sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Web é quase um intercâmbio

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)

IDIOMAS Alunos que complementam aprendizado pela internet encontram farto material e até conversam com nativos em chats e blogs

A distância entre os alunos de idiomas e os países de seus interesses foi substancialmente reduzida com a web. Se a internet facilita a vida de qualquer estudante, para o ensino de línguas ela é fundamental para diminuir as dificuldades de encontrar materiais – como músicas e revistas – e ainda para facilitar uma conversa com um nativo. Além do contato direto com publicações do mundo inteiro, há diversos sites que se propõem a auxiliar nessa aprendizagem, seja com cursos virtuais ou simplesmente com a disponibilização de textos com traduções e arquivos em áudio apropriados para quem está engatinhando em uma nova língua.

Para a professora de espanhol Flávia Renny é perceptível a diferença entre os alunos que exploram a internet daqueles que simplesmente vão assistir às aulas. “Os alunos que estão ligados às redes sempre chegam com novidades, empolgados por ter conversado com alguém de outra língua. Até as aulas acabam ficando mais interessantes para eles”, afirmou. Além de novos vocabulários, os alunos que se arriscam nos chats ou redes sociais de outros países terminam por absorver mais aspectos culturais e a compreender como pensam e se comunicam as pessoas em outros países.

Os alunos que se aventuram na rede têm condições de ter experiências reais com o idioma, não precisando esperar as aulas para poder conversar com algum colega de classe em outro idioma. “O acesso agora é imediato. O aluno vai direto aos sites de outros países, está muito mais exposto e tem mais condições de usar o inglês que aprende de forma real. Não fica tão reduzido à sala de aula ou à espera de ter contato com um estrangeiro”, diz Ana D’almeida, coordenadora pedagógica e integrante do grupo de consultores da empresa espanhola The Consultants-E.

O relacionamento com nativos ou com estudantes de idiomas de outros lugares do mundo já passa até a ser estimulado por algumas instituições. O Britanic, por exemplo, já promoveu dois encontros virtuais entre seus alunos e estudantes de inglês da Croácia. “Um dos nossos professores, que é croata, criou este projeto onde os alunos trocaram e-mails e fizeram atividades pedagógicas com os croatas que também estudavam inglês”, afirmou o professor Eduardo Farias, coordenador da Unidade do Britanic em Boa Viagem, que após se inserir no Facebook, já se aventura na novidade do Google+.

REDES SOCIAIS

Diversas ferramentas virtuais como os blogs, fóruns, chats e wikis (softwares colaborativos, onde a edição é feita de forma coletiva) já são bastante usados pelos professores mais plugados. As redes sociais são outro campo fértil para a atuação dos cursinhos de línguas, que lançam atividades ou sugerem vídeos através desse canal. “Com a web 2.0 o aluno passa a contribuir com a informação. Usando essas ferramentas na sala de aula, o professor torna o ensino muito mais colaborativo. Além disso, tudo o que foi discutido nos fóruns, por exemplo, fica registrado, permitindo tanto ao aluno e ao professor retornar àquela página para acompanhar todo o processo de construção do conhecimento”, disse Ana D’almeida.

Além de visitar portais de notícias e ter acesso a músicas e vídeos, o aluno de espanhol e professor de inglês Agnelo Câmara destaca que os games virtuais são uma ferramenta bastante eficiente para o enriquecimento do vocabulário. “Adoro os chats, mas uma plataforma que é muito melhor são os jogos online, especialmente aqueles de RPG. A quantidade de vocabulário que se aprende e a versatilidade do idioma com o qual você tem contato é impressionante”, diz Agnelo, que afirmou jogar em sites como o Tibia, Counter Strike e Combat Arms, que possuem jogadores de vários países.

Outra novidade no mundo da tecnologia que já tem sido bastante usada pelos alunos de idiomas são os aplicativos de smartphones para o ensino de idiomas. Após anos aprendendo inglês, o estudante de ciências da computação Miguel Doherty, 19 anos, agora estuda francês e não abre mão da tecnologia. Além de aproveitar a internet para assistir a TV5 Monde (rede de televisão transmitida em francês), ele usa o celular para estudar o idioma da vez. “Uso um aplicativo do celular que disponibiliza vários tópicos de um livro, onde posso avançar meus estudos”, disse Miguel. Entre as preferências dele na internet estão os sites que ajudam na aprendizagem da conjugação de verbos, os tradutores e na pesquisa de sinônimos.

Se as ferramentas são as mais diversas, outra vantagem que leva os alunos a procurarem a web para estudar idiomas é a possibilidade de estudar e conversar com outras pessoas em qualquer horário. Para quem curte os chats, dificilmente as salas de bate papo se esvaziam. Os jogadores de plantão também encontram seus adversários a qualquer hora do dia ou da madrugada.

Além das redes sociais, já despontam uma série de cursos de idiomas pela web (e-learning). Os professores aprovam a ideia e até indicam aos alunos alguns desses sites como complementares, mas ainda acreditam que a aula presencial não deve ser substituída, principalmente pelo desenvolvimento da conversação e pela orientação de um professor por perto – já que nem tudo na internet pode ser confiável. “Esse tipo de curso é bem cômodo para quem prefere ficar em casa, mas prefiro a sala de aula onde nos envolvemos com o idioma de forma divertida e praticamos a conversação simulando situações do dia a dia”, disse a professora Flávia Renny.

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