Por Rafael Dantas
Segundo a pesquisa, a Estação Shopping é a que apresenta o maior percentual de usuários com renda acima de R$ 1.860 (36,8%), enquanto a média geral com essa faixa de renda é de apenas 13,5%. No item escolaridade, as Estações Shopping e Antônio Falcão apresentaram respectivamente 36,8% e 35% de usuários com nível superior completo. “Em geral, para quem tem poder aquisitivo ou escolaridade maior, a tendência é ser mais exigente. Daí, mais do que nunca a importância de ouvirmos o usuário e investirmos em qualidade. A Linha Sul está recebendo mais trens para melhorar o intervalo. A licitação para a aquisição de 15 trens já foi autorizada”, explicou a gerente.
Usando como marco de referência o IDH dos Bairros do Recife (2005), realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Estação Aeroporto está localizada numa área que apresenta um IDH de 0,964, comparado na época ao índice de localidades da Noruega, primeiro do ranking. Enquanto isso, a Estação Joana Bezerra, que serve tanto a Linha Centro como a Linha Sul, tinha índices comparados ao do Gabão, da África Subsaariana, com 0,632. “Passar em áreas semelhantes a de países mais desenvolvidos da Europa e os mais carentes da África e Ásia diariamente provavelmente é um fato único no mundo, o que só nos leva a pensar em meios de atender com a mesma qualidade públicos tão distintos, o que é bem difícil”, disse Rui Manoel, vice-presidente do Sindmetro-PE.
Além dos índices altos de renda e escolaridade, a pesquisa apontou também que o índice de satisfação dos novos usuários já é o maior do sistema. As cinco estações ouvidas na pesquisa estão entre as seis que possuem usuários mais satisfeitos. A Estação Shopping recebeu dos usuários a nota 8,1, enquanto a média geral do sistema foi de 7,1.
Apesar dos números positivos de satisfação, a Linha Sul ainda está longe de atender a quantidade de usuários previstos no planejamento. Atualmente, cerca de 20 mil usuários utilizam o sistema, enquanto a previsão era de ultrapassar os 200 mil. “É necessário melhorar o acesso ao sistema e construir as integrações para termos a dimensão do potencial que o sistema pode atingir”, disse Cirano Lopes, diretor da Federação Nacional dos Metroviários e membro do Fórum da Reforma Urbana.
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