sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Escola pública com wi-fi e PCs para todos

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)

UM COMPUTADOR POR ALUNO O primeiro resultado do programa criado pelo MinC veio com a redução da evasão escolar

SURUBIM – Uma escola com wi-fi e netbooks para todos os alunos. Se isso era uma experiência possível para poucas instituições particulares de ensino, agora a rede pública começa a viver essa realidade. Através do programa Um Computador por Aluno (UCA), do Ministério da Educação, 14 escolas municipais e estaduais em Pernambuco já estão com os dois pés no mundo digital. Seja na sala de aula, na biblioteca ou no pátio do recreio, os alunos de várias cidades do interior estão plugados gratuitamente com informações e redes sociais do mundo inteiro. Com escolas falando a língua dos estudantes, um dos primeiros resultados da fase piloto do programa é a redução da evasão escolar.

Alunos motivados e professores começando a pensar e fazer o uso da tecnologia da educação. Essas são duas características das escolas que foram beneficiadas pelo projeto UCA. Se para a capital o uso da internet em sala de aula ou nos corredores já é um atrativo, para essas instituições de ensino localizadas em lugares como Caetés, Ingazeira e Lagoa dos Gatos significa incluir estudantes e seus familiares na era digital. “O projeto causou um forte impacto no primeiro momento. Dinamizou as escolas ao permitir uma apropriação tecnológica de fato aos alunos e professores”, afirmou o professor da UFPE e coordenador do UCA em Pernambuco, Sérgio Abranches.

Uma das escolas onde o programa está funcionando, apesar das limitações de conexão – um problema em quase todas as cidades – está em Surubim. Localizada a 130 quilômetros do Recife, a Escola Natalicia Maria Figueiroa da Silva recebeu 300 netbooks do programa, apelidados pelos alunos de “uquinhas”. Após a adesão, a procura por interessados em estudar na escola aumentou. “Temos alunos de vários bairros da cidade e de municípios vizinhos, como Frei Miguelino e Santa Maria do Cumbucá. Muitos dos nossos alunos não tem conexão em casa, por isso eles gostam muito do programa”, afirma o diretor da escola, João Filho.

Os professores utilizam os computadores em algumas aulas, planejadas de acordo com a necessidade do conteúdo que está sendo transmitido em sala. Segundo o corpo docente da escola, os trabalhos escolares ganharam conteúdos mais ricos e exposição mais interessante. Os estudantes passaram a ter novas fontes de pesquisa – que antes se resumiam aos seus livros didáticos e ao acervo da biblioteca – e desenvolveram habilidades no power point, apresentando em slides as atividades.

De acordo com a professora de geografia e filosofia Raquel de França, antes do UCA alguns alunos usavam a internet apenas em lan houses e não tinham prática de pesquisa dos conteúdos educacionais. “O acesso contribuiu significativamente para a inclusão digital desses alunos e o fato desse programa ser na escola foi fundamental para que eles pudessem aprender a pesquisar novas fontes de informação”, diz.

Além das atividades orientadas pelos professores e monitores, no intervalo entre os turnos – visto que a escola funciona em tempo integral – os alunos podem pegar os uquinhas no laboratório para navegar na rede. E como a escola toda está conectada, eles podem escolher o cantinho mais adequado para fazer suas pesquisas, mandar seus e-mails e acessar os sites e redes sociais preferidos.

Vinda de São Paulo com a família, a aluna Eduarda Anjos, 15 anos, teve uma adaptação difícil ao Estado. Porém, um dos fatores que facilitou a aluna a se acostumar e gostar da sua nova vida em Pernambuco foi a escola. Morando perto do centro de Surubim, Eduarda não tem internet em casa e conhecia a web apenas pelas lan houses. Plugada na escola e na rede – que usa principalmente para as pesquisas e para as redes sociais, ela deseja permanecer na cidade.

Outro aluno que não perde um minuto do intervalo para ficar conectado é Kildare Brusky, 15. Morador de Surubim e com o sonho de seguir uma carreira militar, ele tem um discurso empolgado na defesa do projeto UCA. “A escola virou uma base para que os alunos fiquem perto das novas tecnologias desse século.” Kildare afirma que usa o uquinha principalmente para as disciplinas de espanhol, inglês e projeto de empreendedorismo. E além da internet, ele afirma usar com frequência programas como excel, word e power point para os seus exercícios.

EM CASA

A proposta inicial do projeto UCA era que os alunos levassem os netbooks para casa. Porém, a falta de conexão nas cidades tem sido um empecilho. Os computadores foram entregues aos alunos apenas em lugares onde a internet wi-fi funciona ao menos em algum local público. Em Caetés, por exemplo, um dos municípios onde os uquinhas já foram distribuídos, uma praça é o ponto de conexão dos alunos. A ideia dos computadores em casa é de inclusão não apenas do estudante daquela escola envolvida no programa, mas de ampliar esse acesso aos seus irmãos e pais.

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