtil e de Confecção do Agreste, e os cursos do campus de ciências agrárias da Univasf, em Petrolina, fazendo uma conexão com o polo frutivinicultor. A Unidade Acadêmica de Serra Talhada (Uast) da UFRPE fomenta o potencial agropecuário da região do Pajeú com cursos como ciências econômicas, com ênfase rural, e agronomia.
Fornecer mão de obra qualificada para o interior não é a única contribuição que a interiorização universitária oferece para os municípios e microrregiões que recebem as unidades de ensino. Parte do tripé básico do ensino superior, a pesquisa, tem estudado problemas regionais e proposto soluções para o Sertão e Agreste.
A chegada a UFRPE em Serra Talhada possibilitou que o município recebesse a primeira reserva florestal da Caatinga, que estuda as características do principal bioma do Nordeste brasileiro. Além dessa iniciativa, que teve origem em 2011, fruto de uma parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Governo do Estado, a universidade dispõe de um mestrado de produção vegetal e vive a expectativa de abrir o mestrado em produção animal.
Os alunos e professores do Centro Acadêmico do Agreste também têm se dedicado a propor soluções aos problemas de Caruaru e da região. A aluna Manuella Figueiras participou do grupo que pesquisou sobre as cisternas. O resultado do trabalho foi apresentado no ano passado no XIV Congresso Mundial da Água da Indiana Water Resources Association.

Tecnologia revoluciona as atividades

Publicado no Jornal do Commercio (04/09/2012)

CONEXÃO Profissionais da TIC oferecem soluções para os mais diferentes segmentos, como o comércio eletrônico no varejo 
 
Rafael Dantas
rdantas@jc.com.br

O uso TIC está cada vez mais presente na vida dos cidadãos e das profissões. Seja no marketing, no comércio ou até mesmo nos serviços relacionados à mobilidade, lá estão soluções tecnológicas, que mudam a dinâmica da vida moderna e geram oportunidades de trabalho. “A tecnologia da informação mudou, radicalmente, a maneira de se trabalhar, se relacionar e, principalmente, de fazer negócios. A adaptação às novas tecnologias é fator crucial para o sucesso, tanto de empresas como de trabalhadores”, disse o consultor de marketing digital e diretor da IMKT Brasil, Fábio Lira.
A compra virtual, um hábito que está vencendo os receios dos consumidores, deve movimentar US$ 18,7 bilhões neste ano, de acordo com a consultoria eMarketer. Se o resultado já é bastante representativo, a expectativa do e-commerce brasileiro é seguir crescendo. As projeções para 2015 é de que 31,6 milhões de brasileiros já terão realizado ao menos uma compra eletrônica. Com um cenário tão favorável, uma série de grandes magazines e microempresários tem investido em lojas virtuais.
Quem deixou a fonoaudiologia para abrir uma loja de produtos orgânicos e integrais na web foi Silvia Sabadell. Após seis anos no mercado, a Comadre Fulozinha (comadrefulozinha.com.br) já conta com uma lista de mais de 3 mil clientes cadastrados. “Eu era consumidora de produtos orgânicos e trabalhava com muitos portadores de deficiência que tinham problemas de mastigação e precisavam desses produtos, que eram difíceis de ser encontrados. Hoje 95% das nossas vendas são pelo e-commerce. Quem tem alguma dúvida ou dificuldade com o computador pede por telefone, mas é exceção”, diz. Além dos proprietários, hoje a Comadre Fulozinha conta com quatro funcionários.
A Infobox, loja de produtos de informática, que conta com dez unidades em três Estados, passou a investir também na web há 7 anos. Hoje, de 5% a 10% do faturamento da marca vem do e-commerce. Três funcionários trabalham exclusivamente para a loja virtual, além dos trabalhadores que atuam na logística das vendas. “Aqui a gente espera que o funcionário tenha facilidade na relação com a tecnologia e possua alguns cursos relacionados à área. Já os clientes ainda preferem a loja física, por isso temos um trabalho estratégico para que eles tenham mais segurança na compra através do site”, disse Leandro Martorelli, gerente do e-commerce da Infobox.
BANCOS
Além das compras, o uso da tecnologia revolucionou diversos serviços, como bancários (a princípio com os caixas eletrônicos e mais recentemente com o e-banking), a administração pública (que passou a oferecer uma série de serviços online, além de dar maior transparência na gestão dos recursos), além de ser o principal fator de inovação de várias atividades econômicas. Até as mais tradicionais já veem na TIC uma possibilidade de inovar para ganhar maior competitividade.
A mobilidade urbana, por exemplo, tem encontrado algumas soluções. Uma das grandes novidades no segmento é o Samba, sistema desenvolvido pela empresa pernambucana Serttel que associa o uso de bicicletas com estações computadorizadas que usam um sistema wi-fi onde os ciclistas dispõem de uma ferramenta de autoatendimento para retirada e devolução das bikes através do celular.
“É um projeto inovador para o País e permite um crescimento viral da base de pessoas que passaram a usar esse modal de transporte para pequenos percursos. Na Europa existe o serviço de aluguel de bicicletas, mas sem esse suporte tecnológico precisam de funcionários nos pontos de apoio”, disse Angelo Leite, presidente da Serttel. O sistema foi implantado no Rio de Janeiro, São Paulo e Petrolina.
O universitário José Gomes, 24 anos, já está de olho nessa tendência. Estudante tecnólogo em análise e desenvolvimento de sistemas, ele desenvolveu, para conclusão de curso, um aplicativo para celular que tem o objetivo de facilitar a locomoção dos turistas no Recife através do sistema metroviário. O Metrô Recife WebApp – que tem versões para três idiomas – permite que com poucos toques alguém que nunca andou na cidade possa traçar uma rota usando o metrô, já com informações das linhas integradas de ônibus.
“Pensando na Copa, imaginei um projeto que poderia ajudar a melhorar na comunicação com os turistas. A proposta é que uma pessoa que nunca tenha usado o nosso sistema e que não fale português possa se locomover até a estação mais próxima e seguir até o seu lugar de interesse, sem precisar perguntar a ninguém”, explica.

