Publicado no Jornal do Commercio (25/12/2011)
Ter os filhos até os 40 e fazer os exames indicados pelo obstetra são alguns dos conselhos dados pelos especialistas na reportagem que abre série a ser publicada nos próximos quatro domingos
O ano de 2012 bate à porta. E se engravidar está entre as suas resoluções, é bom ficar atenta a algumas recomendações médicas. Elas são imprescindíveis para reduzir os riscos de aborto e má-formação do feto, bem como garantir a saúde da mamãe. O grande drama da mulher moderna, segundo os especialistas, é conciliar o sonho de ser mãe com os projetos profissionais. A incompatibilidade desses planos tem adiado a gravidez, chegando a complicar ou inviabilizar a chegada de novos rebentos ao mundo.
Segundo o obstetra e ginecologista do Hospital Esperança, Hélio Costa, um dos aspectos mais importantes que o casal precisa entender é que existe uma idade ideal para engravidar. “O mais adequado é que a mulher comece a engravidar antes dos 35 anos e complete a sua prole (tenha todos os filhos que gostaria de ter) antes dos 40 anos”, aponta.
O obstetra lembra que a fase de maior fertilidade está entre 20 e 32 anos. De acordo com estudiosos, quanto maior a idade, também são maiores os riscos de abortamento e de má-formação, principalmente quando a gestante passa dos 40 anos.
Independente da idade, outra dica para as mulheres é fugir da ansiedade que é uma das causas de infertilidade. “Com a inserção da mulher do mercado de trabalho, ela tende a adiar a maternidade. Porém, ao decidir ter o filho com uma idade avançada, sabendo que tem pouco tempo, a ansiedade dessas mulheres em engravidar logo pode atrapalhar os planos delas”, aconselha Hélio Costa.
Rosineide Francisca é um dos exemplos de quem deixou para engravidar um pouco mais tarde. Aos 36 anos, ela está na tentativa do primeiro filho, após 16 anos de casamento. “Esperei todo esse tempo porque queria trabalhar mais para ter uma condição financeira mais tranquila no momento da gestação”, conta. Graças aos cuidados com a saúde ao longo da vida, com uma alimentação saudável e sem vícios, Rosineide passou bem pelos exames médicos e agora está só na expectativa.
“Não queria engravidar nova. Como já estou chegando na faixa dos 40, está na hora, mas estou despreocupada, com a saúde está tudo bem”, diz.
Quem também está na tentativa de engravidar é a auxiliar de enfermagem Jailce Raquel Santos. Há alguns anos, descobriu que tinha um cisto no ovário. Fez um tratamento que durou cerca de seis meses, bem-sucedido. “Ao terminar, o médico disse que estava tudo perfeito para engravidar”. Recentemente, descobriu que sofre de endometriose, doença que inviabiliza a gestação.
Ela está sendo acompanhada por um profissional, mas uma das suas lutas que começa a ser vencida, e também atrapalha a gestação, é a ansiedade. “Hoje estou trabalhando melhor o meu psicológico. A ansiedade estava piorando a situação. Antes, quando a menstruação estava chegando, já ficava naquela tensão”, afirma Jailce, que conta com o apoio do marido e de amigos para fugir das pressões.
EXAMES
Além da idade, a mulher deve cuidar bem da sua saúde para só então iniciar o processo de gestação. O conselho dos médicos é que antes mesmo de suspender os métodos anticoncepcionais a mulher deve tratar todas as doenças, lesões ou demais fatores complicadores da gestação, visto que há uma série de medicamentos e tratamentos que são proibidos no período da gravidez.
“É importante que as pessoas que desejam ter filhos procurem o serviço de saúde para receber orientação, cuidar da sua saúde e fazer os exames para ficar com tudo em dia”, salienta a gerente de Atenção à Saúde da Mulher do Recife, Benita Spinelli.
A dona de casa Fabiana Cordeiro, 34, passou anos evitando engravidar. Há 24 meses, quando decidiu que era a hora de encomendar o neném descobriu que possuía endometriose (doença que se desenvolve na parte interna do útero). Só a partir daí, procurou profissionais médicos para se preparar para a gravidez. Fez cirurgia, tratamento e segue sobre orientação de ginecologista com o objetivo de engravidar.
Sob os devidos cuidados, ela e o esposo Cristiano Viega, 40, lutam pelo sonho de ter o primeiro filho. “No começo estava ansiosa para ter logo o bebê. Hoje, já controlo melhor a ansiedade. Tenho seguido as orientações médicas, fazendo os exames e mantendo uma vida saudável”, revela Fabiana.
Com ajuda do obstetra, em geral a mulher que pretende engravidar faz diversos exames. Os mais comuns são os testes de doenças que podem ser transmitidas para o bebê. “Houve uma época que haviam os exames pré-nupciais, mas isso caiu um pouco em desuso. O básico são os testes das doenças sexualmente transmissíveis e uma preventiva do câncer do colo de útero”, disse Benita.
Exames para verificar se a grávida tem alguma infecção urinária, hepatite, diabetes, hipertensão, hipotireoidismo e anemia estão na pauta de verificação das mulheres antes de engravidar. “Há uma série de doenças que precisam de um diagnóstico feito antes da gravidez, porque há um prejuízo grande de se engravidar com elas, oferecendo riscos para si e para o bebê”, diz Hélio Costa.
Um dos suplementos para a alimentação da mulher nos meses anteriores à gestação e nos primeiros meses da gravidez é o ácido fólico. Ao tomar o comprimido – diariamente – são reduzidas as chances de defeitos na formação do tubo neural do bebê, que é a estrutura que originará o cérebro e à medula espinal do feto. Segundo os especialistas, é importante que essa suplementação ocorra antes do início da gestação porque a formação do tubo neural se dá no bem começo da gravidez. O serviço público de saúde oferece, sem custo nenhum, o suplemento de ácido fólico.
Outra medida preventiva que pode ser tomada por quem deseja engravidar é deixar as vacinas em dia antes de tudo. “As vacinas para hepatite, tétano e rubéola são importantes para a mulher grávida. As duas primeiras podem até ser tomadas durante a gestação, mas a de rubéola tem que ser antes”, avisa o ginecologista e obstetra Alexandre Guerra.
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