sábado, 2 de outubro de 2010

Games incentivam estudos

Publicado no Jornal do Commercio (28.09.2010)
Rafael Dantas


Porto Digital e governo promovem olimpíadas virtuais, que unem jogos clássicos de computador com questões relacionadas ao currículo escolar

Uma iniciativa de competição de conhecimento bem-sucedida são as Olimpíadas de Jogos e Educação (OJE). Unindo clássicos games de computador e os enigmas (questões desafiantes), a OJE está em funcionamento desde 2008 e apenas neste ano já conta com mais de 26 mil participantes, só da rede pública estadual, de 165 municípios. O projeto, que nasceu de uma parceria entre Secretaria de Educação de Pernambuco e Porto Digital, com o objetivo de melhorar os índices educacionais do Estado, foi até exportada e agora está disponível para estudantes do Rio de Janeiro.

Os jogos foram elaborados levando em conta os conteúdos curriculares, mas sem perder o caráter atrativo dos games. “Queremos incentivar os alunos a fazer o bom uso das tecnologias. Para conseguir resultados proveitosos nos jogos, os alunos aprendem a pesquisar e estudar no computador”, declarou Pedro Lima, coordenador do Porto Digital do OJE. Segundo pesquisa feita com os alunos que disputaram a etapa em 2009, 26% dos alunos pesquisam mais na web e 19% participam mais das aulas.

Como para competir as equipes precisam ser compostas por alunos e um professor aliado, a olimpíada consegue também promover uma maior interação dos estudantes com os educadores, além de incentivar uma conexão entre os desafios propostos no ambiente virtual, com as aulas. “Quando conseguimos aliar esse universo lúdico, que desperta um interesse especial do jovem, com o trabalho pedagógico, essa interatividade do aluno com o professor é mais natural”, afirmou Ana Selva, coordenadora pedagógica da OJE pela Secretaria de Educação.

Outro ambiente que obteve reflexos positivos com a realização da OJE foram os laboratórios de informática. Segundo a pesquisa da Secretaria de Educação, 33% dos alunos afirmaram que o professor realizou mais aulas no laboratório e 28% disseram que usam mais o ambiente. Uma das propostas do grupo de coordenação da OJE é que esses espaços se tornem verdadeiras lan houses dentro das escolas.

SITES CIENTÍFICOS

Para o professor de química, Carlos Eduardo, aliado de várias equipes da Escola Trajano de Mendonça, em Tejipió, os alunos têm inclusive começado a pesquisar em sites científicos. “Eles navegam bastante por portais de universidades ou revistas científicas. Estão começando a diferenciar as fontes de informação confiáveis.” O contato do professor com os alunos aumentou consideravelmente, basta surgir um problema mais complexo que o “aliado” é solicitado para ajudar a equipe.

O aluno Iverson Pereira, 15 anos, é um veterano nos jogos. Depois de conquistar a terceira colocação da OJE, em 2009, ele integra a equipe que neste ano está na vice-liderança do torneio. O segredo dos alunos é nunca parar de jogar e estudar antes de responder os enigmas, pois quem erra fica bloqueado e não pode ganhar mais pontos naquele dia. “Temos que jogar muito, e cobro todos da equipe a estudar muito também, porque não podemos chutar”, afirmou. (R.D.)

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