Ler forma cabeças pensantes

Publicado do Jornal do Commercio (27/09/2012)

HÁBITO Desde a infância a leitura de jornais, revistas e livros vai contribuindo, aos poucos, para a formação da opinião e do senso crítico
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Cerca de 50% da população brasileira não tem o costume de ler. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, lemos em média apenas quatro livros por ano. Deixando de lado os didáticos, esse índice de leitura despenca para um livro para cada habitante. A reversão desse cenário – que expõe uma população que tem pouco interesse na literatura técnica ou ficcional, sem falar no acompanhamento de jornais e revistas – tem na escola um dos grandes protagonistas.
É consenso entre os professores que o aluno que lê mais conhece mais sobre o mundo e tem mais possibilidade de ser um cidadão com senso crítico amplo. E além de incentivar o gosto pelos livros, a escola tem um papel fundamental de ajudar o aluno a qualificar a escolha dos textos e na própria leitura. “A leitura contribui no desenvolvimento da capacidade reflexiva do aluno, que é a sua função mais importante. A mediação do educador é fundamental para ajudar o estudante a ser um leitor crítico e sensível, que tenha uma capacidade de interagir com o texto”, defendeu Ester Calland Rosa, professora do departamento de psicologia e orientação educacional do Centro de Educação da UFPE.
De olho na construção desse leitor mais atencioso e voraz por novos textos, o projeto pedagógico de diversas escolas tem dado maior atenção ao despertar pela leitura desde a educação infantil. Livrinhos, gibis e até mesmo as tirinhas estão na lista das principais estratégias dos docentes para atrair as crianças para o mundo da literatura.
A contação de histórias e o uso dos materiais didáticos que unem o texto e a imagem são os primeiros passos dos professores para atrair as crianças para o universo da imaginação. “Essas atividades ampliam a capacidade imaginativa dos alunos, além de estender o horizonte linguístico dos alunos. Temos uma gibiteca muito frequentada. O texto é o ponto de partida do aluno para a sua leitura do mundo”, diz o professor José Ricardo Diniz, coordenador pedagógico de um colégio da Zona Sul do Recife.
Com o projeto Prazer de Ler, outra instituição educacional motiva os alunos a conhecer novos livros, em um período especial para isso, associado com uma série de atividades pedagógicas. “A leitura é a parte inicial de tudo o que fazemos. A partir dela trabalhamos paralelamente os conteúdos. Cada idade tem uma dinâmica diferente, com textos de gêneros distintos e com a valorização da interpretação do aluno, relacionando a compreensão do mundo com o que ele leu”, diz a pedagoga Nathalia Dornelas.
Para impulsionar o número de livros lidos por cada aluno, uma tradicional escola no Derby lançou um projeto em que os alunos do ensino fundamental trocam os seus livros semanalmente. Enquanto os pais compram apenas duas publicações entre as sugestões dos professores, logo no início do ano letivo, seus filhos fazem de 15 a 18 leituras no ano. “Essa prática não vale nota. Após a leitura eles escrevem uma sinopse, em algumas atividades fazem um cartaz do livro ou escrevem uma carta para o autor com sugestões ou elogios”, explica Cinthia Jordânia, professora do projeto de leitura.
