Publicado no Jornal do Commercio (27/09/2011)
EAD Modalidade deve superar a marca de um milhão de estudantes este ano e tem sido fundamental para a interiorização da educação
Para quem tem uma carga extensa de trabalho e mesmo assim quer continuar os estudos, a educação a distância tem sido um caminho bastante procurado. Em Pernambuco, a UPE, UFRPE, IFPE, UFPE e várias instituições privadas já dispõem de cursos superiores e inclusive de pós-graduação. E se para os alunos a modalidade é um atrativo devido à flexibilidade de horários, para a demanda de profissionais do Estado, em especial no interior, a EAD tem contribuído significativamente para a formação de mão de obra.
A educação a distância (EAD) vive uma fase de consolidação no País. Segundo estimativas do Ministério da Educação (MEC), a quantidade de universitários que optaram pela modalidade deve superar a marca de um milhão este ano. De acordo com o CensoEAD 2010 – que inclui na conta cursos corporativos e livres – já havia 2,6 milhões de estudantes à distância no Brasil. Em Pernambuco, os polos da EAD se espalharam por 24 municípios, chegando a cidades em que o ensino presencial levaria décadas para se instalar.
Com cerca de sete mil alunos – em cursos de graduação, licenciatura, especialização e mestrado – a UFRPE já dispõe de uma Unidade Acadêmica em Educação a Distância. A atuação da universidade, que já formou seus primeiros alunos na nova modalidade, extrapolou os limites de Pernambuco, atendendo hoje polos na Paraíba, Tocantins, Ceará e Bahia. “Todos os nossos alunos que se formaram foram absorvidos pelo mercado. A qualidade dos estudantes a distância não deixa a desejar em relação aos alunos presenciais. E para atender ao crescimento do País não tem como pensar num crescimento do ensino superior sem investir em educação a distância”, disse Marizete Santos, diretora-geral de educação a distância da UFRPE.
Enquanto os cursos presenciais são em sua maioria de bacharelado (71,3%), na modalidade a distância a predominância é das licenciaturas, com 50%. Um dos responsáveis pela elevada oferta de vagas para formação de professores é o Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica (Parfor) criado a partir de um esforço conjunto do MEC, instituições de educação superior e das secretarias de educação estaduais e municipais. O objetivo do Parfor é garantir formação exigida por lei aos professores que atuam na rede pública de educação. E como muitos dos educadores sem formação universitária são do interior, 48% das vagas são a distância.
Estão no público alvo do Parfor os docentes que precisam realizar a primeira licenciatura e aqueles que já possuem ensino superior, mas atuam em área distinta da sua formação (um engenheiro que ensina física, por exemplo). Com destaque na experiência em cursos a distância, a UPE atende exclusivamente polos no interior do Estado. Em cinco anos, foram investidos cerca de R$ 20 milhões em infraestrutura da EAD em todos os polos, contando com mais de três mil alunos. Entre os cursos oferecidos pela instituição estão as licenciaturas em letras e biologia.
Para o diretor do Núcleo de Educação a Distância da UPE, Renato Medeiros de Moraes, a EAD garante não somente a possibilidade dos professores se formarem, como seguir os seus estudos. Principalmente em cidades mais remotas. “Muitos dos nossos alunos que estão se formando já entram nas especializações. Nos próximos anos a oferta do MEC para essas pós-graduações irá se ampliar. Pernambuco é um Estado muito comprido. E com certeza a EAD terá mais importância em alguns anos, principalmente onde não existem as grandes infraestruturas educacionais”, disse.
Outra área que vem recebendo atenção do MEC é a formação de gestores públicos, através do Programa Nacional de Formação em Administração Pública. As instituições públicas de ensino superior que trabalham com a EAD já vem ofertando tanto a graduação nessa área, como especializações em gestão pública, gestão municipal e gestão pública em saúde.
O professor universitário, Rodrigo Acioli, 28 anos, foi um dos beneficiados com a abertura das especializações a distância. Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimento, ele tinha interesse em estudar gestão pública. “Neste momento não havia condições de fazer um curso presencial por causa das minhas atividades profissionais. Dessa forma pude me qualificar melhor, adequando os horários de estudo de acordo com a minha disponibilidade”, diz. Da mesma forma que Rodrigo, uma série de profissionais que atuam na esfera pública tem procurado as pós-graduações.
AUTOFORMAÇÃO
Uma das dificuldades encontradas pelas universidades e faculdades que passam a integrar a rede de educação a distância do País é a carência de profissionais com formação nessa modalidade. Como a maioria dos docentes sempre atuou exclusivamente com o ensino presencial, estão começando a surgir os cursos de mestrado e pós-graduação na área. Neste ano, a UFRPE inaugurou a primeira turma de mestrado em gestão e tecnologia aplicada a EAD do Brasil, com 15 alunos.
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