sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Pele de grávida sofre

Por Rafael Dantas
Publicado no Jornal do Commercio (22/01/2012)

Mudanças hormonais, aumento de peso e cuidados para evitar uso de medicação que prejudique o bebê favorecem o surgimento de estrias, acne e manchas

Se a maioria das mulheres se preocupa bastante com a pele por questões estéticas, para as grávidas, essa preocupação é ainda maior já que elas levam em conta a saúde do bebê. O maior órgão do corpo humano terá durante a gestação uma série de restrições para reduzir riscos de má-formação do feto, pré-disposição para doenças e até de aborto. Segundo especialistas, a atenção vai desde os cosméticos dos cabelos até o uso de hidratantes.

Desde o início da gravidez a pele da grávida passa por algumas mudanças. “Na gestação, a pele fica propensa ao surgimento de manchas, não só as áreas que já têm uma maior pigmentação natural. Os mamilos, axilas e virilha ficam mais escuros e surge a linha alba, no centro da barriga”, afirma a dermatologista do Centro de Estudos Dermatológicos de Recife, Flávia Alves.

Um das grandes preocupações da mulher na gestação é quanto ao surgimento do melasma (cloasma), que são manchas que aparecem com frequência nas áreas do corpo expostas ao sol, principalmente no segundo trimestre de gravidez. Dois fatores influenciam o surgimento: a exposição da pele ao sol e o aumento das taxas de hormônios. “Como vivemos numa área de alta incidência de raios ultravioletas, é necessário proteger a pele porque é uma mancha que escurece”, declara Perla Gomes, dermatologista do Santa Joana.

Usar diariamente protetor solar, evitar levar sol das 10h às 16h e redobrar outros cuidados, como usar chapéus, estão entre as dicas das especialistas. Flávia Alves diz que os protetores não devem ser deixados de lado nem nos dias chuvosos ou quando a grávida permanece em casa. “Isso porque existe uma radiação indireta. Até na sombra há radiação por reflexão da luz”, explica Flávia. “Por que esse cuidado todo? Uma vez que o melasma surge, para desaparecer dá trabalho e ele fica sempre voltando”, adverte a médica. Essa proteção deve ocorrer nos primeiros meses de gravidez, quando os níveis de hormônio sobem.

Pouco pode ser feito após o surgimento das manchas. “Na amamentação e durante a gravidez não podemos fazer muito pela paciente. As poucas medicações que podemos utilizar são indicadas apenas a partir do segundo trimestre e são muito fracas para um tratamento eficaz”, afirma Perla.

Outra preocupação das grávidas é quanto aos riscos de usar medicamentos na pele. Como não são feitas pesquisas sobre os efeitos deles em gestantes, toda nova medicação lançada é contraindicada. “É difícil dizer que determinado produto não prejudica o feto. Os riscos podem estar nos cosméticos ou em remédios”, diz a dermatologista Perla Gomes.

HIDRATANTES

De acordo com Perla, o uso de um simples hidratante de pele tem suas restrições. “Alguns com determinada composição de substâncias são contraindicados. Hidratantes, por exemplo, com uréia e lactato de amônio, devem ser evitados durante a gravidez”, declarou.

Outra contraindicação das dermatologistas em relação às loções hidratantes são os produtos à base de frutas cítricas, como maracujá. “O uso desses hidratantes podem ocasionar o surgimento de manchas na pele, além do próprio risco de fazer a grávida enjoar. O cheiro de um hidratante pode ser o suficiente para provocar náusea e a mulher não suportar usá-lo. A gestante deve procurar produtos mais suaves e mais neutros”, diz Flávia.

Apesar de restrições com o tipo de hidratantes, o uso deles é fundamental para reduzir os riscos de estrias durante a gestação. A própria distensão que a barriga sofre com o desenvolvimento do feto e com o crescimento dos seios pode predispor as indesejáveis estrias. Portanto, a dica das especialistas é não economizar na hidratação, principalmente nas mamas, glúteos, abdome e coxas.

Outros fatores que aumentam as chances do surgimento desse mal na pele é o acréscimo de peso acima de 15 ou 20 quilos (a média recomendada pelos obstetras é de 12 quilos) e a idade inferior a 20 anos das grávidas.

O surgimento acentuado de acne também incomoda as que esperam bebês. Mas nem todas as mulheres sofrem com as indesejáveis espinhas. Em algumas, aliás, acontece exatamente o oposto. “Não está provado que a gravidez interfere no surgimento da acne. Há grávidas que não têm uma espinha no rosto. Já outras sofrem muito com isso. Para fazer o tratamento adequado, é importante saber quais medicações podem ser usadas ou não”, diz Perla.

A designer de interiores Danielle da Costa, 35 anos, passou por algumas das restrições enquanto esperava a primeira filhinha, Kali. Como usava um creme que continha ácido na sua composição, ela suspendeu de imediato o produto ao descobrir-se grávida.

Curiosamente, Danielle afirma que a pele e o cabelo ficaram até mais bonitos durante a gestação, sem o surgimento de acne. Usar protetor solar diariamente, no entanto, não foi o suficiente para evitar o surgimento do melasma. “Não pude tratar das manchas para evitar riscos para a saúde do bebê. Sigo a orientação do dermatologista de só tratar o problema quando encerrar a fase da amamentação”, afirma.

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