Aos 10 anos, Vitória Emille Ferreira, uma das alunas entusiastas no projeto já leu dez livros este ano. “Eu mesma escolho os livros que vou ler e sempre escrevemos sobre o que mais gostamos nas histórias”, diz. A mãe, Mildred Cox, se surpreendeu quando a filha disse quantos livros já tinha lido e afirma que antes do projeto sua média não passava de três ou quatro livros no ano.
No ensino médio esse movimento é um pouco mais recente. Uma mudança que teve relação direta com essa modificação foi a redução do peso dos vestibulares tradicionais e a sua substituição pelo Enem.

Expansão para além da capital

Publicado no Jornal do Commercio (13/11/2012)
 
 DESCENTRALIZAÇÃO As empresas têm apostado na ampliação de empreendimentos na Região Metropolitana e no interior 
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Junto com o movimento de descentralização da economia pernambucana, o setor da construção civil também tem se expandido para além do Recife, nas demais cidades da Região Metropolitana e para o interior do Estado. Movidas pela falta de terrenos na capital e pelo direcionamento de grandes investimentos no interior, construtoras e imobiliárias estão dispensando atenção especial aos oásis de desenvolvimento espalhados pelo Estado, como Goiana, Caruaru e Petrolina.
Com a formação do Complexo Industrial e Portuário de Suape, a Mata Sul há alguns anos vem puxando para cima os indicadores econômicos e atraindo trabalhadores para a construção e operação nos novos parques industriais e logísticos. De olho no crescimento de renda da região, com a vinda de mão de obra de outras áreas do Estado e do País, uma série de empreendimentos estão sendo alocados em cidades no entorno de Suape. “O mercado tem apostado em outras regiões, fora do Recife, até pelo preço dos terrenos. Algumas cidades, como Ipojuca, estão criando uma demanda alta, pois há um público com interesse de morar mais próximo do trabalho, por conta dos problemas de deslocamento do local”, diz Djalma Guimarães, economista do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau.
Além da Mata Sul, onde estão os maiores empreendimentos industriais do Estado, a Mata Norte, com a construção da Fiat e do Polo Farmacoquímico, e a área Oeste da Região Metropolitana, movidas pela Arena Pernambuco e Cidade da Copa, também são destinos onde o mercado imobiliário está aquecido. São Lourenço, que é a cidade onde fica localizado o estádio que sediará os jogos da Copa do Mundo de 2014, responde por 21,4% do lançamento de imóveis da Região Metropolitana do Recife neste ano, de acordo com a pesquisa do Índice de Velocidade de Vendas (IVV), elaborado pela Fiepe. Entre janeiro e agosto, foram contabilizadas mais de mil unidades residenciais. Na lista dos municípios que começam a atrair até mesmo moradores do Recife estão ainda Paulista, Igarassu e Goiana.
Vizinha a Arena da Copa, a cidade de Camaragibe também atrai empreendimentos, com impacto para a construção civil. Só a construção de um complexo, anunciado em maio deste ano, tem investimentos estimados em R$ 1 bilhão, com empresariais, residenciais e shopping. “Com a proximidade no nosso centro comercial da Cidade da Copa e a vocação natural do município para oferta de comércio e serviços, a perspectiva do incremento da economia local é alta. O setor imobiliário é um dos nossos termômetros. Observamos que desde 2010 tem sido difícil encontrar um volume considerável de imóveis à venda ou mesmo para locação e, quando se encontra, a surpresa fica por conta do valor do metro quadrado, equiparado ao de bairros nobres do Recife”, disse Nívia Borba, secretária de Desenvolvimento Econômico e Cidadania.

