sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Alemanha além de Berlim

Por Rafael Dantas

Publicado no Jornal do Commercio (15/09/2011)

KOBLENZ (Alemanha) – O voo direto Recife–Frankfurt fez a Alemanha ficar mais perto e mais acessível aos pernambucanos. Com isso, além das cidades mais badaladas do roteiro alemão, como Berlim e Munique, outros destinos podem entrar no roteiro dos amantes do Velho Mundo. E nas rotas turísticas a serem descobertas pelos turistas locais estão algumas cidades do Estado da Renânia-Palatinado, como Koblenz – sede do festival alemão de jardinagem – Bad Ems e Nürburg, que guarda no seu autódromo a história e o luxo da principal categoria do automobilismo mundial – a Fórmula 1.

O país, conhecido pelos seus vários castelos, sabe muito bem preservar e dar vida a prédios e espaços públicos que testemunharam uma longa história de realeza e fé. Mesmo longe das grandes cidades, os pequenos distritos e vilarejos guardam as lendas das famílias que as fundaram e as construções antigas que ficaram de pé apesar das bombas de guerras. Num passeio pelas estradas alemãs, avista-se facilmente no horizonte pequenos castelos.

Os apreciadores do turismo religioso encontram nas cidades alemãs uma característica curiosa: as igrejas evangélicas também têm arquitetura e detalhes que muito se assemelham ao esplendor das igrejas católicas – com suas imagens em ouro e pinturas que retratam os santos e histórias bíblicas. No berço da Reforma Protestante, as ideias do monge Martinho Lutero arrastaram várias igrejas para o movimento. Uma nova fé, mas nos mesmos prédios católicos.

E os rios que cortam o Estado, que fica a 130 quilômetros de Frankfurt, compõem as paisagens nas mais importantes cidades locais. Estão às margens do Rio Reno imponentes construções e monumentos, como o Canto Alemão, um dos cartões-postais mais visitados do país. E como o Reno – o maior da região – é navegável, há ótimas opções para passear pelas suas águas e as de seus afluentes.

Confira quais atrativos são imperdíveis para visitar em Koblenz, Bad Ems e Nürburgring, localizadas na Renânia-Palatinado.

Cidade das flores e dos rios

KOBLENZ Cidade onde as águas do Reno e de Mosela se encontram abriga, até 16 de outubro, o Buga, diversificado festival da flora alemã

KOBLENZ
(Alemanha) – Água, terra, construções históricas e muitas flores. Uma combinação perfeita para ser sede do Bundesgartenschau ou simplemente o Buga 2011 (www.buga2011.de), um amplo festival da jardinagem nacional alemã. Para este ano, a cidade escolhida para acolher o evento foi Koblenz, onde os Rios Reno e Mosela se encontram e onde se pode apreciar uma série de atrativos naturais e históricos. Belo roteiro para os turistas interessados em conhecer um dos recantos mais famosos do Estado da Renânia-Palatinado.

A entrada do festival é no Kurfürstliche Schloss ou Palácio Eleitoral de Koblenz, patrimônio mundial da Unesco desde 2002. Diversas espécies de flores, de variadas cores, formam um jardim digno de um castelo. Todos os tipos de espécies possuem placas informando o nome e algumas características. E como os alemães adoram ter a frente de suas casas repleta de plantas e árvores, não é raro ver gente com um caderninho anotando o nome dos tipos desejados.

Além das flores, há uma série de edifícios históricos exuberantes – algumas datando do início do classisismo francês – que compõe o complexo onde funcionam diversas agências federais. Mais do que a imponência dos prédios, o pátio posterior ao palácio oferece uma bela paisagem ressaltada pelo Rio Reno. Aos amantes dos passeios marítimos, há uma série de embarcações para pequenas viagens. O turista pode comprar o bilhete do Buga já incluindo o passeio de barco.

Continuando o passeio, após o pátio posterior existem várias opções de restaurantes. Se você tiver sorte e o dia for de sol, poderá curtir bons músicos tocando clássicos ao violino.

Um dos pontos mais conhecidos de Koblenz é o Deutsches Eck (o Canto Alemão), onde se encontram os rios que cortam a cidade e há um mirante. É láque está localizado o monumento equestre de 14 metros de altura de Guilherme I, o primeiro kaiser alemão da Alemanha unificada (foi imperador entre 1871 e 1888).