A música suave de Zé Manoel ganha o mundo

Publicado do Jornal do Commercio (15/04/2012)

DA TERRA Artista petrolinense se prepara para divulgar seu primeiro trabalho pelo País inteiro e até mesmo fora dele, na Europa 
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

O centenário Teatro Santa Isabel, no Recife, será o palco de lançamento do novo CD do cantor e compositor Zé Manoel, no dia 5 de maio. Com letras de sua autoria, em um som suave, entre sambas, jazz e chorinhos, o músico vai construindo sua carreira e ganhando admiradores na capital pernambucana e no Nordeste. Com a conclusão do seu novo disco – financiada pelo prêmio do Festival PRE AMP, vencido pelo petrolinense em 2011 – os horizontes da sua música começam a se expandir, com a perspectiva de fazer shows fora do País a partir deste ano.
Das aulas de piano aos 9 anos com a professora Lúcia Costa, passando pelos Matingueiros e pelos festivais em Petrolina e Juazeiro foi que Zé Manoel construiu as suas referências culturais e artísticas que desaguam no seu primeiro CD. E de muito escutar Tom Jobim, Dorival Caymmi e Chico Buarque, que ele criou e selecionou as suas composições na produção. “Esse segmento foi o que escolhi para essa fase da minha carreira. A escolha de uma música foi chamando a outra”, disse Zé Manoel.
A escolha das músicas e produção do disco durou praticamente o ano passado inteiro. Quis o destino que estivessem ao seu lado nessa empreitada dois outros petrolinenses, os produtores musicais Albérico Júnior e Carlinhos Borges, que é dono do Estúdio Carranca, onde o CD foi gravado. Mesmo antes do lançamento, o disco já começou a dar frutos aos jovem cantor de 31 anos. Através do produtor Sérgio Pezão, ele assinou contrato com a agência francesa VO Music, que irá representá-lo no agendamento de shows na Europa e América do Norte.
Na listinha de artistas da VO Music estão os brasileiros Milton Nascimento, a Spok Frevo Orquestra e Marcelo D2, além de cantores de mais 13 países. Com o novo contrato as perspectivas para 2012 são as melhores. Da realização de cerca de dois shows por mês na capital pernambucana, o cantor pretende turbinar a sua agenda de apresentações neste ano. “Em 2012 a meta é trabalhar bem o novo disco, circulando pelo Brasil e Europa, através da nova produtora, além de me estruturar para participar de mais festivais e fazer mais shows aqui mesmo no Recife”, projeta Zé Manoel.

Educação + trânsito = segurança

Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2012)

EQUAÇÃO É a pé que elas correm mais perigo. Segundo ONG, o trânsito é o principal vilão no índice de mortes de crianças até 14 anos 
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

Com frotas de carro que crescem a cada ano e os engarrafamentos afetando cada vez mais a população, as escolas têm dado uma atenção especial à educação no trânsito. Além de conhecer as principais placas e regras, o comportamento adequado na mobilidade urbana é um fator fundamental para a segurança dos menores, especialmente de alunos que vão sozinhos para o colégio.
Segundo a ONG Criança Segura, o trânsito é o principal vilão do índice de mortes de pessoas até os 14 anos. E como 72% das mortes e 84% do total de hospitalizações por acidentes no trânsito acontecem quando elas estão fora do veículo, as escolas têm investido em simulações de situações reais para que as crianças possam memorizar mais facilmente a conduta que devem ter no trajeto da escola ou quando voltam para casa.
À medida em que o número de veículos em Pernambuco cresce numa escala de mais de 10% ao ano, segundo estatísticas do Detran-PE, aumenta a urgência da educação no trânsito. No Recife, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) desenvolve ações para capacitar professores e alunos. Só neste ano, essas atividades educativas já chegaram a cerca de 14 mil alunos. “Nossa prioridade são crianças e jovens que estão nas escolas. Elas estão em situação de maior vulnerabilidade de acidentes, além de ser um momento fundamental para que compreendam o trânsito sob uma perspectiva de convivência cidadã, com foco na coletividade”, disse Francisco Irineu, gerente de Educação para o Trânsito da CTTU.
BINÁRIO
Localizada no trecho do recém-lançado Binário do Parnamirim, foco de controvérsias envolvendo ciclistas, motoristas e a CTTU, uma escola levou os estudantes literalmente para a faixa de pedestres com a campanha De cá pra lá... De lá pra cá... Além das aulas, que tratam de todo tipo de mobilidade urbana, os alunos, uma vez por mês, levam faixas e banners para a rua e abordam os motoristas – pais ou não – com alertas das principais infrações cometidas no trecho, como não parar em fila dupla e não respeitar estacionamento especial.
E para não contribuir com os engarrafamentos na rua, a mesma escola criou uma zona especial de desembarque rápido. Foi isolada uma área de estacionamento exclusivamente para os pais pararem os seus veículos. As famílias são orientadas a deixar as crianças numa posição que facilita a sua descida do carro e logo após a parada um funcionário acompanha o aluno para dentro da escola. “Estamos vendo uma cultura nova sendo construída no trânsito do Recife. Adotamos essa prática para facilitar o fluxo local de carros e temos um projeto contínuo com alunos e pais, que neste ano vai ser publicado numa coletânea de artigos do Detran-PE que destacam ações de educação no trânsito”, disse a diretora pedagógica Rejane Maia.
Com um fluxo interno de mais de 3 mil pessoas, entre alunos e funcionários, outro colégio da Zona Norte usa as ruas internas da instituição como o teste prático de respeito às regras de trânsito. Sinalizações, como faixas e placas, estão por toda parte. Uma lição que as crianças têm cada vez que precisam se deslocar para a quadra de esportes ou para um pátio. “Esse projeto existe há bastante tempo. Como dentro da escola circulam carros e pedestres, falamos com as crianças sobre o trânsito. Há uma prática, de forma lúdica e descontraída na nossa rotina, em que demonstramos com o exemplo as consequências de uma boa conduta no trânsito. E elas já cobram esse comportamento dos pais por isso”, afirma Maria Cecília Burle, supervisora de educação infantil.
A Semana Nacional do Trânsito, realizada em setembro, é uma das ocasiões preferidas da maioria das escolas para intensificar as ações educativas. É nesse período que há alguns anos uma escola particular na Zona Norte do Recife transforma seu pátio numa avenida de brincadeira. A cada dia da semana uma turma leva velocípedes e bicicletas e aprendem brincando. “As professoras se tornam os guardas de trânsito e as crianças são os carros. Eles passam por situações como a de permitir aos pedestres passar ou mesmo de estacionar no lugar correto. Acreditamos ser fundamental que essa educação no trânsito comece desde o maternal”, diz Liane Coutinho, coordenadora de educação infantil da escola.