FORTALEZA

Numa olhada para a outra margem do rio, é possível apreciar a Ehrenbreitstein Fortress. Uma fortaleza localizada 118 metros acima do Rio Reno. Mais interessante do que a vista, é pegar o teleférico e conhecer o outro lado das exposições do festival de flores, com as diversas construções da cidade. A travessia no bondinho permite uma bela vista composta por embarcações e montanhas que cercam a cidade.

Para o evento, na área da Fortaleza de Ehrenbreitstein há várias exposições de arte, de plantas e algumas salas com achados que recompõe a vasta história de Koblenz. Um dos espaços mais disputados é a mostra de bonsais. De todos os tamanhos e tipos, as miniárvores orientais são um atrativo à parte. Curiosamente, em um dos corredores de exposição há uma mostra de itens natalinos.

O ponto alto do passeio à fortaleza é o mirante, de onde se tem uma vista panorâmica de Koblenz. Cercada por cadeias de montanhas e com dois mil anos de história, resguardada em cada igreja, monumento, edifício e forte, a cidade que já tinha elementos suficientes para seduzir os turistas do mundo inteiro, se tornou ainda mais relevante após se preparar para o Buga, que se encerra no dia 16 de outubro.

Festival à parte, Koblenz possui um centro comercial bem movimentado, com diversos restaurantes oferecendo no cardápio o melhor da gastronomia alemã. Dos pratos repletos de carne de porco, batata e saladas, nada melhor do que um sorvete tamanho família ou um chocolate para sobremesa – algumas das especialidades do país. (R.D.)

Nürburg é palco da Fórmula 1

NÜRBURG (Alemanha) – Há 60 quilômetros de Koblenz, no meio da tranquilidade das florestas da cidade de Nürburg, a natureza e a paisagem medieval dos castelos abrem espaço para a modernidade do circuito da Fórmula 1. Ao lado de Hockenheim, Nürburgring (www.nuerburgring.de) é o mais tradicional circuito de automobilismo da Alemanha. E o autódromo não é uma opção apenas para os dias de corrida. Para os amantes dos carros há um museu repleto de modelos de automobilismo – em especial os alemães, como BMW e Mercedes – e salas especiais onde em poucos minutos se faz um passeio pela história e curvas do famoso circuito automobilístico.

Nürburgring é considerado um dos templos do automobilismo europeu. Porém, além da Fórmula 1 e de diversas outras categorias que competem no circuito, a sede do Grande Prêmio da Alemanha se tornou um museu da velocidade, parque de diversões, além do acesso à pista também aos não pilotos. Os amadores da velocidade têm a opção de dar uma volta na pista com seus carros, pagando um pouco mais que o ingresso do museu. A Nordschleife, o traçado antigo do local que se adaptou à nova Fórmula 1, com mais de 22 quilômetros, é o desafio que os pilotos terão a sua frente. E para quem não curte correr, mas visitou a cidade num dia sem provas oficiais, há algumas áreas abertas – fora do parque oficial – onde é possível ver os carros acelerarem no circuito antigo.

No museu, o turista encontrará carros de corrida de diversas épocas e categorias. No acervo, estão os carros da McLaren, a campeã mundial com Mika Hakkinen, e da Benetton, que levou Michael Schumacher aos primeiros títulos. Há uma diversidade de informações sobre o funcionamento dos motores, parte por parte – com textos em inglês e alemão. Carros desmontados, réplica de modelos dos anos 50 e até dois cockpits estão em exposição. Entre as peças do espaço estão estátuas em tamanho real dos grandes pilotos da Fórmula 1. Entre os brasileiros o único que figura nesse hall da fama é Ayrton Senna. Ao lado dele, estão ídolos locais, como o próprio Schumacher e o austríaco Niki Lauda, que até hoje é comentarista na televisão alemã.

O museu da velocidade dispõe também de salas modernas que levam os turistas a um tour virtual ao passado do circuito, contando a trajetória de Nürburgring. Preferido das crianças, o NurBuss é uma sala cercada por telões que simulam o passeio pelo autódromo em um ônibus. Na sala que conta a história do local, os turistas sentem na pele desde a emoção do festejo com o champanhe – sempre presente nos pódios – até a sensação de impotência diante do fogo que incendiou o carro de Lauda, em um acidente em 1976 na pista local. A sala também esfria e simula a neve quando fala das corridas realizadas nos invernos alemães. (R.D.)


Nenhum comentário:

Postar um comentário