Construção aquece economia

Publicado no Jornal do Commercio (13/11/2012)

REFERÊNCIA O setor é tão representativo que gerou 18 mil novos postos de trabalho de 2011 para 2012, um crescimento de 13,5%
 
Rafael Dantasrdantas@jc.com.br

O setor da construção civil se destaca no processo de reindustrialização de Pernambuco e no cenário de investimentos em infraestrutura. No segundo trimestre deste ano, o PIB do segmento teve um desempenho 12,5% superior ao mesmo período do ano passado, o maior de todas as atividades produtivas do Estado, de acordo com dados da Agência Condepe/Fidem. Além da sua capacidade de geração de empregos, o aquecimento da construção civil contribui para a dinâmica econômica estadual, ao passo que gera demanda para uma série de empresas que compõe a sua cadeia produtiva.
O desempenho do setor é explicado por três grandes motores: as obras de infraestrutura, a construção dos novos parques industriais e o aquecimento da indústria imobiliária. “Esse bom momento do setor, que está gerando tantos empregos, está relacionado a grandes investimentos públicos viários e de saneamento, a instalação de indústrias como a Refinaria Abreu e Lima e de diversas plantas industriais, além da demanda do mercado imobiliário, que foi impulsionada com o aumento do consumo das famílias”, aponta Rodolfo Guimarães, diretor de estudos e pesquisas socioeconômicas da Agência Condepe/Fidem.
Com uma demanda elevada, a indústria da construção passa a absorver um percentual significativo da mão de obra do Estado. De acordo com estudo publicado pela Ceplan, entre junho de 2011 e 2012, a construção civil em Pernambuco apresentou um crescimento na quantidade de empregos de 13,5%, o que representa a geração de 18 mil novos postos de trabalho em apenas um ano. Atualmente o setor tem cerca de 150 mil funcionários com registro em carteira de trabalho.
O desempenho do setor, aliás, é crescente há um bom tempo no Estado. Entre 2002 e 2010, o total de empregos formais na construção civil cresceu 173,8%, saltando de 44,8 mil trabalhadores para 122,9 mil. “Uma grande parte do crescimento do PIB de Pernambuco nos últimos anos está relacionada à construção civil. E com esse desempenho o setor é responsável por 8% dos empregos formais de Pernambuco. Enquanto os parques da indústria de transformação não ficam prontos, a construção é quem tem puxado o PIB industrial para cima”, afirma Valdeci Monteiro, diretor da Ceplan e professor de economia da Unicap.
Em Caruaru, um dos polos de crescimento imobiliário do Estado, a prefeitura indica que nos últimos três anos foram criados em média 30 empregos formais por mês no setor, além de contar com 184 empresas ligadas à cadeia da construção civil, como imobiliárias, construtoras e escritórios de engenharia e arquitetura. “O setor tem uma participação pujante na economia hoje e com uma expectativa considerável de avanço nos próximos anos. Com a vinda de novas indústrias e o crescimento do turismo de negócios temos uma demanda ainda elevada por unidades residenciais e leitos da rede hoteleira”, mapeou Franco Vasconcelos, secretário de desenvolvimento econômico da cidade.
Além das oportunidades de trabalho para os funcionários que atuam na base da obra – como pedreiros, marceneiros, eletricistas – uma série de outras categorias profissionais ligadas ao setor também vem conseguindo índices elevados de empregabilidade. De acordo com dados do Caged, elaborado pelo Ministério do Emprego e Trabalho, o estoque de empregos de arquitetos e urbanistas entre 2004 e 2010, por exemplo, cresce 17,4% ao ano. O número de técnicos de edificações e de obras de infraestrutura com trabalhos formalizados subiu no período em taxas de 15,5% e 13,1%, respectivamente, ao ano.
Na análise de Valdeci Monteiro, com o conjunto de empreendimentos em curso, o setor e a economia pernambucana, em geral, têm o crescimento garantido por alguns anos. “Pernambuco segue nesse ciclo econômico positivo, que se reflete diretamente na construção civil, pelo menos até o final da década. A década seguinte depende muito dos efeitos da crise internacional no cenário brasileiro, entre outros fatores”, diz.